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de Ipojuca Pontes sobre o governo Lula
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Se
ele dança, eu danço
Para não se distanciar do vizinho Hugo Chávez, que avança
no populismo barato como forma de disseminar
um socialismo genérico e criminoso, Lula adotou os adereços
do presidente venezuelano. Em sua viagem ao Nordeste, que começou
no meio desta semana, Lula apareceu em público com trajes que
lembram o companheiro Chávez: aquela conhecida jaqueta com brasão
da República, e um chapéu de campanha do Exército.
Há quem diga que a imitação é a maior das
lisonjas, mas neste caso a preocupação está em
primeiro lugar. É bom lembrar que Hugo Chávez tem aparecido
em público alternando farda militar e uma berrante camisa vermelha.
Se a moda pega... (Foto: radiometropole.com.br)
O
filho é meu
Dando seqüência à sua performance de Sassá
Mutema planetário, o presidente Lula, durante inauguração
de usina de biodiesel na cidade de Crateús, no interior do Ceará,
discurso tendo em uma das mãos um pé de “peão
manso”, planta utilizada na fabricação do produto.
O que o presidente Lula tem feito em relação ao biodiesel
é chamar para si os louros do negócio, como se coubesse
a ele as honras da descoberta. O projeto do biodiesel é do tempo
da ditadura, e o senador Alberto Silva (PMDB-PI), pode muito bem falar
sobre o assunto. Engenheiro, Alberto Silva foi escolhido pelo então
presidente Ernesto Geisel para desenvolver um projeto de combustível
alternativo. Mas na república do PT é assim. O que dá
certo é de autoria deles. O que dá errado é culpa
dos outros, ou, vez por outra, eles de nada sabem. Resumindo, o PT é
uma fábrica de Aladins.
Turma
do funil
Se até então estava difícil e emperrada a composição
da nova equipe ministerial, cujo anúncio tem sido vítima
de adiamentos constantes, de agora em diante a situação
complicou, e muito, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reunião de emergência entre a base aliada e o presidente
Lula, nesta terça-feira, complicou ainda mais o quadro, pois
o chamado “super-bloco”, formado às pressas para
garantir a vitória de Arlindo Chinaglia na disputa
pela presidência da Câmara, levará os partidos a
cobrarem mais espaço no segundo governo Lula. A moeda de troca
do “super-bloco” será divulgar o PAC, garantindo
a sua aprovação na Câmara. É o típico
caso do São Tomé: ver para crer. (Foto:
planalto.gov.br)
Vai
ou racha
A sangria que tomou conta dos bastidores do poder, em especial do PT
e do Palácio do Planalto, mostra de maneira inequívoca
que a tão falada coalizão foi mais um artifício
de marketing para que Lula, recém saído da corrida presidencial,
tivesse algo a mostrar ao povo que o elegeu. Muito longe de uma verdadeira
coalizão, o presidente Lula vai simplesmente oficializar o seu
mensalão, pois os partidos da base aliada vão nomear seus
pupilos em todos os níveis do governo. E desde que Pedro Álvares
Cabral desembarcou por aqui, jamais se viu um aparelhamento do Estado
como o de agora. Com raríssimas e honrosas exceções,
ninguém chegou ou chega ao poder por patriotismo.
Passando
a borracha
Que o PT tem a capacidade de fazer com que escândalos desapareçam
da mídia, todos sabem, mas evaporar da memória dos eleitores
é um descalabro. Desde que os vagalhões da corrupção
tomaram conta do Palácio do Planalto, muitos imbróglios
caíram no esquecimento. Do mensalão a Paulo Okamotto,
passando pelo caseiro Francenildo Costa, o Nildo, e pelo Dossiê
Cuiabá. Porém, muitos já não se lembram
do escândalo das cartilhas, custeadas com dinheiro público
e que nunca chegou ao seu destino. Na ponta da operação
estava o ex-samurai palaciano, Luiz Gushiken.
