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de Ipojuca Pontes sobre o governo Lula
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Dando
um tempo
O presidente Lula pediu, e o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José
Dirceu de Oliveira e Silva, cedeu. A
campanha pela anistia política do deputado cassado por envolvimento
no escândalo da mensalão foi adiada, a pedido de Lula,
por cinco meses. Ou seja, só começa no segundo semestre
deste ano. Porém, Dirceu já avisou que para alcançar
seu objetivo está disposto, inclusive, a enfrentar uma greve
de fome. Quando participou do processo de cassação do
então deputado Ricardo Fiúza – a já falecido
– acusado de envolvimento com a Máfia dos Anões
do Orçamento, José Dirceu disse que para cassar um mandato
não eram necessárias provas, mas apenas evidências.
E está mais do que evidente que o mensalão passou pelo
Palácio do Planalto. Pelo menos foi o que garantiu Roberto Jefferson.
Você pode participar do Programa Anistia Zero, clicando no banner
localizado na coluna à esquerda, e enviando e-mail de adesão.
Participe, pois o Brasil merece ser passado a limpo! (Foto:
abc.es)
Transparência
zero
Como antecipou a coluna, com absoluta exclusividade, a criação
de uma CPI do Apagão Aéreo preocupa o Palácio do
Planalto de maneira demasiada. Porém, a preocupação
maior está na possibilidade de criação de uma subcomissão
para analisar as estripulias da Infraero. Responsável pela infra-estrutura
aeroportuária nacional, a Infraero seria alvo fácil na
mira da oposição. Representantes das empreiteiras que
prestam serviços à Infraero amarelam quando pensam no
assunto. Em outras palavras, se a CPI sair a Infraero vai pelos ares.
Mais: a idéia de investigar a Infraero surgiu a partir de notícia
veiculada pela coluna. Mais: o presidente da Câmara, deputado
Arlindo Chinaglia (PT-SP), a mando do Palácio do Planalto, aposta
em chicanas jurídicas para impedir a instalação
da CPI. (Foto: Airliners-Irfan Kaliskan)
Dada
a largada
Fadado ao fracasso no âmbito organizacional, o Pan 2007 começa
a proporcionar os primeiros escândalos, muito antes do tiro de
largada. Não bastasse a equivocada liberação de
recursos federais para a construção da Vila do Pan, o
Ministério da Justiça, decidiu queimar R$ 183 milhões
do dinheiro público na aquisição de rádios
comunicadores e sistema de comunicação para os Jogos Panamericanos.
E sem concorrência. Como o orçamento do Pan já estourou
e as obras estão muito atrasadas, todas as compras estão
sendo realizadas sob a chancela da “emergência”, o
que por lei dispensa a necessidade de licitação. Por isso
, meu caro leitor, anote: o Pan será a nova caixa-preta do governo
Lula.
Maior
abandonado
No engatinhar do primeiro governo do presidente Lula, o empresário
Mauro Dutra, outrora protegido do Palácio do Planalto, surgiu
no noticiário por conta da Ágora, Ong que conseguiu benesses
oficiais das mais variadas. Na seqüência, Dutra foi alvo
de investigações, uma vez que a Novadata, empresa de informática
de sua propriedade, era uma das grandes fornecedoras dos Correios. Atualmente
esquecido pelo amigo ilustre – o presidente Lula – Mauro
Dutra vive momentos de constrangimento explícito. O faturamento
da Novadata caiu vertiginosamente, e a empresa encontra-se em recuperação
judicial. Status jurídico que na antiga Lei de Falência
era chamado de concordata.
É
o fim
Diante de tantos assuntos de relevância para serem decididos,
o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou na última
sexta-feira Recurso Especial que tinha a pipoca como objeto. A ação,
que trilhou todos os caminhos da Justiça, resultou em uma derrota
para a rede de cinemas Cinemark Brasil, que vinha proibindo os amantes
da sétima arte de freqüentarem suas salas com pipoca adquirida
fora de seus domínios. Simplesmente ridículo o comportamento
ditatorial da empresa.
Quem
paga?
