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ano 6 - número 1268

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"O homem que não teme verdades, não tem nada a temer de mentiras."
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Vai falar ou não?
Presidente Lula, lá se vão vinte perguntas sem as devidas respostas. Mesmo assim, passamos à vigésima primeira. Presidente, muito estranhamente, o PT, o seu partido, anunciou a intenção de negociar com os bancos BMG e Rural, que guardam nas respectivas gavetas as notas promissórias assinadas por Marcos Valério Fernandes de Souza e José Genoíno Neto. O anuncio, diga-se de passagem, aconteceu dias antes de o Ministério Público Federal, em Belo Horizonte, oferecer denúncia contra os dirigentes do BMG, além de Delúbio Soares, José Genoíno, Marcos Valério, Renilda Maria Santiago, Ramon Hollerbach, Cristiano de Mello Paz e Rogério Lanza Tolentino. Presidente, para denunciar a quadrilha, o MP Federal alegou terem sido fraudulentos os empréstimos concedidos pelo BMG ao PT. Presidente, beira a galhofa essa coisa de empréstimos ao PT, pois um partido que garante que irá arrecadar R$ 8 milhões em menos de quinze dias – o dinheiro será utilizado para pagar os penduras da última campanha – não carece de empréstimos bancários. Ou será que precisa, Presidente Lula? (Foto: desieni.com)

Dourando a pílula
Dando continuidade à linha de raciocínio acima, Presidente Lula, estranha também é essa complacência dos banqueiros, os quais, durante décadas, freqüentaram a maledicência do PT e de seus integrantes. Presidente, considerando que tudo o que o senhor mesmo falou, lá no passado, sobre bancos e banqueiros é verdadeiro, é de causar indignação que alguém conceda empréstimos com a certeza de não receber. Por outro lado, Presidente, o senhor, que abusa da inteligência do brasileiro, há de concordar ter sido nada usual pagar o publicitário Duda Mendonça no exterior, utilizando para tal uma conta bancária em paraíso fiscal. Presidente, esse tipo de operação – empréstimo para não pagar – é típico de quem tem fortunas no exterior e não sabe como trazê-las ao País. Não seria mais fácil e tranqüilo, Presidente Lula, admitir que tudo deu errado, e que esses tais empréstimos foram apenas de fachada? (Foto: fredsakademiet.dk)

Pau mandado
Considerado amador no trato com dinheiro de campanha, o tesoureiro da reeleição do presidente Lula, José de Filippi Júnior abusa, segundo petistas, ao condenar a decisão do TSE de impugnar a contabilidade por ele comandada. Na verdade, Filippi Júnior, que conquistou fama da noite para o dia, não é nenhum gênio das finanças eleitorais, a ponto de arrecadar R$ 10 milhões em menos de quinze dias, como ele próprio prometeu. O que poucos sabem é que Delúbio Soares, envolvido no escândalo do mensalão, atuou, e muito, na recente campanha do presidente Lula. Até porque, ninguém é de ferro. Nem Lula, nem Delúbio.

Dada a largada
Como revelou a coluna, com semanas de antecedência, um dos nomes que devem surgir como candidato à sucessão do presidente Lula é o do governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda. Outro nome que anunciamos e que terá destaque nas relações com o Palácio do Planalto é o do governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, que conseguiu a proeza de interromper o carlismo na terra de Todos os Santos. A disputa, daqui por diante, será travada entre Déda e Wagner, que de companheiros passarão a concorrentes diretos. E não será novidade alguma se Lula turbinar as duas candidaturas para, no final, atirar ambos aos leões da ganância petista. E mais: Dilma Rousseff continua correndo por fora e como azarão. Olho nela!

Tudo combinado
Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, disse, em Manaus, que os resultados positivos das últimas pesquisas de opinião não o deixam “vaidoso ou de sapato alto, mas com mais responsabilidades" para o segundo mandato. Quando o assunto é pesquisa de opinião, alguns detalhes devem ser considerados. A ciência que embasa as pesquisas é a estatística, a qual considera morno um cidadão que, morto, está com a cabeça no congelador e os pés no forno. Por outro lado, o mecanismo das pesquisas, quando anunciadas previamente, são conhecidos. Basta derramar correligionários nas áreas a serem pesquisadas, e pronto. Depois, não se pode esquecer que o PT e o governo Lula são, no momento, os maiores clientes de pesquisas do País. E quem é o louco que mata a galinha dos ovos de ouro? (Foto: abc.es)

Passa-moleque
Presidente interino do PT, desde que o aloprado Ricardo Berzoini foi flagrado com a mão no Dossiê Cuiabá, o aspone Marco Aurélio Garcia – é assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais – declarou, dia desses, que os petistas envolvidos em escândalos de corrupção serão expulsos do partido. Trata-se de uma balela discursiva, pois a maioria dos envolvidos é ligada ao ainda todo-poderoso José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil e agora lobista bem sucedido. Nem mesmo o alucinado Bruno Maranhão, que comandou a invasão e depredação da Câmara dos Deputados, em 6 de junho passado, foi expulso do partido. De mais a mais, os envolvidos nos escândalos da corrupção petista sabem muito mais do que deveriam e do que gostaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se Marco Aurélio Garcia continua acreditando que todos são iguais a Paulo Okamotto, engana-se.

