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ano 6 - número 1249

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"O exemplo impressiona muito mais o espírito e o coração do que as palavras."
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São João Batista de La Salle

   
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Azeite - O autor, Luciano Percussi, um expert em gastronomia e enólogo renomado, traz em Azeite-História, Produtores e Receitas, da Editora Senac São Paulo, além de receitas culinárias com azeite, um roteiro para degustá-lo, apresenta sua história na Europa e compila as descobertas da ciência sobre suas qualidades medicinais, cosméticas e terapêuticas.
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Vai responder, Presidente?
Presidente Lula, muito irresponsavelmente acreditamos que o senhor responderia à nossa pergunta sobre os motivos que levaram o vice-presidente José Alencar a Nova York, quando a saúde no Brasil, segundo suas declarações de campanha, está próxima da perfeição. Como persistir é uma de nossas marcas, continuamos no aguardo. Agora, pegando carona no seu messianismo, tomamos a liberdade de formular nova pergunta. O Banco do Estado do Piauí (BEP), estado governado pelo companheiro Wellington Dias, será privatizado, de acordo com recomendação do Ministério da Fazenda. Presidente, como essa será a terceira instituição financeira a ser privatizada sob sua égide – o Banco do Estado do Ceará (BEC) e o Banco do Estado do Maranhão (BEM) são as outras –, como fica aquela declaração mentirosa de campanha, de que os tucanos são especialistas em privatizações? Presidente, não se avexe por não responder, pois o Brasil já está ciente de que o senhor de nada sabe.

Abafa geral
Já não se comenta com tanto empenho sobre o escândalo do Dossiê Cuiabá, operação arquitetada e executada por petistas do segundo escalão para prejudicar candidatos tucanos nas últimas eleições. Recentemente, o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que está desesperado para desembarcar do governo Lula, justificou a quebra do sigilo telefônico da Folha de São Paulo tendo a pressa em investigar a origem do dinheiro como desculpa. O fato é que chega a ser lenta essa “pressa” atribuída por Thomaz Bastos, pois até agora nada de concreto foi revelado. A não ser que a ordem palaciana seja para aguardar um novo escândalo, de preferência nos domínios do Congresso Nacional, minimizando de sobremaneira a responsabilidade dos envolvidos.

Memória curta
O primeiro mandato do presidente Lula está chegando ao fim, e com ele desaparece um caso polêmico, já esquecido pela imprensa tupiniquim. O escândalo da musa da Agricultura, que posou nua nas dependências do Ministério. À época, um graduado companheiro do presidente Lula foi apontado como sendo um dos partícipes das cenas mais picantes do ensaio fotográfico. Após uma rápida sindicância, servidores foram demitidos, a tal musa, funcionária terceirizada, foi afastada, e um parente do colaborador do presidente Lula assumiu a responsabilidade pelo escândalo. Por ocasião dos fatos, um tal Hélio, também conhecido na Esplanada dos Ministérios como Helinho – foi o chefe dos seguranças do Ministério da Agricultura na era FHC – foi o responsável pelas fotos da ousada moça com o amigo presidencial. Demitido do cargo de Coordenador de Serviços Gerais, Helinho teria conseguido, meses mais tarde, ser contratado como DAS no Palácio do Planalto. Coisas do Brasil!

Insustentável leveza
Há dias, o Brasil foi tomado pela notícia de duas vítimas fatais de anorexia. O assunto invadiu os veículos de comunicação, como se os mesmo jamais tivessem explorado de alguma forma a magreza que o mundo da moda impõe a quem nele quer vencer. O que ainda deveria intrigar os brasileiros é a forma como o tema foi sumindo do noticiário. Os veículos de comunicação, que aproveitaram ao máximo a manchete, desistiram da exploração midiática ao serem pressionados pelos anunciantes do setor. Apenas tiveram tempo de desembarcar de uma culpa que indiretamente também é deles. No editorial “As longilíneas e o imundinho fashion”, o ucho.info desvenda a pressão que o mundo da moda exerce sobre os que em sua órbita gravitam. Clique e confira o e-ditorial.

Recordar é viver
Na audiência pública que discutiu o Caos Aéreo Nacional, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) corrigiu o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos Bueno. O militar garantiu que no Brasil foi registrado apenas um único choque de aviões em pleno ar. O senador relatou dois outros: um ocorrido na década de 1950 e outro há cerca de trinta anos, em Imperatriz (MA), que envolveu dois aviões modelo Bandeirante. Ambos – Heráclito e Bueno – deixaram de citar um fato importante da recente história brasileira. O ex-presidente Humberto de Alencar Castello Branco morreu depois que o aparelho em que viajava, um Azteca, chocou-se em pleno ar com o caça T-33 da FAB. Castello Branco ia do sítio da escritora Rachel de Queiroz, sua amiga, no interior do Ceará, para Fortaleza. No desastre, morreram também a escritora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno, Cândido Castello Branco – irmão do presidente – e o piloto do Azteca, Celso Tinoco Chagas. À época, o acidente foi creditado a uma falha do controle aéreo.

