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de Ipojuca Pontes sobre o governo Lula
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Maluquice
oficial
Que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ensandece quando se
vê diante de um microfone, todos sabem, mas determinadas situações
são no mínimo vexatórias para o comandante de um
país que ousa ser a nação do futuro. Signatário
de um salário mínimo vergonhoso – R$ 350 –
o ex-sindicalista Lula, hoje na mais importante cadeira do País,
disse na última sexta-feira que só um herói é
que consegue sobreviver com um salário de R$ 7 mil mensais, em
alusão à remuneração oficial de um ministro
de Estado. Ora, se heróis são aqueles que sobrevivem,
às custas do erário, com tão polpudo salário,
o que dizer dos catadores de papel que, sob lonas plásticas,
vivem indignamente a menos de quinhentos metros do Palácio do
Planalto? Esse presidente Lula...
Camisa
de força
Ainda o salário dos ministros... “A máquina pública,
ela é dotada de verdadeiros heróis. Por que na iniciativa
privada eles podem ganhar bem e aqui não”, disse Luiz Inácio
Lula da Silva, referindo aos R$ 7 mil que cada ministro recebe mensalmente.
De chofre é preciso frisar que, além do salário,
um ministro recebe auxílio-moradia ou casa paga pelo Estado,
passagens aéreas, carro, combustível, motorista e outras
benesses mais. No contraponto, não se pode esquecer que a vaidade
tem um preço. Mais: herói é o todo brasileiro que
consegue enfrentar a carestia do cotidiano com R$ 350 mensais. Esse
presidente...
Dinheiro
extra
Sem fugir do heroísmo dos ministros, o presidente Lula precisa
ser informado que todo deputado ou senador que deixa o Congresso para
assumir um ministério, por exemplo, acaba optando por receber
o salário de parlamentar, muito superior ao de um ministro. José
Dirceu de Oliveira e Silva, enquanto esteve à frente da Casa
Civil, recebeu como deputado federal e não como ministro, situação
que dificultou a sua batalha contra a cassação. Vale lembrar
que a Câmara está analisando a possibilidade de majorar
o salário dos deputados, atualmente na casa dos R$ 12,7 mil.
Ou seja, esse discurso de heróis da Pátria é conversa
mole.
Frigideira
rouge
O fato de o presidente Lula ter postergado ao máximo
a indicação oficial de Odílio Balbinotti (PMDB-PR)
para o Ministério da Agricultura foi um sinal claro e evidente,
não compreendido pelo PMDB, da possível existência
de uma manobra palaciana. Por mais que Lula exalasse uma excessiva calma
na indicação do novo ministro, imaginar que a assessoria
palaciana desconhecesse os problemas que Balbinotti enfrenta na Justiça
é acreditar que o petista vem brincando de presidente. E colocar
o peemedebista na frigideira pode ter sido mais uma armação,
que irá mostrar ao mundo a retidão que inexiste nas coxias
do esquerdismo tupiniquim. Clique
e confira “No Brasil, ser de
esquerda é não ser direito”, artigo
do editor da coluna. (Foto: pagina12.com.ar)
Fingindo
de morto
Qualquer pessoa indicada para um cargo em comissão (DAS), no
governo federal, passa por uma checagem de fazer inveja às mais
experientes corporações policiais do planeta. Assim, alegar
desconhecimento sobre os imbróglios de Balbinotti é passar
recibo de incompetência. De mais a mais, os agentes da Abin recebem
régia e religiosamente para tarefas de tal ordem. No contraponto,
o site Transparência Brasil traz, e não é de hoje,
informações sobre o referido processo judicial a que Odílio
Balbinotti responde no Supremo Tribunal Federal. E, como sempre, Luiz
Inácio da Silva, o presidente Lula, de nada sabia. Será?
Quem
avisa...
