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Compasso
de espera
Como no Brasil o ano só começa depois da passagem
do último trio elétrico, o presidente Lula, cada vez mais
refém do PMDB, precisa dar início ao seu segundo mandato.
Oficialmente, o segundo governo da era luliana teve início em
1º de janeiro próximo passado, mas na política, como
na escola, tudo carece do novo para ser considerado um começo
sem erros e ranços. Lula vem postergando o anúncio de
sua equipe ministerial, o que tem patrocinado a impressão de
que tudo é velho e conhecido. Lembrando que o primeiro mandato
do petista foi marcado por incompetências e corrupção,
pode-se dizer que o Brasil ainda patina na lama. O que deveria acontecer,
depois de tantos adiamentos, na seqüência do Carnaval, pode
demorar mais algum tempo. E o gaúcho Tarso Genro, ainda ministro
das Relações Institucionais, disse que a reforma ministerial
não será uma revolução. Ou seja, será
um remendo. (Foto: radiometropole.com.br)
Todo
cuidado é pouco
O projeto petista que transfere poderes ao presidente Lula de convocar
plebiscitos e referendos populares sem passar pelo Congresso é,
além de um vilipendio ao parlamento brasileiro, uma vertente
do chavismo que começa a invadir a América Latina. A tentativa
ditatorial que tem o Palácio do Planalto como nascedouro vai
trazer sérios problemas ao presidente Lula, que sonha em aprovar,
com raras mudanças, um fiasco batizado de Plano de Aceleração
do Crescimento. Se quiser ver o PAC aprovado, mesmo que parcialmente,
Lula precisará convencer o PT a desistir do projeto de poder.
Do contrário, o PAC ficará sem aceleração
alguma.
Uma
vergonha!
Ainda o crescimento acelerado... Quando se fala em PAC, não se
pode esquecer que recuperar o setor da infra-estrutura é obrigação
primeira. Quem, nesse feriado prolongado, fez uso da rodovia Régis
Bittencourt (BR-116), no sul do País, percebeu com facilidade
que o PAC vai empacar nas estradas brasileiras. A quase infindável
quantidade de buracos no asfalto fez com que uma das mais importantes
e movimentadas rodovias brasileiras fosse transformada em uma esburacada
estrada afegã. Muitos dos que viajaram neste feriado voltaram
para casa com uma despesa inesperada e extra. O custo de um pneu destruído
pelos buracos.
Exemplo
a ser seguido
No auge da corrida presidencial de 2006, o presidente
Luiz Inácio foi acusado por seus adversários de ter torrado
uma verdadeira fortuna na aquisição do avião presidencial,
o Aerolula. Em muitos dos debates, o tucano Geraldo Alckmin, que terminou
em segundo lugar, disse que, se eleito, venderia o Aerolula para investir
o dinheiro na construção de hospitais. Se a idéia
tucana era inédita, não se sabe, mas o fato é que
o governo peruano decidiu adotar o que por aqui ficou só no discurso.
Por decreto, o presidente do Peru, Alan García, determinou a
venda do avião presidencial, avaliado em US$ 25 milhões,
para investir na construção de um hospital infantil. Diferentemente
de nossos vizinhos peruanos, nós brasileiros temos a sorte de
viver em um País sem caos social e com a Saúde bem próxima
da perfeição. (Foto: abc.es)
Dinheiro
de sobra
Não faz muito tempo, a camarilha rouge que desembarcou nas CPIs
que investigaram o mensalão e outros salamaleques oficiais da
corrupção afirmou, repetidas vezes, que o PT enfrentava
uma grave crise financeira. Sem que nenhum dos culpados tenha sido apenado,
por enquanto, o PT desembolsou R$ 500 mil para reformar sua sede, em
Brasília. Tal despesa beira a estranheza para uma agremiação
que ainda não pagou a dívida contraída junto aos
bancos Rural e BMG, como também não explicou a origem
da dinheirama que seria usada para comprar o Dossiê Cuiabá.
