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ano 6 - número 1252

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Nascemos, vivemos e morremos no meio do maravilhoso."
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Fala que eu te escuto
Presidente Lula, já são quatro as perguntas formuladas pela coluna
que estão sem resposta. Mas não há problema quanto ao seu mutismo, pois o Brasil já se acostumou a isso. Em novembro de 2005, Presidente, o domínio “lula.org.br” estava sob a responsabilidade do criador da cueca endinheirada, o companheiro José Genoíno Neto, do qual o senhor tão bem fingiu ter se afastado. Agora, o mesmo domínio está sob a responsabilidade de Ricardo José Ribeiro Berzoini, o aloparado companheiro que, segundo a Polícia Federal, ordenou a compra do Dossiê Cuiabá, conjunto de documentos supostamente contra candidatos tucanos. Presidente, considerando que nos lugares que freqüentamos ainda vale o dito popular do “diga-me com que andas e dir-te-ei quem és”, é no mínimo estranho que um sítio eletrônico que leva seu nome esteja sob a responsabilidade de pessoas envolvidas em escândalos. Mesmo que o tal domínio cibernético pertença legalmente ao PT, um outro nome poderia aparecer como responsável. Como o senhor confia, e muito, no dadivoso e benevolente Paulo Okamotto, que tal se ele passasse a ser o responsável pelo “lula.org.br”. Responda, Presidente, responda! O Brasil quer ouvir a sua voz. (Foto: isop.ucla.edu)

Situação em novembro de 2005

domínio: lula.org.br
entidade: Partido dos Trabalhadores - Diretório Nacional
documento: 000.676.262/0002-51
responsável: Jose Genoino Neto
endereço: Rua Silveira Martins, 132, Centro
endereço: 01019-000 - Sao Paulo - SP
telefone: (011) 3243-1330

Situação em novembro de 2006

domínio: lula.org.br
entidade: Partido dos Trabalhadores - Diretório Nacional
documento: 000.676.262/0002-51
responsável: Ricardo Jose Ribeiro Berzoini
endereço: Rua Silveira Martins, 132, Centro
endereço: 01019-000 - São Paulo - SP
telefone: (11) 3243-1353

Direita, volver!
Essa tal coalizão que o presidente Lula tanto anuncia não passa de uma cortina de fumaça para camuflar a incompetência de um governo que, mergulhado em escândalos de corrupção, não conseguiu até então mostrar a que veio. A escandalosa compra do apoio do PMDB fará com que o País ingresse no seleto clube das neo-ditaduras que se espalham pela América Latina, e que tem no psicótico Hugo Chávez o maior de seus representantes. O PMDB, que tanto lutou contra a ditadura militar brasileira, agora envereda pelo campo do fisiologismo barato, como se a liberdade do povo brasileiro pudesse ser trocada por duas dúzias de cargos.

Fingindo de morto
A mais nova galhofa nacional é de autoria do presidente interino do Partido dos Trabalhadores, Marco Aurélio Garcia, que substitui o afastado Ricardo Berzoini desde o estouro do escândalo do Dossiê Cuiabá. Segundo apurou a Polícia Federal, a decisão de comprar o tal dossiê partiu de Ricardo Berzoini, então presidente nacional do PT e que à época acumulava as funções de coordenador da campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Para a PF não restam dúvidas sobre o envolvimento de Berzoini na farsa montada para prejudicar candidatos tucanos (Geraldo Alckmin e José Serra). No contraponto, para o genial (sic) Marco Aurélio Garcia trata-se de ficção a conclusão a que chegou a PF. Considerando que a Polícia Federal é uma só, a corporação que Lula e o criminalista do Planalto, Márcio Thomaz Bastos, tanto defendem deve ser a mesma que o presidente do PT condena. Mais: para não complicar ainda mais o que complicado já está, a PF, em relatório parcial a ser divulgado em breve, isentará o presidente Lula de qualquer responsabilidade no caso. Fosse o contrário, Lula já estaria providenciando a mudança. (Foto: clarin.com)

Troca-troca planaltino
Para manter a opinião pública controlada, Lula, o presidente, decidiu empurrar o anúncio do novo ministério para 2007, enquanto faz da chamada coalizão um espetáculo pirotécnico de quinta categoria. Mesmo assim, algumas cadeiras ministeriais terão seus novos ocupantes escolhidos antes da data anunciada pelo presidente Lula. Entre os cargos do segundo governo Lula, os mais cobiçados são os de ministro das pastas da Justiça e da Defesa, além do de Advogado Geral da União. Tão logo sua vitória foi confirmada nas urnas, Lula sinalizou, muito singelamente, com a possibilidade de Nelson Jobim substituir Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça. Outro companheiro que anda de olho comprido na cadeira de Thomaz Bastos é o gaúcho Tarso Genro, mas o povo do Rio Grande do Sul, coerente como sempre, deve sepultar de imediato tal possibilidade. No entanto, quem deve assumir o Ministério da Justiça é o ex-ministro do STF, Sepúlveda Pertence.

