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ano 6 - número 1288
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Um contrato verbal não vale a tinta com que é assinado."
Samuel Goldwyn, ator americano
 
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Só mais um pouco
Convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, concordou em permanecer no cargo até o anúncio da nova equipe ministerial, que foi novamente adiado – a promessa é para depois do Carnaval. Thomaz Bastos, que na última semana confirmou para esta segunda-feira o seu desembarque do governo Lula, entregou apenas dois dos seis presídios federais prometidos, como noticiamos na edição de ontem (5/2). Na verdade, dos dois presídios federais concluídos, apenas o de Catanduvas, no interior do Paraná, é que está funcionando. O de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, como bem lembrou o leitor José Aguiar dos Santos (Presidente Prudente-SP), não funciona por falta de autorização ambiental. O presídio foi construído dentro de um buraco e ao lado de um lixão. Coisas da democracia rouge. (Foto: terradaily.com)

Sol com a peneira
Mesmo com a presença da Força Nacional de Segurança no Rio de Janeiro, a criminalidade continua assustando os fluminenses. Tanto é assim, para que o Brasil não conquiste, durante os Jogos Panamericanos, a medalha de ouro em tiro ao contribuinte, o que renderia ao País desastroso destaque na imprensa mundial, o Palácio do Planalto anunciou que o governo Lula investirá R$ 400 milhões para garantir a segurança pública durante o evento esportivo. Isso mostra que o envio de tropas federais ao Rio foi, além de pirotecnia palaciana, mais uma conta que em breve vai surgir no bolso do brasileiro. Enquanto isso, o site riocountbody.com.br contabilizava até o fechamento desta edição cinqüenta e oito mortos desde o último dia 1º de fevereiro.

Ficou difícil
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu nega que tenha procurado o Partido dos Trabalhadores para recuperar os direitos políticos, mas dirigentes petistas já admitem que um projeto de anistia que beneficie o ex-comissário palaciano interessa ao PT. Para ser aprovado, o projeto deve chegar à Câmara dos Deputados na forma de representação popular, o que exigira 1,5 milhão de assinaturas favor de José Dirceu. A possibilidade de isso acontecer caiu como uma bomba entre a massa pensante, o que fez com que diversos políticos se manifestassem contrariamente ao desejo do ex-ministro, a começar pelo primeiro-secretário da Câmara, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Ao afirmar que “no mérito o projeto não vai prosperar”, Serraglio, em entrevista a jornalista Anchieta Filho (Rádio Jovem Pan), disse: “a minha eleição (para a Primeira Secretaria) é um indicativo disso”.

Barrado no baile
Como prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, em especial no momento em que parte da América Latina passa por um processo de bolivarização, leitores transferiram à coluna a responsabilidade de iniciar uma representação popular contra a possibilidade de concessão de anistia política a José Dirceu. Para aderir ao PROGRAMA ANISTIA ZERO basta clicar sobre o banner localizado na coluna à direita, enviando e-mail com o nome completo e identificação (Carteira de Identidade e órgão emissor). As mensagens, devidamente catalogadas, serão entregues ao primeiro-secretário da Câmara, deputado Osmar Serraglio. E mais: caso emplaque o projeto de anistia, os deputados Roberto Jefferson e Pedro Corrêa se beneficiam. Diga não à impunidade!

Baixou o santo
Durante inauguração de um posto de saúde no bairro de Pirituba, zona oeste da capital paulista, o prefeito Gilberto Kassab, literalmente descontrolado, decidiu enfrentar um contribuinte, ofendendo-o verbalmente e chegando às vias de fato. Acompanhado do filho de sete anos, Kaiser Silva, que aguardava atendimento dentário, aproveitou a presença de Kassab e resolveu protestar contra a lei Cidade Limpa, que ao proibir toda e qualquer publicidade exterior tentar acabar com a poluição visual da maior cidade do País. Em momento de fúria, o prefeito Gilberto Kassab, entre insultos, xingamentos e empurrões, chamou Kaiser Silva de vagabundo. É bom lembrar que durante uma das conhecidas enchentes que assolam a cidade de São Paulo, a então prefeita Marta Suplicy discutiu com moradores das regiões afetadas e disparou o seguinte impropério: “Pobre é falso, diz que não tem nada, mas qualquer chuvinha diz que perdeu tudo”. E Marta Suplicy, que foi muito mais amena que Kassab, pagou caro pelo que disse. Clique e confira o destempero do prefeito Gilberto Kassab.

