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ano 6 - número 1274
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria."
Campbell
 
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O UCHO PERGUNTA

Quem deve presidir a Câmara dos Deputados?

Aldo Rebelo

Arlindo Chinaglia

Gustavo Fruet


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Estranho, Presidente!
É bem possível, Presidente Lula, que sua ocupada memória já não se recorde de Francenildo Costa, um trabalhador brasileiro a quem o senhor chamou de reles caseiro. Francenildo, o Nildo, Presidente, é aquele caseiro que denunciou o companheiro Antonio Palocci Filho de envolvimento com o esquema de corrupção batizado pela imprensa de República de Ribeirão, em alusão à cidade paulista (Ribeirão Preto) que um dia já teve o ex-ministro da Fazenda como prefeito. Até hoje, Presidente Lula, a sociedade aguarda uma definição sobre a criminosa e ilegal quebra do sigilo bancário do caseiro Nildo. Ora, Presidente, não foi o senhor quem disse, durante a recente corrida presidencial, que “nunca nesse país” se investigou tanto? Mas os envolvidos na quebra do sigilo do caseiro estão rindo à toa. E agora, Presidente Lula? (Foto: embuste.com.br)

Bomba-relógio
Fontes ligadas à Polícia Federal informaram com exclusividade à coluna que o espião israelense Avner Shemesh pode estar participando de um programa de delação premiada, o que, se confirmado, complica, e muito, a situação do mais polêmico banqueiro brasileiro, o “Tantas” (a Justiça ainda anos impede de citar seu nome) no famoso caso Kroll. Shemesh, que teve grampos telefônicos apreendidos em casa e no escritório, pode ter concluído que o procedimento do Ministério Público é a única saída para evitar sua prisão. Orientado por seus advogados, que teriam entrado com um pedido de Habeas Corpus preventivo no Tribunal Regional da 3ª Região (São Paulo) para evitar sua prisão, o banqueiro opportunista “Tantas” permanece, há mais de vinte dias, bem longe da Terra Brasilis. Quem bem conhece o banqueiro sabe que Nova York é o seu refúgio preferido.

Advocacia opportunista
Um dos possíveis denunciados pelo israelense seria Francisco Mussnich, advogado e ex-cunhado do banqueiro “Tantas”. O espião Shemesh, que até bem pouco tempo trabalhou para o “Banco das Opportunidades”, tem informações importantes para auxiliar a Justiça a desvendar o mistério que recobre a estratégia de defesa montada por advogados do banqueiro no caso Kroll. Segundo informações, estaria nos planos de Mussnich ingressar, quase que silenciosamente, com ações judiciais para desviar o foco do polêmico caso de espionagem ilegal, que resvalou, inclusive, no ex-assessor e companheiro do presidente Lula, Luiz Gushiken.

Fio trocado
Contratada entre os anos de 2002 e 2004 para vasculhar a vida dos inimigos do banqueiro (o editor da coluna foi uma das vítimas), a Kroll deixou uma considerável reticência na quase doentia disputa pelo setor de telefonia no Brasil. Trata-se de Frank Holder, ex-chefe mundial da empresa americana de espionagem, chamado às pressas para decifrar escândalos envolvendo a Telecom Italia, na Itália, todos ocorridos após o caso Kroll. Em outras palavras, a soberba do advogado Mussnich e do banqueiro Tantas ainda não foi capaz de resolver o problema do inexorável tempo.

Quem quer dinheiro?
Mesmo assim, o causídico Francisco Mussnich tenta dificultar a vida do advogado Marcelo Elias, contratado oficialmente, por R$ 500 mil, como advogado da Telecom Italia. A estratégia é patrocinar um feroz ataque contra Marcelo Elias, que defende, também, os interesses de adversários do banqueiro “Tantas”, como os Fundos de Pensão, a Brasil Telecom e o empresário Luiz Roberto Demarco. No contraponto, Mussnich finge desconhecer os pagamentos feitos pela Brasil Telecom, à época de Carla Cicco, a renomados advogados brasileiros. Confira abaixo a lista de pagamentos (desapreceram da memória “franciscana”), enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após auditoria contratada pela nova direção da Brasil Telecom.

JOSÉ LUIS OLIVEIRA LIMA ADVOGADOS - R$ 1,05 milhão para defender interesses do banqueiro. Oliveira Lima é também o advogado que defende José Dirceu no caso da cassação.

ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO - R$ 6,2 milhões para defender Carla Cico no Caso Kroll. Conhecido por Kakay, é amigo íntimo do ex-ministro José Dirceu.

