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Saindo
à francesa
O que era para ser uma grande mudança, não deve
passar de um enorme fiasco. A revolucionária reforma ministerial,
anunciada pelo presidente Lula logo após a vitória nas
urnas eleitorais, foi reduzida a algumas pequenas mudanças, o
que faz com que o anúncio da nova equipe de governo não
passe de um mambembe puxadinho de fundo de quintal. Como noticiou a
coluna, há dias, o novo ministro da Integração
Nacional será o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA),
o que reforça o poder de fogo do atual presidente do partido,
Michel Temer, ao mesmo tempo em que implodiu a candidatura do gaúcho
Nelson Jobim. Após negar seguidamente a renúncia à
candidatura, Nelson Jobim desistiu de disputar a presidência nacional
do PMDB, assunto que será sacramentado pelo partido no próximo
domingo. (Foto: sigloxxi.com)
Complicou
de vez
Para ludibriar a opinião pública, o presidente Lula, abusando
de sua retórica populista, anunciou no começo deste ano
que faria um governo de coalizão. E a tal coalizão tinha
o PMDB como âncora. Com a ala de
Nelson Jobim derrotada, além de visivelmente irritada com o comportamento
do presidente Lula – ele pulou do barco em plena viagem –
os senadores Renan Calheiros e José Sarney liberaram
os integrantes do partido da obrigação de apoiarem o Palácio
do Planalto. A partir de agora, além de um fiasco batizado de
PAC, Lula terá mais uma árdua tarefa. A de restaurar as
rachaduras internas do PMDB, caso queira governar sem muitos sobressaltos.
Do contrário, será como a tão cantada música
Águas de Março. Pau e pedra à vontade. Mais: com
a saída de parte do PMDB da base de apoio ao Palácio do
Planalto, o PAC tem poucas chances de ser aprovado no Senado.
De
volta para o aconchego
Logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva,
em outubro passado, a ex-prefeita de São Paulo, MartaSuplicy, agiu corretamente ao sair de cena, uma vez
que integrar o novo ministério do companheiro-presidente era
seu objetivo. Na seqüência, Marta passou a trabalhar silenciosamente
nos bastidores, a fim de conquistar o Ministério das Cidades,
cargo que lhe daria visibilidade suficiente para disputar a prefeitura
paulistana em 2008. Tudo ia bem, até o PT entrar em cena oficialmente
e cobrar do presidente Lula a indicação de Marta Suplicy.
Sem promover grandes mudanças em sua nova equipe de governo,
Lula deve mesmo deixar Marta Suplicy de fora. Assim, se continuar sonhando
com a prefeitura da Paulicéia Desvairada, a ex-prefeita terá
que trabalhar duro, pois saiu queimada dessa embromação
em que se transformou o anúncio do novo ministério.
Be-a-bá
oficial
No Plano de Desenvolvimento da Educação (é uma
espécie de PAC da Educação), apresentado ao presidente
Lula nesta segunda-feira pelo ministro Fernando Haddad e que prevê
o investimento de R$ 8 bilhões nos próximos quatro anos,
tem a educação básica como meta maior. E o setor
de alfabetização dos alunos ficará a cargo de professores
devidamente treinados, e não sob a responsabilidade de pessoas
alfabetizadas, como vinha acontecendo até então. Quando
se fala em alfabetização, imediatamente vem ao pensamento
a capacidade de escrever. Por conseguinte, a necessidade de uma caneta
se faz presente. Enquanto o PAC da Educação ganha notoriedade
no noticiário, o famigerado IPI que incide sobre uma reles caneta
esferográfica – aquela que se compra na esquina de casa
– continua nas alturas. Só as caneteiras instaladas na
Zona Franca de Manaus é que estão livres da mordida da
União, pelo simples fato de nacionalizarem de maneira escandalosa
produtos estrangeiros. Enfim, o presidente Lula continua acreditando
que muda o Brasil com canetadas.
Gasolina
de gringo
Quem se espantou com a decisão do staff da Casa Branca de trazer
antecipadamente para o Brasil alguns produtos a serem consumidos pelo
presidente George W. Bush, durante sua visita ao País, pode ir
se preparando. A limusine blindada que Bush utilizará em seus
deslocamentos pela capital paulista será movida a gasolina norte-americana.
O governo brasileiro ofereceu combustível ao mandatário
ianque, mas sua assessoria trazer gasolina da terra do Tio Sam. O que
mais espanta nessa história toda é que a Petrobras, que
opera nos EUA, produz o combustível que empurra muitos bólidos
da Fórmula Um. Mas para George Walker Bush só mesmo o
etanol tupiniquim é que interessa.