Vale tudo
E o Paraná continua servindo de palco para as incongruências administrativas do governador Roberto Requião e sua turma. Fabricante de móveis escolares e para escritórios, a empresa Cequipel Industria de Móveis venceu licitação para fornecer 22 mil televisores (29 polegadas e tela plana) da marca CCE para as escolas estaduais do Paraná, negócio que vai movimentar a bagatela de R$ 18.920.000,00. Considerando que o governador Requião, que autorizou e abençoou o negócio, vai pagar R$ 860 por cada televisor, a coluna pesquisou, em Curitiba, o preço do produto. Na capital dos paranaenses, o mesmo televisor pode ser comprado por R$ 700, sem a costumeira pechincha que já faz parte do discurso do consumidor brasileiro. Coincidência ou não, a Cequipel aparece como uma das maiores doadoras da campanha pela reeleição de Roberto Requião, tendo desembolsado R$ 745 mil. Apenas para lembrar: o secretário da Educação continua sendo Maurício Requião.

Gol ou pênalti?
A fúria que certos jornalistas têm exalado contra a Tam deixa claro que, sabe-se lá por quais motivos, alguns “troca-letras” estão atuando como verdadeiros “laranjas” em um processo dúbio de bastidor, que visa desacreditar a companhia aérea criada pelo saudoso comandante Rolim Adolfo Amaro. As novas aeronaves incorporadas à frota da Tam (os quatro Boeings 777-300 ER) serão utilizadas em rotas internacionais (Paris e Milão), e não para sanar um problema que muitos insistem em dizer que existe. Enquanto não chegam os Boeings encomendados pela Tam, a empresa vai utilizar três MD-11 de propriedade da Boeing Capital, braço financeiro da fabricante de aviões. Vale lembrar que o 777-800 é o avião mais moderno do planeta.

E a caneta ó!
No momento em que a compra de material escolar anima os fabricantes de cadernos, uma notícia vinda do exterior foi motivo de comemoração para os chamados “empresários caderneiros”. A Casa Branca impôs barreiras econômicas aos cadernos fabricados em alguns países asiáticos e na Índia, o que favoreceu as indústrias brasileiras do setor. No contraponto, o governo Lula fecha os olhos para o escândalo das canetas produzidas na Zona Franca de Manaus, ciente de que a maior parte dos produtos é importada, passando por um ínfimo e quase imperceptível processo de nacionalização. Em conversa com o editor da coluna, um experiente integrante da Receita Federal disse que a tal nacionalização pode ser o simples ato de colocar a tampa na caneta aqui no Brasil. Ou seja, é uma maneira de oficializar o contrabando. Enquanto isso, empresas genuinamente brasileiras sofrem com a abusiva carga tributária que assola o País.

Exemplo a ser seguido
Presidente da Hyundai Motor, o sul-coreano Chung Mong-koo foi condenado, nesta segunda-feira, a três nos de prisão, acusado de desvio de recurso da empresa para subornar funcionários e fazer uso de artifícios ilícitos para controlar o segundo maior grupo empresarial do país. Já no Brasil, empresários oportunistas, que repetiram a cartilha de Chung Mong-koo, continuam livres para corromper e mudar a verdade dos fatos. No caso brasileiro, o espertalhão oportunista, que por milhões de Reais tem à disposição uma horda de irresponsáveis, contratou a americana Kroll para espionar autoridades federais, desafetos e jornalistas, e a Justiça brasileira parece que de fato sofre de cegueira.

Piada de salão
E por falar em opportunismo... Quando decidiu ejetar do controle da Brasil Telecom o banqueiro Tantas (a Justiça ainda nos proíbe de citar seu nome), o Citibank centrou fogo na executiva da empresa, a italiana Carla Cicco. Agora, passada fervura das discussões, Carla Cicco e o Citi chegaram a um acordo no Brasil, o que evidencia que se por um lado os banqueiros são autofágicos, por outro são corporativistas. O acordo entre a ex-executiva da Brasil Telecom e o Citi foi obra do escritório do advogado Sérgio Spinelli. Vai entender!

