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ano 6 - número 1316
terça-feira, 20 de março de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância."
Confúcio
 
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Tudo combinado
Muito se falou sobre os possíveis acordos bi-laterais entre o Brasil e os Estados Unidos, mas a visita de George W. Bush a São Paulo serviu apenas para o mandatário ianque dar um puxão de orelhas no presidente Lula, por sua quase incondicional amizade com Hugo Chávez. Lula desembarca na residência oficial de Camp David, em 31 de março próximo, ocasião em que o recado político de Bush será ratificado. Na seqüência, mais precisamente nos dias 7 e 8 de abril, o presidente brasileiro será recebido no Palácio Miraflores, em Caracas, sede do Executivo venezuelano. Enfim, o encontro entre Lula e Bush serviu para o mundo descobrir que relações entre países também têm seus pontos de prazer. Clique e confira o editorial “O ponto G e o ato obsceno”, da cepa do editor da coluna. (Foto: el-nacional.com)

Tem biruta de sobra
Diante do caos que se instalou nos aeroportos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que as causas fosse investigadas, sendo que os passageiros devem ser informados rapidamente sobre os motivos dos atrasos. Acontece que os funcionários das companhias aéreas informaram aos passageiros, no domingo, que estava em andamento uma operação padrão por parte dos controladores de vôo, mas a Infraero negou o fato. Ora, se contar a verdade não adianta, que o Palácio do Planalto produza uma mentira que convença. Mais: fosse a causa do apagão dominical uma falha no software do controle aéreo, não haveria razão para a Infraero informar que a normalidade dos vôos será retomada apenas na noite desta terça-feira.

Na mosca
Senador pelo PFL piauiense, Heráclito Fortes, em pronunciamento na tarde desta segunda-feira, lembrou que os equipamentos do controle aéreo brasileiro foram adquiridos e instalados na década de 70, o que mostra o nível de fragilidade da segurança aérea no País. Vale lembrar que a Aeronáutica, em 1994, tentou melhorar o obsoleto sistema, adicionando novos equipamentos e programas de computador, o que acabou causando um sério problema para os controladores. De uma hora para outra, a visualização do alvo (aeronaves no ar) passou a ser dupla – ou seja, dois aviões ao invés de apenas um –, as posições dos aviões não correspondiam à realidade e a velocidade de cada equipamento aparecia distorcida. De lá para cá, nada foi feito. Ou seja, largaram na mão do Criador.

Agora vai?
Caminha para o inevitável a instalação da CPI do Apagão Aéreo, para desgosto das autoridades palacianas, que nos últimos dias têm se dedicado a barrar o projeto político da oposição. Com o caos que se instalou nos aeroportos brasileiros no domingo, estendendo-se até esta terça-feira, muitos parlamentares perderam horas nas salas de embarque, o que obrigou muitos deles a adiarem compromissos e discursos nos plenários da Câmara e do Senado. Deputado federal pelo capítulo paulista do PTB, partido que integra a base governista, Arnaldo Faria de Sá defendeu, em plenário, uma profunda investigação da crise que afeta a aviação comercial brasileira. Com aliados palacianos mudando de lado... (Foto: airliners.net - Dario Crusafon)

Fio trocado
Na manhã de ontem, segunda-feira, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que as companhias aéreas estavam fazendo o máximo possível para evitar danos maiores aos passageiros, muitos deles obrigados a esperar mais de quatro horas em salas de embarque pelo Brasil afora. Na verdade, quem deveria fazer algo produtivo, e não faz, é a Infraero, que nos últimos anos se dedicou à maquiagem de muitos aeroportos. As companhias aéreas têm sido vítimas da inoperância do Estado no setor, o que tem acarretado perdas financeiras de grande monta. Para se compreender a extensão da crise, é preciso lembrar que aeronaves são arrendadas tendo um mínimo de horas de vôo como referência. E por conta do caos no controle aéreo, as aeronaves têm voado muito menos do que o explicitado nos contratos. Mais: as companhias aéreas, desde o início da crise, aumentaram o número de funcionários em terra e no ar.