Piada de salão
Há uma hilária dicotomia no discurso advindo de La Paz, capital da Bolívia. O governo do cocalero Evo Morales garantiu que a Petrobras será indenizada no caso da nacionalização da planta de gás que a estatal brasileira mantinha no país vizinho, como se o povo brasileiro acreditasse em balelas de tal ordem. No contraponto, uma missão oficial do governo boliviano desembarcou em Brasília para arrancar do governo brasileiro mais investimentos no país. Desde que foi anunciado imbróglio do gás boliviano, esta coluna tem insistido na tese de que tudo não passa de uma enorme e combinada armação da esquerda criminosa e populista que tenta dominar a América Latina. O que o governo de Evo Morales deseja é indenizar a Petrobras com dinheiro do governo brasileiro, o que mostra ser tudo isso uma armação ilimitada. Está cada vez mais evidente que a lufada de nacionalização deflagrada por Morales servirá para reforçar o caixa 2, no exterior, dos envolvidos no criminoso caso.

Engrossando a fila
“A pressão está muito forte e acredito que há possibilidade de recuo”. Com tais palavras o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR) – foi o campeão de votos em outubro passado, no Paraná – analisou a crise gerada pelo aumento imoral dos salários de deputados e senadores, que, até segunda ordem, continua valendo R$ 24,5 mil. Fruet, um dos mais respeitados políticos brasileiros, é um dos signatários do mandado de segurança que será enviado ao Supremo Tribunal Federal, na tentativa de barrar a escandalosa majoração salarial, a qual vem causando reações de toda ordem. Caso nenhuma medida surta efeito – e as chances de isso acontecer são grandes – Gustavo Fruet assumiu o compromisso de doar a diferença – perto de R$ 11 mil brutos – a obras educacionais, a exemplo do que vem fazendo com o valor recebido em todas as convocações extraordinárias da Câmara. “Lamento que o reajuste tenha sido decidido apenas entre líderes partidários, sem votação em plenário, impedindo a manifestação dos parlamentares contrários”, completou Fruet.

O que é isso, companheira?
Verdadeira bomba-relógio, o aumento salarial tem revelado ao mundo a desfaçatez política de alguns petistas, os quais, durante os anos de oposição, condenaram com veemência práticas semelhantes. Mesmo que constitucional seja, o tal aumento, que é imoral, tem causado discórdia entre petistas ilustres. Henrique Fontana, deputado federal e líder do PT na Câmara, disse, em um primeiro momento, que era favorável ao aumento salarial, o que, na ocasião, foi interpretado como uma arma eleitoral para fazer de Arlindo Chinaglia o próximo presidente da Casa legislativa. No outro lado do Congresso, no Senado, a discussão foi pior e mais acirrada. Inicialmente favorável ao aumento, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) recuou em sua decisão e agora é contra a barbárie cometida contra o povo. Ideli Salvatti, senadora por Santa Catarina e líder do PT no Senado, que defendeu com fervor o aumento salarial, disse que Suplicy não merece mais a sua confiança. Que o PT é um reduto de aloprados todos sabem, mas encontro de avarentos é novidade. A cada novo dia que surge, Ideli Salvatti perde inúmeras chances de fazer do próprio silêncio o melhor dos seus discursos. Enfim, cada povo tem os políticos que merece. Pobre e bela Santa Catarina...

Todo cuidado é pouco
O aumento salarial concedido aos parlamentares foi o motivo alegado pela mulher que, na tarde desta segunda-feira, foi detida pela polícia baiana depois de desferir uma facada nas costas do deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), o ACM Neto. Inicialmente, surgiu a informação de que a agressora sofria de distúrbios mentais, mas na delegacia a mulher alegou que o ato foi uma represália ao aumento de 90,7% no salário de deputados e senadores. É preciso salientar que esse tipo de indignação popular é tudo o que os golpistas de plantão mais desejam para, em um suposto momento de caos, mostrar à população a necessidade de fechamento do Congresso. É verdade que o mais importante no momento é a recuperação do parlamentar baiano, que não corre risco de morte, mas o brasileiro precisa estar atento aos movimentos na coxia do poder.

