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Jogo
duplo
Há uma enorme dicotomia por parte do governo federal
quando o assunto é o gás boliviano. Antes da polêmica
visita do presidente boliviano, Evo Morales, ao Brasil, diretores da
Petrobras, engrossando o discurso do presidente da empresa, Sérgio
Gabrielli, negavam qualquer possibilidade de majoração
no preço do gás fornecido pelo país vizinho. Com
a chegada do cocalero Morales a Brasília, o assunto mudou e a
capital dos brasileiros foi palco para barbáries diplomáticas.
Enquanto os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros
e Arlindo Chinaglia, respectivamente, esperavam por Evo Morales na rampa
do Congresso, o índio-presidente despachava no Itamaraty com
seus assessores. Final da novela: o preço do gás boliviano
quase triplicou depois do encontro com o presidente Lula. (Foto:
embuste.com.br)
Coisa
de louco
A decisão do governo brasileiro de ceder às pressões
de Evo Morales mostra, de maneira clara e evidente,
que existem muito mais situações estranhas por trás
da polêmica do gás boliviano do que muitos imaginam. Beira
a irresponsabilidade negocial admitir majorações absurdas
da noite para o dia, como se a economia brasileira fosse similar à
do milionário Emirado do Barhein. Morales chegou à presidência
da Bolívia com um tom populista e conciliador, mas logo aderiu
ao discurso totalitarista advindo de Caracas e Havana. A diferença
no preço do gás boliviano servirá para financiar
a esquerdização da América Latina e para, principalmente,
dar suporte à falida ditadura que ainda resiste em Cuba. (Foto:
EFE)
Irresponsabilidade
oficial
Quando o governo brasileiro reconhece que as
negociações com os emissários de La Paz foram positivas
para o País, é porque coisas estranhas acontecem nos bastidores
sem que a sociedade verde-loura saiba realmente o que vem pela frente.
Lula e Marco Aurélio Garcia, aspone presidencial
para assuntos internacionais, não podem ao bel prazer transferir
o prejuízo financeiro para a Petrobras, como se a estatal do
petróleo fosse o quintal da casa alheia. A Petrobras é
uma empresa com ações comercializadas na Bolsa de Valores,
e os acionistas minoritários merecem o devido respeito. Esse
assunto ainda vai parar em algum tribunal. É uma questão
de tempo. (Foto: clarin.com)
Convidado
trapalhão
Deputado federal eleito pelo PT de Pernambuco e ex-presidente da Infraero,
Carlos Wilson está cotado para assumir um ministério no
segundo governo do companheiro Lula. Wilson deve ocupar a vaga a ser
deixada por Walfrido dos Mares Guia, atualmente no Turismo, e que pode
assumir o lugar de Tarso Genro nas Relações Institucionais.
Mesmo queimado em muitas das conversas palacianas, o gaúcho Tarso
Genro continua cotado para substituir Márcio Thomaz Bastos no
Ministério da Justiça. O que não se compreende
é que depois de todo o imbróglio causado pela Infraero
na aviação comercial brasileira, o presidente Lula vai
presentear Carlos Wilson com um cargo importante. E mais: continua sob
os olhos atentos do Tribunal de Contas da União o superfaturamento
em quase R$ 100 milhões das obras de maquiagem do aeroporto de
Congonhas.
Oratória
chicaneira
Há muito devendo ao povo brasileiro um comportamento oposicionista
de tirar o fôlego, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM)
criticou o fiasco diplomático do presidente Evo Morales, que
deixou a ver navios os presidentes das duas Casas Legislativas do Congresso
Nacional. Da tribuna do Senado, o amazonense Virgílio disparou:
“Ele deu bolo no Parlamento brasileiro, deu bolo nos presidentes
das duas Casas. Considero que o Legislativo foi desrespeitado”.
É fato que o Congresso brasileiro foi desrespeitado, mas por
tudo o que ocorreu recentemente, em termos de corrupção
e outros que tais, não razão há para tantas reclamações.
De mais a mais, “dar um bolo” não é uma expressão
muito adequada para um senador da República, que um dia ostentou
as credenciais do Itamaraty. Enfim, para quem já disse que bateria
na cara do presidente, “dar um bolo” é discurso de
sacristia. E a oposição brasileira continua devendo.
