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ano 6 - número 1260

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A prosperidade cria os amigos; a infelicidade os prova."
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Fala Presidente, fala!
Presidente Luiz Inácio, já são onze as perguntas formuladas pela coluna que não mereceram sua atenção, além da proposta de trocar, por curto espaço de tempo, o Palácio do Planalto pelo do Catete. Mesmo assim, vamos para mais uma de nossas indagações. Presidente, o Caos Aéreo Nacional, que toma conta do País, é reflexo, principalmente, da falta de investimentos no setor. Literalmente abandonados pelo Estado, os controladores de vôo, para sobreviverem dignamente, são obrigados a trabalhos extras fora do horário oficial de labuta para completar o salário que recebem para monitorar o espaço aéreo brasileiro. Um deles, Presidente, durante anos dividiu o próprio tempo entre a torre de controle de Brasília e a boléia de um caminhão. Presidente, como o senhor bem conhece a história de um ex-monitor de zoológico que, da noite para o dia, se transformou em empresário de sucesso, por que não mostra a esses loucos que ficam com os olhos grudados na tela do radar o caminho para chegar aos céus da fortuna? Responda, Presidente, pois o Brasil quer lhe ouvir. (Foto: fredsakademiet.dk)

Mãos ao alto!
Em 2005, depois de uma assustadora escalada da carga tributária, o presidente Lula e seus asseclas se valeram de secular mesmice para garantir que os impostos diminuiriam a partir do ano que ora está em seu derradeiro mês. A reboque de mais um discurso mentiroso, o presidente Luiz Inácio assiste à derrocada de sua tentativa de destravar o crescimento até o dia 31 de dezembro próximo, pois a carga tributária aumentou, e muito, do ano passado para cá. Em 2005, a arrecadação tributária correspondeu a R$ 3.980,00 per capta. Já em 2006, no contraponto do discurso luliano, cada um dos brasileiros estará contribuindo com R$ 4.400,00. Isso explica o slogan criado pelo baiano Duda Mendonça para o governo do amigo e presidente Lula. Brasil, um país de todos. Todos pagando impostos!

Inimigos de ocasião
Depois da entrevista que concedeu ao jornal O Globo, em que tratou, entre tantas coisas, de sua atuação como lobista, José Dirceu de Oliveira e Silva, o ex-homem forte do governo petista, viu suas já comprometidas relações com o Palácio do Planalto piorarem ainda mais. Demissionário e dedicando tempo integral à família, em São Paulo, o samurai Luiz Gushiken tem acompanhado de longe, porém atento, aos movimentos advindos do Planalto. De acordo com Gushiken, que trocou confidências com um dileto amigo, Lula e Dirceu já não se falam. O que explica a empreitada do ex-comissário palaciano nos bastidores da política, que pode passar a mandar na Câmara dos Deputados caso Arlindo Chinaglia seja eleito para presidir a casa. E é exatamente isso que assusta a maioria dos deputados. (Foto: AFP)

Biruta no ar
O caos que tomou conta dos aeroportos brasileiros, nesta quarta-feira, mostrou que o País está à beira de um colapso, além de ficar claro que os parentes das cento e cinqüenta e quatro vítimas do Boeing da Gol foram ludibriados por um projeto de reeleição. Para se ter uma idéia do tamanho do colapso aéreo, muitos foram as vezes em que, por conta de falha no sistema de áudio do Cindacta-1, os controladores de vôo monitoraram o espaço aéreo brasileiro utilizando os próprios celulares. Ou seja, o que deveria ser disponibilizado por equipamento era conseguido através de telefonemas. Mesmo assim, ainda tem gente naquele slogan barato e falacioso de 2002, que garantia a vitória da esperança sobre o medo.

Boi na linha
Nesse imbróglio em que se transformou o espaço aéreo brasileiro, algumas dúvidas ainda pairam no ar. Se de fato os equipamentos de controle estão ultrapassados ou danificados, alguém de explicar como os aviões cargueiros têm feito para chegar ao solo, especialmente em período de festas, quando produtos natalinos são aguardados a todo o momento. Por outro lado, preocupa a possibilidade de a estatal postal brasileira, Correios, ter prejuízos astronômicos por conta de um Sedex que não chega ao destino no tempo combinado. Mas, o que mais intriga é como o amalucado Hugo Chávez conseguiu chegar tranqüilamente a Brasília, ontem, para uma visita oficial ao companheiro e presidente Lula.