Radiografia
do susto
O “balança, mas não cai” vivido pelo mercado
financeiro nos últimos dias, vai influenciar na decisão
do Comitê de Política Monetária do Banco Central,
o temido Copom, que deve anunciar ainda hoje a nova taxa Selic. Na verdade,
a redução esperada por especialistas é de no máximo
0,25 ponto percentual, o que fará com que a taxa de juros praticada
no Brasil continue sendo a maior do planeta. A forte oscilação
que teve o mercado chinês como nascedouro tem explicações
que ainda não vieram a público. Ouvido pelo editor, um
especialista do mercado financeiro apontou a operação
de compra de moeda no mercado asiático, para desova em países
emergentes (Brasil e Turquia) como a grande culpada da tensão
dos últimos dias. Especuladores estavam comprando contratos futuros
de moeda estrangeira no mercado asiático, desfazendo-se das posições
nos mercados brasileiro e turco. Como o “spread” da operação
era viabilizado no curto prazo, os mercados asiáticos decidiram
impor um freio nas tais operações. E a ciranda financeira
foi quebrada.
Anos
dourados
Com passagem pelos principais veículos de comunicação
do País, o jornalista Eduardo Logullo,
carioca de nascimento e radicado em São Paulo desde o início
dos anos 90, lança nesta quarta-feira, na capital paulista, o
livro “MEU MUNDO CAIU – A bossa e a fossa de Maysa”.
A obra, que retrata um pouco da vida de Maysa Monjardim, uma das musas
da bossa-nova, que no auge da carreira encantou intelectuais como Antonio
Maria, Vinícius de Moraes e Manoel Bandeira. E coube ao genial
Bandeira escrever um poema sobre o impacto dos verdes olhos de Maysa.
No livro, que conta com prefácio da cantora Gal Costa, o experiente
Logullo traz um pouco da trajetória da filha de uma família
de aristocratas do Espírito Santo, que fez da capital paulista
o trampolim para uma carreira de sucesso, porém ponteada por
momentos polêmicos e paixões conturbadas. Os amantes da
boa música brasileira não podem perder! “MEU MUNDO
CAIU – A bossa e a fossa de Maysa” – Editora Novo
Século - Lançamento nesta quarta-feira, 7 de março,
a partir das 18:30 horas, na livraria Cultura do Conjunto Nacional,
em São Paulo.
Falta
de sensibilidade
Amanhã, Dia Internacional da Mulher, a Câmara dos Deputados
vai exalar o machismo que a Casa esconde em seus escaninhos. Por decisão
da mesa diretora, o plenário da Câmara discutirá,
nesta quinta-feira (8/3) propostas da bancada feminina. Isso mostra
que o machismo que ainda impera nas atitudes da nossa sociedade nada
mais é do que um abissal atraso de vida. Toda essa movimentação
da Câmara denota que os parlamentares que a competência
feminina aflora uma vez por ano. Enquanto o universo masculino não
admitir que mulheres são mais competentes, o mundo não
sairá do lugar.
Saia
justa
A decisão de evitar a presença de Marta Suplicy na micro-reforma
ministerial mostra que o presidente Lula quer distância das disputas
internas do PT, cuja proximidade em excesso poderia comprometer um segundo
governo que sequer começou oficialmente. A falta de influência
do Campo Majoritário – é o grupo comandado por José
Dirceu que manda no PT – junto ao Palácio do Planalto é
tão claro e evidente, que companheiros que tentaram, recentemente,
emplacar amigos e conhecidos em postos do segundo escalão do
governo Lula se deram muito mal. O deputado Cândido Vacarezza
(PT-SP), que faz a ponte entre o Palácio do Planalto e a Câmara
dos Deputados, foi um dos que deram com a cara na porta palaciana.
Pires
na mão
Mesmo sabendo que seria difícil tratar de determinados assuntos
durante o encontro de governadores com o presidente Lula, o governador
José Serra aterrissou em Brasília com um assunto a mais
na agenda. A estadualização do porto de Santos. Lula,
por sua vez, descartou, pelo menos por enquanto, a possibilidade de
passar para as mãos do governo paulista a responsabilidade pelo
maior e mais movimentado porto brasileiro. A decisão de Serra
beira a estranheza, em especial porque o senador Alvaro Dias (PSDB-PR)
– e companheiro de partido do governador – quer investigar
as estripulias ocorridas na venda da empresa Santos Brasil para o grupo
comandado pelo banqueiro “Tantas”, cujo verdadeiro nome
a Justiça ainda nos proíbe de citar.
