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Mentiras
no ar
A mais nova mentira do mundo da aviação rondou os domínios
da Justiça. Antes mesmo de o Tribunal Regional Federal da 3ª
Região (São Paulo) suspender uma decisão judicial
que proibia determinados modelos de aeronaves de operarem a partir do
aeroporto de Congonhas, na capital paulista, alguns bravateiros profissionais
– e bem remunerados, diga-se de passagem – espalharam a
notícia que a decisão teve o dedo da Tam, uma vez que
a companhia opera com aviões que escaparam da proibição,
agora suspensa. Na verdade, proibir o pouso e decolagem, em Congonhas,
de qualquer Airbus (319 ou 320) seria arrumar sérios problemas
com o Palácio do Planalto. Congonhas é o aeroporto predileto
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o avião
presidencial é um Airbus 319. Os vôos do Aerolula poderiam
ser transferidos para o aeroporto de Guarulhos (Cumbica), pois até
São Bernardo do Campo o presidente seguiria de helicóptero.
Acontece que com o tempo fechado, Lula seria obrigado a atravessar a
maior cidade do País e enfrentar um trânsito infernal.
Só isso! (Foto: airteamimages.com)
Cego
em tiroteio
Como antecipou a coluna, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles
– era tucano de carteirinha – está sob intenso fogo
cruzado. O motivo da artilharia na direção de Meirelles,
que teve direito a desmentidos inclusive do ministro Guido Mantega (Fazenda),
seria a queda lenta dos juros, mas há outros motivos, muitos
de ordem política, por trás dos ataques. Reduzir juros
abruptamente, como querem alguns ministros – Luiz Marinho (Trabalho)
é um deles – traria ao País uma situação
de risco. Mesmo com a classificação do Brasil como um
porto quase seguro para investimentos, são os juros no atual
patamar que atraem o dinheiro do investidor estrangeiro. Uma queda nos
juros provocaria uma fuga de capitais, o que proporcionaria dificuldades
para o fechamento diário do caixa tupiniquim. Manter os juros
nas atuais taxas não gera empregos, mas reduzi-las pode patrocinar
desemprego. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Teste
final
Imaginar que o Brasil é o melhor dos eldorados para os investidores
internacionais é irresponsabilidade idêntica a acreditar
que cegonha e Papai Noel existem. Uma prova de que o capitalismo internacional
ainda não crê piamente na economia brasileira foi dada
pelo governo Bush, que ofereceu ao presidente Lula uma aproximação
político-econômica com a Casa Branca, que deve ser analisada
com calma. Se corresponder ao flerte de Bush, o presidente brasileiro
cairá em desgraça com a onda bolivariana que emana do
Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano. Caso discorde
do presidente George W. Bush, Lula pode colocar o Brasil na rota do
desespero, pois a simples possibilidade de um repeteco do que ocorre
na vizinha Venezuela seria o suficiente para o dinheiro estrangeiro
dar adeus.
Grana
preta
Na verdade, o calvário de Henrique Meirelles pode ter nome e
sobrenome, como noticiamos ontem. Fazer do deputado José Múcio
Monteiro o novo líder do governo na Câmara pode parecer
uma sandice política – afinal foi o presidente do PTB (Roberto
Jefferson) que denunciou o mensalão – mas em termos de
negócio tem suas mais douras explicações. A família
Queiroz Monteiro, que durante anos controlou o agora liquidado Banco
Mercantil de Pernambuco, quer reaver US$ 500 milhões, dinheiro
bloqueado pelo Banco Central, presidido por Meirelles. Coincidência
ou não, José Múcio Monteiro é primo do deputado
federal Armando Monteiro Neto, que por sua vez é filho de Armando
Monteiro Filho, que presidiu durante mais de duas décadas o Mercantil
de Pernambuco. Ou seja, no clube prive de negócios alguns negociam
em família.
Pilha
fraca
Se existem no mundo seres de face lenhosa, o ministro
Tarso Genro é um deles. Há duas semanas,
na versão original da “Mensagem ao Partido”, o gaúcho
Genro afirmou que “o PT viveu uma crise de corrupção
ética e programática”. É fato que aquele
que faz da escrita uma profissão precisa saber o significado
da maioria das palavras, mas a porção bizarra de algumas
situações nos obriga a consultas aos bons dicionários.
No Houaiss, preciso dicionário da língua portuguesa, corrupção
tem o seguinte significado: “depravação de hábitos,
costumes, devassidão”. Já a palavra ética
significa, por extensão do sentido, “conjunto de regras
e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um
grupo social ou de uma sociedade”. Já o adjetivo programático
surge ao lado do seguinte significado: “relativo a programa”.
