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Depois
a gente vê
Definitivamente, a nova marca do governo Lula será o “para
depois”. Reeleito, o presidente Luiz Inácio disse que o
anúncio da nova equipe ministerial aconteceria até o Natal.
Como antes da chegada de Papai Noel nada aconteceu, o anúncio
ficou para depois da posse. E como, mais uma vez, o Palácio do
Planalto empurrou o assunto com a devida barriga, o anúncio ficou
para depois do desnecessário descanso presidencial. Sem saber
o que dizer, o presidente Luiz Inácio garantiu que sua nova equipe
seria anunciada após as eleições para as mesas
diretoras da Câmara e do Senado. Encerradas as disputas congressuais,
o anúncio do novo ministério ficou para depois do Carnaval.
Até o processo de anistia política a José Dirceu
ficou para depois. Ainda bem!
Cegueira
oficial
Semanas antes de desembarcar em sua campanha
pela reeleição, o presidente Luiz Inácio disse,
com excessivas doses de certeza e confiança, que a Saúde
no Brasil estava próxima da perfeição. Há
de se compreender a porção desbaratada do discurso presidencial,
pois qualquer dor de cabeça que transtorne o dia de Luiz Inácio
da Silva é suficiente para um batalhão de médicos
ser mobilizado, ou, então, fazer da Base Aérea, em Brasília,
a recepção do melhor hospital do País. No último
sábado, o Instituo da Visão realizou, em São Paulo,
um mutirão contra a catarata, como faz com regularidade. Os custos
dos tratamentos e cirurgias são rateados entre os governos paulista
e paulistano. Para se ter uma idéia do estado em que se encontra
a Saúde, parte dos três mil pacientes atendidos no último
sábado era de outros estados. Em outras palavras, quem está
com a visão comprometida, e não sabe, é o presidente
Luiz Inácio. (Foto: AFP)
Engana,
o povo adora!
Durante a comemoração dos vinte e sete anos de
fundação do Partido dos Trabalhadores – evento que
teve a capital dos baianos como cenário – Luiz Inácio
da Silva, o presidente Lula, cumpriu um roteiro preparado pela assessoria
palaciana, com o claro objetivo de melhorar sua imagem junto à
parcela pensante da opinião pública. Preocupada com a
presença de jornalistas que cobriam o evento, a cúpula
petista só permitiu que Lula cumprimentasse José
Dirceu de Oliveira e Silva – ex-ministro e deputado cassado
– depois que a imprensa foi retirada do local. E festa política
que trata de assuntos aos quais a sociedade não tem acesso é
motivo de preocupação. E mais: para reforçar a
farsa, que teve o Palácio do Planalto como nascedouro, Lula passou
um pito nos presentes à festança rouge, como se isso solucionasse
todos os escândalos de corrupção dos últimos
tempos.
Aposta
errada
Acreditando no sucesso do Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC), empacado plano econômico palaciano, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva tem revelado a amigos que, em 2010, fará o sucessor.
O que não significa que o candidato do presidente Lula seja do
PT, até porque a agremiação política não
tem, por enquanto, nome à altura para tão megalômano
desafio, da mesma maneira que pouco menos de quatro anos é um
período curto demais para esculpir alguém para a disputa
presidencial. Lula aposta suas fichas em uma disputa entre os governadores
Aécio Neves e José Serra, o que enfraqueceria consideravelmente
uma candidatura tucana ao Palácio do Planalto. (Foto:
planalto.gov.br)
No
rastro do vovô
Ainda as fichas lulianas... Acontece que o presidente Lula pode ser
surpreendido no trajeto político até 2010, pois Aécio
e Serra não são neófitos no assunto. Desde o momento
em que anunciou seu desejo de continuar ocupando o Palácio da
Liberdade, sede do Executivo mineiro, Aécio Neves começou
a costurar, nos bastidores o seu futuro político. Enquanto cresce
a possibilidade de uma acirrada disputa no ninho tucano, Aécio
Neves vê com bons olhos seu possível desembarque no PMDB.
Aliás, o PMDB foi o partido político de Tancredo de Almeida
Neves, avô do governador mineiro e o melhor presidente brasileiro
em todos os tempos. Afinal, não assumiu.
Fio
trocado
É fato que a memória do eleitor é curta e fraca,
mas certas coisas jamais poderiam ser esquecidas. Abandonado pelo Palácio
do Planalto em sua campanha pelo governo paulista – e principalmente
no escândalo do Dossiê Cuiabá – o senador Aloízio
Mercadante (PT-SP) será peça chave na aprovação
do PAC, em especial porque é o novo presidente da Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), assunto que a coluna já noticiou.
