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Barrado
no baile
O que os leitores da coluna souberam com antecedência, só
agora uma revista semanal trouxe à
baila um assunto aqui tratado. Nos bastidores do Palácio do Planalto,
por ordem de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, o projeto
de anistia política que beneficiaria o ex-ministro e deputado
cassado José Dirceu de Oliveira e Silva foi deixado para depois.
O temor maior, como noticiamos, era que o projeto de interesse de José
Dirceu pudesse tirar o brilho do Plano de Aceleração de
Crescimento, um projeto dúbio batizado com a sigla PAC. O que
se sabe é que foi uma negociação difícil
e intrincada, e que teve em uma das pontas o inconformado Tarso Genro,
ministro das Relações Institucionais. Até Marco
Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula, já
mudou de discurso. Você pode participar do Programa Anistia
Zero, movimento popular, de iniciativa da coluna, contra a
concessão de anistia a José Dirceu e outros cassados.
Clique no banner localizado na coluna à direita. (Foto:
AFP)
Correndo
por fora
Com sua saída do Ministério da Justiça adiada mais
uma vez, a pedido do presidente Lula, o ministro Márcio Thomaz
Bastos assiste de camarote e calado à escolha do nome de seu
substituto. Não faz muito tempo, dois nomes apareciam no páreo:
o do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e
o do ministro Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal Federal.
A tarefa de conversar com Pertence foi dada ao ex-presidente do STF,
Nelson Jobim, que voltou com tudo ao escritório de advocacia
que mantém em Brasília. Coincidência ou não,
desde o início das especulações em torno de seu
nome – o que aconteceu em dezembro de 2006 – o ministro
Sepúlveda Pertence surgiu com uma rala barba
branca. No contraponto de uma disputa silenciosa existe a possibilidade
de a pasta da Justiça ir parar nas mãos do PMDB, como
compensação pelo apoio ao governo do presidente Lula.
E o nome do deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente nacional da
sigla, passou a ser cotado para assumir os negócios da Justiça.
Que não gostou da notícia foi o também peemedebista
Nelson Jobim, que um dia sonhou com o cargo. (Foto: STF)
Partido
novo
A participação do presidente Lula na festa de aniversário
do PT – incluso o tom de seu discurso – é
um sinal de que um novo partido pode estar a caminho, como antecipou
a coluna em 2006. Um conhecido escritório de advocacia de Brasília
foi contratado para estudar em detalhes o assunto, sendo que na ocasião
– antes da eleição presidencial – até
o nome do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, era cotado
para integrar a nova agremiação política. Como
o discurso de campanha de Aécio Neves foi contra o lamacento
status quo do Palácio do Planalto, sua participação
na possível nova legenda já foi descartada. O que reforça
a possibilidade de o atual inquilino do Palácio da Liberdade,
sede do Executivo mineiro, desembarcar no PMDB para ser um dos presidenciáveis
de 2010. (Foto: sigloxxi.com)
Cheiro
de golpe
Na reunião do PT, que aconteceu no final de semana e teve o vigésimo
sétimo aniversário do partido como alvo de comemorações,
alguns assuntos tratados no encontro político chegam a assustar.
Cruzando detalhes do PAC com filigranas das discussões petistas,
é possível compreender clara e facilmente que o Ministério
das Comunicações, hoje nas mãos do PMDB, é
a mais nova cobiça do PT. Passará pelo Ministério
comandado pelo senador mineiro Hélio Costa todo o processo de
implantação da TV digital no País. E o PAC tem
planos de incentivo para que a TV digital deslanche, o que pode render
aos que gravitarem na órbita do assunto muito dinheiro. Resta
saber o tamanho do pedágio.
Vermelho-oliva
Outro assunto preocupante, e de maior risco, é o que trata de
uma nova tentativa de amordaçamento da imprensa. E para tratar
do tema, os dirigentes do PT não se intimidaram em afirmar que
“a liberdade de imprensa, vigente no país, desagrada ao
partido”. Durante o encontro, a cúpula do partido sugeriu
a realização de uma conferência nacional de comunicação
para que sejam expostas as diretrizes partidárias sobre o assunto.