Vida
dura
Genial como cantor, Gilberto Gil é desastrado como ministro da
Cultura. Não é de hoje que o mundo tem conhecimento que
o Expresso 2222 – uma das animações do carnaval
baiano – se confunde com o próprio nome do artista, mas
no momento em que deveria dar expediente no Ministério da cultura,
não importando em qual cidade, Gil, mesmo sendo pago pelo erário,
preferiu deixar de lado seus afazeres ministeriais para acompanhar o
Trio Expresso 2222, que vai engrossar o bloco nas ruas de Salvador.
Dias atrás, Gilberto Gil esteve na quadra de uma escola de samba
do Rio para conferir os últimos detalhes de um reduzido grupo
carnavalesco que irá se juntar ao 2222. Coisas da democracia
irresponsável.
Vale
tudo
A recente campanha publicitária do Banco do Brasil, que batizou
muitas das agências com os nomes de alguns de seus correntistas,
é um monumento à mentira e à desfaçatez.
Não bastassem os juros proibitivos e as taxas abusivas, o BB
reintegrou ao quadro de funcionários o aloprado Expedito Veloso,
acusado de envolvimento direto no escândalo do Dossiê Cuiabá,
imbróglio de corrupção petista que teve como principal
protagonista R$ 1,75 milhão de origem desconhecida. Mesmo assim,
os marqueteiros do BB acharam por bem finalizar as peças da campanha
publicitária com o slogan “todo seu”. Ora, se o Banco
do Brasil fosse de fato dos brasileiros, Expedito Veloso estava na cadeia.
De volta à labuta, Expedito Veloso será gerente-executivo
de projetos especiais, cabendo ao aloprado do Dossiê criar novos
produtos de varejo para clientes do banco. (Foto: Célio
Azevedo - Agência Senado)
Engana,
o povo adora
O anúncio por parte da executiva do PT de que Bruno Maranhão
será convocado para explicar a invasão da Câmara
dos Deputados, em 6 de junho passado – foi a terça vermelha
– não passa de mais uma balela discursiva dos barbudinhos,
pois todos sabem que o mentor intelectual da barbárie goza de
livre trânsito no Palácio do Planalto. Casos idênticos
já foram tratados de igual maneira, e nada de sério aconteceu
com os culpados. A tese de Robin Hood que reina no PT desde a sua fundação,
faz do partido uma congregação de querubins medievais.
E José Genoíno, José Nobre Guimarães, Silvinho
Pereira, Delúbio Soares, e outros tantos, podem falar sobre o
assunto. Em outras palavras, Bruno Maranhão, que deveria estar
preso por dano ao patrimônio público, continua rindo da
cara do contribuinte.
Passa
moleque
Inicialmente, a Anac – Agência Nacional de Aviação
Civil anunciou que montaria uma operação de guerra para
evitar, durante o Carnaval, um novo apagão aéreo, como
se a culpa pelos recentes imbróglios fossem exclusivamente das
companhias de aviação. Agora, a Anac e a Infraero treinam,
a toque de caixa, oitenta controladores aéreos, como se controlar
o espaço aéreo brasileiro pudesse ser confundido com um
jogo de videogame, que qualquer neófito pode se aventurar. Acontece
que os atuais controladores cumprem o que determina a legislação
quando ocorre uma redução do número de aeronaves
sob a responsabilidade de cada profissional. Caso São Pedro não
colabore com os foliões, a primeira chuva que cair fará
do aeroporto de Congonhas uma passarela do samba. E será lá
mesmo, no aeroporto paulistano, que o pandeiro vai tocar.
Arremesso
de truques
Os Jogos Pan-americanos, que acontecerão no Rio de Janeiro, continuam
carregando os escândalos na bagagem. A construção
da chamada Vila do Pan, por empreiteiras, foi marcada por desmandos
oficiais em todos os níveis, uma vez que técnicos da Caixa
Econômica Federal recomendaram a não liberação
de dinheiro para as obras. Mesmo assim, o Palácio do Planalto,
contrariando o parecer técnico, achou por bem liberar os recursos
para a polêmica obra. Agora é a vez de uma garagem de barcos
que estava sendo construída na orla carioca, ser considerada
desnecessária. Está mais do que na hora de ser criada
uma CPI para investigar os desmandos do Pan.
