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Dor
de cabeça
Há dias, Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, em mais
um de seus desabafos, disse aos jornalistas que o
seguem que a nomeação do novo ministério era um
problema dele, e que ninguém tem nada a ver com o assunto. Engana-se
o presidente Lula, pois ele é o principal funcionário
do povo brasileiro, o que não significa que seja o mais importante
ou mais competente. Traduzindo, a nomeação do novo ministério
é da conta de mais de 180 milhões de brasileiros. Dos
que votaram em Lula, e dos que não votaram. Com tantos bons nomes
para serem guindados à Esplanada dos Ministérios, o presidente
escolheu Odílio Balbinotti para comandar a pasta da Agricultura,
na cota do PMDB. Nem de longe o nosso objetivo é colocar em xeque
a competência de Balbinotti – trata-se de um bem sucedido
empresário do agronegócio – mas os problemas que
o novo ministro enfrenta no STF servirão de munição
para a oposição.
Tiro
ao alvo
Ainda o novo ministério... Depois de tantas postergações,
trazer para dentro do governo alguém com explicações
a dar é excesso de irresponsabilidade. Para ilustrar o que pode
acontecer com o novo ministro da Agricultura, Odílio Balbinotti,
que teve o nome conformado pelo presidente Lula nesta quinta-feira,
basta ressuscitar o calvário enfrentado pelo então ministro
Romero Jucá (Previdência). Não suportando a artilharia
oposicionista, acabou deixando o governo do presidente Lula. Atualmente,
o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é líder do governo
no Senado. E não causará surpresa se Odílio Balbinotti
experimentar agruras idênticas.
Ex
sem ter sido
Luiz Inácio da Silva fingiu ter entendido as explicações
apresentadas pelo deputado Odílio Balbinotti
(PMDB-
PR) sobre o processo em que é réu e que corre em segredo
de Justiça no STF, mas aceitá-las foi além da capacidade
de compreensão do presidente. Tanto é assim, que Balbinotti
pode não assumir a pasta da Agricultura. O desconforto que desabou
no PMDB foi tão grande, que o presidente da legenda, deputado
Michel Temer (SP), se apressou em analisar outros nomes de possíveis
ministeriáveis. E quem lidera a lista dos prováveis é
o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR), um profundo conhecedor do universo
previdenciário e um político sem mancha no currículo.
Fim
do mundo
Dias antes do início oficial da disputa pela Presidência
da República, em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva disse,
com doses extras de certeza, que a saúde no Brasil estava a um
passo da perfeição. Quem acompanhou, no último
final de semana, a passagem de Lula e da primeira-dama pelo Instituto
do Coração, em São Paulo, unidade hospitalar que
serviu para testes cardiológicos e de resistência física
do casal, certamente acreditou serem verdadeiras a proféticas
palavras do presidente. A menos de um quilômetro dali, mais precisamente
na confluência da rua Guadalupe com a movimentada avenida Brasil,
na rica e badalada região dos Jardins, um aposentado perambula
entre os carros parados no semáforo, com uma placa pendurada
no pescoço. Como se fosse um gazeteiro mudo, o aposentado traz
no peito um apelo: acometido por um câncer, pede ajuda financeira
para comprar medicamentos. Enfim, a saúde brasileira é
quase perfeita. (Foto: Vidal Cavalcante - Agestado)
Estranho
silêncio
Continua causando estranheza a não solução do assalto,
seguido de cárcere privado, de que foi vítima
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante o ócio
carnavalesco. Sem que o assunto fosse notificado às autoridades
pelas vítimas, o crime só chegou ao conhecimento da polícia
paulista porque o caseiro do sítio no qual Mantega descansava
decidiu contar o que presenciou. De chofre os policiais prenderam dois
suspeitos, mas os donos da propriedade não os reconheceram como
sendo os criminosos que invadiram a propriedade localizada em Ibiúna.
Provavelmente porque os criminosos sabem que na casa de campo tinha
muito mais gente do que foi anunciado.
