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ano 6 - número 1262

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A morte é fator essencial de mudança e fonte de vida."
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Mário Schenberg

   
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Ringue palaciano
Presidente Lula, já são treze as perguntas sem a sua devida atenção. Como nossa heróica missão é destilar neste espaço a indignação do povo brasileiro, prosseguiremos com nossas indagações. Presidente, como o senhor disse, em passado recente, que todos os escândalos de seu governo estavam sendo apurados, preferimos aguardar uma semana para incomodá-lo com mais um problema. Na última segunda-feira (4), dois repórteres do jornal Folha de São Paulo, que acompanhavam evento oficial da primeira-dama, foram brutalmente agredidos pelos seguranças palacianos. Presidente, em seus tempos de oposição, um caso como esse certamente já teria se transformado em bandeira da “companheirada”. Agora na condição de brasileiro mais importante (sic), o senhor acha que a truculência é a coisa mais normal do mundo, o que mostra que chegar ao poder com a mão esquerda e governar com a direita sempre foi o seu cardápio político predileto. Foi essa a lição que o finado Golbery do Couto e Silva lhe ensinou? (Foto: laopinion.com)

Maluco-beleza
No último sábado, quando ainda estava em Cochabamba, na Bolívia, onde participou da Cúpula da Comunidade Sul-americana, o presidente Lula, em mais um de seus devaneios discursivos, disse que o Caos Aéreo Nacional é coisa do passado. Mesmo sabendo que a concreção de suas palavras continua sendo obra do imaginário, Lula disparou: “Acho que a situação já está normalizada. Podemos sofrer quando há muita chuva ou quando uma torre cai, mas, por falta de aparelhos para controlar os vôos, não sofreremos nunca mais”. Fusão O problema do controle aéreo não está relacionado diretamente à falta de equipamentos, mas na ausência de investimentos em profissionais especializados. Nova confusão nos aeroportos brasileiros deve estar na linha de produção, pois a possibilidade de os controladores de vôo serem indiciados pela Polícia Federal no caso do acidente do Boeing da Gol é munição mais do que suficiente. (Foto: americas.org)

Mico anunciado
O contribuinte que se cuide nesses dias de comemorações natalinas e de final de ano. Com os aeroportos ainda vivendo sobre a corda-bamba, a saída será seguir viagem pelas estradas estaduais e federais, as quais remetem o usuário a uma espécie de Cabul tupiniquim. Se cruzar o Brasil pelos ares não é algo tão certo quanto se imagina, fazê-lo por rodovia pode ser tão inseguro quanto aventureiro. Mas é bom que o contribuinte conheça a infra-estrutura nacional, para que possa compreender duas situações distintas: 1) que a operação Tapa-Buraco, inventada por Lula e colocada em prática pelo Palácio do Planalto, foi mais uma cornucópia que recheou o caixa 2 da companheirada. 2) que o caos que a economia brasileira deve sofrer em breve tem nome e endereço certo.

A lança do professor
Doutor em Filosofia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris e professor de Filosofia e Ética da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano da Silva, dono do mais coerente e cristalino pensamento do País, lança nesta segunda-feira, em São Paulo, o livro “Ponta de Lança”. Um dos mais ácidos críticos do Estado, Roberto Romano da Silva, que tanto nos honra com seus cobiçados e semanais artigos, tem como parceiros de mais uma empreitada editorial a Lazuli Editora e a Companhia Editora Nacional. Como sempre, o professor da Unicamp apresentará em seu novo livro soluções para um Brasil diferente e melhor, mas jamais deixará de estocar alguém com o dardo da lógica. Roberto Romano é autor dos livros "Brasil, Igreja contra Estado", de 1979, "Copo e Cristal, Marx Romântico", de 1985, e "Conservadorismo Romântico", de 1997. Não perca o lançamento de “Ponta de Lança”, nesta segunda-feira (11), a partir das 19 horas, na Lima Barreto Livraria – Avenida Paulista, 900 – Térreo baixo – São Paulo - Telefone (11) 3287-3529.

Largando na frente
Repetindo o que vem acontecendo nos últimos tempos, a grande imprensa brasileira segue mais uma vez os passos da coluna, divulgando somente agora o que nossos leitores souberam com larga antecedência. A companhia de telefonia celular Tim, ainda sob o domínio do grupo Telecom Italia, deverá mudar de mãos, passado a integrar os negócios de Carlos Slim Helou (a grafia correta e original é Salim), dono da Claro, da Embratel, da mexicana Telmex e de parte da Net, empresa brasileira de televisão a cabo. O negócio, que deve ficar na casa dos US$ 7 bilhões, teve como lobistas o ex-comissário palaciano José Dirceu de Oliveira e Silva e o outrora mega-especulador Naji Nahas. E cada um dos novos “globetrotters” do mundo dos negócios pode embolsar algumas centenas de milhões de Reais a título de comissão. Isso sim é que pode se chamar de opportunidade!

