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ano 6 - número 1254

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres."
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Presidente, responda!
Com uma dívida de quase R$ 10 milhões – boa parte devida a gráficas da capital paulista – o comitê de campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva encontrou uma saída, horas antes do prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral, para fechar a contabilidade. O passivo da campanha, de acordo com documento protocolado no TSE, será assumido pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. O que causa enorme estranheza é o fato de o PT nacional assumir nova dívida de grande monta, enquanto os empréstimos concedidos pelos bancos Rural e BMG – contraídos por Marcos Valério, Delúbio Soares, Silvio Pereira e companhia limitada – ainda não foram pagos. Muito estranhamente, as duas instituições financeiras, que prometeram cobrar a dívida na Justiça, até agora não se mexeram. Presidente, o senhor vai novamente dizer que não sabia? Responda, Presidente, o Brasil quer ouvi-lo. (Foto: frbatlanta.org)

Filho do homem
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu, nesta terça- feira, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – é filho do presidente Lula, das acusações contidas em reportagem do jornal Folha de São Paulo. De acordo com o tablóide paulistano, Lulinha, que mantém programa de jogos eletrônicos na Rede Band, estaria recebendo metade do faturamento gerado com a propaganda que o governo federal veicula na emissora paulista. Dilma, ao defender Lulinha, disse que se trata de uma modalidade normal de negócio televisivo, pois empresas e igrejas compram horários nas emissoras para veicularem seus programas. Ora, se a Gamecorp, empresa do bem sucedido empresário Lulinha compra parte do horário da Band, não há porque receber metade do que a emissora fatura com anúncios oficiais. Tem boi na linha, e é dos grandes.

Balde d'água fria
Enquanto o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, afirma que as relações com o PTB no novo governo Lula serão revistas, a bancada do partido de sustentação do governo na Câmara sonha em manter no cargo de ministro do Turismo, o mineiro Walfrido dos Mares Guia. Lula, que acenou com tal possibilidade em recente discurso, disse que Mares Guia foi e é o melhor ministro da pasta que o Brasil já teve até hoje (nunca neste país...). A cúpula petista, sempre na contramão da articulação palaciana, garantiu, por intermédio de Marco Aurélio Garcia, que o conselho político, ainda a ser criado, será composto apenas pelo PMDB, PCdoB, PRB, PSB e PT. Nas contas do presidente do Partido dos Trabalhadores, PL e PTB já foram barrados. (Foto: clarin.com)

Par ou ímpar?
Os partidos que integram a base governista na Câmara dos Deputados reúnem-se na manhã desta quarta-feira. O objetivo do encontro é chegar a um consenso em torno do candidato único a conselheiro do Tribunal de Contas da União, cargo que virou moeda de troca na chamada coalizão da governabilidade. A idéia inicial é escolher um dos quatro candidatos ligados aos partidos que apóiam o Palácio do Planalto. A estratégia maior é reverter a tendência da oposição de eleger o seu candidato na eleição marcada para ontem, e que foi transferida para a próxima terça-feira (5). O adiamento é mais um artifício palaciano para que os partidos tenham tempo para formalizar um acordo. Relator da CPI dos Correios, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) – que teve uma expressiva votação nas últimas eleições - é peça importante nas negociações entre o seu partido, o PT e o Palácio do Planalto. Além de produzir reflexos diretos na eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Federal.

Camisa de força
Envolvido no escândalo do dossiê contra candidatos tucanos, o aloprado Gedimar Passos, durante depoimento à CPI das Sanguessugas, nesta terça-feira, roubou a cena ao dizer que foi vítima de maus tratos na sede da Polícia Federal, em Cuiabá. Ex-policial federal e advogado Gedimar Passos, na tentativa de desviar o rumo das investigações, afirmou que, durante o período em que esteve preso na capital mato-grossense, permaneceu “em uma cela de castigo, com água até a canela”. Se Gedimar foi orientado para confundir ao máximo, a ele deveria ter ministrado o mesmo remédio dado a Silvio Pereira, durante depoimento na já encerrada CPI dos Bingos. Agora, surgir com uma tese fantasiosa de tortura é querer zombar do raciocínio do brasileiro. Ou será que a polícia de governo, comandada por Márcio Thomaz Bastos, se especializou em torturar aloprados?

