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Números
indigestos
Durante reunião no Palácio do Planalto, o comandante
da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, mostrou
ao presidente Lula a extensão do problema que seria atender isoladamente
as reivindicações dos controladores de vôo. Saito
disse ao presidente que concordar com as exigências da categoria
seria estender as benesses a quase quinze mil militares envolvidos no
controle do tráfego aéreo. Diante dos números,
Lula rasgou o acordo feito com os controladores. Mais: o governo Lula
anunciou, nesta terça-feira à noite, que tem um plano
B para ser acionado em caso de nova greve dos controladores. Ou seja,
o Plano B só surgiu na sexta-feira.
Morrendo
na praia
A reunião entre os representantes dos controladores de vôo
e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo da Silva, pouco avanço
produziu. Informados de que serão investigados pela Justiça
Militar, os controladores que se rebelaram na última sexta-feira
deixaram o Ministério de mãos vazias, mas garantiram que
não haverá greve durante o feriado da Páscoa. No
contraponto, o advogado da categoria disse, momentos antes do encontro,
que a não ratificação do acordo firmado por ocasião
da rebelião poderia provocar uma nova greve. É mínima
a chance de uma nova paralisação por parte dos controladores,
mas a operação padrão deve continuar. Mais: antes
da reunião, o ministro Paulo Bernardo disse que com a faca no
pescoço não negociaria. Na sexta-feira, ou o ministro
estava sem pescoço, ou os controladores sem faca.
Roendo
a corda
O presidente Lula, em pronunciamento que fará à nação,
dirá ao povo brasileiro que foi traído no caso dos controladores,
mais especificamente pelos amotinados. Pressionado por militares de
alta patente das três Armas, o presidente decidiu recuar e endurecer
com os sargentos que se rebelaram na sexta-feira. Em entrevista, o ex-líder
do governo na câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse
que na ocasião o governo precisava restabelecer a ordem nos aeroportos.
Ou seja, tirante a quebra da hierarquia militar, traídos foram
os controladores. Em tempo: falar em traição é
mais uma galhofa presidencial, pois há muito que o governo federal
conhece o grau de descontentamento dos controladores. Além da
obsolescência do controle aéreo. (Foto:
BBC)
Barrado
no baile
O desgaste que o presidente Lula vem enfrentando
desde que os partidos de oposição decidiram pela criação
de uma CPI para investigar o caos aéreo nacional, tem nome e
sobrenome: Carlos Wilson. Eleito deputado federal pelo
PT pernambucano, Carlos Wilson foi indicado pelo próprio Lula
para presidir a Infraero, cargo que deixou em 2006 para disputar vaga
na Câmara. Diante da iminente possibilidade de escândalo,
o presidente Luiz Inácio decidiu não mais receber Carlos
Wilson em palácio. O que mostra que vem confusão pela
frente. (Foto: Infraero)
Estava
no cardápio?
Líder do governo na Câmara dos Deputados, o pernambucano
José Mucio Monteiro (PTB) disse, nesta segunda-feira, que após
a greve dos controladores a CPI do Apagão Aéreo não
se faz necessária, pois o governo detectou o foco do problema
e irá solucioná-lo o mais breve possível. Com tal
declaração, o deputado José Mucio convida os brasileiros
a prensarem que a rebelião da última sexta-feira foi uma
missa encomendada pelo Palácio do Planalto, a quem não
interessa uma profunda investigação na Infraero.
Calcanhar
de Aquiles
Se a maquiagem nos aeroportos brasileiros já foi escolhida como
uma das pontas da investigação que pode causar enormes
problemas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
afinal a CPI do Apagão deve revirar o assunto de todas as maneiras,
detalhes até então desconhecidos agitarão os trabalhos
parlamentares. Se investigada de forma adequada, a concessão
das áreas de estacionamento nos aeroportos brasileiros pode complicar
de sobremaneira a vida dos dirigentes da Infraero. A começar
pelo estacionamento do aeroporto de Congonhas.
Pé
na porta
Na reunião política da última segunda-feira, ocasião
em que parolou à vontade com seus ministros, o presidente Lula
proibiu a tal “porteira fechada”, prática adotada
na era cardosiana e que permitia aos partidos políticos lotearem
os cargos nos ministérios. A decisão presidencial não
teve a moralização da administração pública,
e muito menos do governo, como meta, mas resultou de uma mera imposição
do PT. Barrado na composição do novo ministério,
o partido exigiu do presidente Lula muito mais cargos no segundo escalão
oficial.
Marca
do pênalti
Mesmo com a promessa de não realização de greve
durante o feriado prolongado da Páscoa, as companhias aéreas
montaram esquemas alternativos para, em caso emergência, minimizar
os problemas para os passageiros. Presidente da Agência Nacional
de Aviação Civil, a sempre complicada Anac, Milton Zuannazzi
disse a um interlocutor, dias atrás, que sua maior preocupação,
na verdade, é com a Gol.
Conta
de maluco
Conhecido no mundo empresarial como um homem de bons negócios
– foi o que grandes publicações
noticiaram recentemente – Constantino de Oliveira Júnior,
dono da Gol, parece ter feito um negócio não tão
brilhante ao adquirir a Nova Varig. Em 2006, quando a Varig deu lugar
à Nova Varig, Constantino Júnior deixou de comprar a companhia
aérea por US$ 25 milhões, sob a alegação
que a empresa traria no bagageiro todas as contingências da antecessora.