No alvo
A tese defendida pela coluna desde os primeiros momentos depois do acidente com o Boeing da Gol, em 29 de setembro último, começa a ser admitida pela Aeronáutica como sendo uma verdade em potencial. Uma falha de comunicação entre o controlador de vôo que deixava o posto de trabalho, em Brasília, e o que assumia pode ter causado o maior acidente aéreo do País, vitimando fatalmente cento e cinqüenta e quatro pessoas. Foi o que relatou o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, durante audiência pública no Senado, que investiga as causas da tragédia. Para evitar comprometimentos futuros, Bueno começou o seu depoimento lembrando que falava naquele momento com as informações que dispunha “até agora” e que o assunto “está tudo sob investigação”. Em outras palavras, se essa possível admissão de culpa tivesse ocorrido no dia do acidente, Lula já estaria arrumando a mudança. (Foto: airliners.net - Eric Cordeiro)

Pane oficial
A audiência pública que investiga as causas do acidente com o Boeing da Gol, que teve lugar no Senado nesta terça-feira, produziu detalhes no mínimo curiosos. A promessa: Waldir Pires, o chamuscado ministro da Defesa, garantiu que tudo estará normalizado nos aeroportos brasileiros até as festas do final do ano. A surpresa: o tenente-brigadeiro Luiz Carlos Bueno, comandante da Aeronáutica, disse que foi surpreendido pela “reação psicológica em cadeia dos controladores de vôo”. São Thomé: do brigadeiro Paulo Roberto Marinho, ao defender o sistema de controle aéreo depois do acidente entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, na audiência pública que discutiu o caos nos aeroportos: “impossível acontecer isso”. Até bem pouco tempo, a única saída à disposição dos brasileiros, em momentos de crise, eram os aeroportos. Agora...

Quem te viu...
Mesmo com as conhecidas e inadmissíveis dificuldades nos aeroportos brasileiros, um jato executivo decolou na noite da última segunda-feira rumo à cidade do México. A bordo da aeronave, além dos pilotos, estavam o ex-ministro e deputado cassado – agora é lobista – José Dirceu de Oliveira e Silva, o ex-especulador Naji Nahas e um advogado. Na capital mexicana o trio se encontrou com o empresário Carlos Slim Helou, dono, aqui no Brasil, da Claro, Embratel e parte da Net, empresa de televisão a cabo. Durante o encontro, Nahas e Dirceu apresentaram ao empresário mexicano um intrincado e opportunista plano de trabalho. Nada como um comunista flanando nas nuvens do capitalismo. (Foto: Revista Veja)

Fim de linha
A senadora Roseana Sarney (sem partido-MA) desistiu do Partido Progressista e deve mesmo desembarcar no partido do pai, o senador José Sarney. A transferência de seu registro partidário para o PMDB tem vínculo com as negociações em torno da composição do novo ministério do governo Lula. Embora as conversações estejam razoavelmente avançadas com os peemebedistas, Lula deve anunciar o primeiro escalão, em caráter oficial, somente em fevereiro do próximo ano, após as eleições para o Senado e Câmara. As presidências das duas Casas legislativas estão sendo disputadas palmo a palmo, porque ainda não há um consenso entre o PT e PMDB sobre o tema. Renan Calheiros, candidato à reeleição no Senado, disse, nesta terça-feira, que só um entendimento será capaz de desatar o nó político e permitir um mínimo de governabilidade ao País. Sem o PMDB, disse Calheiros, não há projetos de médio e longo prazos. Socorro!

Dança de cadeiras
O troca-troca em família no Senado Federal acaba de ganhar novo episódio, o qual tem como protagonistas os irmãos Borges, do Amapá, companheiros de todas as horas, em especial as difíceis, do cacique maranhense José Sarney. Na próxima segunda-feira (27), Gilvan Borges volta a ocupar sua cadeira após a licença de cento e vinte dias em favor do irmão, Giovani Pinheiro Borges. A vaga e o mandato foram arrancados no ano passado do então senador João Capiberibe pelo Tribunal Superior Eleitoral, que recomendou seu afastamento. Capiberibe, que perdeu as últimas eleições para governador em outubro, foi acusado de compra de voto nas eleições para senador com pouco mais de vinte reais.

