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de Ipojuca Pontes sobre o governo Lula
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Engana,
o mundo adora
Muito destaque se deu ao encontro entre George W.Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, mas o que
o presidente brasileiro mais desejava não ocorreu: uma sensível
redução das tarifas ianques para a exportação
do etanol brasileiro. Os americanos desembarcaram no Brasil não
porque nós, brasileiros, somos geniais, extraordinários
e simpáticos, como se anunciou, mas porque desejam aprender o
segredo da mais festejada solução para o aquecimento global.
O etanol está literalmente fora do controle do governo federal,
pois trata-se de um negócio exclusivo da iniciativa privada,
no qual os estrangeiros começaram a desembarcar com mala, cuia
e dinheiro a rodo. Ficar no discurso e não investir fará
o Brasil reviver o calvário enfrentado pelo nosso café,
que depois de bom tempo foi desbancado por concorrentes internacionais.
O que também ocorreu com a borracha. O etanol está a um
passo de se transformar em “commodity”, e nesta seara os
americanos são competentes. O Brasil que se cuide! (Foto:
Associated Press)
Par
ou ímpar?
A maior e mais importante cidade do País infestada de policiais
das mais distintas corporações. Aulas suspensas, ruas
bloqueadas, prejuízos no comércio, trânsito caótico,
reuniões suspensas, negócios desfeitos, aeroportos fechados,
viagens perdidas, truculência policial, carros guinchados, manifestações
reprimidas, hipocrisia de sobra, trabalhadores sem acesso ao local de
trabalho, desrespeito ao direito constitucional de ir e vir. Eis o rescaldo
da passagem
do presidente George W. Bush pela capital dos paulistas,
uma das maiores e complexas metrópoles do planeta. Tudo porque
o presidente americano decidiu, ao bel prazer, a cidade na qual permaneceria
durante sua visita oficial ao Brasil. Comentar a balburdia que tomou
conta de São Paulo seria repetir o que outros veículos
de comunicação já publicaram. Porém, depois
do caos que enfrentaram os paulistanos, fica difícil saber para
quem torcer. Hugo Chávez ou Osama bin Laden? (Foto:
AFP)
Confusão
armada
Se dependesse da vontade de Luiz Inácio da Silva, o
presidente Lula, a candidatura de Nelson Jobim teria ido até
o final. A mudança de rumo do Palácio do Planalto na eleição
para a presidência do PMDB tem nome e sobrenome: Tarso Genro.
Conterrâneo de Nelson Jobim, o ministro Tarso Genro, que nasceu
na gaúcha Santa Maria, foi o responsável pelo desembarque
palaciano da candidatura do ex-ministro e ex-presidente do STF. Tal
situação explica o fato de o senador Renan Calheiros (PMDB-AL)
não mais atender Genro, que está a um passo do ministério
da Justiça. (Foto: radiometropole.com.br)
Traduzindo
em miúdos
Horas antes da chegada de Bush ao Brasil, o presidente Lula disse, no
Rio de Janeiro, ao defender o uso da camisinha, que a maioria das pessoas
gosta de sexo. Na seqüência, já ao lado do presidente
americano, Lula, ao comentar sobre a rodada de Doha, disse que ele e
Bush estão próximos do "ponto G". A forma chicaneira
como discursa, fazendo de suas palavras a alegria de jornalistas e chargistas,
mostra que Lula é excelente no palanque, mas um fiasco em termos
de cargos de importância, os quais requerem um mínimo de
bom senso e compostura. Com Marta Suplicy louca por uma vaga no novo
ministério, o discurso com traços de sexualidade do companheiro
Lula pode ser a sua salvação. A sexóloga Marta
seria a tradutora oficial do gabinete presidencial. Uma espécie
de “close caption” vermelho.