Cortando as asas
De novo na frente... Como noticiou a coluna, dias atrás, estão estremecidas, e muito, as relações entre José Dirceu e Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula. De acordo com o ex-samurai palaciano Luiz Gushiken, Lula e Dirceu já não se falam. Visivelmente amedrontado com as manobras de coxia do ex-companheiro de luta, Lula estaria insistindo na tal coalizão como forma de se blindar contra qualquer intifada rouge que possa estar em andamento. Isso explica o fato de Lula estar pensando em diminuir a participação petista em seu segundo governo. Até porque, o chamado Campo Majoritário, facção ideológica que domina o PT, é controlado por José Dirceu. Para minar o poder de fogo de Dirceu, o Palácio do Planalto tenta encontrar urgentemente um nome para substituir Ricardo Berzoini na presidência nacional do PT, qual está sob o comando interino de Marco Aurélio Garcia. Afastado do cargo partidário desde o escândalo do Dossiê Cuiabá, Berzoini é um dos tentáculos políticos de José Dirceu.

Roendo a corda
A notícia de que a candidatura fracassada do deputado Paulo Delgado (PT-MG) à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas da União foi fruto de um acordo prévio formalizado entre os partidos da base governista não passa de mais uma balela da política nacional. Na verdade, o mais cotado – e preparado também – para ocupar a vaga no TCU era o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que mostrou ao mundo o seu talento como relator da polêmica CPI Mista dos Correios. Serraglio, que retirou sua candidatura em prol de Delgado, reconheceu nos bastidores que errou ao desistir da disputa. Tivesse permanceido até o fim na disputa, Serraglio certamente teria derrotado Aroldo Cedraz, escolhido pelos parlamentares. Se o mundo político ganhou com a permanência de Osmar Serraglio na Câmara dos Deputados, o controle das contas da União perdeu, e muito.

Perguntar não ofende
Enquanto a Polícia Federal se movimenta para descobrir os criminosos que participaram do assalto ao carro que levava a ministra Ellen Gracie Northfleet e o ministro Gilmar Mendes, presidente e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, respectivamente, na perigosamente polêmica Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, a sociedade, indignada, pergunta o que os dois magistrados faziam na Cidade Maravilhosa, quando a máxima corte da Justiça nacional está repleta de processos à espera de uma decisão. Um leitor da coluna, que é parte, como advogado, em processo que repousa no gabinete do ministro Gilmar Mendes, aguarda há mais de um mês uma assinatura no despacho preparado pela assessoria do vice-presidente do STF. Coisas da Justiça tupiniquim.

Briga de rua
As confusões do mundo judiciário desembarcaram com força no Paraná, mais precisamente em Curitiba. Há dias, um entrevero nos bastidores da Justiça por pouco não terminou na delegacia de polícia mais próxima. Um médico do Tribunal de Justiça do Paraná foi agredido por um desembargador em seu ambiente de trabalho, apenas porque se recusou a fornecer um atestado de saúde falso. Não contente com a cena de pugilato que tinha em mente, o desembargador e dublê de arruaceiro fez uso de arma de fogo dentro do TJ paranaense, como se a suposta cegueira da Justiça fosse permissão para atuações típicas de “saloon” de faroeste ianque. Reduto de uma politicagem oligárquica e nepotista, o TJ paranaense fechará os olhos para o ato de banditismo.

Montanha russa
Ainda o TJ do Paraná... Na última semana, o anexo do Tribunal de Justiça paranaense, que ironicamente foi batizado de “Lalauzinho” – não é difícil imaginar os motivos – foi alvo de consideráveis acidentes. Recentemente inaugurado, o luxuoso prédio que abriga os gabinetes dos desembargadores da terra dos pinheirais registrou avarias preocupantes. Além das rachaduras que começaram a aparecer na edificação, um dos elevadores locais despencou duas vezes. Resumindo, não bastasse sua folclórica cegueira, a Justiça é irresponsável.

Desafio considerável
Entre lágrimas de tristeza e efusivas comemorações, o Chile se dividiu diante do anúncio da morte do ex-presidente Augusto Pinochet. Nascido Augusto Jose Ramon Pinochet Ugarte, o ex-presidente chileno ganhou fama como um dos mais cruéis e sanguinários ditadores latino-americanos. Durante os dezessete anos em que esteve à frente do Palácio de La Moneda, Pinochet fez do Estádio Nacional, em Santiago, o seu campo de concentração e muro de fuzilamento particulares. No contraponto, Augusto Pinochet, o ditador que morreu fugindo como pôde do julgamento, deu ao Chile um impulso econômico que perdura até hoje. Entre as tantas dificuldades que a herança de Pinochet carrega, a maior delas coube a Michelle Bachelet, presidente do Chile. Bachelet precisará ser hábil para acalmar os ânimos exaltados que separam inimigos e simpatizantes do general Augusto Pinochet, além de atrair os oxímoros ideológicos chilenos para o mesmo objetivo. A continuidade de uma nação próspera economicamente e madura politicamente. E mais: até agora, Michelle Bachelet, sucessora e afilhada política de Ricardo Lagos, ainda não mostrou a que veio.