Barrado nas urnas eleitorais de outubro passado, o ex-deputado federal
Luiz Antonio de Medeiros foi nomeado secretário de Relações
do Trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego, cargo que até
recentemente era ocupado por Osvaldo Bargas, um dos “aloprados”
do Dossiê Cuiabá. Enquanto cumpria o mandato parlamentar,
Medeiros circulava por Brasília e São Paulo escoltado
por agentes da Polícia Federal, mordomia proporcionada com o
dinheiro público depois que o ex-deputado revelou estar sofrendo
ameaças de morte por conta da prisão do sino-brasileiro
Law Kim Chong, acusado de contrabando. Resta saber se a escolta será
mantida e quem pagará por ela, pois no Brasil existem milhares
de ameaçados sem proteção alguma, a não
ser a divina. Mais: é de se estranhar o fato de o governo Lula
tê-lo indicado para o cargo, pois Medeiros, quando presidente
da Força Sindical, foi acusado pelo ex-assessor Wagner Cinchetto
de manter conta no Commercial Bank, em Nova York.
Azeitona
na empada
“Agora até o Bush nomeia no Brasil”. Assim o ex-
ministro e deputado cassado José Dirceu se referiu
à indicação do novo diretor da Agência Nacional
do Petróleo, a poderosa ANP, Nelson Narciso Filho. Ex-funcionário
da Halliburton, empresa de exploração de petróleo
controlada por Dick Cheney – é o vice-presidente dos EUA
– Narciso Filho rodou o mundo como profissional. Para completar,
Dirceu, que dia desses parolava com amigos na sala de embarque do aeroporto
de Congonhas, disparou mais um petardo na direção do engenheiro
Nelson Narciso Filho: “ele só nasceu no Brasil”.
Mais: o sindicalismo petroleiro está em polvorosa. (Foto:
AFP)
Anjos
da guarda
Em sua passagem pelo Brasil, o presidente dos EUA, George W. Bush, terá
à sua disposição um verdadeiro exército
para cuidar de sua segurança pessoal, sem contar os agentes do
serviço secreto ianque que já estão no País,
infernizando a vida de alguns pacatos brasileiros. Nos hotéis
em que se hospedar, Bush será vigiado, em terra, por policiais,
e pelo ar por aeronaves da Força Aérea Brasileira, o que
faz com que o esquema de segurança seja inédito no Brasil.
É importante saber o que o presidente norte-americano tem de
melhor que qualquer contribuinte – que arcará com os custos
da operação – uma vez que a população
está à mercê da própria sorte em termos de
segurança pública.
Saindo
na frente
Os leitores da coluna souberam com dois anos de antecedência o
que o jornal O Globo trouxe na edição deste domingo: a
existência de um esquema de lavagem de dinheiro na tríplice
fronteira (Brasil – Argentina – Paraguai), que beneficia
principalmente grupos terroristas árabes, como o Hezbollah e
Al Qaeda. Em 2003, a coluna denunciou a criminosa operação
às autoridades consulares dos EUA, em São Paulo, mas pouca
atenção foi dada ao assunto. Na época, o editor
lembrou ao representante consular que o dinheiro destinado à
Al Qaeda saía de Foz do Iguaçu e passava por uma conhecida
casa de câmbio de São Paulo, antes de chegar nas mãos
dos seguidores de Osama bin Laden...
Cofrinho
do Rei Kião
Durante a recente campanha eleitoral – que lhe
garantiu o direito de continuar como inquilino do Palácio Iguaçu,
sede do Executivo paranaense, o governador Roberto Requião
(PMDB) declarou guerra aos jornalistas, muitos dos quais, segundo promessa,
serão processados. Se Requião vai ou não à
Justiça contra aqueles que revelaram verdades, não se
sabe, mas o fato é que dinheiro não será problema
para custear as demandas judiciais. Para comandar os destinos do Paraná,
Requião, que transformou o governo local em cabide de empregos
da família Mello e Silva (seu nome é Roberto Requião
de Mello e Silva), recebe R$ 26 mil mensais de salário. O triplo
do que recebe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto:
Wikipedia)
Apaguem
a luz
A criminosa ausência do Estado em muitos segmentos do cotidiano
faz com que o contribuinte se transforme em uma espécie de refém
do caos. O recente tiroteio ocorrido durante tentativa de assalto a
uma agência do Banco Itaú, no bairro de Moema, na zona
sul da cidade de São Paulo, deixou duas pessoas gravemente feridas.
