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ano 6 - número 1307
quarta-feira, 7 de março de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"A disciplina é a parte mais importante do sucesso."
Truman Capote
 
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Saindo à francesa
O que era para ser uma grande mudança, não deve passar de um enorme fiasco. A revolucionária reforma ministerial, anunciada pelo presidente Lula logo após a vitória nas urnas eleitorais, foi reduzida a algumas pequenas mudanças, o que faz com que o anúncio da nova equipe de governo não passe de um mambembe puxadinho de fundo de quintal. Como noticiou a coluna, há dias, o novo ministro da Integração Nacional será o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), o que reforça o poder de fogo do atual presidente do partido, Michel Temer, ao mesmo tempo em que implodiu a candidatura do gaúcho Nelson Jobim. Após negar seguidamente a renúncia à candidatura, Nelson Jobim desistiu de disputar a presidência nacional do PMDB, assunto que será sacramentado pelo partido no próximo domingo. (Foto: sigloxxi.com)

Complicou de vez
Para ludibriar a opinião pública, o presidente Lula, abusando de sua retórica populista, anunciou no começo deste ano que faria um governo de coalizão. E a tal coalizão tinha o PMDB como âncora. Com a ala de Nelson Jobim derrotada, além de visivelmente irritada com o comportamento do presidente Lula – ele pulou do barco em plena viagem – os senadores Renan Calheiros e José Sarney liberaram os integrantes do partido da obrigação de apoiarem o Palácio do Planalto. A partir de agora, além de um fiasco batizado de PAC, Lula terá mais uma árdua tarefa. A de restaurar as rachaduras internas do PMDB, caso queira governar sem muitos sobressaltos. Do contrário, será como a tão cantada música Águas de Março. Pau e pedra à vontade. Mais: com a saída de parte do PMDB da base de apoio ao Palácio do Planalto, o PAC tem poucas chances de ser aprovado no Senado.

De volta para o aconchego
Logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro passado, a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, agiu corretamente ao sair de cena, uma vez que integrar o novo ministério do companheiro-presidente era seu objetivo. Na seqüência, Marta passou a trabalhar silenciosamente nos bastidores, a fim de conquistar o Ministério das Cidades, cargo que lhe daria visibilidade suficiente para disputar a prefeitura paulistana em 2008. Tudo ia bem, até o PT entrar em cena oficialmente e cobrar do presidente Lula a indicação de Marta Suplicy. Sem promover grandes mudanças em sua nova equipe de governo, Lula deve mesmo deixar Marta Suplicy de fora. Assim, se continuar sonhando com a prefeitura da Paulicéia Desvairada, a ex-prefeita terá que trabalhar duro, pois saiu queimada dessa embromação em que se transformou o anúncio do novo ministério.

Be-a-bá oficial
No Plano de Desenvolvimento da Educação (é uma espécie de PAC da Educação), apresentado ao presidente Lula nesta segunda-feira pelo ministro Fernando Haddad e que prevê o investimento de R$ 8 bilhões nos próximos quatro anos, tem a educação básica como meta maior. E o setor de alfabetização dos alunos ficará a cargo de professores devidamente treinados, e não sob a responsabilidade de pessoas alfabetizadas, como vinha acontecendo até então. Quando se fala em alfabetização, imediatamente vem ao pensamento a capacidade de escrever. Por conseguinte, a necessidade de uma caneta se faz presente. Enquanto o PAC da Educação ganha notoriedade no noticiário, o famigerado IPI que incide sobre uma reles caneta esferográfica – aquela que se compra na esquina de casa – continua nas alturas. Só as caneteiras instaladas na Zona Franca de Manaus é que estão livres da mordida da União, pelo simples fato de nacionalizarem de maneira escandalosa produtos estrangeiros. Enfim, o presidente Lula continua acreditando que muda o Brasil com canetadas.

Gasolina de gringo
Quem se espantou com a decisão do staff da Casa Branca de trazer antecipadamente para o Brasil alguns produtos a serem consumidos pelo presidente George W. Bush, durante sua visita ao País, pode ir se preparando. A limusine blindada que Bush utilizará em seus deslocamentos pela capital paulista será movida a gasolina norte-americana. O governo brasileiro ofereceu combustível ao mandatário ianque, mas sua assessoria trazer gasolina da terra do Tio Sam. O que mais espanta nessa história toda é que a Petrobras, que opera nos EUA, produz o combustível que empurra muitos bólidos da Fórmula Um. Mas para George Walker Bush só mesmo o etanol tupiniquim é que interessa.

