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ano 6 - número 1261

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A própria virtude precisa de limites."
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Dúzia de 13
Presidente Lula, já são doze as perguntas formuladas pela coluna que não mereceram a sua atenção. Mesmo assim, vamos continuar nessa heróica missão de destilar o total descontentamento do povo brasileiro. E vamos à próxima indagação. Presidente, não faz muito tempo, o senhor disse que, a partir de agora, a "companheirada" não teria mais aquela velha e conhecida "moleza". Por outro lado, sob suas ordens, os palacianos se emprenharam ao máximo para fazer do deputado não reeleito Paulo Delgado (PT-MG) o mais novo ministro do Tribunal de Contas da União. Presidente, sem que ninguém saiba deste nosso informal colóquio, o senhor acredita que um sociólogo e professor de Geografia, que se calou diante do mensalão e nem mesmo bom dia dá à própria imagem refletida no espelho, seria capaz o suficiente para analisar, e condenar se necessário, as despesas efetuadas com os misteriosos e presidenciais cartões de crédito ou, então, a dinheirama gasta com as fantasmagóricas cartilhas oficiais distribuídas ao seu partido? Presidente, responda sem constrangimento algum, pois como disse, certa vez, Santo Agostinho, “simular humildade é ser soberbo”. (Foto: desieni.com)

Pane discursiva
A crise instalada na aviação civil brasileira tem causado uma múltipla dicotomia dentro do governo Lula. O próprio presidente determinou a duplicação imediata dos equipamentos de controle de vôo, mas autoridades do setor afirmaram, nos últimos dias, que não é o caso. Waldir Pires, ainda ministro da Defesa, não descartou a possibilidade de sabotagem para justificar a quase total paralisação dos aeroportos no começo da semana. Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que tenta contornar a crise, disse, nesta quinta-feira, ao comentar o caos dos dois primeiros dias da semana, que acha que "seguramente foi uma falha humana". Ora, quem acha não pode ter segurança naquilo que diz.

Deu a louca
O bamboleio discursivo mais evidente ficou por conta do ministro da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos Silva Bueno, que durante entrevista coletiva concedida ontem, quinta-feira (7), considerou desgastados os equipamentos utilizados pelos controladores do tráfego aéreo, especialmente pela obsolescência dos softwares. Provavelmente alertado por um assessor, Silva Bueno, ao responder pergunta de um jornalista, negou que tenha pronunciado o vernáculo “desgastado”. Contestado pela imprensa, o militar recuou e disse que fora uma falha de comunicação. De fato, ministro, o que parou o Brasil, nos últimos dias, foi falha na comunicação. E não “de comunicação”. E mais: de acordo com o ministro da Aeronáutica, não há no Brasil um técnico capaz de consertar o equipamento que causou o apagão aéreo desta semana.

Batendo duro
Essa tal coalizão que o presidente tanto anuncia como sendo a solução para o deslanche de um país que há décadas é considerado como sendo do futuro, pode ruir a qualquer momento. O PMDB, partido político que supostamente é o pilar central da base aliada no Congresso, está literalmente rachado. Ontem, em polêmico discurso proferido na tribuna do Senado, o senador Mão Santa (PMDB-PI), contundente como sempre, atacou com veemência o governo do presidente Lula, sem deixar de voltar sua artilharia para o próprio partido. E um dos mais acalorados momentos de seu discurso, Mão Santa disparou: “os que me prendem ao PMDB são os mortos, e não os vivos que estão a negociar”. Ou seja, Renan Calheiros, José Sarney e Ney Suassuna foram dormir com um barulho extra na consciência. (Foto: portalaz.com.br)

Que vergonha, Lula!
Sem dar trégua ao presidente Lula, o senador piauiense ressuscitou a velha ética que o PT utilizou, durante décadas, para se fazer passar como solução para um país dominado pela corrupção desde os idos de 1.500. Em seu discurso, Mão Santa disse que o “PT aproveitou-se do nome do trabalhador para enganar e chegar ao poder, e agora serve aos banqueiros”. Nos últimos tempos, Mão Santa, um crítico contumaz do Estado, tem sido o mais coerente parlamentar a postar-se na trincheira que faz oposição ao Palácio do Planalto. E o senador lembrou, em boa hora, que ninguém há de fazer do Brasil uma Venezuela, pois o Congresso não permitirá tão populista barbárie.

