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Vida
dura
Enquanto o Brasil patina no marasmo patrocinado pelo Palácio
do Planalto, com sucessivos adiamentos de decisões importantes,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra tempo para participar
de festinhas de cabeleireiro. Em sua última edição,
a revista Veja traz reportagem sobre a vista do presidente Lula ao cabeleireiro
da estrelas, Wanderley Nunes, que também cuida das madeixas da
primeira-dama Marisa Letícia. Um tratamento capilar completo,
porém corriqueiro, com Wanderley Nunes, no mais elegante shopping
center tupiniquim, o Iguatemi, custa, em média, R$ 350 e demora
duas horas e meia. No contraponto, um reles trabalhador – que
certamente despejou voto no presidente Lula – demora trinta suados
dias para receber R$ 350. Resumindo, quem nunca comeu mel, quando come
se lambuza. E mais: ao presidente Lula falta uma competente assessoria
de marketing. Quem vai à casa de um amigo com tanta intimidade,
como faz o casal Lula da Silva na residência de Wanderley Nunes,
pode levar os primeiros a não pagarem pelos serviços do
segundo, até porque ao Studio W (é o nome do salão
de Wanderley Nunes) interessa clientes de tal naipe.
Pé
no freio
“Cautela”. Foi o que cobrou o presidente Lula dos
dirigentes dos onze partidos que formam a base de apoio ao governo federal,
ao analisarem as propostas de combate à violência no País,
que devem ir à votação ainda esta semana no Congresso.
O presidente Lula tem consciência do risco que tal discussão
leva ao Palácio do Planalto, pois na festa da posse, em 1º
de janeiro passado, a onda de criminalidade que assola o Rio de Janeiro
foi tratada como terrorismo. E terrorismo se enfrenta com outro tipo
de ação, e não com cinco centenas de policiais
que carecem de treinamento e não sabem como empunhar uma arma
de fogo. (Foto: abc.es)
Saia
justa
Ainda a criminalidade... Dependendo de como o tema
for tratado pelos parlamentares, a luz vermelha do Palácio do
Planalto pode acender. Para enfrentar a falta de vagas no sistema penitenciário,
o governo Lula acenou, tempos atrás, com a possibilidade de flexibilização
da Lei de Crimes Hediondos. Isso colocaria na rua, em muito menos tempo
do que o previsto, criminosos de alta periculosidade e sem a devida
recuperação social. Logo depois de chegar ao poder, ainda
em 2003, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça),
falando em nome do presidente Lula, prometeu entregar, até o
fim do primeiro mandato, seis presídios federais de segurança
máxima. Entregou dois, sendo que um não funciona por falta
de autorização ambiental. Para finalizar, o principal
fator motivador da onda de crimes que assola o País é
o tráfico de drogas. E combatê-lo exige maior patrulhamento
das fronteiras brasileiras, o que não acontece porque as Farc
seriam prejudicadas. (Ilustração: Cássio
Scavone, o genial Manga)
Malha
fina
A aprovação do projeto da Super Receita, que une as Secretarias
da Receita Federal e da Receita Previdenciária, foi comemorada
com largueza pelo Palácio do Planalto e pelos
ministros da área econômica. Se por um lado o estreitamento
da via da sonegação vai render aos cofres públicos
uma maior arrecadação, por outro pode levar um sem fim
de empresas, que postergam o pagamento de tributos ou sonegam por questões
de sobrevivência, à bancarrota. Resta saber se a contrapartida
acontecerá um dia, pois até agora foram séculos
de promessas.
Drible
na lei
Para fugir da inconstitucionalidade de utilizar recursos
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o miserável
FGTS, nos investimentos previstos no PAC, o governo do presidente Lula
encontrou uma saída. O ministro Guido Mantega
(Fazenda) tenta transferir para a Caixa Econômica Federal a responsabilidade
de garantir aos investidores um mínimo de rendimento: o índice
da inflação acrescido de 3% de juros anuais. Fossem as
promessas do PAC literalmente viáveis, e sem nenhum viés
chavista, Lula teria exigido que a responsabilidade pela remuneração
do investimento do trabalhador fosse garantida pelo Tesouro Nacional.
Mas não, querem o mico bem longe.
É
o fim
Com a irreversível proximidade do Carnaval, o ministro da Defesa,
Waldir Pires, disse que tem esperança que novos problemas não
venham a ocorrer nos aeroportos brasileiros durante a folia de Momo,
a exemplo do que aconteceu às vésperas do último
Natal. É bom lembrar que desde o trágico acidente com
o Boeing da Gol, a aviação comercial brasileira vem sendo
vítima da inoperância do governo federal, que não
investiu no controle do tráfego aéreo. Por outro lado,
a um ministro da Defesa não cabe ter esperanças, por força
da responsabilidade, mas certezas.
Fantasia
de ladrão
Um dia, alguém ousou dizer que o Carnaval era uma festa popular,
condição que ainda ostenta no calendário atual.
Se no passado essa condição de ser uma manifestação
popular foi uma rápida e grande verdade, nos dias de hoje o samba-enredo
é bem diferente. Quem analisa o Carnaval pela ótica tributária,
logo percebe que a maior folia quem faz é o governo federal,
ao taxar todos os apetrechos vendidos nessa época do ano. Para
se ter uma idéia do descalabro, a carga tributária que
o Rei Momo esconde gira entre 40% e 50%. Desde ingressos para os sambódromos
até o confete do salão.