Pé no freio
O número de “aloprados” envolvidos no dossiê fajuto dos Vedoim pode chegar a dez, incluindo o presidente afastado do PT nacional, deputado Ricardo Berzoini, e pessoas ligadas ao marketing da Petrobras. O cálculo é de um integrante da CPMI das Sanguessugas, após confrontar dados da própria comissão e o depoimento do delegado da Polícia Federal, Diógenes Curado, conhecido por engavetar inquéritos que possam comprometer pessoas importantes da vida pública brasileira. O depoimento do policial não acrescentou novas informações, mas foi esclarecedor quando mostrou um vídeo onde Hamilton Lacerda, ex-assessor de Aloízio Mercadante, fala ao telefone no mesmo horário com o ex-policial federal Gedimar Passos, preso com o dinheiro usado para pagar os Vedoim. A rodem palaciana que reina na CPI que investiga os ultrajes na compra de ambulâncias é acabar com os trabalhos o mais rápido possível, mandando para debaixo do tapete toda a lama produzida pelo caso. A preocupação do presidente Lula é com os possíveis desdobramentos do caso, já que alguns depoimentos prestados à Polícia Federal comprometem de sobremaneira badalados integrantes do PT.

Cabidão da esquerda
O calvário que vem sendo imposto a milhares de passageiros em todo o País é reflexo não apenas de uma irresponsável escassez de investimentos no setor, mas da politização da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, que a exemplo de outras agências reguladoras é um cabide empregatício que abriga a companheirada petista. Imaginar que a Aviação Civil, que durante décadas esteve sob a responsabilidade do DAC, agora está sob os cuidados de cidadãos que olham muito mais para o próprio bolso do que para os céus do Brasil, é o mesmo que acreditar em cegonha. De mais a mais, os integrantes de todas as agências reguladoras brasileiras deveriam colocar à disposição das autoridades, de imediato, a quebra dos próprios sigilos fiscal e bancário. E não será novidade alguma se alguém descobrir que membros da Anac sejam disfarçados representantes das companhias aéreas.

Castelo de areia
A crise no sistema brasileiro de aviação está preocupando os parlamentares que, tardiamente, acordaram para a grave situação do setor. Um parlamentar do PT teme que a classe política comece a sofrer represálias físicas nos aeroportos por conta da enorme insatisfação dos passageiros. Esse mesmo parlamentar lamenta a letargia do próprio presidente Lula, que ainda não tomou uma posição séria, como a demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires, e do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos da Silva Bueno. Já o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RO), garante que o presidente Lula determinou que “todas as providências sejam tomadas” para resolver o caos. Justiça seja feita: Jucá tem sido um herói em defender um governo fraco diante da pane na aviação. Abandonado pelo PT na recente disputa pelo governo do Mato Grosso do Sul, o senador Delcídio Amaral (PT), durante discurso no plenário do Senado, cobrou do presidente Lula uma posição firme para acabar com a crise que toma conta dos céus tupiniquins. E mais: Delcídio condenou a decisão do presidente Lula de não vir a público e se explicar.

Justiça feita
Em Santa Maria, no belo e querido Rio Grande do Sul, cidade natal do ex-ministro Nelson Jobim, um gaúcho foi preso e algemado em novembro de 2005 porque exibia em sua guaiaca (cinturão de couro típico da pilcha) onze balas de revólver calibre 38. Recentemente, o juiz da 3ª Vara Criminal de Santa Maria decidiu que Araújo, como é conhecido este quase explosivo gaúcho, não cometeu crime algum. E o juiz foi além: - No meu entendimento, não chegou nem a haver crime. Senão, não mandava nem devolver a guaiaca com as balas. Trecho da sentença: “O gaúcho tipicamente trajado não deve ser algemado em via pública, por ornar sua guaiaca com balas de revólver, para que não se mate aos poquitos as tradições do Rio Grande. Restitua-se ao acusado, para completar justiça, suas facas e sua guaiaca com o respectivo adorno”. Ainda bem que a justiça gaúcha permite que um gaudério ande enfeitado e faceiro.

