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de Ipojuca Pontes sobre o governo Lula
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Só
mais um pouco
Convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o
ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, concordou em
permanecer no cargo até o anúncio da nova equipe ministerial,
que foi novamente adiado – a promessa é para depois do
Carnaval. Thomaz Bastos, que na última semana confirmou para
esta segunda-feira o seu desembarque do governo Lula, entregou apenas
dois dos seis presídios federais prometidos, como noticiamos
na edição de ontem (5/2). Na verdade, dos dois presídios
federais concluídos, apenas o de Catanduvas, no interior do Paraná,
é que está funcionando. O de Campo Grande, em Mato Grosso
do Sul, como bem lembrou o leitor José Aguiar dos Santos (Presidente
Prudente-SP), não funciona por falta de autorização
ambiental. O presídio foi construído dentro de um buraco
e ao lado de um lixão. Coisas da democracia rouge. (Foto: terradaily.com)
Sol
com a peneira
Mesmo com a presença da Força Nacional de Segurança
no Rio de Janeiro, a criminalidade continua assustando os fluminenses.
Tanto é assim, para que o Brasil não conquiste, durante
os Jogos Panamericanos, a medalha de ouro em tiro ao contribuinte, o
que renderia ao País desastroso destaque na imprensa mundial,
o Palácio do Planalto anunciou que o governo Lula investirá
R$ 400 milhões para garantir a segurança pública
durante o evento esportivo. Isso mostra que o envio de tropas federais
ao Rio foi, além de pirotecnia palaciana, mais uma conta que
em breve vai surgir no bolso do brasileiro. Enquanto isso, o site riocountbody.com.br
contabilizava até o fechamento desta edição cinqüenta
e oito mortos desde o último dia 1º de fevereiro.
Ficou
difícil
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu
nega
que tenha procurado o Partido dos Trabalhadores para recuperar os direitos
políticos, mas dirigentes petistas já admitem que um projeto
de anistia que beneficie o ex-comissário palaciano interessa
ao PT. Para ser aprovado, o projeto deve chegar à Câmara
dos Deputados na forma de representação popular, o que
exigira 1,5 milhão de assinaturas favor de José Dirceu.
A possibilidade de isso acontecer caiu como uma bomba entre a massa
pensante, o que fez com que diversos políticos se manifestassem
contrariamente ao desejo do ex-ministro, a começar pelo primeiro-secretário
da Câmara, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Ao afirmar que
“no mérito o projeto não vai prosperar”, Serraglio,
em entrevista a jornalista Anchieta Filho (Rádio Jovem Pan),
disse: “a minha eleição (para a Primeira Secretaria)
é um indicativo disso”.
Barrado
no baile
Como prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém,
em especial no momento em que parte da América Latina passa por
um processo de bolivarização, leitores transferiram à
coluna a responsabilidade de iniciar uma representação
popular contra a possibilidade de concessão de anistia política
a José Dirceu. Para aderir ao PROGRAMA ANISTIA ZERO
basta clicar sobre o banner localizado na coluna à direita, enviando
e-mail com o nome completo e identificação (Carteira de
Identidade e órgão emissor). As mensagens, devidamente
catalogadas, serão entregues ao primeiro-secretário da
Câmara, deputado Osmar Serraglio. E mais: caso emplaque o projeto
de anistia, os deputados Roberto Jefferson e Pedro Corrêa se beneficiam.
Diga não à impunidade!
Baixou
o santo
Durante inauguração de um posto de saúde no bairro
de Pirituba, zona oeste da capital paulista, o prefeito Gilberto Kassab,
literalmente descontrolado, decidiu enfrentar um contribuinte, ofendendo-o
verbalmente e chegando às vias de fato. Acompanhado do filho
de sete anos, Kaiser Silva, que aguardava atendimento dentário,
aproveitou a presença de Kassab e resolveu protestar contra a
lei Cidade Limpa, que ao proibir toda e qualquer publicidade exterior
tentar acabar com a poluição visual da maior cidade do
País. Em momento de fúria, o prefeito Gilberto Kassab,
entre insultos, xingamentos e empurrões, chamou Kaiser Silva
de vagabundo. É bom lembrar que durante uma das conhecidas enchentes
que assolam a cidade de São Paulo, a então prefeita Marta
Suplicy discutiu com moradores das regiões afetadas e disparou
o seguinte impropério: “Pobre é falso, diz que não
tem nada, mas qualquer chuvinha diz que perdeu tudo”. E Marta
Suplicy, que foi muito mais amena que Kassab, pagou caro pelo que disse.