Truculência de sacristia
A velha e conhecida tirania do Vaticano, adormecida após a morte de João Paulo II, começa a ressurgir lentamente pelas mãos do ex-nazista Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI. Com chegada ao Brasil programada para maio do próximo ano, Ratzinger, enquanto estiver na cidade de São Paulo, ficará hospedado no Mosteiro de São Bento, no centro da capital paulista. Ensandecidos com a ilustre visita e seguindo ordens ditatoriais da Santa Sé, os monges beneditinos do mosteiro paulistano não pensaram duas vezes para causar transtornos na vida daqueles que agendaram com antecedência compromissos religiosos no templo. Vários casamentos marcados para o período da visita papal foram sumariamente cancelados, sem direito a reclamações. Mesmo assim, a turma da sacristia continua pregando que o catolicismo é a ideologia religiosa dos iguais. Piada, e de péssimo gosto. (Foto: bbcbrasil)

A grande escapada
Continua causando espécie na comunidade evangélica o desaparecimento do apóstolo Estevam e da bispa Sônia Hernandes, o casal que comanda a igreja Renascer. Acusada de lavagem de dinheiro arrecadado em cultos, entre outros crimes, a dupla está com o pedido de prisão correndo na praça. No contraponto, nos escaninhos do mundo financeiro tupiniquim, o sumiço do mais polêmico banqueiro nacional, o Tantas, cujo nome a Justiça ainda nos proíbe de citar, causa preocupação. Nos meios policiais, a ausência do banqueiro opportunista pode ter uma estreita ligação com um caso que vem sendo investigado na região serrana do Rio de Janeiro. Lá, na serra fluminense, a polícia desconfia que existe um enorme cofre subterrâneo, onde estariam guardadas algumas dezenas de milhões de Reais. Crenças religiosas à parte, Tantas e o casal Renascer rezam sobre a mesma cartilha da fuga.

Fim de linha
Na última sexta-feira (8), a tão falada avenida Paulista, centro financeiro do País, completou cento e quinze anos. Cartão postal da São Paulo moderna, a Paulista, como é carinhosamente chamada por aqueles que na Paulicéia Desvairada nasceram ou vivem, vem sendo vítima do descaso das autoridades. Longe dos engravatados que um dia dominaram o cenário local, a Paulista foi transformada em camelódromo de ocasião. Ontem, domingo (10), quem passou pela avenida mais famosa do Brasil pensou estar em uma viela de um mercado persa qualquer, tamanha era a quantidade de ambulantes. Por força da proximidade do Natal, os camelôs não se acanharam para montar suas barracas ao longo da avenida. Em tão bizarro e inacreditável cenário, disputando clientes e espaço nas esburacadas calçadas, mercadores ofereciam artesanato, produtos contrabandeados, imitações de todos os tipos e comidas diversas – de pipoca a tapioca. Os vendedores de “yakissoba” – uma iguaria da culinária asiática que ganha pinceladas de nojo na passarela das finanças tupiniquins – não deram o ar da graça no local que invadem durante a semana. E o alcaide paulistano, Gilberto Kassab, que sucedeu José Serra na mais importante cadeira da cidade, continua impávido, colossal como sempre. Que vergonha seu prefeito! (Foto: estiagem.com.br)

Manobra radical
Pensando bem, Lula como presidente está mais para vôo cego. Sabe que decolou, mas, sem a bússola da lógica, faz da incoerência discursiva sua particular Serra do Cachimbo. Ou seja, pode aterrissar inesperadamente e de maneira desastrosa.

Marcha soldado
(12/12/05) - Quando passamos a noticiar o fato de termos sido alvo de uma decisão bizarra e ditatorial da Justiça, que até hoje nos proíbe de citar o nome do mais polêmico banqueiro tupiniquim, muitos pensaram se tratar de mais uma invencionice, mas a prova de que os tempos de chumbo voltaram está aí. Uma decisão da Justiça, atendendo solicitação dos advogados do banqueiro “Tantas”, proibiu o jornal Folha de São Paulo de divulgar informações sobre o caso Kroll. O serviço de espionagem contratado pelo banqueiro resvalou em autoridades do governo Lula, além de empresários e inimigos do banqueiro, os quais tiveram os passos seguidos e a vida bisbilhotada. Anteriormente, o sítio eletrônico do PCdoB (www.vermelho.org.br) fora proibido de citar temas relacionados ao caso, como se não existisse no país a chamada liberdade de imprensa. Por outro lado, é preciso lembrar que a decisão da Justiça atropela a garantia constitucional da livre manifestação do pensamento, pois, como determinada a Carta Magna, inexiste o anonimato. E como nos três casos não existe anonimato algum, o melhor mesmo é pensar que os plúmbeos anos estão de volta.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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