Ainda o desconhecimento presidencial... Se Odílio
Balbinotti foi vítima de um processo judicial sem sentença
definitiva anunciada, é bom alguém lembrar ao presidente
Lula – que tem uma reconhecida vocação para marido
traído – que a companheira Marta Suplicy,
cotada para assumir o Ministério do Turismo, está enrolada
com as contas da prefeitura de São Paulo. A ex-alcaidessa paulistana,
que precisou da verba do projeto Reluz para fechar as contas de sua
administração, só não foi denunciada ainda
porque o senador Aloízio Mercadante (PT-SP), relator da Lei de
Responsabilidade Fiscal, sentou sobre o processo por pura conveniência
partidária. E é assim mesmo que as coisas funcionam no
Congresso. (Foto: Revista Veja)
Recordar
é viver
Se a lufada de moralismo que ronda o Palácio do
Planalto serve de pano de fundo para a roubalheira que os mensaleiros,
sanguessugas e aloprados do Dossiê Cuiabá promoveram recentemente,
é preciso lembrar que Walfrido dos Mares Guia, que deixa o Ministério
do Turismo para assumir a coordenação polícia do
governo Lula, foi nomeado ministro debaixo de um escândalo sem
proporções. À época, o nome de Mares Guia
surgiu no caso da morte da modelo Cristiana Aparecida Ferreira,
cujas curvas corporais levaram ao delírio muitos dos freqüentadores
do Palácio da Liberdade, sede do Executivo mineiro. Na agenda
de Cristiana Ferreira – encontrada morta no quarto de um apart-hotel
da capital mineira – o nome de Walfrido dos Mares Guia apareceu
várias vezes. E como no Brasil a Justiça é para
quem pode, e não para quem tem direito...
Vida
mansa
Durante a cerimônia de posse de alguns ministros, na última
sexta-feira, o presidente Lula disse que não tem cabeça
para pensar no ontem, mas apenas “no amanhã, no depois
de amanhã, no mês seguinte”. É verdade que
do passado vivem apenas arqueólogos ou historiadores, além
dos saudosistas de plantão, mas é preciso entender que
milhões de brasileiros enfrentam, diariamente, contas atrasadas.
Ou seja, querendo ou não, se deparam com o passado, o qual não
se esvai pela falta de empregos e salários indignos. Alguém,
não faz muito tempo, em discurso messiânico e “palanqueiro”,
prometeu criar dez milhões de empregos. Cumpriu só a metade.
Filme
queimado
Desgastada politicamente por conta da insistência em participar
do segundo governo do companheiro Lula, a ex-prefeita Marta Suplicy,
que por enquanto está cotada para assumir o Ministério
do Turismo, pode estar caindo em uma armadilha de longo prazo. Com um
considerável índice de rejeição, principalmente
junto aos eleitores paulistas, Marta Suplicy lucraria politicamente
se saísse de cena até momentos antes da disputa pela prefeitura
de São Paulo, em 2008. Blasé em suas declarações
e ostentando um figurino que não combina com um governo dito
comunista, Marta pode acabar dando um tiro no pé. A ex-prefeita
e o PT apostam na tese de que a visibilidade política é
um excelente cabo eleitoral, o que às vezes tem o efeito contrário.
Resta esperar.
Agora
é a hora
Antes de desembarcar oficialmente no Ministério da
Justiça, para ocupar a cadeira que até a última
sexta-feira era utilizada pelo criminalista Márcio Thomaz Bastos,
o gaúcho Tarso Genro, em alusão à rede pública
de televisão que o governo Lula pretende criar ao custo de R$
250 milhões, defendeu a liberdade de informação.
Até recentemente, o acesso ao ucho.info estava bloqueado no Ministério
da Justiça. Resta saber se o ministro Tarso Genro irá
mesmo continuar com essa tese de liberdade de informação.
(Foto: AFP)
Prelo
quente
Agitada em termos literários, a semana que começa
terá seu ponto alto com o lançamento de “Objeto
Selvagem”, obra poética completa de Mário
Chamie, um dos gênios da literatura brasileira contemporânea.
Criador da Poesia Práxis nacional, Chamie estreou, em 1995, com
“Espaço Inaugural”, obra que serviu para o encontro
da renovação estética com a profunda vivência
humana dos temas que marca sua produção literária.
Longe da genialidade de literato de primeira grandeza, Mário
Chamie é daqueles seres humanos especiais e inenarráveis,
que tão bem misturam sapiência com humildade, altruísmo
com personalidade. Enfim, um gênio das letras, um senhor do mundo.