Clique e confira
o destempero do prefeito Gilberto Kassab.
Vale
tudo
E o Paraná continua servindo de palco para as incongruências
administrativas do governador Roberto Requião e sua turma. Fabricante
de móveis escolares e para escritórios, a empresa Cequipel
Industria de Móveis venceu licitação para fornecer
22 mil televisores (29 polegadas e tela plana) da marca CCE para as
escolas estaduais do Paraná, negócio que vai movimentar
a bagatela de R$ 18.920.000,00. Considerando que o governador Requião,
que autorizou e abençoou o negócio, vai pagar R$ 860 por
cada televisor, a coluna pesquisou, em Curitiba, o preço do produto.
Na capital dos paranaenses, o mesmo televisor pode ser comprado por
R$ 700, sem a costumeira pechincha que já faz parte do discurso
do consumidor brasileiro. Coincidência ou não, a Cequipel
aparece como uma das maiores doadoras da campanha pela reeleição
de Roberto Requião, tendo desembolsado R$ 745 mil. Apenas para
lembrar: o secretário da Educação continua sendo
Maurício Requião.
Gol
ou pênalti?
A fúria que certos jornalistas têm exalado contra a Tam
deixa claro que, sabe-se lá por quais motivos, alguns “troca-letras”
estão atuando como verdadeiros “laranjas” em um processo
dúbio de bastidor, que visa desacreditar a companhia aérea
criada pelo saudoso comandante Rolim Adolfo Amaro. As novas aeronaves
incorporadas à frota da Tam (os quatro Boeings 777-300 ER) serão
utilizadas em rotas internacionais (Paris e Milão), e não
para sanar um problema que muitos insistem em dizer que existe. Enquanto
não chegam os Boeings encomendados pela Tam, a empresa vai utilizar
três MD-11 de propriedade da Boeing Capital, braço financeiro
da fabricante de aviões. Vale lembrar que o 777-800 é
o avião mais moderno do planeta.
E
a caneta ó!
No momento em que a compra de material escolar anima os fabricantes
de cadernos, uma notícia vinda do exterior foi motivo de comemoração
para os chamados “empresários caderneiros”. A Casa
Branca impôs barreiras econômicas aos cadernos fabricados
em alguns países asiáticos e na Índia, o que favoreceu
as indústrias brasileiras do setor. No contraponto, o governo
Lula fecha os olhos para o escândalo das canetas produzidas na
Zona Franca de Manaus, ciente de que a maior parte dos produtos é
importada, passando por um ínfimo e quase imperceptível
processo de nacionalização. Em conversa com o editor da
coluna, um experiente integrante da Receita Federal disse que a tal
nacionalização pode ser o simples ato de colocar a tampa
na caneta aqui no Brasil. Ou seja, é uma maneira de oficializar
o contrabando. Enquanto isso, empresas genuinamente brasileiras sofrem
com a abusiva carga tributária que assola o País.
Exemplo
a ser seguido
Presidente da Hyundai Motor, o sul-coreano Chung Mong-koo foi condenado,
nesta segunda-feira, a três nos de prisão, acusado de desvio
de recurso da empresa para subornar funcionários e fazer uso
de artifícios ilícitos para controlar o segundo maior
grupo empresarial do país. Já no Brasil, empresários
oportunistas, que repetiram a cartilha de Chung Mong-koo, continuam
livres para corromper e mudar a verdade dos fatos. No caso brasileiro,
o espertalhão oportunista, que por milhões de Reais tem
à disposição uma horda de irresponsáveis,
contratou a americana Kroll para espionar autoridades federais, desafetos
e jornalistas, e a Justiça brasileira parece que de fato sofre
de cegueira.
Piada
de salão
E por falar em opportunismo... Quando decidiu ejetar do controle da
Brasil Telecom o banqueiro Tantas (a Justiça ainda nos proíbe
de citar seu nome), o Citibank centrou fogo na executiva da empresa,
a italiana Carla Cicco. Agora, passada fervura das discussões,
Carla Cicco e o Citi chegaram a um acordo no Brasil, o que evidencia
que se por um lado os banqueiros são autofágicos, por
outro são corporativistas. O acordo entre a ex-executiva da Brasil
Telecom e o Citi foi obra do escritório do advogado Sérgio
Spinelli. Vai entender!
Sem
saída
Por decisão de um júri popular (Grand Jury) convocado
pela Justiça americana, Estevam Hernandes e Sônia
Haddad Moraes Hernandes, apóstolo e bispa da Igreja
Renascer em Cristo, respectivamente, serão processados nos Estados
Unidos, onde respondem por contrabando de dinheiro, falsa informação
ao serviço de aduana daquele país e conspiração.