(Foto: AFP)
Cara
lavada
Ainda Tarso Genro... A nova versão da “Mensagem ao Partido”
não cita a refundação do PT e nem mesmo concede
espaço aos inúmeros casos de corrupção.
Tal situação leva a crer que os petistas, em processo
de auto-enganação, acreditam que não houve corrupção,
que não roubaram. São, sim, éticos e honestos.
Antes que seja tarde, é bom que alguém explique ao ministro
Tarso Genro (Relações Institucionais) que corrupção
ética é uma utopia discursiva, pois os vernáculos
têm significados diametralmente antagônicos. Por outro lado,
se a corrupção foi programática, pode-se dizer
que o crime foi premeditado. E o presidente Lula, como sempre, de nada
sabia.
Pedra
no caminho José Dirceu de Oliveira e Silva, o comandante
Daniel, continua sonhando com a anistia política para voltar
a dar as cartas oficialmente e na linha de frente, mas uma série
de empecilhos recheia o seu caminho. Muito preocupado com a possibilidade
de aprovação do projeto, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva trabalha intensamente nos bastidores para que isso não
ocorra. Do contrário, enfrentará situações
difíceis e quase incontornáveis. Aprovada no Congresso,
a concessão de anistia dependerá de sanção
presidencial, como noticiamos na edição de ontem. Acontece
que Lula só avançou politicamente porque passou pela prancheta
de José Dirceu. E o ex-ministro sabe muito além do que
alguns gostariam. E mais: participe do Programa Anistia Zero, movimento
popular, de iniciativa da coluna, contra a concessão de anistia
a José Dirceu e outros cassados. Clique no banner localizado
na coluna à direita.
Gás
de sobra
Quem pensa que José Dirceu de Oliveira e Silva, o Pedro Caroço
dos tempos plúmbeos, está sem força política,
engana-se. Antes que a escolha do novo líder do PT na Câmara
desembarcasse em uma acirrada disputa, o partido dos outrora barbudinhos
decidiu pelo nome do deputado Luiz Sérgio (RJ), que substituirá
o gaúcho Henrique Fontana. Luiz Sérgio é integrante
do chamado Campo Majoritário e intimamente ligado a José
Dirceu. Daqui a um ano, o substituto de Luiz Sérgio será
o deputado pernambucano Maurício Rands. Também ligado
a José Dirceu e membro do Campo Majoritário, Rands faz
política elegantemente. Bem distinta da forma chicaneira a que
alguns companheiros estão acostumados.
Quem
dá mais?
Tão logo assumiu a presidência da Câmara, o deputado
Arlindo Chinaglia (PT-SP) insistiu na tese de que a Casa legislativa
é a maior representação popular do País.
No campo da teoria isso é uma grande e incontestável verdade,
mas na prática a realidade é outra. Estivesse certo o
deputado Chinaglia, os políticos não teriam perdido a
quarta-feira discutindo o comando das Comissões permanentes.
Em número de vinte, as Comissões são distribuídas
aos partidos de maior representação na Câmara dos
Deputados. De foice, essa briga pelo poder transcende os interesses
de uma sociedade vilipendiada diuturnamente em seus direitos.
Pelo
avesso
Para se entender o que de tão errado pode acontecer nas Comissões
Permanentes da Câmara, basta pesquisar sobre assuntos como o que
tratou dos ingredientes da fórmula da Coca-Cola, o refrigerante
mais vendido do planeta, e que o consumidor vai continuar sem saber
a verdade, pois os processos que tramitavam na Comissão de Defesa
do Consumidor foram arquivados. De igual maneira, os processos relativos
à Coca-Cola que tramitavam em vários ministérios
também foram mandados para o arquivo. Outro processo mandado
para o arquivo da Câmara foi o que tratava da cobrança
da Taxa de Abertura de Crédito, a famigerada TAC. Como banqueiros
são querubins poderosos e endinheirados, e o universo da Coca-Cola
é emoção pra valer...
Raspando
o tacho
Enquanto a sociedade e a imprensa, principalmente, brincam com a galhofa
de que o PMDB desempenha mais uma vez o papel de noiva da política
nacional, o partido, que um dia fez oposição de gente
grande, se refestela em cargos e indicações. O bloco político
formado pelo PMDB e PT – e outros seis partidos pequenos –
terá o direito regimental de presidir onze das vinte Comissões
Permanentes da Câmara dos Deputados. Na outra ponta do poder,
o PMDB continua mergulhado nos altos cargos diretivos dos Correios,
empresa de excelência reconhecida e que carece muito mais de técnicos
do que de politiqueiros despreparados. Mas, abandonada pela sociedade,
a política tem dessas coisas inexplicáveis.
