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Parou
de vez
As repartições públicas federais estão praticamente
paradas, desde a primeira promessa de anúncio do novo ministério.
E a paralisação só não é total porque
os salários estão sendo pagos religiosamente em dia. A
pasmaceira que tomou conta da máquina pública federal
tem no corte de verbas a sua única explicação.
A falta de recursos para o expediente e para as diárias, por
exemplo, parou o Ibama, que há três meses deixou de exercer
sua função de fiscalizar o meio-ambiente. Situação
semelhante pode ser encontrada em praticamente todos os ministérios,
com sérios prejuízos ao contribuinte brasileiro, em especial
o mais pobre. A raiz da crise está na sempre postergada reforma
ministerial, cujo maior responsável é o próprio
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Chumbo
vermelho
O que os leitores da coluna souberam com a devida antecedência,
o jornal Folha de São Paulo trouxe
somente na edição do último domingo. Como noticiamos,
o presidente Lula vai investir tempo e dinheiro na criação
de um rede nacional pública de TV. A idéia, que há
muito é discutida internamente no PT, pode ser mais um capítulo
da fábula que tem a esquerdização do País
como roteiro, e poderá contar com mais um canal de comunicação,
a exemplo do que faz o presidente venezuelano Hugo Chávez, que
brinca com as emissoras privadas de televisão de seu país.
Quem deve assumir o comando do projeto luliano é o jornalista
Franklin Martins – atualmente está na Rede Bandeirantes
– que substituirá o porta-voz da Presidência, André
Singer. Em 2006, Franklin Martins deixou a Rede Globo sob um fogo cruzado
midiático, no qual foi acusado de manter relações
bisonhas com o poder (uma delas seria a indicação de seu
irmão, Victor Martins, para uma diretoria da ANP). (Foto:
Agência Estado)
Pau
mandado
Amanhã, quarta-feira, desembarca em Brasília o presidente
da Nicarágua, o ex-guerrilheiro sandinista Daniel Ortega. Em
visita oficial ao Brasil, o mandatário nicaragüense vai
tratar com o companheiro Lula assuntos relacionados à produção
de etanol, já que na Nicarágua o cultivo de cana-de-açúcar
é abundante, respeitando a extensão territorial daquele
país. Muito estranhamente, depois das manifestações
anti-Bush que comandou em Buenos Aires, o venezuelano Hugo Chávez
fez uma parada estratégica em Manágua. Lá, na capital
dos nicaragüenses, Chávez certamente balizou a conversa
que Ortega terá com Luiz Inácio Lula da Silva. Até
porque, o venezuelano não gostou dos salamaleques disparados
por Lula na direção de George Walker Bush. (Foto:
Presidência da Nicarágua - Associated Press)
Velho
camarada
Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu
início à tão esperada reforma ministerial, com
a posse do novo titular da Advocacia-Geral da União, ministro
José Antônio Dias Toffoli. Durante a passagem de José
Dirceu pela Casa Civil, Toffoli foi o sucessor imediato do então
ministro. Em 2006, ano em que o PT sofreu os mais diversos ataques por
conta dos escândalos de corrupção, José Antônio
Toffoli foi o advogado do partido do presidente Lula. Função
que desempenhou nas duas últimas eleições presidenciais.
Explicar mais seria redundância.
Agora
vai
Com a possibilidade cada vez mais crescente de a CPI do Apagão
Aéreo ser instalada, agora por possível decisão
do Supremo Tribunal Federal, emissários palacianos trabalham
nos bastidores para limitar as investigações, deixando
no olho do furacão apenas as companhias aéreas. Acontece
que a responsabilidade pela recente crise aérea é o governo
federal, pois investimentos no setor foram literalmente abandonados.
O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que
já não agüenta mais dar tantas explicações
sobre as estripulias de seus antecessores, admitiu nesta segunda-feira
o que a coluna vem alertando há muito tempo: que o aeroporto
internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, é ocioso. Ora, se
o antigo Galeão é ocioso, como reconheceu Pereira, resta
saber quem determinou a construção do segundo terminal
no aeroporto fluminense, sendo que os de Guarulhos e Congonhas continuam
liderando o movimento de passageiros. Ou foi falta de planejamento,
ou truque barato.