Fim da farra
Como já era de se esperar, a eleição para conselheiro do Tribunal de Contas da União na cota que cabe à Câmara dos Deputados foi um termômetro para a chamada coalizão dos partidos aliados ao governo. Dois fatores pesaram para que Paulo Delgado (PT-MG) perdesse por uma diferença de vinte e quatro votos para o oposicionista Aroldo Cedraz (PFL) na noite desta quarta-feira. O primeiro foi a prepotência do PT em insistir com uma candidatura vinculada a um projeto de Lula. O segundo erro, na leitura de governistas e da totalidade da oposição, foi bancar a candidatura do petista, um deputado conceituado, mas com péssimo trânsito entre seus pares. Espécie de sócio majoritário da verdade, Paulo Delgado provoca torcer de narizes por onde passa.

Fio trocado
No rápido discurso que fez antes do início da escolha do novo conselheiro do TCU, o deputado Paulo Delgado (PT-MG) abusou da retórica ao dizer que “fiscalizar as contas públicas é uma tradição nas democracias modernas”. Ora, se Delgado tem plena certeza de suas palavras, bom seria que o próprio parlamentar fosse ao Palácio do Planalto para avisar ao companheiro Lula que permitir o acesso às faturas dos cartões de crédito é, além de uma tradição, um direito do contribuinte. Ou Paulo Delgado, se vitorioso, seria mais um a integrar o escudo criado para proteger os aloprados petistas, ou o deputado mineiro não tem a mínima noção do que fala.

Trocendo contra
Quem tem feito figa para que o inferno astral do deputado eleito Juvenil Alves (MG) aumente é Mário Assad (PSB), deputado federal eleito pelo belo e misterioso estado de Minas Gerais. Assad será o primeiro beneficiado caso o TRE mineiro mantenha a suspensão da diplomação do deputado eleito pelo PT por abuso de poder econômico nas eleições de outubro passado. Primeiro suplente na coligação PHS-PSC-PSB, Mário Assad deve permanecer na Câmara com a anulação dos votos dados a Juvenil e recontagem dos votos válidos. A ascensão do suplente do PMDB, Milton Lima, está virtualmente descartada porque na contagem não são considerados os votos nulos ou em branco. Resumindo, Juvenil Alves já mudou o discurso. Se não for assim, é Assad.

Na mosca
Depois de meses insistindo na reeleição do deputado Aldo Rebelo para a presidência da Câmara, o presidente Lula, emoldurado pelo discurso barato da Vênus Platinada, agora admite a possibilidade de deixar de lado o companheiro do velho partidão. Desde o início das especulações, a coluna vem defendendo a tese de que Aldo Rebelo não pode ocupar nenhum cargo diretivo na Casa legislativa, por conta da chamada cláusula de barreira. Sem ter conquistado nas últimas eleições o coeficiente mínimo exigido pela Justiça Eleitoral, o PCdoB de Aldo Rebelo está fora do chamado grupo de elite da política brasileira. Ratificar a candidatura do atual presidente da Câmara é, no mínimo, zombar da Justiça.

Baderna geral
A decisão do PT de lançar o deputado Arlindo Chinaglia (SP) como candidato do partido à sucessão de Aldo Rebelo mostra que nem tudo está resolvido nos bastidores da política tupiniquim. Considerando a hipótese, nada impossível, de a candidatura de Chinaglia decolar, as pretensões do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) ficam seriamno tem tudo para ser presa fácil para a oposição, que não permitirá que as duas Casas do Congresso Nacional sejam comandadas por aliados do Palácio do Planalto. Animados com a situação, os partidos de oposição voltaram a depositar esperanças na candidatura do potiguar José Agripino Maia (PFL), que já teria pouco mais de trinta votos garantidos.ente comprometidas. Também de olho na reeleição, o senador alagoa

Videogame gauche
Prensando bem, Lulinha, o primeiro-filho, poderia assumir o controle aéreo nacional. Afinal de contas, jogo eletrônico é o seu próspero negócio.

Quem usa, cuida!
(07/12/05) - Informações obtidas pela coluna dão conta que o presidente Lula está buscando uma forma de compensar o deputado cassado José Dirceu, não apenas para minimizar o calvário do companheiro pela perda do mandato, mas principalmente para escapar do fogo amigo, que o ex-comissário palaciano prometeu e tem munição suficiente para tal. É preciso lembrar que Tilden Santiago já não é mais o embaixador brasileiro em Cuba, onde, por sinal, aprontou poucas e boas, e José Dirceu, além de morrer de amores por Fidel Castro, tem a patente de coronel no exército da ilha. Ou seja, tal situação é o que no popular chama-se de corda e caçamba.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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