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ano 6 - número 1265

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
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Justiça feita
“Você, eu aparteio de pé”. “Você, minha cara Heloísa, é uma rosa azul que consegue vicejar no pântano”. Do senador Jefferson Perez, ao discursar na despedida de Heloísa Helena, no plenário do Senado. “Poucos puderam sair daqui com a cabeça erguida”. Do senador Cristovam Buarque, ao falar de Heloísa Helena.

Brava Heloísa
Presidente Lula, hoje, por sorte, nossas perguntas serão postadas mais abaixo. E esse favor o senhor deve agradecer à brava Senadora Heloísa Helena, que ontem, quarta-feira, se despediu da vida parlamentar depois de concorrer à Presidência da República e perder ganhando. A Heloísa Helena que o senhor se empenhou para que fosse expulsa do Partido dos Trabalhadores. A Heloísa Helena que tantas vezes acusou o seu governo de banditismo político, sem que ninguém ousasse contestá-la. A Heloísa Helena que o senhor não teve coragem suficiente para enfrentá-la durante debate eleitoral. A Heloísa Helena que o Brasil pára para cumprimentá-la, onde quer que essa brava alagoana esteja. A Heloísa Helena que estocou as coxias palacianas com sua coerência de pensamento. A Heloísa Helena que, inconformada, assistiu às manobras escusas realizadas no Congresso sob suas ordens, Presidente. A Heloísa Helena que defende o Nordeste brasileiro com garra e dedicação, e dele não faz um reles curral eleitoral. A Heloísa Helena que ontem arrancou lágrimas do Brasil. A Heloísa Helena que parou as redações jornalísticas de todo o País. A Heloísa Helena que nas ruas arranca o que o senhor não conseguiu nas urnas: o carinho do povo. O senhor, Presidente Lula, ganha com a partida temporária de Heloísa Helena, porque sai de cena uma das mais ácidas e coerentes críticas do Estado e do seu governo. Mas o Brasil, Presidente, perde e muito. (Foto: Vogue)

Doce veneno
Bocas pusilânimes, vadias, vagabundas. Assim Heloísa Helena, depois de ouvir um sem fim de elogios, retomou o velho e necessário discurso condenando aqueles que a ofenderam, ameaçaram e traíram o voto do eleitor brasileiro. E mais: dirigindo-se subliminarmente ao Palácio do Planalto, Heloísa Helena disse que com “eles aprendeu como não deve ser”. Mesmo assim, o presidente Lula ainda abusa da bravata discursiva “nunca neste país...”

Espelho faz falta
Falando em honestidade e coerência, o senador Delcídio Amaral (PT- MS), aparteando Heloísa Helena, disse, sob quase copiosas lágrimas, que a senadora alagoana estava fazendo o que o povo exige de um parlamentar. Ou seja, retidão de caráter. Mas Delcídio Amaral, que presidiu a CPI Mista dos Correios, não derrama uma só lágrima quando seu gabinete é tomado por bisonhas conversas sobre a Petrobras ou se alguém lhe cobra explicações sobre o caso da mineradora Urucum. O fato é que o Congresso muitas vezes, dependendo da situação, se transforma em uma reunião de crocodilos emotivos. Choram sem o menor constrangimento, como se o povo acreditasse nas lágrimas que caem. Clique aqui e entenda o caso da mineradora Urucum, em uma série de reportagens do competente jornalista Allan de Abreu.

Fala Lula, fala!
Presidente Lula, só para não perdermos o hábito de questioná-lo, aqui vai a nossa décima oitava pergunta, lembrando que as anteriores – já são dezessete – até agora não mereceram a sua atenção. E o senhor, Presidente, não pode alegar desconhecimento, pois sua assessoria acessa esta página eletrônica diariamente. Presidente, muito estranhamente, o seu governo soube apenas repudiar os dados revelados recentemente pela ONU, que rebaixou o País no ranking da mortalidade. Segundo a organização, no Brasil morrem, ainda no primeiro ano de vida, trinta e três crianças em cada mil nascidas. Isso, Presidente, é porque as mães não têm acesso aos chamados exames pré-natais, o que é uma vergonha se considerarmos que o PT se especializou, nos últimos tempos, em mandracarias da corrupção. O senhor, Presidente, não se lembra de alguém ter dito, recentemente, que a saúde no Brasil estava próxima da perfeição? (Foto: Keystone)

Fim de linha
Depois de se reunir, no Palácio do Planalto, com o conselho político que dará apoio ao seu segundo governo, o presidente Lula voltou a vasculhar o baú das possibilidades na tentativa de encontrar uma saída para o anunciado crescimento anual na casa dos 5%. Enquanto isso, a crise começa a bater à porta do agronegócio. O aumento no preço da soja, um dos carros-chefe das exportações brasileiras, tem uma explicação numérica. Em 2005, no oeste gaúcho, os plantadores de soja colheram, média, trinta sacos do produto por alqueire. Agora em 2006, a expectativa nas cooperativas agrícolas da região é de que os números caiam pela metade. É verdade, Presidente Lula, “nunca neste país...”

