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ano 6 - número 1296
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"A ambição é como a fome. Sua única lei é seu apetite."
Josh Billings
 
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Paramos porque eles param
Como o Brasil pára nesses dias de Carnaval, a coluna terá suas atualizações suspensas até terça-feira, retomando sua normalidade já na quarta-feira de Cinzas, 21 de fevereiro. Um esquema de plantão foi montado pelo ucho.info para acompanhar os lerdos passos da política nacional durante o reinado de Momo. Fatos de relevada importância serão noticiados em edições especiais.

Programa de índio
Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, disse reconhecer a justeza do pleito dos bolivianos, que exigiram do governo brasileiro mais dinheiro para garantir o fornecimento de gás ao País. Lula agiu de maneira irresponsável ao emoldurar a esparrela de Evo Morales, pois à Petrobras caberá um prejuízo adicional de US$ 100 milhões só neste ano. A decisão do presidente Lula desautorizou o presidente da estatal brasileira do petróleo, José Sérgio Gabrielli, que garantiu, dias atrás, que nenhum aumento seria concedido aos bolivianos. Esse aumento repentino do preço do gás boliviano é uma história muito mal contada, e não será novidade se, um dia, alguém descobrir que parte do valor excedente serviu para financiar a esquerdização da América Latina.

Bastidor rachado
Repleto de tentáculos obscuros e detalhes inexplicáveis, o imbróglio do gás causou um tremendo mal estar nos bastidores do poder, em Brasília. Logo após o evento oficial que teve Lula e Evo Morales como atores principais, representantes dos dois países se reuniram para explicar os meandros do acordo. Ministro de Minas e Energia do Brasil, Silas Rondeau negou que o governo boliviano, ainda em 2007, mais US$ 100 milhões por conta do acordo. De acordo com o ministro, o valor a ser pago ao governo de Evo Morales é bem menor. E o presidente não gostou de ser desautorizado por um comandado. (Foto: desieni.com)

Todo cuidado é pouco
Encerrada a maior e mais longa festa popular brasileira, o Carnaval, o Palácio do Planalto deve enviar ao Congresso Nacional, na retomada dos trabalhos parlamentares, um projeto que cria novas regras para a convocação de plebiscitos e referendos. De acordo com a proposta palaciana, a prerrogativa de convocar plebiscitos deixaria de ser exclusividade do Congresso, podendo tal tipo de consulta ser realizado através de projetos de iniciativa popular. Com o chavismo, modelo político autoritário e populista que tem o presidente venezuelano como mentor, se espalhando pela América Latina, uma esquerdização ditatorial do Brasil está cada vez mais próxima da realidade. Projetos de iniciativa popular demandam um mínimo de assinaturas de apoio, o que é simples para os que são tomados pela cegueira do petismo.

É melhor não comentar
Quando ainda estava na oposição, o Luiz Inácio Lula da Silva criticava com veemência os banqueiros e defendia a estatização das instituições financeiras, teoria que sempre freqüentou a cartilha da esquerda brasileira. Embriagando-se cada vez mais com as benesses do poder, o presidente Lula dá de ombros ao ouvir falar nas teorias políticas de um passado não tão distante. Em um governo supostamente popular, bancos e banqueiros jamais lucraram tanto como acontece na era luliana. Nos últimos dias, os maiores e principais bancos brasileiros anunciaram os resultados alcançados em 2006. Bradesco, R$ 5 bilhões; Itaú R$, 6,5 bilhões; e Unibanco, R$ 2,2 bilhões. É melhor não comentar.

Vergonha nacional
Enquanto o presidente Lula dividia seu tempo entre as nababescas negociações de um projeto megalômano chamado PAC e os elogios desnecessários ao cocalero Evo Morales, o avanço social que o Palácio do Planalto anuncia com pirotecnia podia ser conferido nas ruas de São Paulo, a maior cidade brasileira e terceira do planeta. Com pouco mais de dez milhões de habitantes, a Paulicéia Desvairada, ao contrário do que prega o presidente brasileiro, é uma cidade que em seus oxímoros mostra que nem tudo é felicidade no reino de Dom Lula I. Na rica e badalada região dos Jardins, zona sul da capital paulista, a coluna flagrou o descaso de um governo que diz governar para os mais pobres, mas permite que banqueiros lucrem assustadoramente. Um sem-teto, que fez das ruas locais a sua moradia, se valeu de um momento maior de ócio para banhar-se. E a ducha da Granja do Torto vai muito bem, obrigado.