Baila comigo
Ainda a dança de cadeiras... Com a possibilidade cada vez maior de alagoano Aldo Rebelo não continuar como presidente da Câmara dos Deputados, Lula deve entronar o parlamentar do PCdoB paulista no Ministério da Defesa. Já a Advocacia Geral da União pode ir parar nas mãos do ainda deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, como retribuição aos relevantes (sic) trabalhos prestados ao PT. Dentre os tantos préstimos de Greenhalgh está o abafamento dos casos Celso Daniel e Toninho do PT, ex-prefeitos de Santo André e Campinas, respectivamente, e mortos de maneira misteriosa e ainda não esclarecida.

Vale tudo
Coube a esta coluna, em 6 de outubro passado (edição nº 1219), e não à concorrência, noticiar, como sempre em primeira mão, a possibilidade de o acidente com o Boeing da Gol, que na próxima quarta-feira completa dois meses, se transformar em um incidente diplomático . A retenção dos passaportes dos pilotos do jato Legacy tem movimentado, e muito, os bastidores do poder ianque. Circulando, nos últimos dias, com excessiva tranqüilidade na sempre maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, agentes do FBI tentavam se infiltrar entre pessoas que bem conhecem o submundo do poder local, provavelmente porque uma operação de resgate estaria em curso. A ousadia dos arapongas do Tio Sam era tamanha, que um deles chegou a distribuir cartões de visita. Todos com um nome nada verdadeiro, como manda o bom figurino da espionagem.

Ciranda de fogo
Está cada vez mais justa a saia que o senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) vem enfrentando dentro do partido, principalmente depois da desnecessária e equivocada carona que pegou no avião do presidente Lula, por ocasião do velório do senador Ramez Tebet. A polêmica, que deixou os bastidores da política nacional e ganhou a rede mundial de computadores, mostra uma enorme dicotomia quando o assunto é analisado pelo senador Alvaro Dias (PR) e pelo próprio partido de Arthur Virgílio, o PSDB. FHC teria repreendido o senador amazonense, segundo divulgou em seu site o senador Alvaro Dias, mas o PSDB desmente o assunto. Já o senador Alvaro Dias, líder da oposição no Senado e que nos últimos quatro anos se firmou como uma voz contra os desmandos do Palácio do Planalto, disse, na última semana, que “não há necessidade de quem perdeu a eleição se jogar nos braços do governo”. O fato é que Arthur Virgílio Neto está mesmo na berlinda. A coluna tentou manter contato com o senador Alvaro Dias neste domingo, mas seu celular estava desligado.

Mico caseiro
O ninho familiar do tucano Arthur Virgílio também enfrenta intempéries políticas. Arthur Virgílio Bisneto – é filho do senador – deputado estadual no Amazonas, foi excluído pelo Tribunal Regional Eleitoral da lista dos eleitos para a próxima legislatura. Último na fila dos tucanos amazonenses, Arthur, o Bisneto, conseguiu novo mandato por conta de escassos 14.060 votos. Porém, o TRE, após analisar diversos recursos, considerou como sendo válida a coligação “Unidos Venceremos”, o que fez com que Virgílio Bisneto perdesse a vaga para o candidato Miron Fogaça, do PRP. Arthur Virgílio Bisneto, que anunciou que recorrerá da decisão da Justiça Eleitoral, é o mesmo que em 2004, durante férias no Ceará, arriou as calças para os freqüentadores de uma praça da cidade de Aquiraz, terra do disputado Beach Park. Não satisfeito com o vexatório espetáculo público que patrocinou, o Bisneto, após ser preso, repetiu a cena diante de uma delegada de polícia da cidade. Coisas que só um mandato parlamentar consegue explicar.

Confusão no ar
Nas próximas horas, os escaninhos de um inquérito policial que corre em uma delegacia de Belo Horizonte devem vir à tona. No alvo das investigações estão as operações nada ortodoxas de um consórcio aéreo – reúne apenas aeronaves executivas –, o qual, até bem pouco tempo, operava de maneira irresponsável e sob a égide do desmando de um suposto dono do mundo. Muito tem se articulado no bastidor da polícia mineira, mas nada ainda é definitivo, mesmo que algumas aves de finas plumas da política nacional tenham sido acionadas. E se o principal suspeito não for preso em breve, é porque o opportunismo entrou em ação mais uma vez. Triste Brasil!

Rebordosa no quintal
Eleito para novo mandato como deputado federal, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP), caiu em desgraça junto ao seu eleitorado. Reeleito sob os efeitos do slogan “Ética na Política”, Izar não apenas deixou de questionar a decisão do PTB em apoiar incondicionalmente o governo Lula, como embarcou de forma inexplicável no adesismo petebista. No Clube Atlético Monte libando, em São Paulo, agremiação esportiva que freqüenta com certa assiduidade, Ricardo Izar foi o alvo das conversas do final de semana. Todos, sem exceção, não gostaram da traição. Mais: quem quiser notícias de Antonio Badih Chehin, superintendente da Administração da Hidrovia do Paraná, que pergunte ao deputado Ricardo Izar, o senhor da ética que evaporou.