De
olho na grana
Lançado pelo BNDES na última quinta-feira, 15, o Programa
de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro
de TV Digital Terrestre (Protvd) vai movimentar, até o ano de
2013, a bilionária fortuna de R$ 12 bilhões. Do total,
R$ 7 bilhões terão a compra das caixas conversoras com
fonte, enquanto os outros R$ 5 bilhões serão oriundos
de investimentos na transmissão. Ë por essas e outras que
o Partido dos Trabalhadores luta nos bastidores para desalojar do Ministério
das Comunicações o senador mineiro Hélio Costa.
Porém, como o presidente Lula depende, e muito, do PMDB, o peemedebista
Costa deve mesmo permanecer à frente do ministério.
Assim
com o homem
A intimidade com o poder proporciona sensações estranhas,
que vão desde a impunidade até o sonho de ser o próprio
poderoso. Tendo no currículo alguns despachos nada desinteressados
no gabinete anexo ao do sogro (Luiz Inácio Lula da Silva), o
primeiro-genro Marcelo Sato – é casado com Lurian Lula
da Silva – agora circula pelo Congresso Nacional como assessor
parlamentar. Visto com freqüência no segundo andar do anexo
IV da Câmara dos Deputados, Sato ostenta na lapela um broche com
as armas da República. Ao que consta, mesmo sendo um patriotismo
que não combina com o modelo brasileiro, trata-se de um costume
ministerial. Ou será que ser genro do presidente Lula tem status
de ministro?
Falta
de bom senso
A hipocrisia que tomou conta do povo brasileiro, por ocasião
da tragédia ocorrida com o garoto João Hélio, ressuscita
nesta quarta-feira de Cinzas, quando o assunto certamente vai dominar,
por mais algumas semanas, as conversas do cotidiano nacional. As recentes
manifestações contra a insegurança pública
se esvaíram no primeiro batuque carnavalesco. A idéia
– repetida, diga-se de passagem – de homenagear João
Hélio em vários eventos momescos foi algo semelhante a
dar esmola no semáforo. O cidadão acredita estar cumprindo
uma obrigação, enquanto alivia o peso da própria
consciência. Fosse o povo brasileiro minimamente politizado, um
apagão carnavalesco teria entrado em cena. Mas a folia correu
solta, do Oiapoque ao Chuí.
Perdendo
o gás
Com a chegada do Carnaval, o imbróglio do gás venezuelano
evaporou como se lança-perfume fosse.
Na verdade, o discurso prosaico do presidente Lula serviu apenas para
comover o contribuinte, pois aos brasileiros não compete financiar
o caos social da vizinha Bolívia. Que pagava US$ 1 por milhão
de BTU de gás não era o governo brasileiro, mas a empresa
Termoelétricas de Corumbá, do empresário Eike Batista.
É importante lembrar que o nome de Eike Batista é facilmente
encontrado na agenda telefônica do senador Delcídio
Amaral (PT-MS), que presidiu a polêmica CPI Mista dos
Correios. E mais: coincidência ou não, Delcídio
foi diretor de Gás da Petrobras. Agora só resta saber
de onde vem o gás da estrutura política do senador Delcídio.
