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ano 6 - número 1263

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A paciência é a arte da esperança."
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Luc de Clapiers

   
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Fala Presidente, fala!
Presidente Lula, já são catorze as perguntas por nós formuladas e que ainda não mereceram a sua atenção. Há uma enorme e vergonhosa dicotomia no mundo do poder tupiniquim quando o assunto da vez é a crise nos aeroportos. Quando ainda estava na Bolívia, onde participou da Cúpula da Comunidade Sul-americana, o senhor, Presidente, afirmou que a crise gerada pela greve branca dos controladores de vôo estava encerrada. O ainda ministro da Defesa, Waldir Pires, que deixa o seu governo pela porta dos fundos, Presidente, disse que é preciso “rezar” para que a crise aérea termine até o final do ano. “É necessária muita fé, rezar um pouco para que dê tudo certo”, declarou Waldir Pires durante conversa com o gaúcho Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União. Pois então, Presidente, considerando que o ministro Nardes é um homem de bem – é daqueles que tratam a mitomania com a espora da bota – alguém deve estar faltando com a verdade. Ou o senhor, Presidente, ou o ministro Waldir Pires. Quem mente mais, Presidente? (Foto: EFE)

Calou por quê?
Presidente Lula, como o senhor não responde mesmo – não sabemos se é por falta de tempo ou porque a sua assessoria o proíbe – vamos a mais uma pergunta. Responsável maior pela invasão e depredação da Câmara dos Deputados, em 6 de junho passado – aquela fatídica e criminosa terça-feira vermelha –, o companheiro Bruno Maranhão espalhou por Brasília e pelo mundo que foi convocado para uma conversa no Palácio do Planalto. Presidente, o senhor, que durante mais de vinte anos bradou por coerência e retidão, e que na recente campanha presidencial disse que “nunca nesse país se investigou e se prendeu tanto”, deve ter algo a dizer a esse expressivo contingente de enganados por suas promessas e bravatas de campanha. Que o desajustado Bruno Maranhão nunca deixou a Executiva do PT todos já sabiam, mas parolar no Planalto já é demais. Presidente, qual é a explicação? Fica descartada aquela muleta discursiva do “não sabia”.

Por um fio
Ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral, ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo, foram unânimes em afirmar que as contas da campanha do presidente Lula devem ser rejeitadas, o que mostra que o trabalho pericial realizado pelos técnicos do TSE na contabilidade petista está correto. Mesmo com a suspeita de crime eleitoral, a diplomação do presidente Lula, marcada para quinta-feira (14), está mantida. No entendimento de alguns juristas, as provas apontadas pelos técnicos do TSE são suficientes para a impugnação da candidatura petista, o que impediria presidente Lula de tomar posse em 1º de janeiro. Por outro lado, o advogado da campanha petista junto ao TSE, Márcio Silva, aposta na aprovação das contas. Confirmada a expectativa do defensor de Luiz Inácio Lula da Silva, a Justiça Eleitoral ficará desacreditada.

Chumbo trocado
Piora cada vez mais as relações nada boas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro-chefe da Casa Civil e agora homem de negócios José Dirceu de Oliveira e Silva. Sem ter digerido a sua saída do governo Lula, além de não ter encarado como devia a perda do mandato de deputado, José Dirceu continua mandando, e muito, no Partido dos Trabalhadores. Até hoje, dentro do PT, quem sempre levou a melhor foi Dirceu, sendo que a Lula coube, como sempre, o folclórico papel de líder intocável. Quando Lula tentou emplacar Tarso Genro na presidência do PT, no lugar de José Genoíno, o ex-ministro agiu rápido e mandou de volta ao presidente o ministro gaúcho. Agora, com o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, tentando liquidar com a candidatura de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara, a situação entre os outrora companheiros deve complicar.

Pé no freio
Mais uma vez, a vontade e o medo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram fatores decisivos na postergação da CPI das Ongs, que vai investigar a bandalheira que, com o aval do Estado, se instalou no universo das chamadas organizações não governamentais. Criada a partir de requerimento do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), a Comissão começa a funcionar em fevereiro próximo, quando tem início a próxima legislatura. De acordo com o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), o Palácio do Planalto não vai interferir no funcionamento da Comissão. Se a informação passada pelo Planalto ao senador Jucá é verdadeira não se sabe, mas o melhor a se fazer é esperar para ver se o sigilo bancário da ong Rede 13 será quebrado. A Rede 13 teria funcionado como cornucópia financiadora das estripulias consumistas de Lurian Lula da Silva, a primeira-filha.

