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ano 6 - número 1266

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Não há nada mais terrível do que a ignorância ativa."
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Goethe

   
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Silêncio obsequioso
Presidente Lula, já são dezoito as perguntas por nós formuladas que não mereceram ainda a sua atenção. Presidente, há quem diga que a mitomania é um mal sem cura, mas com um pouco de boa vontade a patologia da mentira pode ser sensivelmente reduzida. É fato que o poder embriaga, e que as benesses por ele proporcionadas são indescritíveis, mas faltar com a verdade é condenável, especialmente para quem, um dia, disse que a esperança venceria o medo. Alguns meses antes da corrida presidencial, a qual o senhor faturou a primeira posição, o seu governo derramou a bagatela de R$ 37 milhões para anunciar a auto-suficiência brasileira em petróleo, como se o senhor fosse o Sassá Mutema planetário, quando, na verdade, a confortável situação do País neste quesito é resultado de décadas de trabalho e investimentos. Acontece, Presidente, que aquela anunciada auto-suficiência só deve acontecer em fevereiro de 2007, segundo a própria Petrobras. Quando o assunto é corrupção e bandalheira, o senhor, como sempre, pouco ou nada sabe. Agora, Presidente, com o povo ciente de que a tal esperança não passou de balela eleitoral, responda. É verdade que a mentira sobre o petróleo foi uma armação de campanha ou o senhor também não sabia? Responda, Presidente, pois o Brasil quer ouvi-lo. (Foto: guardian.co.uk)

Face lenhosa
Para sacramentar o sepultamento da Justiça Eleitoral, o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, comandou, no começo da noite desta
quinta-feira, a sessão de diplomação do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, e do seu vice, José Alencar. Como sempre, o presidente Lula, que prometeu não se emocionar, chegou às lágrimas no momento em que se referiu ao povo brasileiro, como se ele (Lula) estivesse preocupado com o que acontece nas ruas do País. Ao afirmar que o povo humilde não precisou de intermediário no processo eleitoral, Lula reconheceu que o governo federal foi o próprio lobista de sua reeleição, sendo que a degradante esmola batizada de Bolsa Família falou mais alto nas urnas. Desta vez usando lenço próprio – em 2002 foi obrigado a pedir um emprestado – Lula derramou lágrimas crocodilescas, as quais certamente servirão, mais adiante, de moldura para o alvejante golpe que se anuncia. Depois é que virão as lágrimas. (Foto: Celso Junior - Agência Estado)

Parlapatão planaltino
Senhor dos mais hilários tropeços discursivos, Luiz Inácio da Silva, o nosso presidente Lula, abusou mais uma vez, nesta quinta-feira, das incongruências do pensamento. Ao participar da instalação do parlamento do Mercosul, solenidade que teve lugar no Senado Federal, Lula voltou a lembrar o avião bimotor que doou ao governo do Senegal, atendendo a um pedido do presidente daquele país, que desejava combater uma praga de gafanhotos no milharal senegalês. É fato que agir fraternalmente é a melhor maneira de coexistir, mas Lula peca ao bravatear ao redor do planeta enquanto o agronegócio brasileiro vive momentos de bambolê. Mesmo assim, para dar ares de humanidade ao seu insólito e rápido discurso, Lula disparou: “Quem de nóis não nasceu pequeno. Quem de nóis não nasceu humilde”... Presidente Lula, há uma coisa nessa terra de ninguém que não nasceu pequena e nem mesmo humilde. A corrupção petista, aquela que o senhor nunca soube. (Foto: embuste.com.br)

Deu pane
Para turbinar o seu ininteligível raciocínio, Luiz Inácio Lula da Silva enalteceu o crescimento dos países integrantes do Mercosul, lembrando que a Associação para o Livre Comércio das Américas – Alca sumiu da imprensa brasileira e da agenda dos presidentes dos países do cone sul. Que o assunto tenha sumido da mídia não é de se estranhar, pois os principais veículos de comunicação do Brasil estão sendo transformados, às custas de muito dinheiro, em Pravdas tupiniquins. Por outro lado, Lula mostra ser um incongruente, pois atacar a Alca é tarefa de esquerdista puro sangue, e não para alguém que dias atrás, em mais uma bizarrice discursiva, renegou a esquerda. Ou será que Lula é o primeiro eunuco da política brasileira?

Bandalhos com canudo
O que deveria ser aprovado na calada da noite, transformando-se em um golpe contra o cidadão, foi decidido ontem durante reunião entre os integrantes das mesas diretoras do Senado e da Câmara e os líderes dos partidos políticos. A majoração do salário dos parlamentares, que agora passa a valer R$ 24.500,00, mostra que o Brasil está longe de ser uma democracia. Não bastasse o salário que vale o equivalente a setenta salários mínimos, os parlamentares continuarão recebendo verba de gabinete – na Câmara chega a R$ 50 mil por deputado -, auxílio moradia (R$ 3 mil) e outras tantas benesses, valores que serão aumentados na mesma proporção dos salários. Barato seria ao contribuinte brasileiro se deputados e senadores se contentassem apenas com essas milionárias verbas. Mas não, o Congresso é um imundo balcão de negócios que alarga a cada novo dia que surge.