Só
conversa
Quando ainda estava em campanha pela reeleição, Luiz Inácio
da Silva, o então presidente-candidato Lula, disse, sem medo
de ser feliz, que a saúde no Brasil estava próxima da
perfeição. Fossem suas palavras a mais fiel tradução
da verdade, Lula teria feito exames em um hospital qualquer de São
Bernardo do Campo, no ABC paulista, e não no Instituto do Coração,
em São Paulo, hospital predileto de poderosos da política
nacional. No Incor, Lula e a primeira-dama Marisa Letícia passaram
por exames para avaliar a condição cardiológica
e de resistência. Com o contribuinte arcando com as sempre nababescas
e inexplicáveis despesas dos políticos, o melhor hospital
de Brasília é, como sempre foi, a sala de embarque do
aeroporto Juscelino Kubitscheck.
Barbaridade
oficial
Rio – São Paulo: 278 minutos. Pode parecer o nome de um
daqueles hollywoodianos filmes de ação, mas foi o tempo
que demorou, na última sexta-feira, um vôo entre a Cidade
Maravilhosa e a Paulicéia Desvairada. Os incautos passageiros
que chegaram ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, na tarde
da última sexta-feira, foram obrigados a enfrentar, durante mais
de duas horas, uma sala de embarque lotada e quente, pois o espaço
aéreo paulistano fora fechado para garantir a segurança
de George Walker Bush, o presidente dos americanos. Muitos dos aviões
que, depois de longa espera, conseguiram deixar a capital fluminense,
enfrentaram, minutos depois, o fechamento do aeroporto de Congonhas
por conta da chuva. E rodar sobre a cidade de São Paulo, por
mais de duas horas, foi a diversão daqueles que sonhavam chegara
cedo em casa, depois de uma escaldante sexta-feira no Rio de Janeiro.
Uma viagem de 45 minutos durou mais de quatro horas e meia. E como a
Infraero não tem mãe, o negócio foi pensar na Dona
Bárbara.
Boca
aberta
Incompetência gerencial, falta de planejamento,
desperdício de dinheiro público, atraso nas obras, liberação
não recomendada de verbas oficiais, populismo barato com competições
esportivas, balas perdidas, ameaça de epidemia de dengue. Tudo
isto, e mais um pouco, emoldura os Jogos Panamericanos, evento que acontece
dentro de alguns meses no Rio de Janeiro. Não bastassem tantos
vergonhosos quesitos, o Pan 2007 pode entrar para a história
como a competição esportiva que causou o maior número
de acidentes orofaciais. O alerta é do cirurgião buco-maxilo-facial
Fábio Guedes, uma das maiores autoridades no assunto. De acordo
com o cirurgião, que afirma ser este um prognóstico sombrio,
de 45% a 50% dos atletas que vão participar dos Jogos Panamericanos,
no Rio, correm sérios riscos de sofrer contusões orofaciais
de caráter irreversível. Clique
e saiba mais sobre os imbróglios do Pan, acessando o artigo “A
CAIXA-PRETA E A BOCA ABERTA”.
Tremendo
na base
Enquanto o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP),
comemora a não instalação da CPI do Apagão
Aéreo, o que lhe conferiu o direito (sic) de cobrar uma vaga
no novo ministério luliano para a companheira Marta Suplicy,
o Palácio do Planalto está preocupado em demasia. Se o
Plano de Aceleração do Crescimento já estava com
a aprovação comprometida no Senado, depois do fim da candidatura
de Nelson Jobim, agora a situação ficou complicada na
vizinha Casa Legislativa. Na Câmara, a oposição
entrou em obstrução, o que impede a votação
de qualquer matéria. Os esqueletos nos armários da Infraero
têm tirado o sono da assessoria palaciana. E o deputado federal
Carlos Wilson (PT-PE), que até antes das eleições
de outubro passado presidia a Infraero, não dorme direito há
dias.
