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ano 6 - número 1267

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Para ser grande, sê inteiro: Nada teu exagera ou exclui."
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Fala, o Brasil escuta!
Presidente Lula, já são dezenove as perguntas formuladas pela coluna que estão sem resposta. O senhor, como sempre, vai dizer que de nada sabe, mas sua assessoria acessa diariamente este site. Assim, resta-nos concluir que respostas estão em falta no Palácio do Planalto. Mas vamos à vigésima pergunta. Presidente, durante a campanha, o senhor lançou mais uma daquelas bravatas discursivas: a do crescimento no patamar dos 5% anuais. A sanha pelo poder levou seus seguidores a confirmarem o impossível. Agora, com as calculadoras oficiais funcionando corretamente, chega-se à conclusão que alguém faltou com a verdade. Ministro da Fazenda, o companheiro Guido Mantega, que confirmara o crescimento na casa dos 5%, agora diz que o Brasil crescerá o máximo que der. O senhor, Presidente, dias atrás, reconheceu publicamente que os investimentos no setor de infra-estrutura não serão suficientes para cumprir o prometido. Presidente, o senhor não acha que é fácil demais vencer eleição no rastro de tanta mentira. E mais: como é que um avô que falta com a verdade consegue olhar para um neto inocente? (Foto: terradaily.com)

Quebrando o cofrinho
José de Filippi Júnior, o mágico tesoureiro da campanha pela reeleição de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, declarou que as dívidas da corrida eleitoral, que montam em R$ 10 milhões, serão liquidadas nos próximos dias. De acordo com Filippi Júnior, o PT tem recorrido a doações espontâneas, o que soa como inexplicável a essa altura dos fatos. De acordo com o tesoureiro petista, até agora o comitê de campanha arrecadou R$ 2milhões, sendo que a diferença deve entrar nos cofres do partido nas próximas duas semanas. O que causa estranheza é que o PT que pediu socorro financeiro ao mago Marcos Valério Fernandes de Souza não é o mesmo de José de Filippi Júnior.

Atuação premiada
Como prêmio de consolação por ter patrocinado um pífio final à CPI dos Sanguessugas, poupando de castigos maiores a companheirada, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), que foi barrado nas urnas da última eleição, deve ser o substituto de Jorge Hage na Controladoria Geral da União. Apenas para lembrar, Lula disse, dias atrás, que em seu segundo governo não teria espaço para derrotados. E mais: colocar na CGU alguém que acariciou os envolvidos com a máfia das ambulâncias é o mesmo que escalar uma ovelha para capitanear uma matilha. Enfim, esse é o governo Lula.

Engana, o povo gosta
O aumento salarial de senadores e deputados federais é assunto que o Palácio do Planalto não pode negar desconhecimento, como vem fazendo o presidente Lula e o seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. Imaginar que a dupla não sabia da armação é uma gigante irresponsabilidade, pois é dos cofres do governo federal que sai o dinheiro para custear o parlamento brasileiro. No contraponto, a aquiescência de Lula pode ser uma arma que o petista irá guardar em seu arcabouço político, que será utilizada no momento mais adequado. Como Lula parece muito mais voltado para modelo chavista do que para qualquer outra ideologia política, usar o aumento salarial dos parlamentares para colocar o povo contra o Congresso parece não ser uma má idéia para quem deseja se perpetuar no poder. Tem cheiro de golpe no ar.

Memória curta
Desde o início do governo Lula, em janeiro de 2003, o ex-ministro da ditadura e deputado federal não reeleito Delfim Netto tem atuado nos bastidores como conselheiro econômico do presidente-operário. Barrado nas urnas de outubro passado, Delfim Netto tem sido sondado pelo Palácio do Planalto para ocupar importante cargo no novo governo Lula, mais precisamente na área econômica. Perguntado sobre o assunto, o ex-ministro disse que o que a imprensa sabe fazer de melhor é inventar mentiras. Ora, se a imprensa inventa e publica inverdades, que surja o primeiro corajoso para explicar o escândalo Coroa-Brastel, que levou um inocente chamado Assis Paim Cunha à bancarrota.