Chama o ladrão!
Imunda e criminosa, a manobra que garantiu o aumento do salário dos parlamentares foi a única forma encontrada por Renan Calheiros e Aldo Rebelo, presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, respectivamente, para que continuem no comando das Casas legislativas. Não bastasse a corrupção desenfreada que tomou conta dos corredores do Congresso, ao brasileiro caberá financiar a reeleição de Calheiros e Rabelo. O que mais indignação causa é que para aumentar o salário mínimo – em maio de 2007 passa a valer a fortuna de R$ 375 – o Brasil assistiu a galhofas como o esforço concentrado, brigas partidárias, discussões políticas e outros salamaleques mais. Agora, meu caro leitor, imagine se o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, não fosse comunista. Por isso, na próxima vez que você for ao Congresso, leve a tiracolo o seu ladrão particular. Apenas por medida de segurança.

Memória curta
Quando alguma barbárie política vem à luz das discussões, o primeiro bordão que entra em cena é aquele que diz ser o brasileiro dono de curta memória. Mas não são apenas os eleitores que sofrem de amnésia política. Senadores e deputados, nessa safada decisão de ontem, acabaram esquecendo de Edivaldo de Lima Araújo, que meses atrás, quando ainda estava desempregado, ameaçou se jogar das galerias do Senado durante sessão deliberativa da Casa. Assustados com a possibilidade de uma tragédia, os senadores que estavam no plenário trataram de arrumar rapidamente um emprego para o desempregado suicida, que hoje deve estar trabalhando no serviço de limpeza do Senado. Assim, a nossa esperança repousa na possibilidade de Edivaldo de Lima Araújo um dia conseguir varrer o lixo que infesta o Congresso Nacional.

É o fim
“Tem que se enfrentar o problema. Não é pecado se tratar disso. Pecado é propor imoralidades”. Assim o líder do PTB na Câmara, deputado José Mucio Monteiro (PE) defendeu o aumento salarial concedido a deputados e senadores. Mucio Monteiro engana-se ao dizer nas entrelinhas que o tal aumento não é uma imoralidade. De acordo com o dicionário Houaiss, imoralidade é "a prática de maus costumes; depravação, libertinagem". Assim, depois de tão sábia explicação – a do Houaiss, é claro – é preciso reconhecer que o deputado José Mucio Monteiro está certo quando afirma que não se pode propor imoralidades. Até porque, deputado José Mucio, imoralidade é o salário mínimo que um reles trabalhador recebe depois de trinta dias de árdua labuta, e não essa fanfarrice salarial que agracia seis centenas de indolentes e enganadores que, quando muito, trabalham dois dias e meio por semana.

Primeiro mundo
Para quem ainda acredita que o Brasil é um país de terceiro mundo, revelamos alguns números que não apenas mostram ser a nossa querida Botocundia uma nação privilegiada, como evidencia que nossos políticos estão entre os melhores do planeta. No Chile, um deputado recebe mensalmente US$ 14.491,00. Nos EUA, US$ 12.491,00. No Canadá, US$ 12.308,00. No México, US$ 12.301,00. No Brasil, US$ 11.395,00. Na Alemanha, US$ 10.571,00. No Reino Unido, US$ 9.881,00. Em Portugal, US$ 4.557,00. Mas você, meu caro leitor, não deve ficar tão animado, pois agora apresentamos o PIB per capta de cada país acima citado. Chile – US$ 10.874,00. EUA – US$ 39.676,00. Canadá – US$ 31.263,00. México – US$ 9.803,00. Brasil – US$ 8.195,00. Alemanha – US$ 28.309,00. Reino Unido – US$ 30.821,00. Portugal – US$ 19.629,00. Resumindo, o último que sair apague a luz, pois a quadrilha não pode ter despesas extras.

Bom velhinho
Coma proximidade do Natal, a coluna decidiu tirar da gaveta um projeto para presentear o descaramento que tomou conta da política nos últimos tempos. Vilã na já encerrada novela global “Belíssima”, Bia Falcão, personagem vivido pela genial Fernanda Montenegro, representou a materialização da impunidade reinante no País. Assim, a coluna retoma o "Troféu Bia Falcão", como forma de reconhecer a desfaçatez que toma de assalto algumas figuras de nossa desvairada política. Para que o mensalão não caia nas raias do esquecimento, o premiado é o ainda deputado José Janene (PP-PR), que vergonhosamente escapou da cassação. No âmbito das sanguessugas e suas milionárias ambulâncias, o prêmio vai para o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que também escapou da cassação. E como não poderíamos deixar de homenagear o senador Renan Calheiros e o deputado Aldo Rebelo pelo minguado (sic) aumento salarial dos parlamentares, ambos conquistaram o "Troféu Bia Falcão" na categoria “hors concours”. Clique aqui e envie sua sugestão, escolhendo um parlamentar ou freqüentador do mundo político que mereça ser laureado com o "Troféu Bia Falcão".