NÉLIO MACHADO - R$ 1,6 milhão. É um dos criminalistas que atendem o banqueiro "Tantas".

WILSON MIRZA - R$ 1,6 milhão. Também defendeu o banqueiro "Tantas" no Caso Kroll.

TOJAL, TEIXEIRA, FERREIRA SERRANO & RENAULT ADVOGADOS - Contrato de R$ 8,05 milhões referente ao Caso Kroll. Sérgio Renault acaba de deixar a Casa Civil, onde trabalhou com o ex-ministro José Dirceu. O mesmo escritório assinou outro contrato de apenas R$ 5 milhões de reais para "suspender o acordo entre Citibank e fundos".

IRINEU DE OLIVEIRA ADVOGADOS - R$ 1,12 milhão para defender liminarmente o Banco das Opportunidades na tentativa de se manter no controle da Brasil Telecom.

LUÍS ROBERTO BARROSO - R$ 1,73 milhão por uma medida liminar no STJ.

MENEZES E VIEIRA - R$ 1,75 milhão para atuar junto ao TCU em ação do deputado Alberto Fraga (PFL/DF) contra o acordo do Citi com os Fundos de Pensão.

SÉRGIO BERMUDES - R$ 8,8 milhões, entre 2001 e 2005, incluindo possível ação em Milão contra a Telecom Italia.

WALD ADVOGADOS - R$ 18,8 milhões para trabalhar entre março de 2004 e junho de 2005. Os contratos são genéricos sem especificar os serviços prestados. Só o artilheiro inglês David Beckham conseguirá ser tão bem pago.

Contagem regressiva
Ainda no comando da pasta da Justiça, o ministro Márcio Thomaz Bastos está cada vez mais aflito com a indefinição do nome de seu substituto. Thomaz Bastos, que pretende voltar à advocacia, aguarda um sinal verde do presidente Lula para deixar o cargo. Para fazer sua reentrada no Direito, o quase ex-ministro já tem um elegante escritório, na badalada avenida brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, à sua espera. E não será surpresa se alguns dos envolvidos nos diversos escândalos do mensalão aparecerem na lista de clientes do escritório de Thomaz Bastos. Há quem diga que Hélio Laniado e Antonio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, conhecidos doleiros paulistas que tiveram os nomes envolvidos no escândalo do mensalão, podem desembarcar no novo escritório do ainda ministro na condição de clientes.

Correndo por fora
“Trazer para dentro”. Assim o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR) definiu a sua possível candidatura à presidência da Câmara, antes de embarcar para Brasília, onde participou de rodadas de negociação com o grupo da chamada terceira via. No final da tarde de ontem, terça-feira, Fruet foi anunciado como o candidato que irá enfrentar Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia. Quando usou o termo “trazer para dentro”, Fruet se referiu a um possível esvaziamento da sua candidatura por parte de políticos do próprio PSDB. Na última segunda-feira, muitos políticos ligados a José Serra disparam telefonemas pedindo para que deputados não comparecessem à reunião convocada pelo presidente do partido, senador Tasso Jereissati. E essa disputa interna foi classificada como autofágica pelo candidato Gustavo Fruet.

Chumbo trocado
A pedido do próprio Fruet, um encontro do PSDB, marcado para a próxima terça-feira (23), deve aprovar a indicação de seu nome para disputar a presidência da Câmara. Durante o encontro do tucanato, duas disputas regionais servirão de pano de fundo para as discussões partidárias. Na Bahia, os deputados Jutahy Magalhães Jr. e João Almeida disputam o controle regional do partido, em uma queda de braços ferrenha, porém silenciosa. Em São Paulo, os grupos do governador José Serra e do deputado federal eleito José Aníbal repetem a dose dos companheiros baianos.

À beira do caminho
Enquanto observa de longe a disputa pela presidência da Câmara, o PMDB, meio abandonado pelo presidente Lula, torce para que a candidatura de Gustavo Fruet ganhe fôlego e decole. Ainda sem ver a realização das promessas feitas durante o primeiro governo Lula, o PMDB incentiva a terceira candidatura como forma de valorizar, ainda mais, o seu apoio ao candidato petista Arlindo Chinaglia. E no caso do Palácio do Planalto querer evitar um oposicionista na presidência da Câmara, terá de pagar a fatura peemedebista. Bem mais custosa depois do intenso tiroteio político.