Pá de cal
O escândalo do Dossiê Cuiabá, armação petista contra candidatos tucanos, deve mesmo ir para a tumba do esquecimento popular. A necessidade de gerar novos episódios é tão grande, que o governo Lula não se incomodou em pagar carona na crise dos aeroportos. Durante a campanha presidencial, Lula abusou do bordão “nunca nesse país” para mostrar ao eleitorado, entre tantas coisas, que seu governo não manda para debaixo do tapete a poeira imunda e fétida da corrupção. Fossem verdadeiras as palavras do presidente-operário, a origem do dinheiro do dossiê – R$ 1,75 milhão – já estaria esclarecida. Não se sabe se faltou vontade do Palácio do Planalto para esclarecer o caso, mas uma coisa é absolutamente certa. Sobrou medo.

Operação abafa
Como era de se esperar, a CPI das Sanguessugas, que investiga o envolvimento de parlamentares na compra superfaturada de ambulâncias, vai mesmo terminar em uma grande e mal cheirosa pizza. A ordem para que mais um fiasco fosse produzido pela Câmara dos Deputados partiu do Palácio do Planalto, que controla nas coxias do poder algumas ameaças de delação. No relatório parcial produzido pela Polícia Federal sobre o caso, alguns dos acusados revelaram, durante depoimento, o envolvimento de figuras ilustres da política nacional, sendo que uma delas teve assento em destacado gabinete do Palácio do Planalto. E como a situação nos corredores palacianos não é das melhores, o negócio foi enterrar as investigações.

Jogo de cena
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região julga nesta terça-feira (12), em Sao Paulo, a quebra do sigilo do Banco das Opportunidades, cujo verdadeiro nome a Justiça, em decisão ditatorial e truculenta, nos impede de citar. Polêmico, o caso é a continuidade das acusações (comprovadas) feitas contra o banqueiro “Tantas” – seu nome também estamos proibidos de citar – pela antiga diretoria da Telecom Italia, com quem o opportunista manteve negócios durante muito tempo. A desembargadora federal Cecília Mello, da Segunda Turma do TRF-3, é a relatora do caso. Coincidência ou não, a magistrada é a mesma que concedeu “habeas corpus” em favor de Carlos Rodemburg, ex-cunhado e advogado de Tantas, flagrado por câmeras de circuito interno quando entrava no prédio onde funciona a empresa de arapongagem de Avner Shemesh, um militar israelense que bisbilhotou a vida dos desafetos do banqueiro, inclusive do editor da coluna.

Tudo combinado
Ainda o HC... Muito estranhamente, o HC foi conseguido por que o interessado, em seu pedido, anexou declarações de terceiros, lavradas em cartório, os quais, após assistirem às imagens do sistema de segurança do prédio de Shemesh, admitiram ser outra pessoa, e não Carlos Rodemburg, que aparecia nas gravações (era um dos declarantes). O mais bizarro repousa em uma das declarações – foram literalmente fabricadas – pois o declarante teve como base um material que estava de posse da Polícia Federal, e que só no dia seguinte à lavratura da declaração é que foi disponibilizado, juntamente com um relatório policial sobre o assunto. De posse de uma cópia da referida gravação, a coluna consultou peritos criminais que afirmaram, sem nenhuma possibilidade de erro, não ser o declarante a pessoa que aparece nas imagens. Ou seja, o que os opportunistas desejam é convencer o mundo de que o Mickey e o Pateta são irmãos gêmeos.

Vale tudo
Ora, esse proselitismo barato e ocasional dos que gravitam na órbita do banqueiro “Tantas” é mais uma galhofa no país onde a corrupção é uma brincadeira de meia dúzia de barbudinhos bandoleiros. Lutar pela manutenção do sigilo do HD do Banco das Opportunidades – foi apreendido durante operação legal da Polícia Federal – exige dos requerentes um mínimo de coerência, o que falta, e muito, no almoxarifado de “Tantas” e seus interesseiros seguidores. Só pode impedir a quebra do próprio sigilo aquele que nunca violou o sigilo de terceiro. E para quem não se recorda, a americana Kroll, que no mundo se dedica às investigações mirabolantes, contratada pelo banqueiro, bisbilhotou a vida de muitos de seus desafetos. A começar por Luiz Gushiken, Cássio Casseb de Lima (ex-presidente do Banco do Brasil), Luiz Roberto Demarco Almeida, Naji Nahas, entre outros. Até o editor, que sempre condenou as estripulias do banqueiro, teve o seu nome incluído no relatório da Kroll. Resumindo, o que se tenta fazer é transformar o maior dos capetas tupiniquins em anjo barroco.

