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de Ipojuca Pontes sobre o governo Lula
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Tudo
combinado
Muito se falou sobre os possíveis acordos bi-laterais
entre o Brasil e os Estados Unidos, mas a visita de George W. Bush a
São Paulo serviu apenas para o mandatário ianque dar um
puxão de orelhas no presidente Lula, por sua quase incondicional
amizade com Hugo Chávez. Lula desembarca na residência
oficial de Camp David, em 31 de março próximo, ocasião
em que o recado político de Bush será ratificado. Na seqüência,
mais precisamente nos dias 7 e 8 de abril, o presidente brasileiro será
recebido no Palácio Miraflores, em Caracas, sede do Executivo
venezuelano. Enfim, o encontro entre Lula e Bush serviu para o mundo
descobrir que relações entre países também
têm seus pontos de prazer. Clique
e confira o editorial “O ponto
G e o ato obsceno”, da cepa do editor da coluna.
(Foto: el-nacional.com)
Tem
biruta de sobra
Diante do caos que se instalou nos aeroportos brasileiros, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva determinou que as causas fosse investigadas,
sendo que os passageiros devem ser informados rapidamente sobre os motivos
dos atrasos. Acontece que os funcionários das companhias aéreas
informaram aos passageiros, no domingo, que estava em andamento uma
operação padrão por parte dos controladores de
vôo, mas a Infraero negou o fato. Ora, se contar a verdade não
adianta, que o Palácio do Planalto produza uma mentira que convença.
Mais: fosse a causa do apagão dominical uma falha no software
do controle aéreo, não haveria razão para a Infraero
informar que a normalidade dos vôos será retomada apenas
na noite desta terça-feira.
Na
mosca
Senador pelo PFL piauiense, Heráclito Fortes,
em
pronunciamento na tarde desta segunda-feira, lembrou que os equipamentos
do controle aéreo brasileiro foram adquiridos e instalados na
década de 70, o que mostra o nível de fragilidade da segurança
aérea no País. Vale lembrar que a Aeronáutica,
em 1994, tentou melhorar o obsoleto sistema, adicionando novos equipamentos
e programas de computador, o que acabou causando um sério problema
para os controladores. De uma hora para outra, a visualização
do alvo (aeronaves no ar) passou a ser dupla – ou seja, dois aviões
ao invés de apenas um –, as posições dos
aviões não correspondiam à realidade e a velocidade
de cada equipamento aparecia distorcida. De lá para cá,
nada foi feito. Ou seja, largaram na mão do Criador.
Agora
vai?
Caminha para o inevitável a instalação da CPI do
Apagão Aéreo, para desgosto das autoridades palacianas,
que nos últimos dias têm se dedicado a barrar o projeto
político da oposição. Com o caos que se instalou
nos aeroportos brasileiros no domingo, estendendo-se até esta
terça-feira, muitos parlamentares perderam horas nas salas de
embarque, o que obrigou muitos deles a adiarem compromissos e discursos
nos plenários da Câmara e do Senado. Deputado federal pelo
capítulo paulista do PTB, partido que integra a base governista,
Arnaldo Faria de Sá defendeu, em plenário, uma profunda
investigação da crise que afeta a aviação
comercial brasileira. Com aliados palacianos mudando de lado... (Foto:
airliners.net - Dario Crusafon)
Fio
trocado
Na manhã de ontem, segunda-feira, o presidente da Infraero, brigadeiro
José Carlos Pereira, disse que as companhias aéreas estavam
fazendo o máximo possível para evitar danos maiores aos
passageiros, muitos deles obrigados a esperar mais de quatro horas em
salas de embarque pelo Brasil afora. Na verdade, quem deveria fazer
algo produtivo, e não faz, é a Infraero, que nos últimos
anos se dedicou à maquiagem de muitos aeroportos. As companhias
aéreas têm sido vítimas da inoperância do
Estado no setor, o que tem acarretado perdas financeiras de grande monta.
Para se compreender a extensão da crise, é preciso lembrar
que aeronaves são arrendadas tendo um mínimo de horas
de vôo como referência. E por conta do caos no controle
aéreo, as aeronaves têm voado muito menos do que o explicitado
nos contratos. Mais: as companhias aéreas, desde o início
da crise, aumentaram o número de funcionários em terra
e no ar.