Lição de coerência
Há quem diga que a democracia é o modelo político onde o poder emana do povo. Considerando que, segundo a definição de democracia, o povo é o senhor de todas as coisas, os parlamentares, seus dignos (sic) representantes, deveriam ser remunerados exatamente como o povo é. Ou seja, com um salário mínimo. Mesmo depois do criminoso aumento dos salários para R$ 24,5 mensais, o Senado Federal viveu momentos de cidade fantasma na última sexta-feira (15). Na ocasião, apenas um senador apareceu para trabalhar: o médico piauiense e feroz crítico do governo Lula, Francisco de Assis de Moraes Souza, o Mão Santa. Depois de abrir e presidir uma sessão no plenário, Mão Santa ainda tinha esperança de quem alguém aparecesse para trabalhar. Esperou meia hora e, desolado, voltou para seu gabinete. O escândalo se torna ainda maior quando lembramos que, além de trabalharem apenas dois dias por semana, os parlamentares recebem oficialmente quinze salários anuais. Já extra-oficialmente... (Foto: portalaz.com.br)

Caminho de volta
Um dos grandes nomes da política nacional, a ex-prefeita paulistana e deputada federal Luiz Erundina de Souza, atualmente no PSB, pode voltar a integrar o Partido dos Trabalhadores, agremiação política que deixou em 1997. Muito aplaudida durante evento realizado no final de semana, em São Paulo, Erundina não descartou a hipótese de um retorno ao partido dos antigos companheiros, mas lembrou que é um assunto que merece muita reflexão. Por sua história e honradez, Luiza Erundina vai errar, e muito, se retornar ao PT, partido que nos últimos quatro anos se especializou em escândalos de corrupção e outros assuntos do mesmo naipe.

Vale por dois
Quando, na última semana, os líderes dos partidos no Congresso reuniram-se para decidir o vergonhoso aumento salarial dos parlamentares, que por enquanto está valendo R$ 24, 5 mil, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) declarou ser favorável ao aumento, mas, em seguida, o Palácio do Planalto anunciou que o petista falava em nome próprio. Chinaglia, que ainda continua candidato do PT à presidência da Câmara, disse, semanas atrás, que era a favor do aumento salarial dos congressistas, o que soou como artimanha eleitoreira. Agora, com o vexatório assunto a caminho da Justiça, resta saber quem será o próximo presidente da Câmara. Até porque, Aldo Rebelo também estava de carona no imbróglio.

Dívida, qual dívida?
Enquanto José de Filippi Júnior, o tesoureiro luliano, promete resolver o passivo da campanha petista em no máximo quinze dias, muitos outros políticos vão entrar em 2007 com dívidas. Derrotados e eleitos por todo o Brasil já colocaram em suas respectivas árvores de Natal os penduricalhos financeiros de campanha, muitos dos quais, pela própria grandiosidade, só puderam ser instalados ao pé do arbusto. No Paraná, por exemplo, onde os pinheiros sobram o ano inteiro, políticos têm dado de ombros para os cobradores. Inconformados com os calotes eleitorais, muitos dos credores prometem agir de maneira inusitada. Vão esperar o inicio da nova legislatura para cobranças mais explícitas e contundentes. Quem deve não perde por esperar. É o que promete um velho e conhecido marqueteiro.

Receita mágica
Que a política é uma reunião de inúmeros exemplares de Aladim cobertos com o manto da mitomania, todos sabem, mas há aqueles que mentem e não fiam ruborizados. Na tentativa de dar início à sua caminhada rumo ao Palácio do Planalto, o governador eleito José Serra anunciou sua intenção de “reestadualizar” as operações do porto de Santos como forma de destravar o crescimento nacional, como anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cabide de empregos de políticos, o porto de Santos, o maior e mais movimentado do País, é uma mistura de apadrinhamentos políticos e máfias portuárias. Entre os que por lá dão ordens estão Valdemar Costa Neto, Michel Temer e Telma de Souza, deputados federais pelo PL, PMDB e PT, respectivamente. Ou seja, antes de destravar o crescimento, Serra terá que varrer o porto. (Foto: transportes.gov.br)