Pratos limpos
Durante o recente período eleitoral, listas de parlamentares supostamente inelegíveis circularam pela rede mundial de computadores, sendo que alguns dos acusados eram inocentes. Deputado federal reeleito pelo PSDB, o ex-prefeito de Sorocaba (1988-1992), no interior de São Paulo, Antonio Carlos Pannunzio foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal do crime de responsabilidade que tentaram lhe imputar indevidamente. As tais listas começaram a circular depois que o assunto foi tratado por grandes veículos da imprensa nacional, mas o STF julgou improcedente a ação proposta. Pannunzio, que parte para mais um mandato como deputado federal, poderá rumar a Brasília com a leveza da inocência reconhecida.

Dona Promessa
Depois de prometer o impossível durante a campanha eleitoral, a deputada federal e governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), desaponta o eleitorado e já pensa em aumentar os impostos. Desde que venceu a eleição, Yeda Crusius vem se inteirando da real situação do estado, que nos últimos anos pouco avançou em termos de desenvolvimento. Representantes da Secretaria da Fazenda entregaram à governadora eleita um plano para recuperar as finanças do Rio Grande, cuja solução está na majoração das alíquotas de impostos sobre energia elétrica, telefonia e combustíveis. É bom lembrar que ale de não ser aquilo que prometeu, Yeda Crusius pode cair na mesma armadilha do ainda governador Germano Rigootto, que perdeu as eleições por conta do aumento de impostos.

Tiro no pé
Ainda Yeda... A governadora eleita do Rio Grandedo Sul, Yeda Crusius, vem colecionando polêmicas mesmo antes de assumir oficialmente o cargo no próximo dia 1º de janeiro. Tirante a intifada que o vice Paulo Feijó promete para as próximas semanas, o novo secretário de Justiça, Ênio Bacci, do PDT gaúcho, já patrocinou a primeira saia justa à governadora eleita. Bacci, em suas primeiras entrevistas como escolhido para a pasta da Justiça, disse ser favorável à prisão perpétua. “Bandido tem que ser tratado como bandido, de acordo com as leis e com o rigor das leis, sem dar moleza”, declarou Ênio Bacci. Trata-se de uma aberração discursiva, pois a idéia defendida por Bacci foge dos ditames do Código Penal e da Lei das Execuções Penais. Por outro lado, o sistema prisional brasileiro, a exemplo do que acontece em vários países, é um depósito de condenados que produz criminosos ainda piores. Conceitualmente, o ser humano não foi criado para ter a liberdade cerceada, e nem mesmo para ouvir besteiras de tal naipe. Resumindo, Yeda Crusius nem começou e já está errando de maneira assustadora.

Pé esquerdo
Berço de dois dos mais belos e badalados espetáculos do planeta – o reveillon e o Carnaval – o Rio de Janeiro vai enfrentar, a partir de 2007, um tiroteio bem diferente daqueles que dominam as linhas Amarela e Vermelha: o tiroteio político. Governador eleito do Rio de Janeiro, o peemedebista e ainda senador Sérgio Cabral vai ter problemas políticos sérios nos bastidores, pois Anthony Garotinho, atual eminência parda do Palácio Guanabara, foi reeleito para como presidente do PMDB fluminense. Garotinho, que por impedimento legal fez da mulher, Rosângela, sua marionete política, não costuma rezar no genuflexório da política as orações que entoa em suas incursões evangélicas. E Sérgio Cabral que se cuide, por que de Garotinho o Anthony só tem o nome.

Terra à vista
Pensando bem, o Cabral ainda vai perceber que quem descobriu o Rio de Janeiro foi um Garotinho.

Governo circulante
(19/12/05) - No exercício de 2006, o Palácio do Planalto estimou que irá gastar R$ 2.036.851,00 em combustíveis. De acordo com o processo de licitação nº 00140.000451/2005-65, do total acima, R$ 1.691.527,00 serão gastos em combustíveis a serem utilizados nos deslocamentos do presidente Lula e do vice José Alencar, sendo que a diferença se refere à compra de óleo para as caldeiras palacianas. Para quem gosta de números e projeções, o Planalto vai gastar R$ 4.634,32 por dia em combustível veicular, ou R$ 193,00 por hora ou, ainda, R$ 3,21 por minuto. Enquanto o presidente Lula torra o dinheiro público com gasolina e outros combustíveis, o trabalhador, em sua insana e diária carestia, enfrenta 160 horas de labuta para faturar a fortuna de R$ 300 mensais. Em outras palavras, o presidente roda e o Brasil não anda.

 

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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