Tudo normal
Ao que parece, a greve branca deflagrada pelos controladores de vôo, depois que veio à tona a possibilidade de os mesmos serem responsabilizados pelo trágico acidente com o Boeing da Gol, afetou apenas os vôos comerciais de passageiros. As empresas de cargas aéreas e os despachantes aduaneiros continuam trabalhando como antes. A única situação estranha enfrentada pelos despachantes tem a Infraero como responsável. Depois de torrar verdadeira fortuna anunciando investimentos que serviram apenas para maquiar os aeroportos brasileiros, a Infraero está impondo aos despachantes aduaneiros, neste período pré-natalino, uma espera de até seis horas para a liberação de uma carga aérea. Há dois meses, o tempo que uma carga levava para deixar a aeronave e estar disponível nos armazéns da Receita Federal era de no máximo uma hora e meia. Coisas do Brasil!

Falta do que fazer
Não bastasse a escalada da criminalidade na cidade de São Paulo – situação idêntica ocorre nos grandes centros urbanos do País –, o paulistano agora pode contar com um novo tipo de serviço policial. Na última sexta-feira, um empresário da capital paulista decidiu demitir um funcionário e para tal se valeu dos préstimos de um investigador de polícia. Ambos – empresário e policial – foram até um sítio localizado na Grande São Paulo para, antes da demissão, intimidar o caseiro que era responsável pela propriedade. Já no local, com aquela arrogância que via de regra marca as abordagens policiais, o investigador resolveu mostrar o seu poder e começou a atirar a esmo, como se os estampidos fossem acelerar a saída do funcionário que foi demitido. Governador Claudio Lembo, Vossa Excelência, como bom homem do Direito que é, não vai deixar a polícia paulista atuar de maneira tão bizarra, enquanto os contribuintes, já sufocados com a carga tributária, são reféns da inoperância do Estado em relação à segurança pública. Aproveitamos para fazer a mesma recomendação feita ao presidente Lula – que vem dando de ombros às perguntas aqui formuladas – pois este espaço eletrônico – independente, diga-se de passagem – é uma das últimas trincheiras da verdade a que o cidadão brasileiro tem acesso. Responda governador, responda!

Algo errado
Ainda a (in)segurança pública... Quem circula por São Paulo, a maior cidade do País, logo percebe que segurança é um privilégio daqueles que, endinheirados, conseguem contratar empresas privadas que garantem o que o Estado não consegue garantir. O mais interessante é que as empresas – por muito dinheiro oferecem segurança em todos os níveis – pertencem, direta ou indiretamente, a policiais civis, os quais ainda atuam na segurança pública. Ora, se a receita existe e está na gaveta dos responsáveis pelo setor, é de se estranhar o fato de só o rico ter acesso a esse tipo de serviço. É no mínimo muito estranho, governador Claudio Lembo.

Fim do mundo
Enquanto a polícia paulista se envolve em casos de demissão de funcionários da iniciativa privada, o crime de racismo corre solto na terra que um dia foi dos bravos bandeirantes. Em Santo André, cidade do ABC paulista que já foi comandada pelo finado Celso Daniel, uma sinagoga foi atacada pela sanha irresponsável e criminosa de alguns seguidores de Adolf Hitler. Há dias, o templo religioso da comunidade judaica local amanheceu com o muro manchado por pichações de caráter nazista. Levar para além das fronteiras do Oriente Médio a disputa insana que impele ao duelo árabes e judeus é uma irresponsabilidade atroz. A guerra, que de santa nada tem, atende a interesses escusos de ambos os lados. Árabes e judeus sempre conviveram de maneira pacífica em
diversos lugares do planeta, inclusive no Brasil, e não será uma horda de criminosos nazistas que fará com que a paz reine por aqui. Mais: na imagem ao lado, extraída da foto abaixo, um pequeno detalhe mostra o radicalismo dos pichadores. A dezena 88, pichada no muro ao lado da palavra "valhalla", é uma forma cifrada de divulgar o “Heil Hitler”, slogan que marcou a era do maior de todos os carrascos. O número oito corresponde à oitava letra do alfabeto, o “H”. O "valhalla88" é um sítio eletrônico que divulga o pensamento criminoso dos neonazistas, que pode ser conferido clicando aqui.

Inseminação artificial
Pensando bem, mesmo que branca seja, a próxima ditadura brasileira já tem um pai. É o PTMDB.

Recordar é viver
(28/11/05) - A saga de José Dirceu para manter a qualquer preço seu mandato tem, como não poderia deixar de ser, seu antagonismo na história recente do País. Em maio de 1994, em sessão na Câmara dos Deputados, José Dirceu, ao ter a palavra e comentar sobre o então processo de cassação do deputado Ricardo Fiúza, disse: “Senhor Presidente, espero que amanhã esta Casa faça aquilo que é público e notório dispensa provas. O Deputado Ricardo Fiúza é corrupto. Isto é público e notório e dispensa provas”.

Ucho Haddad

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