Muito
para nada
A Câmara aprovou por unanimidade, na noite desta quarta-feira
(14/2), o Projeto de Lei 6793/06, que aumentou o tempo mínimo
que um preso deve cumprir antes de requerer a progressão de pena
para o regime semi-aberto. O PL seguirá para votação
no Senado e, se aprovado, será encaminhado para sanção
presidencial. De acordo com a legislação vigente, os presos
que cometeram crimes hediondos podem requerer o benefício após
o cumprimento de um sexto da pena. De acordo com o PL 6793/06, a progressão
só será passível de requerimento com apenas dois
quintos da pena cumprida. Tal decisão não muda o quadro
de violência do País, pois as mazelas que originam a criminalidade
descontrolada têm suas raízes no abandono social do cidadão.
O presidente Lula, que tratou como terrorismo os ataques ocorridos no
Rio de Janeiro, deve sancionar a lei.
Problemas
pela frente
Ainda o PL... É bom lembrar que o PL aprovado na Câmara,
se transformado em lei, terá caráter processual e não
penal, como querem os parlamentares, muito influenciados pela comoção
nacional. Isso faz com que o aumento do tempo para a progressão
da pena só passe a valer para os sentenciados a partir da entrada
em vigor da lei. A tese jurídica do “in bonam partem”
prega que uma lei só retroage em benefício do réu,
o que não é o caso do tema em questão. Ou seja,
o direito adquirido de um sentenciado antes da promulgação
da suposta nova lei está garantido. Por outro lado, uma maior
permanência de detentos no sistema prisional vai ocasionar um
congestionamento nos presídios. Entender o que ocorre com as
cobranças de uma sociedade impulsionada pela emoção
é possível no artigo “João
Hélio e os ‘Manés’ da sociedade marginal brasileira”,
de autoria do editor da coluna. Clique
e confira o artigo.
Suborno
majorado
Outro projeto relacionado com a segurança pública –
e de pouca eficácia – aprovado pela Câmara considera
crime o uso de celulares dentro dos presídios. A medida também
prevê punição administrativa aos agentes penitenciários
que facilitarem a entrada de celulares nos estabelecimentos penais.
Tal medida não impedirá o uso de telefones celulares pelos
presos, mas apenas inflacionará o mercado persa que existe por
trás das muralhas dos presídios. No sistema prisional
americano, por exemplo, o apenado pode telefonar para pessoas de seu
relacionamento, mediante pagamento, desde que os telefones de destino
sejam previamente consultados pelas autoridades. Manter conversas constantes
com familiares evita rebeliões e auxilia na recuperação
do preso.
De
olho na vaga
Petistas continuam apostando na nomeação de Marta Suplicy,
ex-prefeita de São Paulo, para o Ministério da Educação,
mas um projeto encomendado pelo presidente Lula ao ministro Fernando
Haddad, e que será entregue após o Carnaval, pode mantê-lo
no cargo. Nessa disputa pelo Ministério da Educação,
dois assuntos precisam ser lembrados. A Educação no Brasil
passou por um período de verdadeiro fiasco enquanto esteve no
comando da Pasta o gaúcho Tarso Genro, que hoje sonha com o Ministério
da Justiça. O que mostra que no governo Lula, a exemplo dos anteriores,
politicagem e acomodação de companheiros são assuntos
muito mais importantes do que a tão necessária competência.
Operação
abafa
Ainda a Educação... O segundo ponto, e mais grave, é
que as contas de Marta Suplicy como prefeita de São Paulo ainda
continuam sob análise. A ex-alcaidessa da Paulicéia Desvairada
não cumpriu a lei de Responsabilidade Fiscal, precisando de um
arranjo financeiro para maquiar as contas no final do mandato. Para
não deixar a companheira Marta em péssima situação,
à época o presidente Lula determinou aos ministros da
área econômica do governo federal que liberassem ao município
de São Paulo verbas do Projeto Reluz. Só assim Marta Suplicy
saiu pela porta da frente da sede da prefeitura paulistana. O projeto
que trata da Responsabilidade Fiscal está há meses sobre
a escrivaninha do senador Aloízio Mercadante para ser relatado,
mas até agora nada. Estranho, muito estranho.
