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ano 6 - número 1285
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"A muralha da lei é a lógica."
González Pecotche
 
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O UCHO PERGUNTA

Quem deve presidir a Câmara dos Deputados?

Aldo Rebelo

Arlindo Chinaglia

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Se ele dança, eu danço
Para não se distanciar do vizinho Hugo Chávez, que avança no populismo barato como forma de disseminar um socialismo genérico e criminoso, Lula adotou os adereços do presidente venezuelano. Em sua viagem ao Nordeste, que começou no meio desta semana, Lula apareceu em público com trajes que lembram o companheiro Chávez: aquela conhecida jaqueta com brasão da República, e um chapéu de campanha do Exército. Há quem diga que a imitação é a maior das lisonjas, mas neste caso a preocupação está em primeiro lugar. É bom lembrar que Hugo Chávez tem aparecido em público alternando farda militar e uma berrante camisa vermelha. Se a moda pega... (Foto: radiometropole.com.br)

O filho é meu
Dando seqüência à sua performance de Sassá Mutema planetário, o presidente Lula, durante inauguração de usina de biodiesel na cidade de Crateús, no interior do Ceará, discurso tendo em uma das mãos um pé de “peão manso”, planta utilizada na fabricação do produto. O que o presidente Lula tem feito em relação ao biodiesel é chamar para si os louros do negócio, como se coubesse a ele as honras da descoberta. O projeto do biodiesel é do tempo da ditadura, e o senador Alberto Silva (PMDB-PI), pode muito bem falar sobre o assunto. Engenheiro, Alberto Silva foi escolhido pelo então presidente Ernesto Geisel para desenvolver um projeto de combustível alternativo. Mas na república do PT é assim. O que dá certo é de autoria deles. O que dá errado é culpa dos outros, ou, vez por outra, eles de nada sabem. Resumindo, o PT é uma fábrica de Aladins.

Turma do funil
Se até então estava difícil e emperrada a composição da nova equipe ministerial, cujo anúncio tem sido vítima de adiamentos constantes, de agora em diante a situação complicou, e muito, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião de emergência entre a base aliada e o presidente Lula, nesta terça-feira, complicou ainda mais o quadro, pois o chamado “super-bloco”, formado às pressas para garantir a vitória de Arlindo Chinaglia na disputa pela presidência da Câmara, levará os partidos a cobrarem mais espaço no segundo governo Lula. A moeda de troca do “super-bloco” será divulgar o PAC, garantindo a sua aprovação na Câmara. É o típico caso do São Tomé: ver para crer. (Foto: planalto.gov.br)

Vai ou racha
A sangria que tomou conta dos bastidores do poder, em especial do PT e do Palácio do Planalto, mostra de maneira inequívoca que a tão falada coalizão foi mais um artifício de marketing para que Lula, recém saído da corrida presidencial, tivesse algo a mostrar ao povo que o elegeu. Muito longe de uma verdadeira coalizão, o presidente Lula vai simplesmente oficializar o seu mensalão, pois os partidos da base aliada vão nomear seus pupilos em todos os níveis do governo. E desde que Pedro Álvares Cabral desembarcou por aqui, jamais se viu um aparelhamento do Estado como o de agora. Com raríssimas e honrosas exceções, ninguém chegou ou chega ao poder por patriotismo.

Passando a borracha
Que o PT tem a capacidade de fazer com que escândalos desapareçam da mídia, todos sabem, mas evaporar da memória dos eleitores é um descalabro. Desde que os vagalhões da corrupção tomaram conta do Palácio do Planalto, muitos imbróglios caíram no esquecimento. Do mensalão a Paulo Okamotto, passando pelo caseiro Francenildo Costa, o Nildo, e pelo Dossiê Cuiabá. Porém, muitos já não se lembram do escândalo das cartilhas, custeadas com dinheiro público e que nunca chegou ao seu destino. Na ponta da operação estava o ex-samurai palaciano, Luiz Gushiken.

