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ano 6 - número 1310
segunda-feira, 12 de março de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar."
Dias Gomes
 
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Engana, o mundo adora
Muito destaque se deu ao encontro entre George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, mas o que o presidente brasileiro mais desejava não ocorreu: uma sensível redução das tarifas ianques para a exportação do etanol brasileiro. Os americanos desembarcaram no Brasil não porque nós, brasileiros, somos geniais, extraordinários e simpáticos, como se anunciou, mas porque desejam aprender o segredo da mais festejada solução para o aquecimento global. O etanol está literalmente fora do controle do governo federal, pois trata-se de um negócio exclusivo da iniciativa privada, no qual os estrangeiros começaram a desembarcar com mala, cuia e dinheiro a rodo. Ficar no discurso e não investir fará o Brasil reviver o calvário enfrentado pelo nosso café, que depois de bom tempo foi desbancado por concorrentes internacionais. O que também ocorreu com a borracha. O etanol está a um passo de se transformar em “commodity”, e nesta seara os americanos são competentes. O Brasil que se cuide! (Foto: Associated Press)

Par ou ímpar?
A maior e mais importante cidade do País infestada de policiais das mais distintas corporações. Aulas suspensas, ruas bloqueadas, prejuízos no comércio, trânsito caótico, reuniões suspensas, negócios desfeitos, aeroportos fechados, viagens perdidas, truculência policial, carros guinchados, manifestações reprimidas, hipocrisia de sobra, trabalhadores sem acesso ao local de trabalho, desrespeito ao direito constitucional de ir e vir. Eis o rescaldo da passagem do presidente George W. Bush pela capital dos paulistas, uma das maiores e complexas metrópoles do planeta. Tudo porque o presidente americano decidiu, ao bel prazer, a cidade na qual permaneceria durante sua visita oficial ao Brasil. Comentar a balburdia que tomou conta de São Paulo seria repetir o que outros veículos de comunicação já publicaram. Porém, depois do caos que enfrentaram os paulistanos, fica difícil saber para quem torcer. Hugo Chávez ou Osama bin Laden? (Foto: AFP)

Confusão armada
Se dependesse da vontade de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, a candidatura de Nelson Jobim teria ido até o final. A mudança de rumo do Palácio do Planalto na eleição para a presidência do PMDB tem nome e sobrenome: Tarso Genro. Conterrâneo de Nelson Jobim, o ministro Tarso Genro, que nasceu na gaúcha Santa Maria, foi o responsável pelo desembarque palaciano da candidatura do ex-ministro e ex-presidente do STF. Tal situação explica o fato de o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não mais atender Genro, que está a um passo do ministério da Justiça. (Foto: radiometropole.com.br)

Traduzindo em miúdos
Horas antes da chegada de Bush ao Brasil, o presidente Lula disse, no Rio de Janeiro, ao defender o uso da camisinha, que a maioria das pessoas gosta de sexo. Na seqüência, já ao lado do presidente americano, Lula, ao comentar sobre a rodada de Doha, disse que ele e Bush estão próximos do "ponto G". A forma chicaneira como discursa, fazendo de suas palavras a alegria de jornalistas e chargistas, mostra que Lula é excelente no palanque, mas um fiasco em termos de cargos de importância, os quais requerem um mínimo de bom senso e compostura. Com Marta Suplicy louca por uma vaga no novo ministério, o discurso com traços de sexualidade do companheiro Lula pode ser a sua salvação. A sexóloga Marta seria a tradutora oficial do gabinete presidencial. Uma espécie de “close caption” vermelho.

Só conversa
Quando ainda estava em campanha pela reeleição, Luiz Inácio da Silva, o então presidente-candidato Lula, disse, sem medo de ser feliz, que a saúde no Brasil estava próxima da perfeição. Fossem suas palavras a mais fiel tradução da verdade, Lula teria feito exames em um hospital qualquer de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e não no Instituto do Coração, em São Paulo, hospital predileto de poderosos da política nacional. No Incor, Lula e a primeira-dama Marisa Letícia passaram por exames para avaliar a condição cardiológica e de resistência. Com o contribuinte arcando com as sempre nababescas e inexplicáveis despesas dos políticos, o melhor hospital de Brasília é, como sempre foi, a sala de embarque do aeroporto Juscelino Kubitscheck.

Barbaridade oficial
Rio – São Paulo: 278 minutos. Pode parecer o nome de um daqueles hollywoodianos filmes de ação, mas foi o tempo que demorou, na última sexta-feira, um vôo entre a Cidade Maravilhosa e a Paulicéia Desvairada. Os incautos passageiros que chegaram ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, na tarde da última sexta-feira, foram obrigados a enfrentar, durante mais de duas horas, uma sala de embarque lotada e quente, pois o espaço aéreo paulistano fora fechado para garantir a segurança de George Walker Bush, o presidente dos americanos. Muitos dos aviões que, depois de longa espera, conseguiram deixar a capital fluminense, enfrentaram, minutos depois, o fechamento do aeroporto de Congonhas por conta da chuva. E rodar sobre a cidade de São Paulo, por mais de duas horas, foi a diversão daqueles que sonhavam chegara cedo em casa, depois de uma escaldante sexta-feira no Rio de Janeiro. Uma viagem de 45 minutos durou mais de quatro horas e meia. E como a Infraero não tem mãe, o negócio foi pensar na Dona Bárbara.