Barra limpa
Ontem, antes do início da votação dos processos de cassação dos senadores Ney Suassuna, Serys Slhessarenko e Magno Malta, era voz corrente nos bastidores do Congresso que um acordo espúrio livraria os três parlamentares acusados de integrarem a Máfia das Sanguessugas. A maior das surpresas foi a vergonhosa absolvição do senador Ney Suassuna, que foi citado diversas vezes no depoimento do seu ex-chefe de gabinete, Marcelo Carvalho, também conhecido nas rodas do poder como Marcelo do Ney ou Marcelo Fraldinha. No contraponto, a absolvição de Serys Slhessarenko não foi novidade, pois contra a senadora sul-mato-grossense não existiam provas e nem indícios de participação no esquema de ambulâncias superfaturadas. Magno Malta só escapou porque as acusações vieram acompanhadas de provas inconsistentes.

Beco sem saída
Quem está cada vez mais complicado nesse imbróglio do dossiê é o deputado Carlos Abicalil (PT-MT), que disse ter conversado por telefone com membros da quadrilha do dossiê apenas porque queriam avisá-lo sobre uma suposta armação contra a senadora Serys Slhessarenko. Para complicar ainda mais a já complicada situação de Abicalil, o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) perguntou, durante sessão de julgamento, se Carlos Abicalil informou a senadora Serys sobre informação que obteve com os aloprados.

Boca no trombone
Se depender do senador João Alberto (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética da Câmara Alta, o culpado pela absolvição dos três senadores acusados de integrar o bando dos parlamentares sanguessugas foi a CPMI que não apurou corretamente as denúncias feitas pelos Vedoim. Essa foi a resposta de João Alberto aos jornalistas após a última absolvição do dia, por doze votos a zero, do senador Magno Malta (PL-ES). A unanimidade a seu favor foi recebida pelo senador evangélico como um "Domingo de Páscoa". Já o relator do processo, senador Demóstenes Torres (PFL-GO), considerou que ele foi agraciado pelo benefício dúvida. Já o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), em pior situação no escândalo das ambulâncias, coube-lhe apenas uma advertência verbal do Conselho de Ética. Mesmo assim, Suassuna saiu do Conselho contrariado.

Atiradores de elite
O tucanato decidiu encarar com seriedade a briga pelo controle da Mesa Diretora do Senado. No almoço desta terça-feira, no gabinete do senador Tasso Jereissati, que reuniu a atual bancada e os novos senadores, a direção do partido pediu ao senador Leonel Pavan para que desistisse de assumir como vice-governador de Santa Catarina, em 1º de janeiro próximo. Mesmo com a promessa de que teria mais poder dentro do partido, caso aceitasse, Pavan negou o apelo dos companheiros tucanos. E por falar em Santa Catarina, o PSDB deve ficar com três secretarias no governo de Luiz Henrique da Silveira. A da Saúde está praticamente definida para o deputado estadual Dado Cherem.

Correndo por fora
Nesta quarta-feira, a bancada do PFL se reúne no Senado para discutir as estratégias em torno da eleição do senador José Agripino Maia (PFL-RN) para a Mesa Diretora. Nas contas do candidato de oposição a Renan Calheiros, apoiado abertamente pelo Palácio do Planalto, já estariam certos quarenta votos. Este número é quase a metade de senadores da Casa, o que garante, até o momento, a viabilidade da candidatura que teria apoio da ala autêntica do PMDB, uma parte da bancada de cinco senadores do PDT, além da maioria do PFL e o Senado, mas a política nacional, com o senador potiguar na presidência da Casa legislativa, perde um orador de peso e contundente.