Fantasma rondando
O conservadorismo que emoldurou a opinião de três conselheiros do Copom, na última reunião do órgão, começa a ter suas explicações no campo. Defensores de uma redução menor da Taxa Básica de Juros, a famigerada Selic, os conselheiros, que bateram na tecla do 0,25% ponto percentual, sabiam o que diziam. Como o governo Lula foi criminosamente irresponsável com o setor do agronegócio, o brasileiro deve começar a enfrentar o que esta coluna vem alertando há meses. A cadeia inflacionária alimentar. Ontem, foi anunciado um preocupante aumento do preço da soja, que certamente será justificado por questões externas, mas que coloca o Brasil em uma zona de risco inflacionário. Quem acompanha o setor do agronegócio sabe que a crise do setor é muito maior do que a anunciada. Uma cooperativa agrícola do Rio Grande do Sul, no oeste do estado, acendeu a luz vermelha diante do baixo índice de venda de insumos agrícolas.

Descobriram a pólvora
A polícia de Santa Catarina, segundo anunciou, teria eliminado o nascedouro de uma coligação entre o PCC, facção criminosa que domina os presídios paulistas, com o banditismo organizado local. A nova facção do crime seria batizada de PCSC, mas o projeto foi interrompido. O PCC, que atua de maneira quase silenciosa nos presídios catarinenses, já começa a ter voz respeitada nos bastidores do crime daquele estado. Foi de um presídio de Santa Catarina que partiu a informação que chegou à coluna sobre a onda de terror que o PCC impôs em São Paulo, meses atrás. De acordo com um integrante do grupo criminoso, houve manipulação política no caso.

Aí tem!
A morte do ex-espião russo Alexandre Litvinenko, envenenado depois de ser envolvido em uma trama macabra que teria a alta cúpula do governo soviético como nascedouro, está sendo tratada com pouca importância pela imprensa brasileira. Ocupados com os escândalos que ainda açoitam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os veículos de comunicação têm deixado de lado uma análise comparativa que pode trazer desconforto aos assessores palacianos. Tal qual Litvinenko, o legista do caso Celso Daniel, Carlos Delmonte Printes, também morreu em condições misteriosas e não esclarecidas. Se coincidências não existem, uma pelo menos deve ser levada em consideração. No contraponto dos assassinatos está a esquerda mundial.

Terra pesada
Ao redor do planeta, muitas foram as manifestações pela morte do ex-ditador Augusto Pinochet, o general chileno que transformou em prisão a céu aberto o Estádio Nacional, em Santiago, ao colocar na praça esportiva mais de trinta mil opositores, muitos dos quais desapareceram. Entre as tantas comemorações, lamenta-se o fato de Pinochet ter morrido antes de ser julgado e condenado pela morte de críticos da ditadura chilena. O que não se pode esquecer é que a não condenação de Augusto Pinochet se deve ao governo britânico, que depois de prender o carrasco chileno decidiu libertá-lo e mandá-lo de volta ao seu país. Coube à ex-primeira-ministra Margareth Tatcher agir nos bastidores britânicos em favor do seu outrora aliado na América do Sul.

O pouco esperto da corte
Pensando bem, ao comentar a crise dos aeroportos, Lula encarnou um personagem da sabedoria popular. Ele é o cego em tiroteio.

Agora vai!
(12/12/05) - Para o desespero de muitos petistas, a morte de Celso Daniel começa a sair do campo do crime comum para ingressar na seara do crime encomendado. Integrantes da Justiça e do Ministério Público paulistas estão convencidos de que o ex-prefeito de Santo André foi assassinado por conta do esquema de corrupção que tomou conta da cidade, sendo que o principal suspeito ainda é o empresário Sérgio Gomes da Silva (foto), que no dia do crime voltava com Celso Daniel de um jantar realizado em um conhecido restaurante de São Paulo. O que beira o incompreensível é o fato de Gilberto Carvalho, atual secretário da Presidência da República, não ter sido novamente convocado para depor e esclarecer uma série de dúvidas, principalmente depois que a CPI dos Bingos analisou as fitas com as gravações telefônicas do caso. Em janeiro de 2004 a coluna divulgou, com exclusividade, os principais trechos das gravações telefônicas, os quais podem ser conferidos clicando aqui.

 

Ucho Haddad

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