Remendo
ministerial
Depois de um rápido encontro com o presidente Lula, a
ex-prefeita Marta Suplicy foi anunciada oficialmente, pelo Palácio
do Planalto, como a nova ministra do Turismo. Ao deixar o terceiro andar
do Planalto, Marta Suplicy justificou o convite dizendo que o presidente
Lula está certo de que ela pode ajudar o governo do companheiro
de lutas e partido. Fugir da realidade é opção
de cada um, mas Marta Suplicy foi uma escolha política e não
técnica. Até porque, a ex-alcaidessa disse que nos próximos
dias irá aprender sobre o assunto. Ora, como alguém que
vai ajudar um governo pode querer aprender sobre o assunto?
Solução
caseira
Um novo nome deve ser anunciado nas próximas horas, como parte
da reforma ministerial do governo Lula. Tendo anunciado que deseja se
dedicar aos netos, o ministro Luiz Fernando Furlan deverá ser
substituído no Ministério do Desenvolvimento pelo consultor
empresarial Antoninho Marmo Trevisan, amigo do presidente Lula e um
dos responsáveis pelo negócio milionário que tirou
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do anonimato para
o mundo empresarial. Coube a Trevisan aproximar Lulinha da Telemar,
sócia do filho do presidente na empresa Gamecorp.
Face
lenhosa
Com o imbróglio envolvendo o deputado Odílio Balbinotti
ficando de lado, o PMDB se apressou em comunicar que desconhecia os
problemas que o parlamentar paranaense enfrenta na Justiça. Trata-se
de uma inverdade, pois os partidos sabem muito bem o que se passa com
cada um de seus integrantes. Considerando que foram sinceras as palavras
do presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), é bom avisá-lo
que o ex-deputado José Borba – que renunciou ao mandato
sob a acusação de envolvimento no escândalo do mensalão
– continua operando tranqüilamente nos bastidores do poder
peemedebista. E tem feito do gabinete da liderança do PMDB na
Câmara o seu escritório de lobby e negócios.
Lixa
grossa
Ao comentar o imbróglio que tirou de Odílio Balbinotti
a oportunidade de ser ministro da Agricultura, o vice-presidente José
Alencar disse que “todo homem público deve ser rigorosamente
transparente”. Diante de tão precisa declaração,
qualquer brasileiro é obrigado a concordar com o mineiro José
Alencar. Até porque, o episódio do dinheiro depositado
pelo PT na conta da Coteminas, empresa de propriedade de José
Alencar, continua sem explicação. Por ocasião dos
fatos, muitos se apressaram em dizer que o valor era referente ao fornecimento
de camisetas ao partido do presidente Luiz Inácio. Provavelmente
porque criaram o Programa Pelado Zero e não avisaram ao povo.
Contra
o tempo
No afã de não perder a pasta da Agricultura, o PMDB movimentou
suas fileiras no final de semana, para que alguns nomes da legenda fossem
apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira.
De início dois nomes foram lembrados como sendo adequados para
ocupar o cargo: o de Waldemir Moka (MS) e Reinhold Sthephanes (PR).
Inimigo figadal do ex-governador de Mato Grosso do Sul, José
Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, Moka teve o nome citado pela
família Vedoin no escândalo das ambulâncias superfaturadas.
Na seqüência, os Vedoin inocentaram o parlamentar. Por outro
lado, Reinhold Stephanes, homem de currículo impecável,
foi ministro de FHC e é um opositor ferrenho do Partido dos Trabalhadores
no Paraná. Foi então que o PMDB pensou em Delfim Netto,
barrado nas urnas de outubro próximo passado. Consultor econômico
do presidente Lula no primeiro mandato, Delfim foi ministro da Agricultura
durante a ditadura militar. O que seria demais para um partido que combateu
a era plúmbea. Mais: além de Moka e Stephanes, a lista
do PMDB tem os seguintes nomes: Tadeu Filipelli (DF), Eunício
Oliveira (CE), Fernando Diniz (MG), Valdir Colato (SC) e Moacir Micheletto
(PR).