A palavra é uma arma
Um dos únicos nomes de expressão da atual equipe do presidente Lula, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou-se favorável a um salário mínimo de R$ 367, e não R$ 375 como consta do Orçamento de 2007, matéria que ainda precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. No contraponto, o sindicalista e deputado federal eleito Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, desembarcou em Brasília nesta quinta-feira, acompanhado de outros líderes de centrais sindicais, para defender um salário mínimo de R$ 420. Ciente da dificuldade de fazer da própria reivindicação uma realidade, Paulinho aposta na hipótese de um salário na casa dos R$ 400, o que seria o meio do caminho entre as duas propostas. Porém, a dicotomia voltou a atacar o PT e seus integrantes. Enquanto Mantega defendeu o salário de R$ 367, alegando que a esse valor estavam incorporados o “PIB per capta e a inflação por inteiro”, o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), anunciou que a candidatura do companheiro Arlindo Chinaglia para comandar a Casa tem o aumento salarial dos deputados como âncora. A alegação de Fontana é de que o aumento salarial dos deputados representa a reposição da inflação do período. (Foto: agenciabrasil.gov.br)

Conta errada
Ainda o novo e miserável salário... Ora, se o novo salário mínimo proposto por Mantega, que carrega a inflação, é de 4,86%, o dos deputados, que segundo o líder Henrique Fontana também carrega o índice inflacionário, não pode ser de R$ 24.500,00. Considerando que o atual salário dos deputados é de R$ 12.847,20, saltar para R$ 24.500,00 significa um aumento de 90,7%. O que é inconcebível, mesmo que o último aumento salarial dado aos parlamentares tenha ocorrido em 2003. Enfim, resta concluir que não há ninguém mais capitalista do que um comunista no poder.

Todo cuidado é pouco
Muito esperada pelo mercado financeiro nacional, a Ata do Copom, divulgada ontem, trouxe informações que desagradaram gregos e troianos. Emoldurando mais uma vez a palavra “parcimônia”, o Copom sinalizou para índices menores de redução da taxa de juros – em janeiro de 2007 deve ser de no máximo 0,25% - o que mostra que a Economia, que segundo alguns especialistas vai muito bem – não está tão segura assim. Durante a última reunião do Copom, três conselheiros foram contra a redução de meio ponto percentual na taxa básica de juros. O que denota que a possibilidade de uma repentina volta da inflação não está descartada na opinião dos que de economia entendem. O fato é que o virtual aumento do poder de compra do brasileiro contracena com a falência produtiva e do setor de infra-estrutura.

Tudo outra vez
Passada a eleição presidencial, em 2002, representantes e executivos de bancos internacionais, reunidos em São Paulo, como fazem quase que mensalmente, não hesitaram em afirmar, na época, que tinham o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva na mão. E a profecia de outrora não apenas se confirmou, meses mais tarde, como perdura até hoje. Há dias, em novo encontro do setor, um conhecido executivo do mercado financeiro internacional, que atua fortemente no Brasil, disse que o presidente Lula está perdido. Ora, se quem compra a dívida brasileira já não acredita no presidente, porque nós que pagamos a conta deveríamos acreditar?

Correndo por fora
Inocêncio de Oliveira (PL-PE) será candidato à presidência da Câmara caso a candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) não decole. Essa é a previsão antecipada que se balbucia pelos corredores da "Câmara dos Candidatos". Pelo menos três partidos já estariam “engatilhados”, nas palavras do próprio Inocêncio, em favor da candidatura do atual secretário da Mesa. A conversa que o Inocêncio de Oliveira deverá ter, na próxima terça-feira, com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, é um forte indicativo, além de turbinar a pretensão, ainda tímida, do pernambucano. Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia (PT-SP) que se cuidem com o rei do baixo clero. É preciso lembrar que, como primeiro-secretário, espécie de prefeito da Câmara dos Deputados, Inocêncio tem a seu lado todos aqueles que dele precisaram de algum favor.