Braço
de ferro
Tem sobrado confete e serpentina na carnavalesca briga entre Roberto
Requião, governador do Paraná, e
Beto Richa, prefeito de Curitiba. E nesse episódio quixotesco
da política paranaense, só ficou de fora Rafael Grecca,
uma espécie de Joasinho Trinta dos pinheirais. Requião
acusou Richa de ter recebido R$ 10 milhões durante a campanha
de 2002, dinheiro que, segundo o governador, teria passado pela conta
bancária da marqueteira Cila Schulamnn. Antiga, a briga entre
Roberto Requião e a família vem desde os tempos em que
José Richa Filho, irmão do prefeito curitibano, era diretor
administrativo-financeiro do Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná
(DER-PR), durante a gestão do então governador Jaime
Lerner. De lá para cá, a fissura política
não desapareceu. (Foto: folhadepalotina.com.br)
Confusão
de respeito
Ainda o Paraná... O dinheiro que Requião afirma ter
financiado a campanha de Beto Richa ao governo paranaense,
em 2002, saiu das contas da DM Construtora de Obras, empreiteira do
empresário Darci Fantin. De cozinha industrial para empreiteira
de obras públicas, a DM começou a crescer no final do
governo do tucano José Richa – já falecido –
para tomar, tempos depois e por vias terceiras, da concorrente CR Almeida
um contrato para a execução da obra de Salto Segredo,
no Paraná. Cecílio do Rego Almeida, o nada diplomático
dono da CR Almeida, recebeu do governo do Paraná, depois de longa
briga na Justiça, a pequena fortuna de R$ 100 milhões
a título de indenização. Fantin, para quem não
se recorda, foi incluído no primeiro relatório da CPI
do Banestado, mas contou com a poderosa agenda de Armando Mellão,
preso pela Polícia Federal por sob a acusação de
envolvimento nos imundos bastidores da CPI. E mais: a relatoria da CPI
do Banestado coube ao deputado federal José Mentor (PT-SP), inexplicavelmente
reeleito em outubro passado. (Foto: revistacapital.com.br)
Surdez
de conveniência
Que a porção lenhosa da face humana é presença
quase que constante no mundo da política, todos sabem, mas alguns
abusam do assunto por ocasião de determinadas declarações.
Entrevistado pela sempre necessária rádio Jovem Pan, nesta
terça-feira de Carnaval, o prefeito de São Paulo, Gilberto
Kassab, disse que não foi vaiado no sambódromo
paulistano, durante a abertura dos desfiles de Carnaval. O alarido da
troça foi tamanho, que até os protagonistas do constrangimento
imposto ao prefeito perceberam o excesso. Na passarela do samba, Kassab
pagou o preço por ter chamado de vagabundo um manifestante que
resolveu protestar, dias atrás, durante a inauguração
de um posto de saúde municipal. (Foto: gpbrasil.com.br)
A
tal da urgência
Não bastasse o superfaturamento nas obras de maquiagem do aeroporto
de Congonhas, em São Paulo, a Infraero estuda a possibilidade
de reformar a pista do aeródromo paulistano sem a devida e necessária
concorrência. De acordo com o presidente da estatal de infra-estrutura
aeroportuária, José Carlos Pereira, o importante no momento
é “ganhar tempo”. Pereira espera um parecer do Tribunal
de Contas da União para acrescentar um aditivo ao contrato que
a Infraero firmou com a empreiteira OAS, responsável pelas obras
em Congonhas. Acontece que o mesmo TCU está analisando detalhadamente
o desvio de R$ 100 milhões na reforma do aeroporto da capital
paulista.
Mãos
ao alto
Mais uma batida de carteira aterrissa nos lares brasileiros. Por determinação
do Departamento Nacional de Trânsito, o sempre burocrático
Denatran, o uso de engates automotivos dependia de adequações
dos equipamentos, os quais tinham, inicialmente, ó último
dia 26 de janeiro como prazo final. Depois de muita polêmica,
idas e vindas, o caso dos engates de automóveis ficou para depois
de julho. Até lá, as montadoras terão de informar
quais veículos têm capacidade técnica de ter o acessório
instalado. Resta saber quem ressarcirá os usuários de
engate que correram para legalizar o equipamento. É bom lembrar
que truque semelhante ocorreu por ocasião do kit de primeiros
socorros.
Quanto
riso...
Pensando bem, num carnaval chamado Brasil, a ala do samba tupiniquim
tem 180 milhões de palhaços.
Bola
dentro (20/02/06)
- Alguns supostamente bem informados garantem que a participação
do marqueteiro João Santana na campanha à reeleição
de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, ainda não
é certa. Assessores ministeriais, muito ligados ao Palácio
do Planalto, dizem exatamente o contrário. Santana está
com a vaga mais do que garantida, sendo que a atual peregrinação
presidencial pelo Brasil, que tem influenciado as recentes pesquisas
de opinião tem o dedo do publicitário soteropolitano.
Sanatana, ex-sócio de Duda Mendonça, o enganador que embrulhou
Lula para presente, também é adepto de contas bancárias
no exterior. Enfim, resta concluir que a política, como outras
tantas coisas na vida, também é cíclica e repetitiva.
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