Aí tem
Ainda o porto de Santos... Não é de hoje que a iniciativa privada tomou conta do porto de Santos, transformando o local em uma verdadeira cascata de desmandos. As empresas que atuam no porto santista ameaçam e intimidam, além de desrespeitarem o conjunto de leis que rege a atividade. É bom lembrar que José Serra, que em 1º de janeiro assume o governo paulista, mantém bom relacionamento com o banqueiro “Tantas”, cujo nome a Justiça nos proíbe de citar. Tantas, por sua vez, através de um fundo de investimento opportunista, detém o controle acionário (39,2%) da empresa de containeres Santos-Brasil, que atua no porto de Santos. Por outro lado, outros pontos relevantes devem ser considerados. A irmão do banqueiro “Tantas”, Verônica, foi sócia da filha de José Serra, também Verônica (Allende Serra) na Decidir.Com, empresa que até 2002 oferecia em sua página eletrônica facilidades de negócios com o governo brasileiro. Serra é do grupo tucano liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, ainda no Palácio do Planalto, foi obrigado a receber em Brasília, na calada da noite, o banqueiro opportunista, que na ocasião parecia afoito e apreensivo. Ou seja, só falta o governador eleito José Serra anunciar de quem será o crescimento. E mais: como o nome de alguns estamos proibidos de citar, nada como publicar a foto de alguém que teme em exibir sua lenhosa face.

Tribunal de injustiça
Há dias, noticiamos o clima de terror e desmando que tomou conta do Tribunal de Justiça do Paraná. Passados alguns dias, a bizarra história produziu suas derradeiras reticências. O médico do tribunal que apanhou de um desembargador por se recusar a fornecer um atestado falso, não só foi demitido, como voltou faturar alguns sopapos, desta vez dos seguranças do desembargador briguento, antes de deixar a máxima instância da Justiça paranaense. E se a Justiça era, até então, cega, no Paraná descobriu-se que ela é também covarde e boa de briga. Mas o contribuinte paranaense não deve se preocupar, pois a conta da indenização do médico agredido e demitido deve chegar em breve.

Caos paulistano
Definitivamente, álcool e direção não combinam. Por ocasião das atuais comemorações natalinas, os motoristas ficam mais propensos a inexplicáveis excessos etílicos, os quais patrocinam acidentes que, quase sempre, ficam entre o trágico e a fatalidade. Porém, quem for comemorar as festas de final de ano na Paulicéia Desvairada e desejar evitar acidentes e, principalmente, não perder o investimento líquido, o melhor mesmo é voltar a pé para casa. A primeira sugestão tem uma razão óbvia e conhecida, mas a segunda é a que mais preocupa. Como as ruas da maior cidade do País proporcionam uma sensação que bamboleia entre uma montanha russa e um tour pela esburacada Bagdá, qualquer incursão pelas vias paulistanas pode levar o corajoso ao regurgito. Por isso, estando na São Paulo do prefeito Gilberto Kassab, beba pouco ou encha a cara e volte a pé. Até porque, a calamidade que toma conta das ruas paulistanas nem mesmo um bêbado é capaz de aturar. E o IPTU ó!

Olhos fechados
A Polícia Federal, que no Rio de Janeiro desencadeou a Operação Gladiador, para combater o crime organizado que gravita no universo das máquinas caça-níqueis, certamente faria uma festa de maiores proporções se a batida policial fosse em São Paulo. Escandalosa, a exploração dos jogos de azar na capital paulista não apenas transcende a lógica e a legislação, como conta com a conivência de policiais. Na esquina da alameda Joaquim Eugênio de Lima e rua Guarará, na cara e rica região dos Jardins, caça-níqueis, jogo do bicho e venda de bebidas alcoólicas a menores dividem espaço com cadeiras e mesas que avançam ilegalmente na calçada. O mais interessante é que policiais que fazem o patrulhamento da região trocam a cegueira por míseros e emporcalhados sanduíches. As autoridades vão tomar alguma providência ou a cidade será entregue de uma vez ao mundo do crime? Com a palavra o governador Claudio Lembo, o secretário da Segurança, Saulo de Castro, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Aquário de loucos
Pensando bem, na terra onde um molusco é presidente, a única coisa que pode crescer é a mentira.

Fim de carreira
(19/12/05) - O presidente Lula atacou a imprensa na última semana, como se os seguidores de Gutenberg fossem responsáveis pela sua derrocada política. Dar importância à conhecida verborragia presidencial é uma atitude tão ou mais irresponsável do que tentar convencer Fernandinho Beira-Mar de sua culpa como criminoso. Lula deveria agradecer diariamente à imprensa por ainda estar no cargo, pois, do contrário, já teria voltado para São Bernardo do Campo com as mais humilhantes pechas. O fato é que, no momento, falta fazem figuras como Barbosa Lima Sobrinho, que comandou um simbólico abraço no Congresso, ato que serviu de abre alas ao processo de impeachment do então presidente Collor. Assim, resta concluir que Lula, como presidente, é uma figura digna de pena.

 

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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