Capitalismo
selvagem
Se a CPI do Apagão Aéreo de fato concentrar munição
na direção das companhias aéreas, o alvo principal
das investigações pode ser a Tam, que, para a concorrência,
deve pagar pela crise que se instalou em dezembro último nos
aeroportos brasileiros. O que pouco se fala – ou quase nada –
é que o acidente com o Boeing da Gol caiu no esquecimento popular,
e das autoridades também, pois o abafamento do assunto é
de pleno interesse do Palácio do Planalto e da própria
companhia aérea. Ver a Tam ardendo na fogueira da CPI é
o desejo dos concorrentes, pois a companhia criada pelo saudoso comandante
Rolim Adolfo Amaro continua liderando a aviação comercial
brasileira, o que desagrada a muitos falsos moralistas. E como ninguém
é de ferro, a família Constantino, dona da Gol, mantém
íntimas e mineiras relações com o vice-presidente
José Alencar. Apenas um mero detalhe no milionário negócio
de transportar gente pelos céus do Brasil. Mais: quem arregaçou
as mangas na empreitada palaciana foi o líder do governo na Câmara,
deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE). Aí tem!
Inventando
moda
Derrotado na disputa pelo governo do Mato Grosso do Sul e ex-presidente
da CPI Dos Correios, o senador
Delcídio Amaral (PT) apresenta nas próximas
semanas projeto de lei que anistia o repatriamento de recursos financeiros
mantidos ilegalmente no exterior por brasileiros. De acordo com o advogado
Ricardo Tosto, autor do projeto apresentado ao parlamentar sul-mato-grossense,
“é algo que países como Alemanha, Itália,
Espanha, Bélgica e Estados Unidos já fizeram”. Como
na vida coincidências não existem, Ricardo Tosto é
um dos advogados que defendem o quase sempre enrolado Paulo Maluf, ex-prefeito
paulistano e atualmente cumprindo mandato de deputado federal. Estranha,
tal situação mostra que parlamentares se valem de terceiros
para o cumprimento de seus compromissos políticos, prática
que muitas vezes contraria os interesses das classes menos privilegiadas.
Enfim, há quem diga que o Congresso é a casa do povo.
Persona
grata
Ainda as coincidências... A proximidade de Ricardo Tosto com o
poder, em Brasília, encurtou o caminho até o senador Delcídio
Amaral, receptor do polêmico projeto legislativo. Na briga que
a família de Celso Daniel vinha promovendo para descobrir a verdade
sobre a trágica morte do ex-prefeito de Santo André, muitos
processos foram protocolados na Justiça numa espécie de
chumbo trocado entre os acusados de participarem do esquema de arrecadação
de propinas na próspera cidade do ABC paulista. No processo de
indenização por danos morais (808/2004), movido contra
o médico João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito,
o autor, José Dirceu de Oliveira e Silva, contou com o conhecimento
jurídico do advogado Ricardo Tosto. Coincidência!
Se
a moda pega...
Deputado federal pelo PCdoB maranhense, Flávio Dino é
autor do Projeto de Lei que cria a indenização às
famílias de vítimas de bala perdida. De acordo com o projeto
do parlamentar, a idéia é indenizar as famílias
em R$ 350 mil, com prazo máximo de recebimento de noventa dias.
Para o deputado Flávio Dino, “presume-se responsabilidade
do Estado. Ele tem de pagar. Se posteriormente descobrir de onde partiu
o tiro, vai cobrar do agressor”. No País onde o ócio
leva o desocupado a idéias mirabolantes, não será
novidade se da noite para o dia surgir uma fila de candidatos à
indenização. Em alguns estados norte-americanos, alguns
insanos torcem para sofrer um atropelamento de pequenas proporções,
pois as indenizações nestes casos são milionárias.
Sempre lembrando que a indústria da indenização
é um próspero negócio nos EUA.
Óleo
de peroba
Por decisão do juiz Renato Barbosa, da 15ª Vara Cível
do Rio de Janeiro, a eleição do Clube de Regatas Vasco
da Gama, realizada em 13 de novembro de 2006, está anulada. Tumultuado,
o processo eleitoral vascaíno, que reconduziu o ex-deputado federal
Eurico Miranda à presidência do clube carioca, teve lances
de fazer inveja à Chicago dos anos 40. Em nome do Vasco, Eurico
Miranda publicou nota oficial nos jornais do Rio de Janeiro, onde acusa
a oposição de se valer de “métodos que não
condizem com a tradição centenária” do clube.
Para alguns cartolas do futebol brasileiro, que fazem de alguns clubes
verdadeiros currais da vaidade e do desmando, normal é tudo aquilo
que o bom senso condena. Como enviar ilegalmente dinheiro para o exterior
e concordar com o voto de sócios que já passaram para
o outro lado da vida. Ou será que no além tem urna do
Vasco?