Remendo ministerial
Depois de um rápido encontro com o presidente Lula, a ex-prefeita Marta Suplicy foi anunciada oficialmente, pelo Palácio do Planalto, como a nova ministra do Turismo. Ao deixar o terceiro andar do Planalto, Marta Suplicy justificou o convite dizendo que o presidente Lula está certo de que ela pode ajudar o governo do companheiro de lutas e partido. Fugir da realidade é opção de cada um, mas Marta Suplicy foi uma escolha política e não técnica. Até porque, a ex-alcaidessa disse que nos próximos dias irá aprender sobre o assunto. Ora, como alguém que vai ajudar um governo pode querer aprender sobre o assunto?

Solução caseira
Um novo nome deve ser anunciado nas próximas horas, como parte da reforma ministerial do governo Lula. Tendo anunciado que deseja se dedicar aos netos, o ministro Luiz Fernando Furlan deverá ser substituído no Ministério do Desenvolvimento pelo consultor empresarial Antoninho Marmo Trevisan, amigo do presidente Lula e um dos responsáveis pelo negócio milionário que tirou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do anonimato para o mundo empresarial. Coube a Trevisan aproximar Lulinha da Telemar, sócia do filho do presidente na empresa Gamecorp.

Face lenhosa
Com o imbróglio envolvendo o deputado Odílio Balbinotti ficando de lado, o PMDB se apressou em comunicar que desconhecia os problemas que o parlamentar paranaense enfrenta na Justiça. Trata-se de uma inverdade, pois os partidos sabem muito bem o que se passa com cada um de seus integrantes. Considerando que foram sinceras as palavras do presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), é bom avisá-lo que o ex-deputado José Borba – que renunciou ao mandato sob a acusação de envolvimento no escândalo do mensalão – continua operando tranqüilamente nos bastidores do poder peemedebista. E tem feito do gabinete da liderança do PMDB na Câmara o seu escritório de lobby e negócios.

Lixa grossa
Ao comentar o imbróglio que tirou de Odílio Balbinotti a oportunidade de ser ministro da Agricultura, o vice-presidente José Alencar disse que “todo homem público deve ser rigorosamente transparente”. Diante de tão precisa declaração, qualquer brasileiro é obrigado a concordar com o mineiro José Alencar. Até porque, o episódio do dinheiro depositado pelo PT na conta da Coteminas, empresa de propriedade de José Alencar, continua sem explicação. Por ocasião dos fatos, muitos se apressaram em dizer que o valor era referente ao fornecimento de camisetas ao partido do presidente Luiz Inácio. Provavelmente porque criaram o Programa Pelado Zero e não avisaram ao povo.

Contra o tempo
No afã de não perder a pasta da Agricultura, o PMDB movimentou suas fileiras no final de semana, para que alguns nomes da legenda fossem apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira. De início dois nomes foram lembrados como sendo adequados para ocupar o cargo: o de Waldemir Moka (MS) e Reinhold Sthephanes (PR). Inimigo figadal do ex-governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, Moka teve o nome citado pela família Vedoin no escândalo das ambulâncias superfaturadas. Na seqüência, os Vedoin inocentaram o parlamentar. Por outro lado, Reinhold Stephanes, homem de currículo impecável, foi ministro de FHC e é um opositor ferrenho do Partido dos Trabalhadores no Paraná. Foi então que o PMDB pensou em Delfim Netto, barrado nas urnas de outubro próximo passado. Consultor econômico do presidente Lula no primeiro mandato, Delfim foi ministro da Agricultura durante a ditadura militar. O que seria demais para um partido que combateu a era plúmbea. Mais: além de Moka e Stephanes, a lista do PMDB tem os seguintes nomes: Tadeu Filipelli (DF), Eunício Oliveira (CE), Fernando Diniz (MG), Valdir Colato (SC) e Moacir Micheletto (PR).