Cega e vergonhosa
Logo mais, sob os auspícios da cegueira da Justiça Eleitoral (leia-se TSE), Luiz Inácio Lula da Silva será diplomado como presidente eleito, o que lhe garante a possibilidade de, no próximo dia 1º de janeiro, tomar posse e dar início ao seu segundo mandato. Em atitude tão bizarra quanto inexplicável, o TSE aprovou as contas do comitê de campanha do presidente Lula, mas rejeitou a contabilidade do comitê financeiro. São decisões dúbias como a do TSE, que é presidido pelo ministro Marco Aurélio Mello, que levam o brasileiro a entender cada vez menos o que acontece por aqui. E quem não se lembra de Salvattore Cacciola (Banco Marka), Fernandinho Beira-Mar e Marcos Magalhães Pinto (Banco Nacional)?

Mármore do inferno
Ministro das Relações Institucionais, o gaúcho Tarso Genro, que foi um fiasco como ministro da Educação e teve meteórica passagem pela presidência do PT, está mesmo vivendo o pior momento de sua carreira política. Durante discurso em homenagem à senadora Heloísa Helena, Pedro Simon, que tanto insistiu para que a parlamentar alagoana não voltasse à sua terra natal, convidou a ex-candidata à Presidência para visitar o Rio Grande do Sul. E completou o senador Pedro Simon, dizendo que levaria Heloísa Helena ao município gaúcho de Santa Maria, terra de Tarso Genro, para mostrar ao ministro como as coisas devem ser feitas. Receber uma reprimenda de um gaúcho do calibre político de Pedro Simon é um convite para uma longa hibernação.

Calada da noite
“Vexaminosa”. Assim o senador Jefferson Peres (PDT-AM), que pediu a palavra antes da homenagem à senadora Heloísa Helena, classificou a tentativa do Congresso de aumentar os salários de senadores e deputados na próxima sexta-feira (22), quando o mundo político estará experimentando o próprio apagar das luzes. De acordo com o senador amazonense, Câmara e Senado baixariam atos administrativos que fixaria o salário dos parlamentares em R$ 24.500,00, sem que o assunto fosse discutido e votado nas duas Casas parlamentares. Com a denúncia de Jefferson Peres, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi obrigado a correr para estancar uma crise institucional que estava para ser deflagrada. E mais: coerente como sempre, Peres propôs que, diante do aumento salarial que se anuncia, fosse suspensa a verba adicional de R$ 15 mil que senadores recebem mensalmente para gastos em seus respectivos estados.

Sem dó
Enquanto boa parte do PMDB se articulava nos bastidores para definir o tamanho da mordida que dará no governo Lula em troca de um criminoso apoio político no segundo mandato do petista, peemedebistas que condenavam o adesismo com veemência e propriedade. Falando da tribuna do Senado, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), em acalorado discurso, disse que “Lula é o próprio buraco negro”. Sem economizar adjetivos contundentes, Almeida Lima discorreu um tema que reuniu, inclusive, conceitos de Física. Em determinado ponto de seu discurso, o senador sergipano disparou: “À vista disso, para a Física, Buraco Negro ‘é uma região do espaço onde o campo gravitacional é tão forte que nada sai dessa região, nem mesmo a luz’. Assim é o presidente Lula da Silva e, por conseguinte, o seu próprio desgoverno. A ausência visível de massa, sobretudo cefálica, e de qualquer luz, são os caracteres individualizadores dessa gente, daí poder afirmar que Lula da Silva é o próprio Buraco Negro na definição científica da Física que, nesse caso, aplica-se à ciência e à filosofia políticas”. Clique e confira na íntegra o discurso do senador Almeida Lima.