Vida dura
Genial como cantor, Gilberto Gil é desastrado como ministro da Cultura. Não é de hoje que o mundo tem conhecimento que o Expresso 2222 – uma das animações do carnaval baiano – se confunde com o próprio nome do artista, mas no momento em que deveria dar expediente no Ministério da cultura, não importando em qual cidade, Gil, mesmo sendo pago pelo erário, preferiu deixar de lado seus afazeres ministeriais para acompanhar o Trio Expresso 2222, que vai engrossar o bloco nas ruas de Salvador. Dias atrás, Gilberto Gil esteve na quadra de uma escola de samba do Rio para conferir os últimos detalhes de um reduzido grupo carnavalesco que irá se juntar ao 2222. Coisas da democracia irresponsável.

Vale tudo
A recente campanha publicitária do Banco do Brasil, que batizou muitas das agências com os nomes de alguns de seus correntistas, é um monumento à mentira e à desfaçatez. Não bastassem os juros proibitivos e as taxas abusivas, o BB reintegrou ao quadro de funcionários o aloprado Expedito Veloso, acusado de envolvimento direto no escândalo do Dossiê Cuiabá, imbróglio de corrupção petista que teve como principal protagonista R$ 1,75 milhão de origem desconhecida. Mesmo assim, os marqueteiros do BB acharam por bem finalizar as peças da campanha publicitária com o slogan “todo seu”. Ora, se o Banco do Brasil fosse de fato dos brasileiros, Expedito Veloso estava na cadeia. De volta à labuta, Expedito Veloso será gerente-executivo de projetos especiais, cabendo ao aloprado do Dossiê criar novos produtos de varejo para clientes do banco. (Foto: Célio Azevedo - Agência Senado)

Engana, o povo adora
O anúncio por parte da executiva do PT de que Bruno Maranhão será convocado para explicar a invasão da Câmara dos Deputados, em 6 de junho passado – foi a terça vermelha – não passa de mais uma balela discursiva dos barbudinhos, pois todos sabem que o mentor intelectual da barbárie goza de livre trânsito no Palácio do Planalto. Casos idênticos já foram tratados de igual maneira, e nada de sério aconteceu com os culpados. A tese de Robin Hood que reina no PT desde a sua fundação, faz do partido uma congregação de querubins medievais. E José Genoíno, José Nobre Guimarães, Silvinho Pereira, Delúbio Soares, e outros tantos, podem falar sobre o assunto. Em outras palavras, Bruno Maranhão, que deveria estar preso por dano ao patrimônio público, continua rindo da cara do contribuinte.

Passa moleque
Inicialmente, a Anac – Agência Nacional de Aviação Civil anunciou que montaria uma operação de guerra para evitar, durante o Carnaval, um novo apagão aéreo, como se a culpa pelos recentes imbróglios fossem exclusivamente das companhias de aviação. Agora, a Anac e a Infraero treinam, a toque de caixa, oitenta controladores aéreos, como se controlar o espaço aéreo brasileiro pudesse ser confundido com um jogo de videogame, que qualquer neófito pode se aventurar. Acontece que os atuais controladores cumprem o que determina a legislação quando ocorre uma redução do número de aeronaves sob a responsabilidade de cada profissional. Caso São Pedro não colabore com os foliões, a primeira chuva que cair fará do aeroporto de Congonhas uma passarela do samba. E será lá mesmo, no aeroporto paulistano, que o pandeiro vai tocar.

Arremesso de truques
Os Jogos Pan-americanos, que acontecerão no Rio de Janeiro, continuam carregando os escândalos na bagagem. A construção da chamada Vila do Pan, por empreiteiras, foi marcada por desmandos oficiais em todos os níveis, uma vez que técnicos da Caixa Econômica Federal recomendaram a não liberação de dinheiro para as obras. Mesmo assim, o Palácio do Planalto, contrariando o parecer técnico, achou por bem liberar os recursos para a polêmica obra. Agora é a vez de uma garagem de barcos que estava sendo construída na orla carioca, ser considerada desnecessária. Está mais do que na hora de ser criada uma CPI para investigar os desmandos do Pan.