Radiografia do susto
O “balança, mas não cai” vivido pelo mercado financeiro nos últimos dias, vai influenciar na decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o temido Copom, que deve anunciar ainda hoje a nova taxa Selic. Na verdade, a redução esperada por especialistas é de no máximo 0,25 ponto percentual, o que fará com que a taxa de juros praticada no Brasil continue sendo a maior do planeta. A forte oscilação que teve o mercado chinês como nascedouro tem explicações que ainda não vieram a público. Ouvido pelo editor, um especialista do mercado financeiro apontou a operação de compra de moeda no mercado asiático, para desova em países emergentes (Brasil e Turquia) como a grande culpada da tensão dos últimos dias. Especuladores estavam comprando contratos futuros de moeda estrangeira no mercado asiático, desfazendo-se das posições nos mercados brasileiro e turco. Como o “spread” da operação era viabilizado no curto prazo, os mercados asiáticos decidiram impor um freio nas tais operações. E a ciranda financeira foi quebrada.

Anos dourados
Com passagem pelos principais veículos de comunicação do País, o jornalista Eduardo Logullo, carioca de nascimento e radicado em São Paulo desde o início dos anos 90, lança nesta quarta-feira, na capital paulista, o livro “MEU MUNDO CAIU – A bossa e a fossa de Maysa”. A obra, que retrata um pouco da vida de Maysa Monjardim, uma das musas da bossa-nova, que no auge da carreira encantou intelectuais como Antonio Maria, Vinícius de Moraes e Manoel Bandeira. E coube ao genial Bandeira escrever um poema sobre o impacto dos verdes olhos de Maysa. No livro, que conta com prefácio da cantora Gal Costa, o experiente Logullo traz um pouco da trajetória da filha de uma família de aristocratas do Espírito Santo, que fez da capital paulista o trampolim para uma carreira de sucesso, porém ponteada por momentos polêmicos e paixões conturbadas. Os amantes da boa música brasileira não podem perder! “MEU MUNDO CAIU – A bossa e a fossa de Maysa” – Editora Novo Século - Lançamento nesta quarta-feira, 7 de março, a partir das 18:30 horas, na livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

Falta de sensibilidade
Amanhã, Dia Internacional da Mulher, a Câmara dos Deputados vai exalar o machismo que a Casa esconde em seus escaninhos. Por decisão da mesa diretora, o plenário da Câmara discutirá, nesta quinta-feira (8/3) propostas da bancada feminina. Isso mostra que o machismo que ainda impera nas atitudes da nossa sociedade nada mais é do que um abissal atraso de vida. Toda essa movimentação da Câmara denota que os parlamentares que a competência feminina aflora uma vez por ano. Enquanto o universo masculino não admitir que mulheres são mais competentes, o mundo não sairá do lugar.

Saia justa
A decisão de evitar a presença de Marta Suplicy na micro-reforma ministerial mostra que o presidente Lula quer distância das disputas internas do PT, cuja proximidade em excesso poderia comprometer um segundo governo que sequer começou oficialmente. A falta de influência do Campo Majoritário – é o grupo comandado por José Dirceu que manda no PT – junto ao Palácio do Planalto é tão claro e evidente, que companheiros que tentaram, recentemente, emplacar amigos e conhecidos em postos do segundo escalão do governo Lula se deram muito mal. O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), que faz a ponte entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados, foi um dos que deram com a cara na porta palaciana.

Pires na mão
Mesmo sabendo que seria difícil tratar de determinados assuntos durante o encontro de governadores com o presidente Lula, o governador José Serra aterrissou em Brasília com um assunto a mais na agenda. A estadualização do porto de Santos. Lula, por sua vez, descartou, pelo menos por enquanto, a possibilidade de passar para as mãos do governo paulista a responsabilidade pelo maior e mais movimentado porto brasileiro. A decisão de Serra beira a estranheza, em especial porque o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) – e companheiro de partido do governador – quer investigar as estripulias ocorridas na venda da empresa Santos Brasil para o grupo comandado pelo banqueiro “Tantas”, cujo verdadeiro nome a Justiça ainda nos proíbe de citar.