Servilismo barato
Ontem, ao ocupar a tribuna do Senado para ler um documento que defendia de maneira irresponsável o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Ney Suassuna mostrou que nada sabe do assunto ou sua assessoria pouco faz em termos de informá-lo sobre o que acontece no cerne da vida parlamentar. Suassuna disse que o aumento do número de votos conquistados pelo presidente Lula entre o primeiro e o segundo turnos foi uma clara aprovação popular das transformações patrocinadas pelo governo do petista. Fossem verdadeiras as palavras contidas no documento, provavelmente produzido a mando do Palácio do Planalto, Alvaro Dias e Fernando Gabeira não teriam sido eleitos os melhores senador e deputado federal, respectivamente, em recente enquete realizada pelo site Congresso em Foco. Se Ney Suassuna deixa a vida política pela porta do fundo, por conta de seu suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias, o faz tardiamente.

Gênio da lâmpada
Ainda Suassuna... Diferentemente do genial e letrado Ariano Suassuna, o senador Ney Suassuna, na última segunda-feira, mostrou que seu cardápio predileto não é a gramática. Quando o plenário do Senado discutia, por obra da oposição, o assalto sofrido recentemente pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, Suassuna pediu aparte e, defendo o governo Lula, começou a discorrer sobre a estrutura das organizações criminosas, as quais, segundo o senador paraibano, sempre tem um “de menor”. Se o “de menor” soa mal a qualquer um, imagine se proferido por alguém que se diz empresário do ramo da educação. Socorro, chama o Aurélio!

Maluco-beleza
Acabou a lua de mel entre o governador reeleito de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e os empresários do setor industrial do estado. Tudo por conta da proposta para aumentar em dois pontos percentuais a alíquota do ICMS sobre insumos como energia elétrica, combustíveis e serviços de telefonia, sob a justificativa de transferir os recursos arrecadados para obras sociais. Na maior cidade do estado e base eleitoral de Luiz Henrique, dos quatrocentos convidados para uma homenagem ao próprio governador apenas cem compareceram à festa organizada pela Associação Comercial de Joinville. A Medida Provisória assinada pelo governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira, causou estragos também na base de sustentação política na Assembléia Legislativa onde o assunto é tratado em clima de guerra. Se a MP não for retirada da pauta, deputados pensam em pedir a inconstitucionalidade da proposta do governo. Ou seja, Luiz Henrique da Silveira vai acabar dando bom dia a cavalo. O que fez literalmente, e com maestria, durante a adolescência.

Pedra no caminho
Meca do consumo de ricos e descolados da Paulicéia Desvairada – e de outros pontos do Brasil também – a butique Daslu foi alvo, nesta quarta-feira – de uma ação da Receita Federal que culminou com aplicação de uma multa no valor de R$ 236 milhões. De acordo com fiscais da Receita, o valor da multa refere-se a impostos devidos por importações ilegais realizadas entre 2001 e 2005, juros e multa. Não é de hoje que a Daslu está na mira das autoridades federais, mas causou estranheza o fato de a ação ter acontecido dias depois da venda do terreno onde está localizada a luxuosa butique paulistana. Em brigas desse naipe, alguém sai perdendo, mas o faz sempre com muita artilharia. Não se trata de defender o indefensável, mas alguém ainda há de vazar a lista de clientes especiais da Daslu. E se isso acontecer, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, vai tremer.

Outro canudo
Pensando bem, a presidência tem sido uma mãe desleixada para o presidente Lula. Em quatro anos é o segundo diploma que o petista consegue.

Minuto de silêncio
(13/12/05) - A morte do deputado Ricardo Fiúza (PP-PE) deixou uma lacuna na política brasileira, mesmo que o parlamentar jamais tenha se recuperado das acusações que lhe foram impostas durante a CPI dos Anões do Orçamento. Fiúza foi um jurista de grande atuação no parlamento brasileiro, sendo de sua responsabilidade o Projeto de Lei que deu origem ao atual Código Civil. Se o falecimento de Ricardo Fiúza entristeceu algumas fileiras da política nacional, certamente causou alegria no universo dos banqueiros. O Projeto de Lei nº 6960/2002, que busca alterar as cirurgias gramaticais ocorridas no texto do Código Civil é também de autoria de Fiúza, o qual defendia com unhas e dentes a alteração do artigo 1.361, que tem permitido aos banqueiros engordarem os próprios cofres com alguns bilhões de Reais extras e ilegais. Por isso, meu caro leitor, se você for financiar um carro, faça uma homenagem a Ricardo Fiúza, mesmo que não o tenha conhecido pessoalmente. Recuse-se a pagar a Taxa de Abertura de Crédito e exija o registro do contrato de financiamento no registro de Títulos e Documentos. Do contrário, o seu contrato ficará em alguma gaveta do banco, à espera da sua inadimplência.

 

Ucho Haddad

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