Até a decisão final da Justiça ianque, Estevam
e Sônia continuarão monitorados por pulseiras eletrônicas,
o que limita, consideravelmente, o ir e vir do casal Renascer. Entre
as acusações, a que mais pesa é a de conspiração
contra o Estado americano (conspirancy), considerada grave entre os
americanos, que via de regra exalam um patriotismo exacerbado. Isso
pode fazer com que a pena a ser imposta a ambos seja de cinco anos.
Enquanto isso, os processos contra Estevam e Sônia no Brasil seguem
o rito normal. Resumindo, o casal, se condenado, deve cumprir pena nos
EUA para, em seguida, ser extraditado e julgado no Brasil. (Foto:
conferenciaapostolica.com.br)
Lupa
na mão
Ainda a Renascer... Entre as pessoas ligadas ao casal Estevam e Sônia
Hernandes, que estão sendo investigadas pelas autoridades brasileiras
e americanas, existem outros brasileiros que aparecem como sócios
da Renascer Foundation, empresa devidamente registrada no estado da
Florida (FEI Nunber 651011436). Com sede no número 1843 do West
Hillsboro Blvd, em Deerfield Beach, na Florida, a Renascer Foundation
tem como diretores, além do casal, Felipe Daniel Hernandes, André
Luiz Moretto, Angelita de Almeida Valle e Antonio Carlos Ayres Abbud.
Bispo primaz da Renascer, Ayres Abbud foi o responsável pela
criação da empresa RGC, que tinha como objetivo inicial
comprar a extinta TV Manchete.
Gente
desinformada
Corre na rede mundial de computadores uma maldade
contra o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso,
presidente da secção paulista da OAB e defensor do casal
Estevam e Sônia Hernandes no Brasil. O e-mail que circulou na
última semana insinuava que o advogado Borges D’Urso deveria
questionar a origem do dinheiro a ser utilizado no pagamento de seus
honorários. Ao advogado não cabe quebrar o sigilo fiscal
e bancário de seus clientes, devendo apenas receber e providenciar
o respectivo recibo. Ademais, Luiz Flávio D’Urso é
um criminalista respeitado e homem de bem. Por outro lado, é
preciso lembrar a esses apedeutas que a Igreja Católica foi extremamente
competente ao abafar o caso da morte do papa João Paulo I (Dom
Albino Luciani), assassinado por envenenamento por tentar eliminar a
quadrilha que agia no Vaticano em conluio com a máfia turca e
a loja maçônica P2. Àqueles que pouco conhecem sobre
o assunto basta revirar o caso do Banco Ambrosiano.
Apareceu
a margarida
Foram pouco convincentes as justificativas para o
sumiço da ex-miss Brasil, Taíza Thomsen.
Depois de suposições das mais variadas – de uma
gravidez indesejada a tráfico internacional de mulheres –
informações divulgadas nesta segunda-feira davam conta
que Taíza teria trabalhado em uma das mais famosas casas de strip-tease
de Londres, a Sunset Strip. Quem visita o site da Sunset percebe, logo
de início, que Taíza Thomsen não tinha motivos
para trabalhar no local. Na seqüência, surgiu a informação
de que a ex-miss teria revelado à Policia Federal brasileira
que a falta de contato com a família foi uma decisão pessoal.
É o típico conto da Carochinha, que para se acreditar
precisa de muita conversa fiada. Enfim, alguém se beneficiou
com o sumiço de Taíza Thomsen.
Casa
da Mãe Joana
Pensando bem, o governo do Paraná é um típico ambiente
familiar. Tem rasteiras à vontade e parente de sobra.
Maldição
do esquife (06/02/06)
- O sumiço do engenheiro brasileiro João José de
Vasconcellos Jr, que trabalhava no Iraque, continua sendo o maior de
todos os fantasmas do governo Lula. Como antecipou a coluna, meses atrás,
o engenheiro foi morto dois dias após ter sido seqüestrado
por grupos rebeldes iraquianos. O jornalista Cláudio Tognolli,
amigo do então chefe da Agência Brasileira de Inteligência,
Mauro Marcelo de Lima e Silva, fora escalado para, em missão
não oficial, resgatar o corpo do brasileiro. A pedida inicial
era de US$ 30 mil, mas, como publicamos, o valor subiu para U$ 1 milhão
depois que o atacante Ronaldo Nazário entrou no circuito.