O fato é que só deveria presidir a CAE alguém sem
rusgas com assuntos de natureza econômica. Ainda repousa na escrivaninha
de Mercadante o relatório sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal,
que se aprovada permitiria a companheira Marta Suplicy a contemplar
o sol de maneira geometricamente distinta. Enquanto o assunto permanece
parado, a ex-alcaidessa cobra do presidente Lula um ministério,
como pagamento por seu empenho na campanha de reeleição
do petista.
Mãos
ao alto
Em edição recente, a revista Veja trouxe reportagem sobre
o descrédito da classe política junto à sociedade,
o que fez com que uma ínfima minoria se preocupasse com o assunto
e com a própria reputação. Se o Congresso, na opinião
do eleitor, é uma reunião de pessoas não confiáveis,
alguns episódios mostram que a sabedoria popular fala mais alto
algumas vezes. Dias antes da posse dos novos deputados e senadores,
o então deputado federal Paulo Lima (PMDB-SP) – que foi
barrado nas urnas de outubro passado – teve o seu celular roubado
nas dependências da Casa Legislativa. Provavelmente coisa de algum
novato, pois as velhas raposas da política estão acostumadas
a mordidas bem maiores. No contraponto é bom lembrar que o editor,
certa vez, perdeu um computador pessoal dentro da Câmara dos Deputados,
equipamento prontamente devolvido pelos seguranças da Casa.
Inventando
a roda
A barbárie cometida por assaltantes contra um garoto
de seis anos, que morreu depois de ser arrastado por sete quilômetros
na zona norte do Rio de Janeiro, levou o governador Sérgio
Cabral Filho a discursos que transcendem a lógica, como
foi o caso da proposta de redução da maioridade penal.
A evolução de uma sociedade organizada não se dá
através do endurecimento das leis, mas por meio de condições
mínimas de sobrevivência, o que não acontece no
Brasil há muito tempo. O discurso de Cabral Filho encontrou eco
no Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, mas
tal idéia, mesmo que “politiqueiramente” correta
aos olhos de uma sociedade amedrontada, será inócua caso
venha a ser implementada. Os desvios de um povo não serão
corrigidos por leis – criadas para o estabelecimento dos limites
de uma sociedade organizada –, mas com o exercício pleno
da cidadania. (Foto: senado.gov.br)
Turismo
do crime
Outra proposta que teve o Palácio Guanabara como berço
foi a estadualização das leis penais, como se isso pudesse
resolver uma mazela muito maior. No caso de cada estado brasileiro criar
e aplicar sua legislação penal, a exemplo do que ocorre
nos EUA, ocorrerá no País uma migração do
crime. As unidades da federação que criarem penas mais
brandas abrigaram hordas de bandidos vindos de outros estados. Por outro
lado, é bom lembrar que muitos filmes americanos mostram criminosos
fugindo para estados distintos daquele onde cometeram delitos, pelo
simples fato de determinadas legislações penais serem
mais brandas. Estadualizar a legislação proporcionaria
a interpretação que o crime só pode ser julgado
no local do cometimento do mesmo. Ou seja, se Sérgio Cabral carece
urgentemente de uma assessoria de governo, por outro a legislação
vigente deveria ser aplicada com o rigor que carrega.
Cego
em tiroteio
Quem acompanhou a entrevista concedida pelo governador Sérgio
Cabral Filho ao programa Canal Livre, da Rede Band, percebeu com facilidade
que o comandante fluminense está tão perdido quanto o
contribuinte local que enfrenta as constantes e já famosas disputas
entre facções criminosas. Alegando que o estado do Rio
de Janeiro é uma “grande gambiarra”, Cabral Filho
escapou de respostas que certamente o colocariam em dificuldade. O que
mais impressiona é que o presidente Lula e o governador Cabral
Filho estão empenhados na realização segura dos
Jogos Panamericanos. Para isso foi contratada a mesma empresa que monitorou
a segurança dos Jogos Olímpicos da Grécia. Ou seja,
encerrado o evento esportivo, o Rio volta ser palco do esporte do cotidiano.
Tiro livre. E mais: quem foi o insano que escolheu a cidade do Rio para
sediar o Pan?
Tudo
de novo
A bárbara morte do menino João Hélio Fernandes,
de seis anos de idade, no Rio de Janeiro, fez com que a classe política
se mobilizasse novamente com promessas das mais pirotécnicas.
Um pacote de medidas que tem a segurança pública como
alvo deve ser votado ainda nesta semana, propondo o endurecimento das
penas para os crimes dolosos (homicídio, seqüestro seguido
de morte e latrocínio, entre outros). Não faz muito tempo,
mais precisamente durante a campanha eleitoral de 2006, deputados federais
e senadores se mobilizaram de maneira idêntica para protestar
contra as ações do PCC em São Paulo. Prometeram
votar medidas enérgicas, mas, como sempre, as promessas empacaram.