Sem saída
Por decisão de um júri popular (Grand Jury) convocado pela Justiça americana, Estevam Hernandes e Sônia Haddad Moraes Hernandes, apóstolo e bispa da Igreja Renascer em Cristo, respectivamente, serão processados nos Estados Unidos, onde respondem por contrabando de dinheiro, falsa informação ao serviço de aduana daquele país e conspiração. Até a decisão final da Justiça ianque, Estevam e Sônia continuarão monitorados por pulseiras eletrônicas, o que limita, consideravelmente, o ir e vir do casal Renascer. Entre as acusações, a que mais pesa é a de conspiração contra o Estado americano (conspirancy), considerada grave entre os americanos, que via de regra exalam um patriotismo exacerbado. Isso pode fazer com que a pena a ser imposta a ambos seja de cinco anos. Enquanto isso, os processos contra Estevam e Sônia no Brasil seguem o rito normal. Resumindo, o casal, se condenado, deve cumprir pena nos EUA para, em seguida, ser extraditado e julgado no Brasil. (Foto: conferenciaapostolica.com.br)

Lupa na mão
Ainda a Renascer... Entre as pessoas ligadas ao casal Estevam e Sônia Hernandes, que estão sendo investigadas pelas autoridades brasileiras e americanas, existem outros brasileiros que aparecem como sócios da Renascer Foundation, empresa devidamente registrada no estado da Florida (FEI Nunber 651011436). Com sede no número 1843 do West Hillsboro Blvd, em Deerfield Beach, na Florida, a Renascer Foundation tem como diretores, além do casal, Felipe Daniel Hernandes, André Luiz Moretto, Angelita de Almeida Valle e Antonio Carlos Ayres Abbud. Bispo primaz da Renascer, Ayres Abbud foi o responsável pela criação da empresa RGC, que tinha como objetivo inicial comprar a extinta TV Manchete.

Gente desinformada
Corre na rede mundial de computadores uma maldade contra o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da secção paulista da OAB e defensor do casal Estevam e Sônia Hernandes no Brasil. O e-mail que circulou na última semana insinuava que o advogado Borges D’Urso deveria questionar a origem do dinheiro a ser utilizado no pagamento de seus honorários. Ao advogado não cabe quebrar o sigilo fiscal e bancário de seus clientes, devendo apenas receber e providenciar o respectivo recibo. Ademais, Luiz Flávio D’Urso é um criminalista respeitado e homem de bem. Por outro lado, é preciso lembrar a esses apedeutas que a Igreja Católica foi extremamente competente ao abafar o caso da morte do papa João Paulo I (Dom Albino Luciani), assassinado por envenenamento por tentar eliminar a quadrilha que agia no Vaticano em conluio com a máfia turca e a loja maçônica P2. Àqueles que pouco conhecem sobre o assunto basta revirar o caso do Banco Ambrosiano.

Apareceu a margarida
Foram pouco convincentes as justificativas para o sumiço da ex-miss Brasil, Taíza Thomsen. Depois de suposições das mais variadas – de uma gravidez indesejada a tráfico internacional de mulheres – informações divulgadas nesta segunda-feira davam conta que Taíza teria trabalhado em uma das mais famosas casas de strip-tease de Londres, a Sunset Strip. Quem visita o site da Sunset percebe, logo de início, que Taíza Thomsen não tinha motivos para trabalhar no local. Na seqüência, surgiu a informação de que a ex-miss teria revelado à Policia Federal brasileira que a falta de contato com a família foi uma decisão pessoal. É o típico conto da Carochinha, que para se acreditar precisa de muita conversa fiada. Enfim, alguém se beneficiou com o sumiço de Taíza Thomsen.

Casa da Mãe Joana
Pensando bem, o governo do Paraná é um típico ambiente familiar. Tem rasteiras à vontade e parente de sobra.

Maldição do esquife
(06/02/06) - O sumiço do engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Jr, que trabalhava no Iraque, continua sendo o maior de todos os fantasmas do governo Lula. Como antecipou a coluna, meses atrás, o engenheiro foi morto dois dias após ter sido seqüestrado por grupos rebeldes iraquianos. O jornalista Cláudio Tognolli, amigo do então chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Mauro Marcelo de Lima e Silva, fora escalado para, em missão não oficial, resgatar o corpo do brasileiro. A pedida inicial era de US$ 30 mil, mas, como publicamos, o valor subiu para U$ 1 milhão depois que o atacante Ronaldo Nazário entrou no circuito.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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