Balcão
de negócios
Os políticos mostraram celeridade quando se sentiram prejudicados.
Foi assim no caso do aumento salarial dos parlamentares, como também
na redistribuição da verba destinada aos partidos. Com
a recente decisão da Justiça, que redividiu o dinheiro
público destinado às agremiações políticas,
os chamados partidos grandes perderam parte da verba a que tinham direito,
enquanto os pequenos e nanicos festejaram a reviravolta. O contribuinte
é assaltado anualmente em R$ 126 milhões, dinheiro que
deveria servir para melhorar a representação popular no
parlamento. Acontece que essa dinheirama serve, como sempre, para manter
o exclusivo e privado clube de negócios em que se transformou
o Congresso.
Dinheiro
é solução
Há uma enorme dicotomia nos discursos advindos do Partido dos
Trabalhadores. Quando eclodiu a crise do mensalão, o PT, sob
a égide de uma farsa encomendada, foi obrigado a reconhecer que
a agremiação política passava por dificuldades
financeiras. Até mesmo um documento com a assinatura do agora
deputado José Genoíno foi apresentado, na tentativa de
provar que o dinheiro arrancado dos bancos – Rural e BMG - era
proveniente de empréstimos. Até agora, as duas instituições
financeiras não se deram ao trabalho de cobrar o PT. Passado
algum tempo, o PT lançou um novo modelo de cueca, que vem recheado
com US$ 300 mil. Mais tarde surge com R$ 1,75 milhão para comprar
um dossiê contra candidatos tucanos, sendo que a verdadeira origem
do dinheiro continua um mistério. No último sábado,
o PT se reuniu em um luxuoso hotel em São Roque, cidade próxima
a São Paulo, o que mostra que dinheiro não é problema
para o partido. Para completar a farsa, o PT promove no próximo
final de semana – sexta e sábado –, em Salvador,
uma festa para comemorar os vinte e sete anos de fundação
do partido. Com direito a banquete e outros detalhes nababescos. Coisas
de quem enfrenta sérios problemas financeiros.
Ética,
qual ética?
No mundo moderno dos negócios, plantar notícias –
verdadeiras ou não – transformou-se em uma ferramenta criminosamente
necessária para o capitalismo, seara onde empresas minam o poder
de fogo da concorrência com inverdades e fofocas. E por tudo o
que temos visto nos últimos tempos, este é um cenário
freqüentado por homens-avião e moleques de recado oportunistas.
Não faz muito tempo, o representante de um conhecido e polêmico
banqueiro começou a freqüentar as redações
com o intuito de publicar inverdades contra desafetos do patrão.
Tendo o insucesso e o fracasso como companheiros, o estafeta criminoso
decidiu pedir ajuda a profissionais da área de comunicação.
No bolso do colete a bagatela de R$ 50 mil mensais para disseminar mentiras.
São tantas emoções!
Caixa
de ferramentas
Pensando bem, para que a esquerdista briga de foice pelo poder seja
completa, só está faltando o martelo.
Chumbo
grosso (08/02/06)
- O tempo está cada vez mais quente para o lado da binacional
Itaipu. Soraya Garcia, ex-caixa 2 do PT de Londirna, que depõe
hoje na CPI dos Bingos, prometeu contar tudo o que sabe sobre o chamado
dinheiro não contabilizado do Partido dos Trabalhadores da cidade
paranaense. Responsável por administrar o dinheiro sujo da campanha
de reeleição de Nedson Michelletti à prefeitura
de Londrina, Soraya vai confirmar durante seu depoimento que Itaipu
contribuiu oficiosa e financeiramente com o partido, por ocasião
da eleição municipal de 2004. Apenas para lembrar, em
depoimento à Polícia Federal, Soraya Garcia creditou a
Paulo Bernardo, atual ministro do Planejamento, e Gilberto Carvalho,
responsável pela Secretaria da Presidência da República,
a responsabilidade pelo abastecimento do caixa 2 do PT londrinense.
Clique e confira os
principais trechos do bombástico depoimento de Soraya Garcia
à PF.
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popular contra a anistia política a José Dirceu,
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(Título de Eleitor ou Carteira de Identidade - com órgão
emissor)
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