Figurinha
carimbada
Quando o anúncio do indiciamento do deputado federal
Paulo Maluf pela Justiça de Nova York tomou
conta do noticiário nacional, muitos imaginaram que o ex-prefeito
paulistano desta vez não escaparia. Maluf é um velho conhecido
do promotor de Nova York, o implacável Robert Morgenthau, que
em 2000 investigou o envolvimento de Paulo Maluf – e seu filho
Flávio – no escândalo da Metrored, quando a empresa
então controlada pelo Fundo de Investimentos Fidelity venceu
concorrência para a instalação de cabos de fibra
ótica no subsolo da cidade de São Paulo. À época,
os diretores da Metrored se entregaram à Justiça nova-iorquina,
como forma de amenizar a condenação, pois um esquema de
corrupção de autoridades paulistanas foi contratado nos
EUA pela bagatela de US$ 10 milhões. Coube ao editor da coluna
denunciar o envolvimento de Paulo Maluf e seus parceiros na operação
fraudulenta, sendo que a Justiça paulista tem, em suas estantes,
processo semelhante ao de Nova York. (Ilustração:
Cássio Scavone, o genial Manga)
Fio
da navalha
Na política tudo é possível, inclusive uma aliança
entre arqui-rivais, como foi o caso de Paulo Maluf e Marta Suplicy,
em 2004, por ocasião do segundo turno da eleição
municipal, disputa que a petista acabou perdendo para o tucano José
Serra. Há poucos dias, o PT anunciou novamente o apoio de Maluf
à ex-alcaidessa paulistana, que sonha em disputar a prefeitura
da maior cidade do País em 2008. Com a denúncia contra
Paulo Salim Maluf, resta saber se a parceria anunciada continua em pé,
pois o acordo prevê o direito de Maluf indicar três secretários
em eventual vitória de Marta. Mesmo assim, alguns ainda falam
em refundar o PT, quando o caso é de implosão.
Cobrança
atrasada
Desde o escândalo dos precatórios, imbróglio financeiro
que entre tantas catastróficas conseqüências levou
à extinção do Banco ABC-Roma – parceria entre
o Arabian Bank Corporation e o finado Roberto Marinho – as relações
entre a Rede Globo e o ex-prefeito Paulo Maluf não são
das melhores. Tanto é assim, que desde então a emissora
carioca tem dado prioridade à divulgação de notícias
contra Maluf, como forma de quitar uma fatura que ficou pendurada. Quando
noticiou a decisão do promotor nova-iorquino Robert Morgenthau,
a Globo informou que a acusação tinha o desvio de verbas
na construção da avenida Água Espraiada, em São
Paulo, como alvo. Acontece que a tal avenida, ao ser rebatizada, recebeu
o nome de jornalista Roberto Marinho. Bisonho o atalho jornalístico
encontrado pela emissora do Jardim Botânico. Mais: as acusações
feitas pela ex-governadora do Rio, Rosângela Matheus, que afirmou
que a Globo mantém contas bancárias em paraísos
fiscais, ainda não foram apuradas.
Quem
quer dinheiro?
O ano político mal começou, e já tem escândalo
de sobra para o eleitor se deliciar (sic). Assessor do deputado federal
Aracely de Paula (PR-MG), Emílio Fernandes de Paula Castilho
foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal, neste domingo,
com pouco mais de R$ 79 mil em dinheiro, quantia que estava no porta-malas
de um carro parado pelo Polícia Rodoviária Federal após
uma ultrapassagem irregular. Sobrinho do parlamentar mineiro, o assessor
apresentou versões variadas sobre a origem do dinheiro. É
preciso lembrar que a crise do mensalão provou que partidos políticos
se refestelam na lama que advém dos chamados caixas 2, sem que
até agora qualquer dos envolvidos no esquema criminoso tenha
sido penalizado pela Justiça. Mais: PR significa Partido da República,
novo nome do mensaleiro Partido Liberal.
Pela
tangente
Diante da saia justa provocada pela moção apresentada
pelo deputado Ney Leprovost (PP-PR), que sugeriu conferir a Hugo Chávez
o título de “persona non grata” no Paraná,
o governador Roberto Requião arrumou uma saída de última