Esqueceu por quê?
Tudo na vida é passível de perda – do companheiro à dignidade de vida – mas a única coisa que o ser humano não pode perder é a coerência. Sem ela (coerência), a existência humana perde o sentido. Ontem, quinta-feira (14/12), o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, criou uma comissão que irá estudar medidas para combater o uso de telefones celulares no sistema prisional brasileiro, o que, na opinião das autoridades, tem patrocinado muitas das rebeliões insufladas por facções criminosas. A decisão de Thomaz Bastos foi embasada em dois pontos principais: “situação alarmante provocada por rebeliões em estabelecimentos penitenciários” e “a necessidade de assegurar o isolamento eficaz dos sentenciados”. Mas o então advogado e agora ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, não deve recordar do que ocorreu em setembro de 2001, em um distrito policial da zona sul da capital paulista. Um preso, que pagou alguns milhares de Reais por um telefone celular, telefonava quase que diariamente para um conhecido e renomado escritório de advocacia da Paulicéia Desvairada. Coisas da amnésia interesseira.

Primo do Aladim
Como editor desta tão lida coluna – o governo Lula finge que não lê – cabe-me a obrigação de fazer uso do raciocínio - há quem diga que é insano – para tentar compreender o que se passa na política nacional. De acordo com a mais humilde interpretação gramatical, Partido dos Trabalhadores é a agremiação política que defende os interesses dos trabalhadores. No Brasil, como já era de se esperar, o tal PT é o partido que defende os interesses daqueles que não trabalham. Mesmo assim, o contribuinte deve cobrar do líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), que dia desses afirmou que ao salário dos parlamentares deveria ser incorporada a inflação. Ora, se o aumento salarial concedido a esses bravos trabalhadores brasileiros, que suam para estar dois por semana no Congresso, é de mais de 90%, alguma coisa está errada no discurso oficial. Ou o presidente Lula não sabe o que fala, ou venderam o prédio do Congresso para o Ali Baba.

Audácia do bofe
Durante a homenagem à senadora Heloísa Helena, que na última quarta- feira se despediu da vida parlamentar depois de perder a corrida presidencial, um telefonema dado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, causou constrangimento nos bastidores do parlamento. Senadora por Santa Catarina, a petista Ideli Salvatti exigiu o fim da cerimônia para que fosse iniciada a ordem do dia. Há de se compreender que o poder proporciona uma sensação estranha e inexplicável, mas Ideli Salvatti deveria se preocupar com coisa mais importantes, as quais continuam sem explicação. A lama do mensalão foi para debaixo do tapete petista. A benevolência do doador universal Paulo Okamotto continua sem explicação. A morte de Celso Daniel ainda é uma incógnita. O talento e a genialidade empresarial de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, ainda assusta. O visgo venenoso das sanguessugas ainda impregna a dignidade do povo brasileiro. Mas Ideli Salvatti um dia há de saber o que significa uma saída honrosa da vida pública.

E o salário ó!
Na semana que ora se encerra, o ministro Waldir Pires – dizem que é da Defesa – ao tentar explicar no Congresso o quase perene Caos Aéreo Nacional, acabou reclamando do próprio salário, que, descontada fatia do Leão, é de pouco mais de R$ 6.500,00. Para quem integra um governo dos trabalhadores chega a ser uma heresia alguém desdenhar um salário que corresponde a quase vinte salários mínimos. De mais a mais, engana-se quem pensa que aqueles que chegam à Esplanada dos Ministérios se contentam com os minguados salários que recebem. Até porque, por tudo que se sabe, o Brasil está longe de ser uma fábrica de patriotas.

Fio trocado
Pensando bem, como no Brasil tudo é inverso, cada presidente tem o povo que merece.

Mordaça contemporânea
(15/12/05) - Por decisão da 5ª Vara Federal de São Paulo, o ucho.info, a exemplo de outros órgãos de comunicação, está proibido de divulgar o conteúdo do caso Kroll. Contratada pela Brasil Telecom, a empresa americana executou espionagem ilegal que acabou resvalando em figuras do primeiro escalão do governo Lula, como foi o caso do ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb de Lima, e Luiz Gushiken, que tiveram a intimidade escandalosamente bisbilhotada. Diz o ditado que manda quem pode, obedece quem tem juízo, mas trata-se de uma decisão arbitrária, principalmente considerando os envolvidos no polêmico caso, que tem em uma das pontas o mais polêmicos banqueiro tupiniquim de todos os tempos. Se divulgar a verdade dos fatos é passível de censura, o que dizer do verdadeiro contratante da espionagem, que patrocina ameaças das mais diversas e para ver sua vontade atendida não mede esforços, inclusive invadindo o domicílio alheio?

 

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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