Dois pesos
O Ministério Público paulista foi implacável com o ex- ministro Antonio Palocci Filho, ao pedir o bloqueio de seus bens e a perda do mandato de deputado federal conquistado nas urnas de outubro passado. O MP se baseou em ator de improbidade administrativa de palocci, enquanto prefeito de Ribeirão Preto, para tomar tais decisões. Considerando que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, bom seria se Geraldo Alckmin respondesse diretamente pelo desabamento da obra da estação do Metrô. Alckmin ainda era governador quando o contrato com o consórcio Linha Amarela foi assinado. De lá para cá, muitos aditivos contratuais ocorreram, atendendo aos pleitos das empreiteiras, prática ilegal uma vez que o modelo de contrato é de “turn key”, ou seja, preço fechado. Enfim, o boi que está na linha adora túneis.

Bola fora
Prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab foi de uma atroz infelicidade ao comentar, em tom de galhofa, um detalhe paralelo ao acidente ocorrido na estação do Metrô. Durante visita a uma região da cidade, Kassab, na companhia de autoridades municipais e sem o menor constrangimento, lembrou que ao lado da cratera do Metrô tem um motel. E o alcaide paulistano fez piada com as possíveis cenas que ocorreram no motel durante o desabamento. Quem ainda não compreendeu que em muitas ocasiões o silêncio é o senhor da razão, normalmente abusa das gafes. Prefeito, o melhor é vir a público e se desculpar pela gafe.

Podem passar a sacolinha
Como antecipou a coluna, com absoluta exclusividade, a fiança imposta a Sônia e Estevam Hernandes não será paga em dinheiro, como alguns veículos de comunicação noticiaram. Nos EUA, qualquer fiança, seja ela imposta a cidadãos americanos ou estrangeiros, é prestada por um agente reconhecido oficial e legalmente (bail bond man), que perante a Justiça presta a fiança em favor dos acusados. Para garantir a prestação da fiança, os acusados disponibilizam garantias imobiliárias ou ativos financeiros ao agente, o qual cobra um percentual sobre o valor estipulado pela Justiça. No caso dos fundadores da Igreja Renascer, o valor da fiança foi reduzido de US$ 250 mil para US$ 100 mil, sendo que a comissão do agente da fiança deve, neste caso, variar entre 15% e 17%.

Coisa séria
No caso do fatídico Dossiê Cayman – uma obra de ficção sobre um fato verdadeiro – a fiança estipulada pela Justiça norte-americana para um dos acusados foi também de US$ 100 mil, cabendo ao agente, à época, US$ 15 mil a título de honorários. A existência de uma garantia – imobiliária ou financeira – e a predisposição do agente não significam a imediata aceitação da fiança pela Justiça. Aos magistrados ianques é preciso provar que é lícita a origem do dinheiro utilizado na compra do imóvel. E nos casos envolvendo estrangeiros, a Justiça dos EUA sempre é dura no momento da análise. E mais: as pulseiras eletrônicas, anunciadas pela coluna em primeira mão, continuarão monitorando os passos do casal Renascer.

Cartola rouge
Pensando bem, se dependesse de Expedito Veloso, o BB deveria chamar Banco do Cooperfield. O dinheiro surge e desaparece, mas ninguém descobre de onde veio.

Campanha em marcha
(01/02/06) - Ontem, no meio da tarde, uma reunião foi convocada na Casa Civil da Presidência da República. A pauta do encontro foi a reeleição de Lula, a mesma que o presidente alardeia como ainda não decidida. Ao final da reunião, todos os participantes saíram efusivos com a possibilidade de Lula continuar por mais quatro anos como inquilino do Palácio do Planalto. Trata-se de marketing de contra-ataque, pois Lula e sua assessoria têm consciência das dificuldades que enfrentarão em outubro próximo.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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