Boca aberta
Incompetência gerencial, falta de planejamento, desperdício de dinheiro público, atraso nas obras, liberação não recomendada de verbas oficiais, populismo barato com competições esportivas, balas perdidas, ameaça de epidemia de dengue. Tudo isto, e mais um pouco, emoldura os Jogos Panamericanos, evento que acontece dentro de alguns meses no Rio de Janeiro. Não bastassem tantos vergonhosos quesitos, o Pan 2007 pode entrar para a história como a competição esportiva que causou o maior número de acidentes orofaciais. O alerta é do cirurgião buco-maxilo-facial Fábio Guedes, uma das maiores autoridades no assunto. De acordo com o cirurgião, que afirma ser este um prognóstico sombrio, de 45% a 50% dos atletas que vão participar dos Jogos Panamericanos, no Rio, correm sérios riscos de sofrer contusões orofaciais de caráter irreversível. Clique e saiba mais sobre os imbróglios do Pan, acessando o artigo “A CAIXA-PRETA E A BOCA ABERTA”.

Tremendo na base
Enquanto o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), comemora a não instalação da CPI do Apagão Aéreo, o que lhe conferiu o direito (sic) de cobrar uma vaga no novo ministério luliano para a companheira Marta Suplicy, o Palácio do Planalto está preocupado em demasia. Se o Plano de Aceleração do Crescimento já estava com a aprovação comprometida no Senado, depois do fim da candidatura de Nelson Jobim, agora a situação ficou complicada na vizinha Casa Legislativa. Na Câmara, a oposição entrou em obstrução, o que impede a votação de qualquer matéria. Os esqueletos nos armários da Infraero têm tirado o sono da assessoria palaciana. E o deputado federal Carlos Wilson (PT-PE), que até antes das eleições de outubro passado presidia a Infraero, não dorme direito há dias.

Figurinha carimbada
Quando o anúncio do indiciamento do deputado federal Paulo Maluf pela Justiça de Nova York tomou conta do noticiário nacional, muitos imaginaram que o ex-prefeito paulistano desta vez não escaparia. Maluf é um velho conhecido do promotor de Nova York, o implacável Robert Morgenthau, que em 2000 investigou o envolvimento de Paulo Maluf – e seu filho Flávio – no escândalo da Metrored, quando a empresa então controlada pelo Fundo de Investimentos Fidelity venceu concorrência para a instalação de cabos de fibra ótica no subsolo da cidade de São Paulo. À época, os diretores da Metrored se entregaram à Justiça nova-iorquina, como forma de amenizar a condenação, pois um esquema de corrupção de autoridades paulistanas foi contratado nos EUA pela bagatela de US$ 10 milhões. Coube ao editor da coluna denunciar o envolvimento de Paulo Maluf e seus parceiros na operação fraudulenta, sendo que a Justiça paulista tem, em suas estantes, processo semelhante ao de Nova York. (Ilustração: Cássio Scavone, o genial Manga)

Fio da navalha
Na política tudo é possível, inclusive uma aliança entre arqui-rivais, como foi o caso de Paulo Maluf e Marta Suplicy, em 2004, por ocasião do segundo turno da eleição municipal, disputa que a petista acabou perdendo para o tucano José Serra. Há poucos dias, o PT anunciou novamente o apoio de Maluf à ex-alcaidessa paulistana, que sonha em disputar a prefeitura da maior cidade do País em 2008. Com a denúncia contra Paulo Salim Maluf, resta saber se a parceria anunciada continua em pé, pois o acordo prevê o direito de Maluf indicar três secretários em eventual vitória de Marta. Mesmo assim, alguns ainda falam em refundar o PT, quando o caso é de implosão.

Cobrança atrasada
Desde o escândalo dos precatórios, imbróglio financeiro que entre tantas catastróficas conseqüências levou à extinção do Banco ABC-Roma – parceria entre o Arabian Bank Corporation e o finado Roberto Marinho – as relações entre a Rede Globo e o ex-prefeito Paulo Maluf não são das melhores. Tanto é assim, que desde então a emissora carioca tem dado prioridade à divulgação de notícias contra Maluf, como forma de quitar uma fatura que ficou pendurada. Quando noticiou a decisão do promotor nova-iorquino Robert Morgenthau, a Globo informou que a acusação tinha o desvio de verbas na construção da avenida Água Espraiada, em São Paulo, como alvo. Acontece que a tal avenida, ao ser rebatizada, recebeu o nome de jornalista Roberto Marinho. Bisonho o atalho jornalístico encontrado pela emissora do Jardim Botânico. Mais: as acusações feitas pela ex-governadora do Rio, Rosângela Matheus, que afirmou que a Globo mantém contas bancárias em paraísos fiscais, ainda não foram apuradas.

Quem quer dinheiro?
O ano político mal começou, e já tem escândalo de sobra para o eleitor se deliciar (sic). Assessor do deputado federal Aracely de Paula (PR-MG), Emílio Fernandes de Paula Castilho foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal, neste domingo, com pouco mais de R$ 79 mil em dinheiro, quantia que estava no porta-malas de um carro parado pelo Polícia Rodoviária Federal após uma ultrapassagem irregular. Sobrinho do parlamentar mineiro, o assessor apresentou versões variadas sobre a origem do dinheiro. É preciso lembrar que a crise do mensalão provou que partidos políticos se refestelam na lama que advém dos chamados caixas 2, sem que até agora qualquer dos envolvidos no esquema criminoso tenha sido penalizado pela Justiça. Mais: PR significa Partido da República, novo nome do mensaleiro Partido Liberal.

Pela tangente
Diante da saia justa provocada pela moção apresentada pelo deputado Ney Leprovost (PP-PR), que sugeriu conferir a Hugo Chávez o título de “persona non grata” no Paraná, o governador Roberto Requião arrumou uma saída de última