Do lado de fora da agência, à espera do transporte coletivo,
um homem e uma jovem foram atingidos pelas balas dos criminosos. O homem
teve parte da perna amputada na última sexta-feira, enquanto
a menina, atingida na medula, dificilmente voltará a andar. O
Estado deve ser responsabilizado civil e criminalmente pelo ocorrido,
pois é sua obrigação constitucional garantir a
segurança pública. Mais: enquanto isso, matérias
que buscam minimizar a criminalidade, foram deixadas para depois, uma
vez que o senador Tasso Jereissati entendeu que há assuntos mais
importantes para serem votados.
Muito
mal explicado
O golpe do falso seqüestro fez mais uma vítima fatal em
São Paulo. A aposentada Rosalina Ribeiro Regis, de 70 anos, foi
alvo dos bandidos que, por telefone, anunciam o falso seqüestro.
Moradora da cidade de Americana, no interior paulista, a aposentada
sofreu um ataque cardíaco após cumprir as exigências
dos bandidos – a compra de cartões telefônicos pré-pagos.
Questionar a inoperância das autoridades é cair no vazio.
Resta saber quem está fornecendo a lista dos telefones com os
nomes dos assinantes.
Morrer
à noite, nem pensar
Diz a sabedoria popular que pobres e ricos são absolutamente
iguais em pelo menos dois momentos da vida: no banheiro e na morte.
Porém, no Maranhão, o mais miserável dos estados
brasileiros, pobres e ricos são iguais apenas no momento de suas
necessidades fisiológicas. Morrer dignamente no Maranhão
é privilégio de ricos e poderosos. Quem não pertence
a essas duas castas fica refém da burocracia local na hora de
passar para o outro lado do mundo. No último sábado (03/03),
o maranhense Ciríaco Viveiro Soares morreu às 16:30 horas,
em casa, vítima de diabetes. Como o Instituto Médico Legal
do Maranhão não emite declaração de óbito
à noite, o cadáver foi mantido na humilde residência,
o que aumentou consideravelmente o sofrimento da família. Somente
ontem, domingo, às oito da manhã, é que o IML retirou
o corpo do falecido. Sempre lembrando que o governador Jackson Lago
é médico. Imagine se não fosse. O “seu”
Jackson, um IML que não funciona à noite é no mínimo
uma vergonha desmedida.
Gole
proibido
Se a Força Nacional de Segurança brinca de polícia
no Rio de Janeiro, a criatividade da bandidagem local evolui a passos
largos. Há dias, um crédulo cidadão foi vítima
de um novo golpe. Por conta do calor excessivo que domina o País
nesta época do ano, o número de vendedores ambulantes
que oferecem bebidas nos semáforos tem proliferado de maneira
assustadora. Após comprar uma garrafa de água –
supostamente mineral – em uma das esquinas cariocas, o leitor
foi acometido por tontura e sonolência minutos depois. Em contato
com a família, pelo celular, a vítima foi aconselhada
a estacionar o veículo em um local movimentado. Horas depois,
o desavisado cliente do semáforo foi encontrado, por familiares,
dormindo sobre uma mesa de uma lanchonete especializada em fast food.
Levado ao hospital, a vítima foi liberada e levada para casa,
onde dormiu até o dia seguinte. Em outras palavras, os bandidos
socializaram o golpe conhecido como “Boa noite Cinderela”.
Néctar
dos deuses
Pensando bem, por um salário de R$ 26 mil tem gente que come
mamona o dia todo.
O
próximo da fila (05/03/06)
- O escandaloso e não solucionado caso da morte do prefeito de
Santo André, Celso Daniel, continua rendendo reticências
indesejáveis e perigosas, mas o Palácio do Planalto, no
intuito de proteger alguns dos envolvidos, finge desconhecer o assunto.
Os irmãos de Celso Daniel (foto), que vinham sofrendo ameaças
das mais variadas, decidiram deixar a importante e próspera cidade
do ABC paulista. Um se mudou coma família para o exterior, enquanto
o outro está em local incerto e não sabido. O editor da
coluna, que em primeiríssima mão revelou o conteúdo
das gravações telefônicas do caso, foi ameaçado
por uma outrora importante figura da república luliana, que hoje
aproveita o ócio com supostas palestras. A ousadia do autor das
ameaças contra o editor é tão grande, que o seu
porta-voz, para tão criminosa atitude, continua solto. É
preciso salientar, em especial às autoridades policiais, que
no rastro das vítimas que o caso produziu após o assassinato
do prefeito, o editor é o próximo da lista. Até
porque, telefonemas estranhos e não identificados têm feito
parte de seu cotidiano.
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