Um ano depois, o mesmo Constantino Júnior resolveu pagar US$
320 pela mesma empresa. Considerando que Constantino de Oliveira,
o pai, disse que a compra da Nova Varig serviu para atender a um pedido
do presidente Lula, esse é o tipo do negócio mal explicado.
Ou o pedido de Lula está em alta, ou a calculadora dos Constantinos
está quebrada. (Foto: Dida Sampaio - Agência
Estado)
Virou
circo
O Partido Progressista, o PP de Paulo Maluf e outros
que tais, oficializou a desfaçatez em reunião da
legenda realizada nesta terça-feira ((3/4). O líder do
PP na Câmara, deputado Mário Negromonte (BA), disse, na
abertura do encontro para a escolha da Executiva do partido, que “é
preciso deixar no passado as coisas ruins que aconteceram e respeitar
companheiros que foram sacrificados. Amigos que erraram e acertaram”.
O novo primeiro-tesoureiro do PP, que comandará o caixa do partido,
é o ex-deputado José Janene (PR), que através de
seu então assessor, João Cláudio Genu, recebeu
R$ 4,1 milhões do mensalão. E o PP conseguiu a façanha
de eleger para a direção do partido figuras como Pedro
Corrêa, Pedro Henry, Severino Cavalcanti e Paulo Maluf. Qualquer
comentário seria um exagero desnecessário, pois essas
probas figuras falam por si só.
Efeito
retardado
Mais duas consultas chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral sobre a
propriedade do mandato parlamentar. Dessa vez, a consulta refere-se
aos cargos majoritários (senador, governador e prefeito). Uma
das consultas é assinada pelo deputado Nilson Mourão (PT-AC)
e a outra pelo secretário-geral e delegado da Comissão
Executiva Nacional do PSL, Ronaldo Nóbrega Medeiros. Pela maioria
dos seus ministros, o TSE reconheceu na semana passada que os cargos
proporcionais pertencem aos partidos.
Truque
novo
No rastro dos já conhecidos golpes na área da Saúde,
uma inovação surgiu nos domínios gaúchos.
Investigados pelo Tribunal Regional Eleitoral local, políticos
do Rio Grande do Sul (deputados estaduais e federais) criaram em Porto
Alegre albergues para hospedar pacientes que desembarcam na capital
dos gaúchos em busca de tratamento médico no Hospital
de Clínicas. Quem pensa que se trata de uma benevolência,
engana-se. Os parlamentares hospedam os doentes em troca de votos. Outra
barbárie que campeia no mundo da política é um
esquema montado para furar filas nos hospitais. Políticos e assessores
encaixam os pacientes nas filas, sempre em troca de votos ou dinheiro.
Abrindo
o esquife
A memória do brasileiro é curta demais. Com a crise que
se instalou nos aeroportos brasileiros, escândalos que marcaram
o primeiro mandato do presidente Lula foram literalmente esquecidos.
Já não se fala mais no escândalo do Dossiê
Cuiabá, e nem mesmo sobre a origem do R$ 1,75 milhão que
seria utilizado para comprar um conjunto de documentos contra candidatos
tucanos. De igual maneira, o imbróglio do mensalão e a
fortuna manipulada por Marcos Valério Fernandes de Souza também
caíram no esquecimento. Duda Mendonça recebeu parte dos
seus honorários no exterior, enquanto os bancos Rural e BMG emprestaram
fortunas, ainda não pagas, ao PT, e até agora nada foi
feito em termos de cobrança. Estranho, muito estranho!
Rastilho
de pólvora
Eventos paralelos aos debates promovidos pelo governo federal pretendem
discutir alternativas à Previdência Social. O governo busca
uma solução de longo prazo, mas as entidades ligadas ao
setor – como é o caso da Confederação Brasileira
dos Aposentados, Pensionistas e Idosos – pretende encontrar soluções
já no curto prazo. Na próxima semana, caravanas de várias
partes do País se encontram no auditório Nereu Ramos,
no Congresso Nacional, para debater o assunto no Fórum Cobap
de Previdência Social.
Mudando
de idéia
Pensando bem, Lula até pensou em mandar tudo pelos ares, mas
desistiu por conta do Apagão. Vai que o mico não decola.
Carpideiras
ausentes (04/04/06)
- A cerimônia de posse dos novos ministros do governo Lula, ocorrida
ontem nas dependências do Palácio do Planalto, foi simplesmente
deprimente. Ao empossar os substitutos dos que deixaram os respectivos
cargos por conta das eleições que se avizinham, o presidente
Lula nada tinha a dizer sobre cada um dos novos ministros, da mesma
maneira que pouco disse sobre os que deixaram os ministérios
e cargos. Em dado momento, com o clima de velório dominando a
cerimônia, Lula, em mais um de seus conhecidos tropeços
discursivos, decidiu falar de futebol. Mas o brasileiro não tem
do que reclamar, pois é melhor ouvir qualquer comentário
desconexo sobre futebol do que alguma tergiversação barata
sobre o primeiro astronauta tupiniquim.
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