Mico
no ar
Se a mídia tupiniquim tem se dedicado a sacrificar as empresas
aéreas que estão em evidência – é o
preço da fama – as agruras da Nova Varig estão passando
ao largo da opinião pública. A empresa aérea tem
enfrentado dificuldades para pagar ao governo federal taxas e tributos,
cujo valor da dívida já começa a preocupar. Só
falta a Nova Varig entrar em recuperação judicial.
Lado
B
Em um discurso longo (três horas e dez minutos),
entremeado por apartes de políticos de todas as correntes e com
lágrimas de sobra, o senador Fernando Affonso Collor de Mello
(PTB-AL) deu a sua versão sobre os fatos que levaram ao seu impedimento
como presidente da República, em 1992. O que não significa
que o então presidente fosse um inocente. Para a coluna, Collor
foi culpado por, a exemplo do que acontece com o presidente Lula, não
ter tomado conhecimento da bandalheira que se instalou em seu governo.
Não se trata de inocentá-lo, mas nenhuma prova documental
apontou para Fernando Collor. Porém, como sempre defendeu o editor,
desde 1992, cassar o mandato e os direitos políticos de alguém
só é possível quando o acusado ainda está
no cargo. Fernando Collor renunciou antes do início da votação
do impeachment, o que por si só extinguiria o respectivo processo.
(Foto: Agência Estado)
Troco
dado
Sem revanchismo de qualquer espécie em seu discurso de estréia
no Senado, Fernando Collor soube dar as
respostas adequadas às pessoas certas. Quando os pedidos de aparte
começaram a despontar, não demorou muito para o senador
Aloízio Mercadante (PT-SP) pedir a palavra.
Mercadante tentou se justificar em demasia, e acabou ouvindo o que não
queria, mas de forma muito polida e elegante. O petista disse que à
época estava do outro lado, e que “havia equívocos
gravíssimos no governo e aquilo não podia continuar”.
Depois de tantas e desnecessárias explicações,
Collor disse, sem se exaltar, que jamais impedi a instalação
de uma CPI. E como para bom entendedor pingo é letra...
Fão
de carteirinha
O discurso do presidente cassado e senador Fernando Collor de Mello
(PTB-AL) foi o assunto de maior destaque no Senado Federal, nesta quinta-feira.
Por As galerias do plenário estiveram lotadas e, entre o público,
encontrava-se Maria Paraíba. A policial, antiga fã de
Collor de Mello, esperou oito dias pelo discurso. “Sofri na Paraíba
como ele sofreu”, declarou Maria Paraíba. Nascida Severina
Barbosa de Oliveira, Maria Paraíba é solteira e garantiu
ter viajado a Brasília com o próprio dinheiro. Neste final
de semana Paraíba retorna ao seu estado e reassume um cargo no
gabinete da Secretaria de Segurança Pública, à
espera de Collor, que vai visitar o governador Cássio Cunha Lima
nos próximos dias.
Rolo
compressor
Depois de muita espera e discussões de sobra, o Senado Federal
criou a CPI das Ongs, o que deveria ter acontecido no final do ano passado,
mas que dentro de algumas semanas certamente irá tirar o sono
de alguns integrantes do governo do presidente Lula. Por orientação
do Palácio do Planalto, a base aliada no Senado negociou a ampliação
do período da investigação, que inicialmente tinha
como ponto de partida o ano de 2003, mas agora passou a ser o de 1999.
A continua tentativa do PT de querer encontrar culpa nos adversários
para justificar os próprios tropeços já está
cansando. O senador Heráclito Fortes (PFL-PI), autor do requerimento
da CPI, sugeriu que o período a ser investigado fosse desde o
descobrimento do Brasil. “Seria bom que a Base do Governo, sem
querer atingir os Governos atrasado e retrasado, ampliasse até
Cabral, porque seria a oportunidade que teríamos de saber se,
realmente, aquelas garrafas do velho vinho Pêra-Manca que desapareceram
na Caravela Real que veio ao Brasil foram furtadas ou caíram
ao mar. Seria bom que assim fosse feito”, ironizou o senador piauiense.