Mico novo
Podendo funcionar, no máximo, até 22 de dezembro – é o quem determina o regimento – a CPI das Ongs foi criada nesta terça-feira pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, atendendo a um requerimento do senador Heráclito Fortes (PFL-PI). A Comissão vai investigar o repasse de verbas federais às Organizações Não Governamentais, que nas últimas semanas passaram a freqüentar o noticiário na condição de pivôs de escândalos de desvio de recursos. Mesmo que curta seja sua duração, a CPI das Ongs vai causar sérios transtornos para o apagar das luzes do primeiro governo do presidente Lula. Uma das Ongs que será investigada é a Rede Treze, que teve no comando ninguém menos que Lurian Lula da Silva, a filha do presidente. Jorge Lorenzetti, churrasqueiro presidencial e um dos aloprados do Dossiê Cuiabá, foi chamado pelo Palácio do Planalto, em 2003, para que liquidasse as dívidas de Lurian em Santa Catarina (cabeleireiro, taxas condominiais, butiques, casas de festas, etc), semanas antes da extinção da Rede Treze. E assim foi feito.

Barril de pólvora
Se Ney Suassuna escapou da cassação porque, segundo dizem, sabe demais sobre os bastidores do Planalto e, principalmente, porque participou de maneira ativa em muitos dos conchavos em favor do presidente Lula, imagine o que pode acontecer com o ainda deputado José Janene, cujo processo de cassação será votado no plenário da Câmara na próxima quarta-feira (6). Acusado de ser um dos grandes operadores e beneficiários do mensalão, Janene vê crescer as chances de escapar da degola política. Primeiro porque o assunto está saturado junto à opinião pública, a única que poderia cobrar dos deputados federais uma conduta implacável durante a votação. A outra razão reside no fato de Janene saber muito mais dos bastidores palacianos do que Suassuna. Para se ter uma idéia da segurança que reina nos domínios de Janene, tempos atrás o deputado do PP paranaense chamou o presidente Lula de “filho da p...” e ninguém ousou contestá-lo. Nem o Planalto, nem o presidente.

Reduto de anjos
Sem maiores explicações, a normalidade voltou a reinar nos aeroportos brasileiros. Na tarde desta terça-feira, o aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do País, apresentava uma calmaria que chamou a atenção inclusive dos funcionários locais. A suspensão repentina dos atrasos nos vôos deve ter uma explicação, que só os envolvidos no imbróglio podem dar. Ou o governo federal prometeu aos controladores que a culpa pelo trágico acidente com o Boeing da Gol vai mesmo ficar no colo dos pilotos americanos, ou alguém encenou uma daquelas incríveis mágicas.

Corda bamba
Até o fechamento desta edição, a última enquete da coluna, que queria saber do leitor em qual período do segundo mandato o presidente Lula seria ejetado do poder, apresentou resultados finais interessantes para o eleitor, mas extremamente preocupantes para o Planalto. Para 46,99% dos leitores, Lula cai no primeiro ano do próximo mandato. Também 46,99% dos leitores acreditam que Lula cai no segundo. 3,41% apostam na queda do presidente só no terceiro ano do mandato, enquanto 2,41% acreditam que tal situação só ocorrerá no último ano. A mais nova enquete do ucho.info quer saber do eleitor se Lula vai conseguir destrancar o crescimento do País até o final deste ano. Participe votando na enquete localizada na coluna à esquerda.

Meio a meio
Pensando bem, Lula vive um dilema. não sabe se um governo de meia-coalizão ou admite que, mesmo com coalizão, será um meio-governo.

Apavorou de vez
(29/11/05) - Há dias, em uma roda de respeitáveis comunicólogos, uma notória figura da república “luliana” disse, a quem quisesse ouvir, que o pavor maior do Palácio do Planalto atende pelo nome de MTB Bank. Tal declaração, além de explicar a decisão do Ministério da Justiça de não liberar para a CPI Mista dos Correios as informações disponibilizadas pela promotoria de Nova York, revela os motivos que levaram o deputado José Mentor (PT-SP), relator da CPI do Banestado, a apresentar tão escandaloso e inócuo relatório. A maior de todas as preocupações não está diretamente relacionada com a conta da empresa Düsseldorf, do publicitário Duda Mendonça, mas com aquilo que a tal descoberta traria a reboque. E o informante republicano é um réu confesso com todas as letras.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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