Ajuda paternal
Barrados nas urnas da última eleição, os irmãos Tuma – Romeu Jr. e Robson – podem estar com os empregos garantidos. Romeu Tuma Jr., que sonhava com novo mandato parlamentar, pode ocupar, a partir de janeiro, o cargo de Delegado do Patrimônio da União, em São Paulo. Durante a era FHC, coube ao senador Romeu Tuma indicar o ocupante do cargo. Já o ainda deputado federal Robson Tuma, que não conseguiu a reeleição, deve voltar a circular por Brasília sob as asas do pai. O que se comentou, semanas atrás, é que Robson estava de olho na vaga de ministro do Tribunal de Contas da União. Apenas um detalhe: no exercício do quarto mandato como deputado federal, Robson Tuma pode, caso não consiga uma boquinha na estrutura federal, voltar para casa como parlamentar aposentado. Uma loucura em termos de Brasil.

Operação degola
Encerrada a ressaca eleitoral, os eleitos devem passar às decisões tão logo esteja definida a composição dos respectivos secretariados. Entre as medidas a serem adotadas estão as demissões no âmbito da máquina pública. É o que deve acontecer nos estados da Bahia, Ceará e Maranhão, onde os próximos governantes substituirão muitos dos ocupantes dos chamados cargos de confiança, quiçá a totalidade deles não venha conhecer o estrito significado de “olho da rua”. Os que ocuparem os tais cargos a partir de janeiro próximo serão utilizados como massa de manobra nos acordos políticos, além daqueles que compõem o chamado protetorado de campanha. Na Bahia, por exemplo, Jaques Wagner tentará ao máximo apagar da memória do baiano a imagem de ACM e seus prepostos. Até o aeroporto de Salvador, Luís Eduardo Magalhães, pode retomar o antigo nome: 2 de Julho.

Pente fino
Autoridades da Justiça Eleitoral estão de olho nas declarações de bens de muitos candidatos que concorreram nas últimas eleições. Em Curitiba, por exemplo, um candidato de origem nipônica, que se elegeu, informou ser proprietário de dez galpões industrias na capital paranaense, os quais foram colocados à venda por R$ 3 milhões, antes das eleições. Na declaração de bens entregue ao Tribunal Regional Eleitoral, o agora eleito deputado federal atribuiu aos imóveis o valor de R$ 1 milhão. Outro candidato do Paraná, também eleito, dono de um imóvel na elitista praia de Caiobá, informou ao TRE ser de R$ 10 mil o valor da propriedade, quando todos sabem que por R$ 160 mil tem uma fila de interessados. Em São Paulo, um candidato derrotado, dono de vários terrenos no valorizado bairro de Tamboré, na Grande São Paulo, omitiu a verdade ao informar o valor das propriedades. Os meninos do Leão já estão em campo.

Só rindo
O Detran de Brasília criou uma situação no mínimo sui generis para os motoristas que precisam renovar a Carteira Nacional de Habilitação na capital dos brasileiros. A autorização temporária de trinta dias, período que o Detran estabelece para enviar o documento definitivo pelos Correios, permite que o condutor dirija apenas no Distrito Federal. No caso de precisar sair do DF durante esse período, o motorista estará sujeito às penalidades do Código de Trânsito Brasileiro com seus trezentos e quarenta e um artigos. Casa de ferreiro espeto de pau. Mais: o prazo de envio do documento definitivo muda se o motorista abusar do enfadonho bordão “você sabe com quem está falando?”. Com a palavra, o diretor-geral do Detran do Distrito Federal.

Nome da fera
Pensando bem, a pia batismal do reino animal já está pronta. Lula será o nome do primeiro tucano clonado que a ciência produzir.

Azeite quente
(22/11/05) - O processo de fritura a que Antonio Palocci Filho está sendo submetido não é novidade alguma para aqueles que convivem, não é de hoje, com o casal Lula da Silva. Quando tomou conhecimento da grandiosidade do mensalão, Lula não demorou para causar uma intriga entre José Dirceu e Antonio Palocci, imbróglio que acabou com a demissão do primeiro, que, por questões bem mais do que óbvias, foi camuflada como sendo uma renúncia. Agora, com o mundo desabando sobre a cabeça de Palocci, o presidente Lula, para se ver livre do ministro da Fazenda, colocou-o numa linha de tiro com Dilma Roussef. Certo de que o ex-prefeito de Ribeirão Preto está visivelmente desgastado, Lula parte para defendê-lo. Em mais: sempre com uma pitada de opinião de Dona Marisa.

Ucho Haddad

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