Pega
na mentira
Quando a corrida presidencial estava no auge de seu
calor, a camarilha rouge não pensou duas vezes em abusar das
inverdades para estocar o ex-governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, que sonhava em substituir Luiz Inácio Lula da Silva
na Presidência da República. Muito se falou na capacidade
tucana de privatizar aos borbotões, mas Lula abusou da mentira
ao anunciar a auto-suficiência brasileira em petróleo.
Somente nesta semana é que o Brasil se tornou auto-suficiente
em petróleo, ou seja, seis meses depois do anúncio oficial.
Mas, como sempre, Lula não sabia. E mais: o que o Palácio
do Planalto fez com o assunto foi o mesmo que realizar um batizado antes
do parto.
Nas
garras do Leão
Tales Castelo Branco, advogados dos publicitários Duda
Mendonça e Zilmar Fernandes vai recorrer na
Justiça da decisão da Receita Federal de autuar seus clientes,
acusados, entre tantas outras coisas, de integrar o valerioduto, esquema
financeiro paralelo e não contabilizado que alimentou o mensalão.
Responsável pela campanha presidencial do então candidato
Lula em 2002, e também marqueteiro presidencial durante longos
meses, Duda Mendonça recebeu parte dos honorários que
lhe eram devidos em uma conta bancária da off shore Düsseldorf.
Duda e Zilmar devem responder pelas ilegalidades cometidas, mas é
preciso saber se o pagador vai ficar impune.
Boi
na linha 4
Mais um escândalo flana sobre as obras da Linha 4 do Metrô
paulistano, que vive uma grave crise desde o acidente que deixou uma
cratera e sete mortos na estação Pinheiros, na zona oeste
da cidade de São Paulo. A mais nova polêmica tem a estação
Fradique Coutinho – também na zona oeste paulistana –
como alvo. Falhas graves nas soldas das estruturas metálicas
colocam em risco a vida dos funcionários que trabalham no local.
O governador José Serra (PSDB) determinou a interrupção
das obras por duas semanas para que inspeções técnicas
sejam realizadas por especialistas. O que é de se estranhar é
que o ex-governador Geraldo Alckmin, principal responsável e
contratante da obra, continua sendo poupado. Em um país minimamente
sério, muitos já estariam atrás das grades.
Tortura
por herança
É verdade que indenização por tortura não
tem tabela de preços, mas bom senso e lógica têm
limites. Não contente com os R$ 22 mil que receberia como indenização
por ter sofrido torturas enquanto estava no útero da mãe,
João Carlos de Almeida Grabois vai receber do governo paulista
R$ 39 mil. A decisão foi baseada na tese de que Almeida Grabois
– filho da ex-guerrilheira Criméia Grabois, presa em 1972
aos sete meses de gravidez – à época um ser fetal,
foi considerado preso político. Considerando que a decisão
tem seus fundamentos lógicos, uma delinqüente que comete
um crime durante a gravidez dá de presente ao filho uma condenação
antes do mesmo vir à luz. Se a moda pega... E mais: ao comentar
o valor da indenização, João Carlos de Almeida
Grabois questionou: “São valores simbólicos. O que
são R$ 22 mil, R$ 39 mil? Não há tabela para tortura.
Não se precisaria falar de indenização se a gente
tivesse passado essa história a limpo de verdade no Brasil”.
A indenização a ser paga a Grabois representa cento e
onze salários mínimos, ou seja, o que um reles trabalhador
receberia em quase dez anos de trabalho. Esse Brasil...
Tanque
cheio
Pensando bem, só mesmo com o gás do vizinho é que
o Brasil vai deslanchar.
Ficou
pior (15/02/06)
- Candidato declarado ao governo do Mato Grosso do Sul e eleito o galã
número um das Comissões Parlamentares de Inquérito,
o senador Delcídio Amaral (PT-MS), pode ter colocado uma pedra
em seu caminho. Perguntado sobre a necessidade de uma profunda investigação
na usina binacional de Itaipu, o corumbaense Delcídio foi firme
ao dizer: “concordo e acho justo e correto”. Delcídio,
que já foi chamado à Presidência da República
para explicações, depois de notícias aqui publicadas,
pode, inclusive, ter de visitar o presidente Lula mais uma vez. Até
porque, a turma de Itaipu não irá permanecer calada diante
de tamanha traição.
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