Pulando
do barco
Está confirmado oficiosamente, pelo Palácio do Planalto,
o nome de Pedro Brito para a recém-criada Secretaria dos Portos,
órgão com status de ministério e que tira poderes
do Ministério dos Transportes. Manobra administrativa para contentar
a bancada do PSB, a nova secretaria não agradou ao líder
Beto Albuquerque (PSB-RS), inicialmente cotado para o cargo. Na noite
desta segunda-feira, o parlamentar gaúcho disse à coluna
que não aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva porque a secretaria foi criada para contentar um grupo político.
Outro motivo que levou o deputado Beto Albuquerque a recusar o convite
foi o fato de a nova secretaria não englobar os aeroportos. “O
país tem dois gargalos, os portos e os aeroportos, que travam
o desenvolvimento”, disse o parlamentar. Em tempo: para a nova
Secretaria dos Portos está previsto um orçamento anual
de R$ 477 milhões (2007), dinheiro que deverá ser investido
na reforma e construção de sessenta e um portos.
Meio
a meio
Do alto de seus 82 anos, o senador Epitácio Cafeteira evita falar
sobre o projeto de divisão do Maranhão em dois estados.
A proposta, aprovada pela CCJ do Senado, tem como autor o conterrâneo
e também senador Édison Lobão, que em breve deve
trocar o PFL (Democratas) pelo PR, nova sigla do mensaleiro Partido
Liberal. Cafeteira, que já foi governador do Maranhão
quando José Sarney era presidente da República, promete
votar favorável ao projeto quando chegar ao Plenário nos
próximos trinta dias. Epitácio Cafeteira tem queixas contra
os maranhenses do sul, porque foi naquela região que recebeu
a menor quantidade de votos em outubro passado.
Pé
na porta
A oposição vai continuar obstruindo a votação
das
MPs na Câmara, até que seja votada a instalação
da CPI do Apagão Aéreo. A decisão tem como base
um estudo feito no final de semana pelo PSDB com base na emenda 32,
de 2001, que alterou a tramitação das Medidas Provisórias.
O estudo adotado também pelas bancadas do PFL (Democratas) e
do PPS, justifica que decisões normativas da Comissão
de Constituição e Justiça não podem atropelar
votações das MPs. (Foto: airteamimages.com)
Metralhadora
giratória
“Um
agente das sombras”
– “O pior caráter que eu
conheci na minha vida foi o de José Múcio, líder
do Governo na Câmara. Dei-lhe a mão, fiz ele líder
da bancada do PTB, dividi as responsabilidades com ele e, também,
as alegrias do comando partidário. Mas com Múcio vivi
o monopólio da tristeza e do sofrimento. Sempre que dele precisei,
que necessitei de sua lealdade e do seu apoio, ele me faltou. Diferentemente
de mim, que, como um urso, luta de pé e peito aberto, ele age
como a cobra: escondido, nas sombras, atacando inesperadamente - e pelas
costas”.
Assim o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, se referiu
ao líder do governo na Câmara, José Múcio,
em seu blog (http://blogdojefferson.com).
É sempre bom lembrar que o presidente Lula, que escolheu José
Mucio como líder de seu governo, disse, à época
do mensalão, que a Roberto Jefferson daria um cheque assinado
e sem preenchimento. Enfim...
Fim
do sonho
Pensando bem, nos tempos de céu de brigadeiro, as duas únicas
saídas para o Brasil eram Cumbica e o Galeão. Eram!
Dois
pesos (20/03/06)
- Tão logo Luiz Inácio da Silva perdeu a eleição
presidencial para Fernando Collor de Mello, a tropa de choque petista
entrou em ação para combater, com veemência, a chamada
república de Alagoas, grupo de assessores colloridos que naufragou
nas negociatas, as quais, nem de longe, podem ser comparadas ao escárnio
atual que Lula insiste em endossar. A mesma tropa de choque hoje defende
a república ribeirão-pretana, como se falcatruas fizessem
parte do cardápio do cotidiano político brasileiro. Tudo
na vida é passível de perda, menos a coerência,
ingrediente primordial para o ser humano enfrentar a carestia do dia-a-dia,
e que o PT nunca teve ou deixou de lado. Ou o moralismo que freqüentou,
durante duas décadas, os oposicionistas discursos do PT era alimentado
por uma coerência de aluguel, ou o partido dos barbudinhos deixou-a
de lado (a coerência) para, sob a desculpa de que o fim justifica
os meios, entupir de dinheiro bolsos e cuecas nos mais variados matizes
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