Fosse o menino João Hélio filho de algum político,
a situação poderia mudar com celeridade. Mas...
Fusível
queimado
Depois prometer perseguir os jornalistas que o incomodaram em sua campanha
pela reeleição ao governo do Paraná, o que denota
ser possuidor de memória invejável, Roberto Requião
parece que foi acometido por uma crise de amnésia. Não
faz muito tempo, o governador Requião falou repetidas vezes que
cancelaria a transferência à iniciativa privada de algumas
estradas paranaenses, em especial as que estão sob a responsabilidade
do nada gentil Cecílio do Rego Almeida, empreiteiro e um dos
participantes do consórcio Ecovias. Em tempos outros, Roberto
Requião esbravejava, batia o pé e chutava a mesa quando
o assunto era pedágio. Agora, Requião se contenta com
o discurso do empresariado, que afirma estar passando por dificuldades
na arrecadação. Vale lembrar que no período de
férias escolares os pedágios arrecadam uma dinheirama
de fazer inveja a um gordo prêmio da Megasena. Será que
dividir o bolo custa muito mais do que se imagina? Com a palavra, o
nada diplomático Roberto Requião.
Mico
voador
Nos últimos dias, a chuva que castigou a capital paulista levou
a Infraero a fechar por diversas vezes a pista principal do aeroporto
de Congonhas, o que causou transtornos em quase todo o País.
Para deixar sob o tapete a vergonhosa e costumeira ineficiência
do Estado, o Palácio do Planalto preferiu transferir a responsabilidade
para as companhias aéreas. Enquanto o brasileiro espera do presidente
Lula uma explicação para o superfaturamento das obras
de Congonhas (pouco mais de R$ 100 milhões), o passageiro vai
sendo enganado dia após dia. O que o governo Lula deveria fazer,
ao assumir a culpa pelo Caos Aéreo Nacional, é revelar
o tamanho do prejuízo das companhias aéreas com a constante
transferência de vôos para outros aeroportos. Na composição
do mico imposto pelo Planalto estão: gastos com combustível
extra, adicional salarial para a tripulação (a legislação
exige), translado de passageiros, readequação da malha
e perda de carga aérea. O capitalismo não é um
modelo econômico de querubins, mas o governo federal tem a maior
parte da culpa. Difícil é assumir a culpa. (Foto:
airliners - Irfan Kaliskan)
Justiça
feita
A Aeronáutica, depois de longas análises, decidiu não
punir os controladores de vôo pelos transtornos que tomaram conta
dos aeroportos nos últimos dias de 2006. Não se pode negar
que a decisão causa estranheza e gera perplexidade, mas é
preciso entender que só é passível de punição
aquele que transgride a legislação. O que cada controlador
vinha fazendo era monitorar de uma só vez muito mais aeronaves
do que o estabelecido por lei, o que de um lado ajudou a camuflar a
inoperância do governo Lula, e de outro colocou em risco a vida
de milhares de passageiros e tripulantes. Optando pelo cumprimento da
lei, os controladores não podem ser penalizados. E mais: para
se entender a dimensão do caos advindo do Palácio do Planalto,
é preciso ressaltar que a atuação padrão
dos controladores de vôo – dentro da legalidade –
gera um prejuízo de US$ 2 milhões diários. Lembrando
que é possível adquirir no mercado de aviões um
Fokker 100 por US$ 3 milhões, o Brasil joga no lixo, a cada ano,
uma considerável frota de aviões. Coisa de país
rico e de primeiro mundo.
Trem
de pouso
Pensando bem, na terra do presidente Lula existem birutas demais para
aeroportos de menos.
Dá-lhe
Mobral! (13/02/06)
- Enquanto o presidente Lula envereda pela criação de
novas universidades, sem se preocupar com o conteúdo do que será
repassado aos alunos, o Ministério da Educação
se preocupa em retomar a velha fórmula de alfabetização,
como forma de erradicar de maneira definitiva o analfabetismo no país.
Louvável pó um lado, a intenção do MEC desmorona
se analisarmos os resultados da Olimpíada de Matemática,
que consumiu R$ 16 milhões do dinheiro público para apresentar
um resultado pífio e vergonhoso. O TV Escola, programa de ensino
à distância do Ministério da Educação,
perdeu o pouco dinheiro que dispunha (R$ 3 milhões) para a tal
Olimpíada. Agora, o MEC e o presidente Lula, que está
em plena campanha pela reeleição, vão lançar
a Olimpíada de Português. E não será novidade
alguma se a medalha de ouro for entregue a alguém que repetidamente
diz “pra mim fazer”, “poblema”, “questã”,
“menos” e ainda continua escolhendo o ônibus pela
cor. Triste Brasil!
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EDITORA SENAC SÃO PAULO
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