Dedo
mindinho
O diálogo do presidente Luís Inácio Lula da Silva
com o Parlamento, até mesmo com sua base do partido, é
mínimo. Que o diga o senador gaúcho Paulo Paim (PT), que
desde as eleições de outubro até ontem não
trocou um telefonema sequer com o companheiro Lula. Definitivamente
fora do grupo preferido pelo Palácio do Planalto, o senador gaúcho
anda à margem das decisões acerca do novo ministério
e, até mesmo, da crise petista por conta dos nomes dos novos
ministros. É preciso lembrar que o grande erro de Fernando Collor
de Mello, à época do impeachment, foi abandonar a classe
política.
Megafone
oficial
A realização de um mutirão nacional para discutir
e divulgar aos brasileiros a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas
é o pedido do senador Adelmir Santana (PFL-DF), porta-voz dos
empresários do Distrito Federal. A lei, que terá seus
benefícios fiscais implantados a partir de junho próximo,
deve criar de cinco milhões de empresas, colocar na legalidade
cerca de dez milhões de empreendimentos e gerar dois milhões
de empregos a cada um milhão de novos negócios. Santana
acredita que por falta de divulgação muita gente não
ficará sabendo dos benefícios da Super Simples.
Piadista
de quinta
Não bastasse sua circense participação na sessão
extraordinária da CCJ, na quarta-feira, o deputado Ciro Gomes
(PSB-CE) continuou a fazer piadas nos cantos do Congresso. Nesta quinta-feira,
Ciro Gomes fazia ares de pouco caso durante o discurso do deputado e
pecuarista Ronaldo Caiado (PFL-GO), que na ocasião comparava
o relacionamento do Executivo com o Legislativo segundo a ótima
de Gramsci, onde só o que interessa é a opinião
do Príncipe - no caso Lula. Com seu conhecido e cínico
sorriso, Ciro disparou: “É, a coisa está melhorando”.
Piada qualquer um pode fazer quando quiser, mas o mais difícil
é imaginar que tal cidadão já foi ministro duas
vezes. Pobre Brasil!
Fio
trocado
O ministro da Educação, Fernando Haddad, e o presidente
da Comissão de Educação da Câmara, deputado
Gastão Vieira (PMDB-MA) estão operando em sintonia fina.
O parlamentar recebeu na tarde de ontem, quinta-feira, um telefonema
do ministro dizendo que enviaria em primeira mão uma cópia
do Plano de Educação, o chamado PAC da Educação,
que promete revolucionar o ensino. Por via das dúvidas, Gastão
tentava encontrar o senador Cristóvão Buarque (PDF-DF),
tido como um especialista da área, mas uma persona non grata
do governo Lula.
Nomeando
errado
Pensando bem, se depender dos novos ministros, o tal Plano de Aceleração
será uma freada na curva.
Intifada
gauche (16/03/06)
- Até mesmo petistas históricos, hoje não mais
no Partido dos Trabalhadores, como é o caso da deputada federal
Luiza Erundina, concordam com os resultados da pesquisa. Em conversa
com o editor, Erundina – a única comandante da maior cidade
do país que de fato trabalhou para a classe mais pobre –
reconhece que Luiz Inácio Lula da Silva não está
eleitoralmente morto, mas admite que Geraldo Alckmin é um forte
candidato e com muita possibilidade de crescimento até a eleição
presidencial. Luiza Erundina, diante do verdadeiro oceano de escândalos
de corrupção, se diz profundamente decepcionada, pois,
como fundadora do Partido dos Trabalhadores, crê ter sido traída
em seus princípios pessoais e ideais políticos. E mais:
a ex-prefeita paulistana disse que caso o seu partido, o PSB, vier a
apoiar o presidente Lula em sua campanha à reeleição,
acatará a decisão partidária literalmente contrariada.
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