Olha o mico!
A curva descendente da cotação do dólar no mercado de câmbio é a mais nova preocupação da equipe econômica do governo do presidente Lula. Na última semana, o Banco Central entrou no mercado comprando grandes lotes da moeda americana, mas a tentativa de impedir a desvalorização da moeda americana não deu certo. Somente em fevereiro, o dólar registra queda de 11%, o que pode comprometer seriamente a economia brasileira, pois, com juros ainda altos, o dinheiro do investidor estrangeiro que entra no País tem a especulação financeira como meta. No contraponto, a valorização do Real frente ao dólar gera o aumento das importações e compromete a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Essa brincadeira dos econocratas do presidente Lula ainda vai acabar mal.

Tudo pronto
A exemplo do que sempre acontece, o Brasil, um país de primeiro mundo, pára, a partir de hoje, por quase uma semana em função do Carnaval. Considerando que o caos que tomou conta dos aeroportos brasileiros no último Natal deixou suas marcas, as autoridades ligadas à aviação civil estão de olhos bem abertos nesse feriado dedicado às folias momescas. Todas as companhias aéreas montaram esquemas especiais para o Carnaval, sendo que a Infraero e a Anac receberam os respectivos planos detalhados. Até o fechamento desta edição, a Gol não havia entregado seu plano efetivo. Diziam nossas avós, salto alto é por pouquíssimo tempo. (Foto: flightsim.com)

Mistério no ar
Mesmo com todo o aparato montado pelas empresas aéreas, para evitar transtornos aos passageiros-foliões, o Palácio do Planalto trabalha com a possibilidade de algum tipo de problema nos aeroportos. A apreensão palaciana se deve aos rumores de uma operação tartaruga por parte dos controladores de vôo. Casso isso aconteça – o que será uma tragédia anunciada – ficará provado, mais uma vez, que a incompetência é toda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E Desde que chegou ao Palácio do Planalto, Lula não corrigiu os erros cometidos pelo antecessor, nem mesmo investiu no setor o suficiente para acompanhar o crescimento do mercado da aviação comercial brasileira.

Apaguem a luz
Diz a lenda – e só pode ser lenda mesmo – que a Câmara dos Deputados representa os interesses dos brasileiros. Para se ter uma idéia das barbáries cometidas contra o cidadão, no parlamento brasileiro, basta analisar um pequeno detalhe da escolha dos novos presidente das Comissões Permanentes da Casa Legislativa. O novo presidente da Comissão de Constituição e Justiça – é a mais importante de todas as comissões – é o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ). Filho do deputado Jorge Picciani, presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Leonardo Picciani é acusado, juntamente com o pai, de fazer uso de trabalho escravo em suas empresas. E mais: o trabalho escravo utilizado pelos Picciani foi para derrubar ilegalmente 48 hectares de mata em Barra do Garças, no estado de Mato Grosso. De novo é melhor não comentar.

Estouro da boiada
Logo após o Carnaval, começa a circular uma lista pela anistia do ex-deputado Roberto Jefferson, cassado por quebra de decoro parlamentar. Principal denunciante do escândalo do mensalão, Jefferson, em um de seus inúmeros depoimentos, pediu, à época, ao ex-ministro José Dirceu para que deixasse com urgência a chefia da Casa Civil, antes que comprometesse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, Jefferson e Dirceu estão de mãos dadas. Mesmo tendo anunciado que não quer a anistia, Jefferson será usado como testa de ferro de José Dirceu, que fez um acordo com o Palácio do Planalto para não tocar no assunto anistia. Assim, o ex-comissário palaciano sai de cena, mas seu sonho continua a toda. Você pode participar do Programa Anistia Zero, clicando sobre o banner localizado na coluna à direita e enviando e-mail contra a concessão de anistia política ao deputado cassado José Dirceu. Participe!