Sem
saída
Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, está cada vez
mais refém do PMDB, partido que um dia foi padrão de oposição
política. Nas conversas que tem mantido com representantes do
partido, Lula já admite entregar a pasta da Justiça ao
deputado Michel Temer (PMDB-SP), o que controlaria a ala rebelde dos
peemedebistas. Atual presidente da sigla, Temer entregaria o bastão
partidário para o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal,
o advogado Nelson Jobim. O Ministério da Justiça foi,
um dia, objeto do desejo de Jobim.
Esqueceram
de mim
No quesito memória curta, o brasileiro volta a mandar para as
raias do esquecimento um episódio importante, e que até
hoje não foi solucionado. Reconduzido recentemente à presidência
do Sebrae, o doador universal Paulo Okamotto, que pagou contas pessoais
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua devendo explicações
à sociedade. Sem renda oficial suficiente para honrar a pendência
financeira do companheiro Lula, Okamotto alegou que pagou a dívida
com dinheiro vivo, sacado de sua conta bancária. Lula, por sua
vez, negou que o companheiro da década de 70 tenha quitado junto
ao PT uma dívida no valor de R$ 29.436,26. As CPIs que investigavam
o caso acabaram e o assunto simplesmente foi sepultado. Em outras palavras,
o Brasil é um picadeiro com 180 milhões de arlequins.
Brincadeira
tem hora
Enquanto a criminalidade toma conta do Rio de Janeiro, a Força
Nacional de Segurança continua fazendo o papel de fantoche palaciano.
Desde que chegou aos domínios fluminenses, a tropa federal pouco
ou nada fez. Ontem, terça-feira (13/2), dois oficiais da Força
Nacional participaram de uma operação conjunta das polícias
Civil e Militar do Rio, que invadiram uma favela do Complexo do Alemão,
na zona norte da Cidade Maravilhosa. Os dois oficiais apenas acompanharam
a operação, o que deve acontecer com o restante da tropa
nos próximos dias. Só falta o presidente Lula explicar
desde quando a polícia fluminense carece de babás?
Gazeteiros
palacianos
Na reunião realizada na Câmara dos Deputados, nesta
terça-feira (13/2), para discutir o Plano de Aceleração
do Crescimento, o PAC, evento que contou com a participação
dos ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil) e
Paulo Bernardo da Silva (Planejamento), sobraram bizarrices
discursivas. Abusando do economês e falando para uma platéia
que pouco entendia de Economia, o deputado Ciro Gomes mostrou-se como
lobo em pele de cordeiro. Sem criticar diretamente o governo FHC –
que merece ser criticado – Ciro Gomes desfiou um conhecimento
que não usou quando foi ministro da Fazenda, cargo ocupado de
maneira quase meteórica durante o governo Itamar Franco. Se Ciro
Gomes fosse tão bom quanto ele próprio anuncia, a economia
brasileira estava solucionada desde então. (Foto:
Terra)
Para
inglês ver
Presidente da Câmara dos Deputados, o petista Arlindo Chinaglia
considerou “extremamente agressivos” os termos utilizados
pela revista britânica The Economist, que em recente reportagem
comparou o parlamento brasileiro a um "chiqueiro". Chinaglia
foi aconselhado pela assessoria da Câmara a interpelar os responsáveis
pela publicação, mas o parlamentar quer uma nova avaliação
sobre o acaso, podendo, inclusive, optar por uma ação
judicial. Afirmar que a Câmara dos Deputados é um chiqueiro
pode ser um exagero editorial, mas o fato é que o mensalão
foi um verdadeiro mar de lama.
Pau
mandado
Com a base aliada completamente encabrestada, por conta da distribuição
de cargos nos mais diversos escalões do governo federal, o Palácio
do Planalto terá tranqüilidade na aprovação
de assuntos de seu interesse, caso a oposição não
reaja à altura. Sob a ameaça de descontar o ponto dos
faltosos, Chinaglia, que agora voltou a rezar a cartilha palaciana,
vai fazer das votações em plenário um verdadeiro
rolo compressor. Tem cheiro de chavismo no ar e ninguém percebeu.
Abismo
político
Responsável pela análise e julgamento dos processos
por quebra de decoro parlamentar, o Conselho de Ética da Câmara
define ainda esta semana o nome do novo presidente. Parte dos conselheiros
quer reeleger o atual presidente, Ricardo Izar (PTB-SP), mas o PT está
de olho na vaga. E para tal tem dois postulantes ao cargo: os deputados
José Eduardo Martins Cardozo (SP) e Jorge Bittar
(RJ). O que já era um tribunal de exceção pode
acabar como clube da "companheirada". E mais: um petista no
comando do Conselho de Ética é tudo o que o deputado cassado
José Dirceu, ou comandante Daniel, precisa em seu projeto de
anistia política.
Deserto
do Saara
Pensando bem, depois de tanto confete por parte dos aliados, a Câmara
foi palco para o PAC. Plano de Antecipação do Carnaval.
Fim
do mundo (14/02/06)
- Como faz quase que regularmente, o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, ocupou, dias atrás, uma das mesas do restaurante do
hotel onde vive, em Brasília, para tratar de assuntos ministeriais.
Em companhia de um de seus assessores e rodeado por uma infinidade de
papéis, Bernardo decidia, em voz alta, qual cidade brasileira
receberia dinheiro da Pasta. Esse prefeito recebe tanto, aquele tanto...
Como se o planejamento de um país com dimensões continentais
como o Brasil fosse assunto para mesa de boteco ou restaurante.
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