Pulando do barco
Está confirmado oficiosamente, pelo Palácio do Planalto, o nome de Pedro Brito para a recém-criada Secretaria dos Portos, órgão com status de ministério e que tira poderes do Ministério dos Transportes. Manobra administrativa para contentar a bancada do PSB, a nova secretaria não agradou ao líder Beto Albuquerque (PSB-RS), inicialmente cotado para o cargo. Na noite desta segunda-feira, o parlamentar gaúcho disse à coluna que não aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque a secretaria foi criada para contentar um grupo político. Outro motivo que levou o deputado Beto Albuquerque a recusar o convite foi o fato de a nova secretaria não englobar os aeroportos. “O país tem dois gargalos, os portos e os aeroportos, que travam o desenvolvimento”, disse o parlamentar. Em tempo: para a nova Secretaria dos Portos está previsto um orçamento anual de R$ 477 milhões (2007), dinheiro que deverá ser investido na reforma e construção de sessenta e um portos.

Meio a meio
Do alto de seus 82 anos, o senador Epitácio Cafeteira evita falar sobre o projeto de divisão do Maranhão em dois estados. A proposta, aprovada pela CCJ do Senado, tem como autor o conterrâneo e também senador Édison Lobão, que em breve deve trocar o PFL (Democratas) pelo PR, nova sigla do mensaleiro Partido Liberal. Cafeteira, que já foi governador do Maranhão quando José Sarney era presidente da República, promete votar favorável ao projeto quando chegar ao Plenário nos próximos trinta dias. Epitácio Cafeteira tem queixas contra os maranhenses do sul, porque foi naquela região que recebeu a menor quantidade de votos em outubro passado.

Pé na porta
A oposição vai continuar obstruindo a votação das MPs na Câmara, até que seja votada a instalação da CPI do Apagão Aéreo. A decisão tem como base um estudo feito no final de semana pelo PSDB com base na emenda 32, de 2001, que alterou a tramitação das Medidas Provisórias. O estudo adotado também pelas bancadas do PFL (Democratas) e do PPS, justifica que decisões normativas da Comissão de Constituição e Justiça não podem atropelar votações das MPs. (Foto: airteamimages.com)

Metralhadora giratória
Um agente das sombras – “O pior caráter que eu conheci na minha vida foi o de José Múcio, líder do Governo na Câmara. Dei-lhe a mão, fiz ele líder da bancada do PTB, dividi as responsabilidades com ele e, também, as alegrias do comando partidário. Mas com Múcio vivi o monopólio da tristeza e do sofrimento. Sempre que dele precisei, que necessitei de sua lealdade e do seu apoio, ele me faltou. Diferentemente de mim, que, como um urso, luta de pé e peito aberto, ele age como a cobra: escondido, nas sombras, atacando inesperadamente - e pelas costas. Assim o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, se referiu ao líder do governo na Câmara, José Múcio, em seu blog (http://blogdojefferson.com). É sempre bom lembrar que o presidente Lula, que escolheu José Mucio como líder de seu governo, disse, à época do mensalão, que a Roberto Jefferson daria um cheque assinado e sem preenchimento. Enfim...

Fim do sonho
Pensando bem, nos tempos de céu de brigadeiro, as duas únicas saídas para o Brasil eram Cumbica e o Galeão. Eram!

Dois pesos
(20/03/06) - Tão logo Luiz Inácio da Silva perdeu a eleição presidencial para Fernando Collor de Mello, a tropa de choque petista entrou em ação para combater, com veemência, a chamada república de Alagoas, grupo de assessores colloridos que naufragou nas negociatas, as quais, nem de longe, podem ser comparadas ao escárnio atual que Lula insiste em endossar. A mesma tropa de choque hoje defende a república ribeirão-pretana, como se falcatruas fizessem parte do cardápio do cotidiano político brasileiro. Tudo na vida é passível de perda, menos a coerência, ingrediente primordial para o ser humano enfrentar a carestia do dia-a-dia, e que o PT nunca teve ou deixou de lado. Ou o moralismo que freqüentou, durante duas décadas, os oposicionistas discursos do PT era alimentado por uma coerência de aluguel, ou o partido dos barbudinhos deixou-a de lado (a coerência) para, sob a desculpa de que o fim justifica os meios, entupir de dinheiro bolsos e cuecas nos mais variados matizes do vermelho.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa

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