Estrutura
abalada
Durante palestra realizada em São Paulo, o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso – ainda cacique do PSDB – criticou a decisão
do partido de apoiar a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP)
à presidência da Câmara. O discurso de FHC foi um
duro recado ao governador José Serra, que nos bastidores trabalhou
intensamente por Chinaglia. Para mostrar que ninho tucano também
pode rachar, FHC disse que Geraldo Alckmin é um bom nome para
disputar a prefeitura paulistana em 2008, assunto que ambos trataram,
semanas atrás, nos EUA. Não se pode esquecer que por ocasião
da escolha do nome do presidenciável tucano que enfrentaria o
presidente Lula, em 2006, FHC trabalhou contra Alckmin.
O
tempo passa
Nesta segunda-feira, 12 de março, o desabamento da obra do Metrô,
em São Paulo, completou dois meses, sem que a verdade dos fatos
tenha sido anunciada. Se por um lado o governo paulista aposta na curta
memória do eleitor, para que o assunto caia no esquecimento,
a tragédia do Metrô paulistano pode desembarcar na Câmara
dos Deputados. A idéia tem sido alimentada pelos partidos da
base de sustentação do governo Lula, como forma de obrigar
os oposicionistas a desistirem da instalação da CPI do
Apagão Aéreo. Neste caso teríamos um duelo entre
dois governos temerosos, pois enquanto o Palácio do Planalto
não quer pensar na possibilidade de devassa na contabilidade
da Infraero, o Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista,
quer ver o escândalo do Metrô soterrado. E sem direito a
resgate.
Memória
fraca
Com o etanol dominando a pauta do cotidiano, as medidas contra o avanço
da criminalidade saíram de cena. Como afirmou o editor da coluna
em recente artigo, a bárbara morte do pequeno João Hélio,
no Rio de Janeiro, vai se restringir a discussões de porta de
boteco e conversas de cabeleireiro. Lula sabe que suas promessas para
o setor da segurança pública não foram cumpridas,
e colocar o poderio policial do Estado nas ruas, durante a visita de
George Bush ao Brasil, foi uma forma sorrateira de mostrar ao contribuinte
do que o Palácio do Planalto é capaz. Na verdade, o excesso
de zelo das autoridades brasileiras com o presidente Bush assustou inclusive
os assessores da Casa Branca. Segundo alguns escudos humanos do mandatário
ianque, os brasileiros exageraram na dose.
No
mínimo esquisito
Mais uma decisão arbitrária foi tomada para garantir a
realização dos Jogos Pan-Americanos. O prefeito do Rio
de Janeiro, César Maia, entendeu não ser necessária
licitação para contratar a empresa que cuidará
do paisagismo da Vila do Pan, obra que continua sob a mira das autoridades,
pois os recursos para a construção foram liberados contrariando
parecer técnico da Caixa Econômica Federal. Para César
Maia, que acredita que o Pan 2007 será realizado sem nenhum contratempo,
disse que “só se houver um tsunami, terremoto ou tornados
em função do aquecimento global. Essas coisas podem acontecer.
Se não, está tudo dentro do prazo, sem problema”.
Ora, se o cronograma das obras, segundo o alcaide carioca, está
dentro do prazo, não há razão para dispensa da
licitação. Assim, resta concluir que a modalidade que
conquistará o maior número de medalhas na competição
será o arremesso de contas no bolso do contribuinte. E muito
dinheiro no bolso de alguns espertinhos.
Terapia
intensiva
Pensando bem, nas mãos de Lula o Brasil mais parece um paciente
em coma. Se o Criador ajudar, um dia ele acorda.
O
negócio é comprar! (13/03/06)
- Como sempre, a farra palaciana com compras desnecessárias continua
a todo vapor. De acordo com o processo de licitação nº
00140.000055/2006-19, o gabinete do presidente Lula vai torrar a bagatela
de R$ 112.737,00 em roupas de cama e banho. Da listinha de dezesseis
itens, constam 292 colchas, 260 fronhas, 292 lençóis,
275 toalhas, 4 jogos completos de toalha, 69 edredons e 91 travesseiros.
E tudo da melhor qualidade, é claro, até porque, ninguém
na república luliana é de ferro ou comunista o suficiente
para fazer da teoria do tudo comum todos a reza do cotidiano. Com a
palavra, o presidente “gastão”, Luiz Inácio
Lula da Silva.
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