Caiu a casa
A queda de braços entre o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), está cada vez mais complicada. Até bem pouco tempo, Richa era um aliado de Requião, mas um imbróglio envolvendo dinheiro de campanha separou os outrora companheiros. De acordo com Requião, o empresário Darci Fantin financiou boa parte da campanha de Richa em 2002, quando o alcaide curitibano disputou o governo estadual. Em recente declaração, Roberto Requião afirmou que o dinheiro (R$ 10 milhões) fora depositado na conta bancária da jornalista Cila Schulman, figura conhecida nos bastidores do marketing político. Cila, que abandonou alguns colaboradores na última eleição, participou ativamente da campanha do senador Osmar Dias (PDT), opositor de Requião na disputa pelo Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense. (Foto: Wikipedia)

Calou por quê?
Quando o desmoronamento ocorrido na estação Pinheiros do Metrô paulistano alcançou dimensões de tragédia, ao governador de São Paulo, José Serra, coube a responsabilidade de vir a público explicar o ocorrido. Depois de algumas aparições, Serra saiu de cena e deixou o assunto para assessores, que cada vez mais se complicam diante da complexidade do assunto. Com a guerra de laudos em que se transformou a polêmica que baixou em outra estação da Linha 4 (Fradique Coutinho) – na zona oeste da capital paulista – Serra deveria dar o ar da graça e explicar o que acontece de fato com as obras do Metrô, antes que o mais eficiente meio de transporte da maior cidade do País caia em um irreversível descrédito. Por outro lado, o ex-governador Geraldo Alckmin, que goza de temporada de estudos nos EUA e é um dos responsáveis pela contratação da obra, ainda não foi incomodado.

Todos dançando
Para alguns pernambucanos, o frevo começou a esquentar muito antes da chegada do Carnaval. Jornalistas e funcionários da Folha de Pernambuco – importante e influente tablóide local – ainda não viram a cor do dinheiro dos salários que deveriam ter sido pagos há mais de vinte dias. Os sindicatos das classes laborais envolvidas no problema já se movimentam, mas qualquer decisão só deve acontecer depois da passagem do famoso bloco Bacalhau do Batata. Enquanto os funcionários da Folha de Pernambuco sambam para pagar as contas, a família Queiroz Monteiro quando visita a capital paulista hospeda-se somente em hotéis de luxo, cujas diárias beiram R$ 1 mil. E os funcionários do jornal, ó!

Truque do voto
A situação política do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, se agrava a cada novo dia que surge. Enquanto seu antecessor, Ronaldo Lessa, mantinha cargos no atual governo, a situação de Vilela Filho era menos desconfortável, mas nesta semana o quadro de tranqüilidade mudou radicalmente. Lessa entregou os cargos que lhe foram confiados, acusando o atual governador alagoano de fraude nas eleições de outubro passado. Este é um assunto que está sob a análise do Tribunal Regional Eleitoral, mas um detalhe passou despercebido. Se Teotônio Vilela Filho supostamente se beneficiou com a fraude, no seu rastro está o ex-presidente e agora senador Fernando Collor de Mello. Mais uma lição de casa para os funcionários do TRE.

Me dá um dinheiro aí
Pensado bem, às vésperas do carnaval, o brasileiro que índio moderno não quer apito. Quer milhões de dólares.

Cintura fina
(16/02/06) - Anunciada pelo ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), a abstemia do presidente Lula, que supostamente teria lhe rendido uma nova e mais delgada silhueta, estaria sendo recompensada com goles extras de refrigerante dietético. De acordo com Furlan, Lula tem se valido de Coca-Light para matar a sede, o que mostra, de maneira clara, que quando o assunto é líquido a cabeça presidencial não funciona bem. A sobriedade do presidente pode impressionar alguns mais desavisados, mas, no contraponto, é preciso lembrar que repousa na mesa do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), à espera de uma decisão, um laudo do Instituto Nacional de Criminalística que aponta a existência de derivados da folha de coca na fórmula do refrigerante mais vendido no mundo, o que é proibido pelas leis brasileiras. Diante de tão constrangedora situação, Lula pode, inclusive, continuar fã do refrigerante, mas não deve. Enfim...

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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EDITORA SENAC SÃO PAULO

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