Jogo certo
No sorteio dos gabinetes para os novos deputados, que assumem em 2007, Inocêncio de Oliveira provou que sua política de afagos é capaz de desestabilizar qualquer estratégia mais arrojada de petistas e do próprio governo Lula. Ele mesmo diz, sem constrangimento, que trata os novos parlamentares como crianças: quando pedem um carrinho, ele dá um chocolate, e quando não dá nada, pelo menos trata bem. Outra virtude do primeiro-secretário é definir os chamados deputados do baixo clero como iguais. Apesar do proselitismo barato, Inocêncio de Oliveira acredita que a próxima legislatura deverá enquadrar três questões básicas para a moralização do Parlamento: a aprovação do financiamento público da eleição, a fidelidade partidária e a adoção do voto distrital misto. Se é que o imoral pode ser moralizado.

Agora vale tudo
No extenso voto em que considerou inconstitucional o artigo 13 da lei 9.090/95, que estabelece a cláusula de barreira para partidos políticos, o ministro Marco Aurélio (STF) fez as contas sobre as eleições de outubro passado. Revelou que dos vinte e nove partidos registrados no TSE, oito partidos não elegeram nenhum deputado federal e apenas sete obtiveram o índice exigido pela “cláusula de caveira”, segundo expressão do ministro Carlos Brito. E desses sete, dois seriam os mais beneficiados com a redefinição do fundo partidário. O PMDB teria um reforço de caixa de 34,29%, enquanto o PSB de 43,53%. O menos beneficiado seria o PP, com 0,54%.

Pérolas ao ar
A decisão por unanimidade do Supremo Tribunal Federal em derrubar a cláusula de barreira deve viabilizar politicamente a candidatura do comunista Aldo Rebelo (SP). Ameaçada pela legislação ordinária, a bancada assistiu em peso os votos dos ministros da Suprema Corte, cujo cerne foi a defesa das minorias. E pelo sempre rebuscado discursar dos ministros, o Judiciário parece estar experimentando uma metamorfose positiva. Confira as frases dos ministros do STF proferidas durante o julgamento da Ação de Inconstitucionalidade - Adin da Cláusula de Barreira: Sepúlveda Pertence (sobre a cláusula e sua influência sobre os partidos pequenos) – “Não mata, mas deixa morrer”. Marco Aurélio Mello: “Que venha uma reforma política”. Gilmar Mendes, sobre o mesmo assunto: “É preciso repensar a fidelidade partidária”. Carlos Brito (citando Sócrates): “Seja qual for a decisão do Homem, se ficar solteiro ou casar, haverá sempre um arrependimento”.

Cotovia no planalto
Trazendo no nome a palavra Junho, vernáculo derivado da deusa grega Juno – mulher de Júpiter e rainha dos deuses – Nanih Junho é daqueles talentos escondidos que não só o Brasil, mas o mundo, deveria conhecer. Dona de uma voz inconfundível e de uma incrível capacidade de imprimir ao seu repertório uma releitura jazzística, Nanih Junho nos deixa para trilhar novos caminhos profissionais na Europa, o Velho Mundo, tendo a reluzente Paris como porta de entrada. Como a própria morfologia atesta, Junho significa desambiguação, ou seja, o ato de interromper a ambigüidade. E Nanih, fazendo jus ao Junho que no nome carrega, é única, verdadeira e talentosa. É o jeito brasileiro de vencer. E quem ainda não ouviu Nanih Junho, ou quer ouvi-la mais uma vez antes de sua turnê pela Europa, não pode perder, nesta sexta-feira, em Brasília, o show “Bossa & Blues”. Nanih Junho solta a voz nesta sexta-feira (8), em Brasília, no Champanharia Latitude 15º - 404 Sul. Não perca, pois Nanih Junho é muito mais! Clique e confira o site da cantora.

Professor Raimundo
Pensando bem, só faltava um professor de Geografia para que o TCU descobrisse o Brasil.

Ele voltou
(08/12/05) - Em mais um discurso para a platéia que de economia nada sabe – e é a maioria – o presidente Lula abusou da retórica para dizer que seu governo é uma cascata de acertos. Durante entrevista a emissoras de rádio, em Brasília, Lula, ao comentar sobre a política econômica do governo, disse não achar altos os juros brasileiros. Disse o presidente que os juros são razoavelmente baixos. É verdade que Lula é uma espécie de ventríloquo do caos, mas sua assessoria deveria informá-lo sobre a realidade brasileira, pois, na ponta, os juros para a produção estão na casa dos 67% ao ano, enquanto os para o consumo, 144% ao ano. Ou Lula revela o endereço do banco que cobra juros razoavelmente baixos, pois os que aí estão...

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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