Objeto Selvagem (Editora Scandar) – quarta-feira,
21 de março, a partir das 18:30 horas, na nova Livraria da Vila,
à Alameda Lorena, 1731 - São Paulo.
Fatos
de sobra
Mais uma vez, o Caos Aéreo Nacional voltou a atormentar a vida
dos passageiros neste domingo, 18 de março. Uma pane nos equipamentos
do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego
Aéreo (Cindacta-1), responsável pelo controle aéreo
das regiões sudeste e centro-oeste, provocou atrasos em centenas
de vôos, fazendo com que passageiros enfrentassem longas filas
nos principais e mais movimentados aeroportos do País. No início
da noite deste domingo, a Infraero divulgou nota informando que 108
vôos ainda estavam atrasados. Mesmo assim, a base do governo insiste
que não há fato determinado para a instalação
da CPI do Apagão Aéreo. Mais: propor uma investigação
restrita às companhias aéreas é querer esconder
a verdade.
Balela,
e das grandes
Durante o discurso de estréia de Fernando Collor de Mello no
Senado, muitos de seus pares, literalmente nada originais, repetiram
sem cansaço que o ex-presidente foi absolvido pelas urnas. Essa
história de que urna é tribunal não passa de balela,
pois até nos redutos eleitorais mais conscientizados e informados,
erros crassos ocorrem com muita freqüência. Haja vista a
barbárie em que se transformou a reeleição de alguns
mensaleiros paulistas. Collor não foi absolvido pelas urnas,
mas pelo STF, o que é uma significa e derradeira conquista. Acontece
que nos currais eleitorais do Nordeste, a realidade é bem diferente.
E quem bem conhece a maneira como se faz política na região,
sabe o estrito significado de uma urna eleitoral. Clique
e confira “Collor e o mito de
Fênix”, artigo da lavra de Maria Lucia Victor
Barbosa.
Engana,
o povo adora
Desde 1º fevereiro próximo passado até o fechamento
desta edição, o Rio de Janeiro contabilizava 391 mortos
e 248 feridos, vítimas da violência que assola o cartão
postal do Brasil. Em seu discurso de posse, em janeiro de 2003, Luiz
Inácio Lula da Silva prometeu combater a violência e dar
maior atenção à segurança pública.
“Crimes hediondos, massacres e linchamentos crisparam o País
e fizeram do cotidiano, sobretudo nas grandes cidades, uma experiência
próxima da guerra de todos contra todos. Por isso, inicio este
mandato com a firme decisão de colocar o governo federal, em
parceria com os Estados, a serviço de uma política de
segurança pública muito mais vigorosa e eficiente”,
disse o presidente Lula. Diante dos números da violência
no Rio percebe-se que nada foi feito, e que o discurso de outrora não
passou de uma balela discursiva conhecida.
Vai
ou racha
Pensando bem, está na hora de o Brasil ter governo e presidente.
Ou será que não?
E
agora Lula? (20/03/06)
- A quebra do sigilo bancário de Francenildo Costa pode, ainda,
causar muito mais estragos do que se imagina. Quando comandou a Secretária
da Receita Federal, Everado Maciel criou a figura do “acesso imotivado”
para punir aqueles que de alguma forma acessavam os dados fiscais e
bancários de qualquer cidadão, sem motivo algum. O vazamento
das informações é passível de processo administrativo,
podendo o infrator ser demitido a bem do serviço público.
Por outro lado, como o que motivou a quebra do sigilo de Nildo foi um
fato estritamente pessoal ou ilegal, cabe indiciar o infrator em crime
de prevaricação. Quando o editor da coluna publicou, com
antecedência e exclusividade os principais trechos das gravações
telefônicas do caso Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André,
a movimentação no Partido dos Trabalhadores e no Palácio
do Planalto foi tão grande, que o sítio eletrônico
antecessor do ucho.info (ucho.com.br) foi suspenso por conta de uma
canetada. Resta saber o que de fato será feito contra quem divulgou
os dados de Nildo, trazendo à tona a intimidade pessoal do caseiro
da mansão da república de Ribeirão.
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popular contra a anistia política a José Dirceu,
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