Quem paga?
A disputa pela presidência da Câmara dos Deputados tem detalhes ainda não esclarecidos. Quando sonhou em permanecer no cargo, o mensaleiro João Paulo Cunha torrou fortunas com desnecessária veiculação de propaganda em centenas de outdoors espalhados por Brasília. Tudo pago com o dinheiro do contribuinte. Agora, com Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia duelando pelo cargo, resta saber quem está pagando as contas de tantas viagens para inúmeras capitais brasileiras. De início, Chinaglia aventou a possibilidade de cruzar o País a bordo de um jato executivo. Uma sandice para quem pretende comandar a chamada casa dos representantes do povo.

Metralhadora giratória
Antes de deixar o governo do Rio de Janeiro, Rosângela Matheus disparou contra a Rede Globo, dizendo estar de posse de informações sobre contas bancárias ilegais no exterior, pertencentes aos controladores da emissora carioca. Desde o anúncio, pouco, ou nada, foi feito para apurar as denúncias da ex-governadora, que, se comprovadas, é caso para proporcionar a muitos um nascer do sol geometricamente distinto. O Palácio do Planalto ainda não se pronunciou sobre o caso, nem mesmo a tão competente Polícia Federal foi chamada para dirimir dúvidas. A Vênus Platinada, acostumada a acusações das mais variadas, silenciou diante do fato. Ou seja, a Rede Globo só teve coragem de denunciar, levianamente, José de Paiva Netto (LBV), Alceni Guerra (ex-ministro da Saúde de Collor) e Ibrahim Abi-Ackel (ex-ministro da Justiça).

Fim do mundo
Na última semana, enquanto o governador de São Paulo, José Serra, se empenhava no Rio de Janeiro para, juntamente com outros governadores do Sudeste, encontrar uma saída para a crise da insegurança pública, na capital paulista um policial civil dava mostras da quase impossibilidade da solução. Vestindo uma ostensiva camisa da polícia de Nova York (como se isso fosse sinal de competência), um investigador de polícia adentrou a uma conhecida lanchonete da zona sul de São Paulo, onde devorou um suculento sanduíche. Nada de errado se, de arma na cintura, o investigador não tivesse cometido um erro que nenhum policial pode cometer: entregar a viatura a um manobrista de estabelecimento comercial. A barbárie ocorreu 15:45 horas de terça-feira (9/01), na avenida Ibirapuera. O número da viatura, governador José Serra, é 18706 (placas CMW-5605). E mais: para aumentar o lado hilário do episódio, a viatura trazia a inscrição “Operacional”.

Banho-maria
O caso da tragédia na estação em construção do Metrô paulistano mostra o descaso das autoridades em relação aos familiares das vítimas e moradores da região próxima ao local do acidente. Cientes da impossibilidade de resgatar os corpos das vítimas em tempo recorde e com facilidade, as autoridades paulistanas prometem aos familiares, de duas em duas horas, que algo novo deve estar para acontecer. Trata-se de uma desumanidade desproporcional, pois os familiares que lá estão já não têm esperança de encontrar alguém vivo. Por outro lado, os responsáveis pela vistorias nos imóveis afetados pelo acidente gastam no máximo cinco minutos para dar um veredicto. Em outras palavras, muita gente vem fazendo do desmoronado canteiro de obras uma espécie de play ground particular. E mais: indenizar os prejudicados passou a se um jogo de empurra-empurra.

Cegueira oficial
Prontos para entrar em ação, os policiais da Força Nacional de Segurança, que desde a madrugada de segunda-feira estão na Cidade Maravilhosa, devem patrulhar as fronteiras fluminenses, na tentativa de impedir a entrada, no Rio de Janeiro, de armas e drogas. Os policiais da FNS estarão espalhados nas principais rodovias que dão acesso ao Rio de Janeiro, como se as estradas fossem o único caminho utilizado pela bandidagem. Enquanto as autoridades não controlarem o litoral (norte paulista e sul fluminense), armas e drogas chegarão ao Rio pelo mar. Como já vem acontecendo há muito tempo. E não é de hoje que a coluna alerta para o fato.

Onde está Wally?
Pensando bem, Lula é o Wally brasileiro. Nunca se sabe onde ele está.

Bem guardado
(17/01/06) - A polêmica sobre a morte do general Urano Bacellar, encontrado morto no terraço de um hotel em Port-au-Prince, capital do paupérrimo Haiti, continua. O governo brasileiro, pelo menos para a opinião pública, reluta em admitir a possibilidade de suicídio, o que colocaria uma espécie de dinamite no seio das Forças Armadas. Porém, O Ministério da Justiça já está de posse de documentos que comprovam a tese do suicídio, mas o material está sendo guardado a sete chaves. Até porque, tudo o que Lula não precisa no atual momento é uma intifada militar.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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