Eis um trecho do documento lido durante o evento que teve a capital
dos baianos como palco: “Por se tratar de um tema nacional, é
importante realizar uma conferência nacional de comunicação,
que reúna todos os segmentos envolvidos. O debate deve ser sobre
nosso projeto nacional estratégico de comunicação
social e sobre nossa política global de comunicação,
abordando todos os aspectos da questão: a internet e o Comitê
Gestor da Internet; a comunicação via rádio e TV;
a imprensa (jornais, revistas); o papel do setor público e do
setor privado; o papel da publicidade estatal; o cinema; as relações
comunicação / cultura / educação; o papel
da Anatel; o papel do Ministério das Comunicações;
a Radiobrás; a comunicação comunitária;
a política de concessões.” Resumindo, uma ditadura
“rouge” é a palavra de ordem.
Enganar
é o tom
Encontros partidários, como o realizado pelo PT em Salvador,
servem apenas para tirar a sujeira política debaixo do tapete
e para lá reenviá-la. Durante o encontro dos barbudinhos,
e outros nem tanto, não se falou sobre mensalão, sanguessugas,
aloprados e, principalmente, sobre a origem do dinheiro que seria utilizado
na compra do Dossiê Cuiabá. Os integrantes do PT acham
que a parcela pensante da população acredita em uma inocência
que não passa de uma obra de ficção, criada apenas
para ludibriar os desinformados. Tivesse o encontro do último
final de semana o objetivo de passar o PT a limpo, as inexplicáveis
mortes de Celso Daniel e Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, ex-prefeitos
de Santo André e Campinas, respectivamente, estariam na pauta
das discussões. Apenas para lembrar, a família do ex-alcaide
de Campinas adotou a tese defendida pelo editor da coluna horas depois
do crime. A morte de Toninho do PT foi planejada e tem a máfia
campineira do lixo por trás da operação criminosa.
Trinca
de ases
Nesta terça-feira (13/2), os ministros Guido Mantega (Fazenda),
Dilma Rousseff (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento) desembarcam
na Câmara dos Deputados para uma explanação aos
parlamentares, com direito a palpites, sobre o Plano de Aceleração
do Crescimento. Com uma Casa legislativa presidida por um político
da ala governista, não é muito difícil adivinhar
o que pode acontecer. Por outro lado, o povo brasileiro espera que um
dos três emissários do presidente Lula explique a criação
de 157 cargos em comissão, tendo a extinção da
Rede Ferroviária Federal como justificativa. Extinguir o que
já foi extinto é o mesmo que sepultar quem sepultado já
está. Enfim, como a “companheirada” carece de novos
cabides de emprego...
Sem
palavras
(Foto
que circula na rede mundial de computadores)
Índio
tá maluco
A vista do presidente da Bolívia, Evo Morales,
ao
Brasil, marcada para amanhã, quarta-feira (14/2), ainda não
foi confirmada, segundo informou a diplomacia daquele país e
a embaixada boliviana em Brasília. De acordo com informações
fornecidas pelo Ministério de Relações Exteriores
da Bolívia, a confirmação da viagem de Morales,
que deve acontecer ainda hoje, depende do índice de sucesso nas
negociações para a majoração do preço
do gás boliviano adquirido pelo Brasil. Como esse imbróglio
do gás boliviano continua no patamar do “mal contado”,
é possível concluir que o índio cocalero quer chegar
em Brasília e bater a carteira do povo brasileiro.
Debaixo
do colchão
Segundo nota publicada na seção “Holofote”
da revista Veja, o Ministério Público estaria satisfeito
com a investida contra o ex-deputado federal José Janene (PP-PR),
acusado de ser um dos grandes beneficiados do criminoso esquema do mensalão.
Não faz muito tempo, a Justiça bloqueou os bens registrados
em nome da mulher do ex-parlamentar, Stael Fernanda. A última
ação do MP teve um veículo da marca Audi como alvo.
Bom seria se o Ministério Público pedisse informações
ao Banco Central libanês.
Segura
na mão do Senhor
“O Estado é laico”. Assim respondeu o governador
Sérgio Cabral Filho à pergunta sobre uma possível
consulta à Igreja para garantir as ações do governo
do Rio de Janeiro na área da Saúde. Na entrevista concedida
ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes, Cabral Filho disse que
nos quatro anos de governo não fará propaganda para anunciar
as obras oficiais. Mas o governador fluminense aproveitou a oportunidade
para anunciar que seu governo vai oferecer gratuitamente à população
carente cirurgias de vasectomia e laqueadura de trompas. Resta saber
o que pensam as correntes religiosas que o apoiaram na campanha eleitoral,
pois quanto mais fiéis, de preferência miseráveis,
melhor.