Desembarque
errado
Imaginar qual é, atualmente, o melhor partido brasileiro é
tarefa das mais árduas, isto sem salientar que a teoria da impossibilidade
ronda com insistência o universo político nacional. Respeitado
na Câmara como um dos grandes juristas da Casa Legislativa, o
deputado federal Vicente Arruda (CE), atualmente no PSDB, está
prestes a desembarcar, com mala e cuia, no PR, novo nome do antigo Partido
Liberal. É preciso reconhecer que o tucanato não é
um ninho de amores, mas mudar para um partido de mensaleiros é
rasgar a própria história.
Pontaria
zero
Estreante na vida parlamentar, o deputado federal Rodrigo da Rocha Loures
(PMDB-PR) colecionou em muito pouco tempo três consideráveis
derrotas. A primeira delas foi o apoio incondicional dado ao tucano
Geraldo Alckmin em sua disputa pelo palácio do Planalto. A segunda
foi seu empenho na campanha pela reeleição do deputado
Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara. A
última e mais recente foi a dedicação a finada
campanha de Nelson Jobim, que sonhava em presidir, a partir do próximo
domingo, o PDMB. Como a política e o boxe têm suas semelhanças,
o melhor é ir para o córner e respirar. Antes que alguém
jogue a toalha.
Perigo
à vista
Noticiada por esta coluna com exclusividade, a
possibilidade de rejeição das contas do governo Geraldo
Alckmin cresce a cada dia. O presidente do Tribunal de Contas
do Estado de São Paulo, Antonio Roque Citadini, está debruçado
sobre a contabilidade da Secretaria da Educação, cujo
então secretário, Gabirel Chalita, contava com a simpatia
da ex-primeira-dama Lu Alckmin. Citadini arrepia todas as vezes que
vasculha a participação de Ongs e Fundações
na gestão de Chalita. Segundo apurou a coluna, o grande furo
da passagem de Gabriel Chalita pela Educação pode estar
na Faculdade de Medicina de Marília. Mais: a denúncia
que originou o calvário de Chalita e Alckmin partiu do deputado
estadual Fausto Figueira (PT-SP).
Mais
confusão
Responsável pela campanha publicitária que em 2002
levou o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à
vitória, o marqueteiro Duda Mendonça,
que está enrolado com a Justiça no caso do mensalão,
terá mais um problema pela frente. Por decisão do juiz
da 9ª Vara Criminal de Salvador, o baiano Duda Mendonça
terá de responder a processo por formação de quadrilha,
maus-tratos a animais, desobediência a ordem de funcionário
público e jogos de azar. Ao acolher denúncia do Ministério
Público Estadual, o juiz Almir Pereira trouxe a reboque outros
sessenta e dois acusados, todos envolvidos com o criador do “Lulinha
Paz e Amor”. A prisão de Duda Mendonça em outubro
de 2004 em uma rinha de galos em Jacarepaguá, zona oeste do Rio
de causou transtornos dos mais diversos aos delegados federais Antonio
Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis
pela Operação Rudis, que culminou com o estouro do Clube
Privé Cinco Estrelas. Rayol e Pompílio da Hora, a exemplo
do que ocorreu com os agentes Amado e Guimarães, ainda respondem
a processos administrativos na Polícia Federal.
Esqueceram
de mim
Pensando bem, não será surpresa alguma se o presidente
Lula despencar no divã do analista. Afinal, ele está prestes
a se transformar em maior abandonado.
Samba
do venezuelano doido (07/03/06)
- A oposição, sempre à caça de algum motivo
extra para fustigar o PT palaciano, agora quer saber de que maneira
o dinheiro de Hugo Chávez chegou às mãos da diretoria
da escola de samba Unidos de Vila Isabel, campeã do Carnaval
carioca. Não se trata de desdenhar da boa vontade oposicionista,
mas é preciso saber, antes de qualquer outra coisa, como e por
que a Vila Isabel desbancou a Unidos da tijuca, que no desfile das campeãs,
no último sábado, protagonizou um protesto no sambódromo
da Cidade Maravilhosa. Visivelmente, o desfile da Unidos da Tijuca foi
superior ao do apresentado pela agremiação de Vila Isabel,
mas Chávez, em sua cruzada de espalhar pelo uma reedição
criminosa e barata do socialismo, não poderia perder a disputa
carnavalesca mais importante do país, cuja vitória lhe
rendeu visibilidade internacional. Resumindo, tem uma boiada nessa linha
do samba.
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