Dois
pesos
O Ministério Público paulista foi implacável com
o ex-
ministro Antonio Palocci Filho, ao pedir o bloqueio
de seus bens e a perda do mandato de deputado federal conquistado nas
urnas de outubro passado. O MP se baseou em ator de improbidade administrativa
de palocci, enquanto prefeito de Ribeirão Preto, para tomar tais
decisões. Considerando que todos são iguais perante a
lei, sem distinção de qualquer natureza, bom seria se
Geraldo Alckmin respondesse diretamente pelo desabamento da obra da
estação do Metrô. Alckmin ainda era governador quando
o contrato com o consórcio Linha Amarela foi assinado. De lá
para cá, muitos aditivos contratuais ocorreram, atendendo aos
pleitos das empreiteiras, prática ilegal uma vez que o modelo
de contrato é de “turn key”, ou seja, preço
fechado. Enfim, o boi que está na linha adora túneis.
Bola
fora
Prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab foi de uma atroz
infelicidade ao comentar, em tom de galhofa, um detalhe paralelo ao
acidente ocorrido na estação do Metrô. Durante visita
a uma região da cidade, Kassab, na companhia de autoridades municipais
e sem o menor constrangimento, lembrou que ao lado da cratera do Metrô
tem um motel. E o alcaide paulistano fez piada com as possíveis
cenas que ocorreram no motel durante o desabamento. Quem ainda não
compreendeu que em muitas ocasiões o silêncio é
o senhor da razão, normalmente abusa das gafes. Prefeito, o melhor
é vir a público e se desculpar pela gafe.
Podem
passar a sacolinha
Como antecipou a coluna, com absoluta exclusividade, a fiança
imposta a Sônia e Estevam Hernandes não será paga
em dinheiro, como alguns veículos de comunicação
noticiaram. Nos EUA, qualquer fiança, seja ela imposta a cidadãos
americanos ou estrangeiros, é prestada por um agente reconhecido
oficial e legalmente (bail bond man), que perante a Justiça presta
a fiança em favor dos acusados. Para garantir a prestação
da fiança, os acusados disponibilizam garantias imobiliárias
ou ativos financeiros ao agente, o qual cobra um percentual sobre o
valor estipulado pela Justiça. No caso dos fundadores da Igreja
Renascer, o valor da fiança foi reduzido de US$ 250 mil para
US$ 100 mil, sendo que a comissão do agente da fiança
deve, neste caso, variar entre 15% e 17%.
Coisa
séria
No caso do fatídico Dossiê Cayman – uma obra de ficção
sobre um fato verdadeiro – a fiança estipulada pela Justiça
norte-americana para um dos acusados foi também de US$ 100 mil,
cabendo ao agente, à época, US$ 15 mil a título
de honorários. A existência de uma garantia – imobiliária
ou financeira – e a predisposição do agente não
significam a imediata aceitação da fiança pela
Justiça. Aos magistrados ianques é preciso provar que
é lícita a origem do dinheiro utilizado na compra do imóvel.
E nos casos envolvendo estrangeiros, a Justiça dos EUA sempre
é dura no momento da análise. E mais: as pulseiras eletrônicas,
anunciadas pela coluna em primeira mão, continuarão monitorando
os passos do casal Renascer.
Cartola
rouge
Pensando bem, se dependesse de Expedito Veloso, o BB deveria chamar
Banco do Cooperfield. O dinheiro surge e desaparece, mas ninguém
descobre de onde veio.
Campanha
em marcha (01/02/06)
- Ontem, no meio da tarde, uma reunião foi convocada na Casa
Civil da Presidência da República. A pauta do encontro
foi a reeleição de Lula, a mesma que o presidente alardeia
como ainda não decidida. Ao final da reunião, todos os
participantes saíram efusivos com a possibilidade de Lula continuar
por mais quatro anos como inquilino do Palácio do Planalto. Trata-se
de marketing de contra-ataque, pois Lula e sua assessoria têm
consciência das dificuldades que enfrentarão em outubro
próximo.