Fiasco
oficial
A ação das milícias no Rio de Janeiro continua
rendendo muito mais do que se imaginava. Sem saber o que fazer ou dizer,
Sérgio Cabral Filho tem confirmado presença em eventos
que tratem de assuntos relacionados à segurança pública,
como se bravatas oficiais solucionassem o problema enfrentado pelos
contribuintes fluminenses. Sob a ótica da lei, as tais milícias
são literalmente ilegais, mas só assim é que a
população carente está recordando o que é
sossego. Cabral Filho pode, inclusive, blasfemar, mas antes disso deveria
explicar os motivos que levam as milícias a erradicar o narcotráfico
das favelas cariocas, o que o Estado vergonhosamente não consegue.
Nas décadas de 60 e 70, muitos brasileiros tinham o hábito
de contribuir mensalmente com o chamado guarda-noturno. Quem pagava
o pedágio do vigilante que circulava de bicicleta tinha direito
a um estrilar de apito no meio da madrugada. E a milícia nada
mais é do que o guarda noturno que acompanhou a evolução
do crime.
A
ver navios
Com a semana do Carnaval avançando como se escola de samba fosse,
encontrar um pacote turístico marítimo para o período
momesco é quase impossível. Os transtornos ocasionados
pelo Caos Aéreo Nacional, às vésperas do Natal,
deixaram muitos foliões desconfiados, fazendo com que os transatlânticos
que contornarão a costa brasileira nos dias de folia zarpem lotados.
Tal situação leva a concluir que o caos migrará
dos aeroportos para os portos e rodovias, o que promete uma possível
tranqüilidade nos aeroportos nacionais. No último final
de semana, o escândalo do overbooking foi parar no mar. O transatlântico
Island Escape zarpou do porto de Santos deixando em terra firme muitos
enfurecidos turistas. Cinqüenta cabines do navio foram vendidas
duas vezes. E o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, continua
impávido, um colosso.
Liberou
geral
Ainda causam pânico e terror as ligações que, advindas
de presídios do Rio de Janeiro, interrompem o sono de muitos
brasileiros. O novo modus operandi da bandidagem consiste em colocar
do outro lado da linha alguém choramingando e pedindo socorro,
como se fosse algum parente do alvo do golpe. Após as lágrimas
crocodilescas que são derramadas do outro lado da linha, entra
em ação um criminoso que passa a extorquir a vítima,
sob a ameaça de assassinar friamente o suposto refém.
Trata-se de mais uma armadilha que o Estado poderia coibir, mas não
o faz. E até hoje não se sabe por quais razões
telefones celulares entram nos presídios. Um dos telefones utilizados
pela quadrilha é o (21) 9398-3572.
Trem
de pouso
Pensando bem, na terra do presidente Lula existem birutas demais para
aeroportos de menos.
Dá-lhe
Mobral! (13/02/06)
- Enquanto o presidente Lula envereda pela criação de
novas universidades, sem se preocupar com o conteúdo do que será
repassado aos alunos, o Ministério da Educação
se preocupa em retomar a velha fórmula de alfabetização,
como forma de erradicar de maneira definitiva o analfabetismo no país.
Louvável pó um lado, a intenção do MEC desmorona
se analisarmos os resultados da Olimpíada de Matemática,
que consumiu R$ 16 milhões do dinheiro público para apresentar
um resultado pífio e vergonhoso. O TV Escola, programa de ensino
à distância do Ministério da Educação,
perdeu o pouco dinheiro que dispunha (R$ 3 milhões) para a tal
Olimpíada. Agora, o MEC e o presidente Lula, que está
em plena campanha pela reeleição, vão lançar
a Olimpíada de Português. E não será novidade
alguma se a medalha de ouro for entregue a alguém que repetidamente
diz “pra mim fazer”, “poblema”, “questã”,
“menos” e ainda continua escolhendo o ônibus pela
cor. Triste Brasil!
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