Desembarque errado
Imaginar qual é, atualmente, o melhor partido brasileiro é tarefa das mais árduas, isto sem salientar que a teoria da impossibilidade ronda com insistência o universo político nacional. Respeitado na Câmara como um dos grandes juristas da Casa Legislativa, o deputado federal Vicente Arruda (CE), atualmente no PSDB, está prestes a desembarcar, com mala e cuia, no PR, novo nome do antigo Partido Liberal. É preciso reconhecer que o tucanato não é um ninho de amores, mas mudar para um partido de mensaleiros é rasgar a própria história.

Pontaria zero
Estreante na vida parlamentar, o deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR) colecionou em muito pouco tempo três consideráveis derrotas. A primeira delas foi o apoio incondicional dado ao tucano Geraldo Alckmin em sua disputa pelo palácio do Planalto. A segunda foi seu empenho na campanha pela reeleição do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara. A última e mais recente foi a dedicação a finada campanha de Nelson Jobim, que sonhava em presidir, a partir do próximo domingo, o PDMB. Como a política e o boxe têm suas semelhanças, o melhor é ir para o córner e respirar. Antes que alguém jogue a toalha.

Perigo à vista
Noticiada por esta coluna com exclusividade, a possibilidade de rejeição das contas do governo Geraldo Alckmin cresce a cada dia. O presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Antonio Roque Citadini, está debruçado sobre a contabilidade da Secretaria da Educação, cujo então secretário, Gabirel Chalita, contava com a simpatia da ex-primeira-dama Lu Alckmin. Citadini arrepia todas as vezes que vasculha a participação de Ongs e Fundações na gestão de Chalita. Segundo apurou a coluna, o grande furo da passagem de Gabriel Chalita pela Educação pode estar na Faculdade de Medicina de Marília. Mais: a denúncia que originou o calvário de Chalita e Alckmin partiu do deputado estadual Fausto Figueira (PT-SP).

Mais confusão
Responsável pela campanha publicitária que em 2002 levou o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à vitória, o marqueteiro Duda Mendonça, que está enrolado com a Justiça no caso do mensalão, terá mais um problema pela frente. Por decisão do juiz da 9ª Vara Criminal de Salvador, o baiano Duda Mendonça terá de responder a processo por formação de quadrilha, maus-tratos a animais, desobediência a ordem de funcionário público e jogos de azar. Ao acolher denúncia do Ministério Público Estadual, o juiz Almir Pereira trouxe a reboque outros sessenta e dois acusados, todos envolvidos com o criador do “Lulinha Paz e Amor”. A prisão de Duda Mendonça em outubro de 2004 em uma rinha de galos em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de causou transtornos dos mais diversos aos delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis pela Operação Rudis, que culminou com o estouro do Clube Privé Cinco Estrelas. Rayol e Pompílio da Hora, a exemplo do que ocorreu com os agentes Amado e Guimarães, ainda respondem a processos administrativos na Polícia Federal.

Esqueceram de mim
Pensando bem, não será surpresa alguma se o presidente Lula despencar no divã do analista. Afinal, ele está prestes a se transformar em maior abandonado.

Samba do venezuelano doido
(07/03/06) - A oposição, sempre à caça de algum motivo extra para fustigar o PT palaciano, agora quer saber de que maneira o dinheiro de Hugo Chávez chegou às mãos da diretoria da escola de samba Unidos de Vila Isabel, campeã do Carnaval carioca. Não se trata de desdenhar da boa vontade oposicionista, mas é preciso saber, antes de qualquer outra coisa, como e por que a Vila Isabel desbancou a Unidos da tijuca, que no desfile das campeãs, no último sábado, protagonizou um protesto no sambódromo da Cidade Maravilhosa. Visivelmente, o desfile da Unidos da Tijuca foi superior ao do apresentado pela agremiação de Vila Isabel, mas Chávez, em sua cruzada de espalhar pelo uma reedição criminosa e barata do socialismo, não poderia perder a disputa carnavalesca mais importante do país, cuja vitória lhe rendeu visibilidade internacional. Resumindo, tem uma boiada nessa linha do samba.

Ucho Haddad

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