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ano 6 - número 1248

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Dai-me boas mães e eu salvarei o mundo."
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Pio X

   
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Responda presidente!
Tão logo o vice-presidente José Alencar anunciou que se submeteria a uma nova cirurgia, desta vez em Nova York, para a retirada de um câncer no abdômen, a coluna questionou o presidente Luiz Inácio sobre as razões da viagem, uma vez que, segundo o próprio Lula, a saúde no Brasil estava próxima da perfeição. Desde o questionamento da coluna até hoje, ninguém ousou responder, o que faz do discurso de campanha de Lula uma inverdade. Presidente, aqui entre nós, sem que mais ninguém saiba deste nosso informal, reservado e cibernético colóquio, quais, na sua opinião, os motivos que levaram o companheiro Zé Alencar para Nova York? Presidente, peço que responda a este contumaz crítico do Estado, para que, sem o menor problema de vaidade, possa defender a sua teoria sobre a qualidade da saúde no país que, segundo os marqueteiros palacianos, é de todos. E do companheiro Zé Alencar também! (Foto: Argenpress)

Convescote medicinal
A saúde no Brasil não é tão boa quanto anunciou o presidente Lula, meses atrás. Fosse assim, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) não teria rumado para Cleveland, a fim de fazer uma checagem nos resultados de uma recente cirurgia cardíaca. No séqüito parlamentar, capitaneado pelo casal Tuma, seguiram o médico particular do senador – juntamente com a esposa, e um dos filhos, com a namorada a tiracolo. Quem deve se encontrar com o pai e senador Romeu Tuma é o deputado federal Robson Tuma, que não foi bem sucedido nas urnas eleitorais. E como ninguém é de ferro, uma esticada até Nova York pode ser incluída no roteiro da caravana.

Por um triz
Quando o caos que vem enfrentando o Instituto do Coração – Incor tomou conta da mídia, o presidente Lula se apressou em fixar o prazo máximo de quarenta e oito horas para uma solução por parte do governo federal. Vencido o prazo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que nada seria decidido às pressas, especialmente porque a intervenção do governo paulista, que garantiu os pagamentos do Incor, fora providencial. Diante da inviabilidade de ajuda do governo Lula à Fundação Zerbini – entidade que administra o Incor – a saída foi colocar o Ministério Público Federal no circuito para atestar a inviabilidade da ajuda oficial. Assim, o avanço de sinal de Lula foi salvo pelo gongo.

Tiro errado
Os minutos extras de fama do senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, duraram muito menos do que o próprio parlamentar esperava. Após pegar carona no avião presidencial – foi no “Sucatinha”, e não no “Aerolula”, como noticiamos – Arthur Virgílio caiu em desgraça junto aos companheiros de partido. Alvaro Dias, senador pelo PSDB do Paraná e líder das minorias no Senado, não poupou críticas ao tucano amazonense. Dias, que considerou o convite como “um fato isolado”, sugeriu a Virgílio a realização de uma reunião do partido para discutir as relações da oposição com o Palácio do Planalto. Não é de hoje que muitos senadores têm reclamado, nos bastidores e “em off”, dos arroubos de Arthur Virgílio.

Bolso do colete
Com o escândalo do mensalão caminhando para a tumba do esquecimento, o presidente Lula tenta, de maneira nada inovadora, formar o chamado governo de coalizão. Para arrebatar o apoio dos mais variados partidos, Lula vai lotear a Esplanada dos Ministérios como forma de saciar a gula de seus apoiadores (sic). A decisão de adiar o anúncio da nova equipe ministerial foi solitária forma encontrada pelo Palácio do Planalto para dissimular qualquer ataque oposicionista na direção dos novos ministros. Na verdade, o que Lula irá fazer, repetindo seus antecessores, é repetir o mensalão de maneira distinta. Ao invés de remunerar os políticos pelo apoio obtido, vai deixar que cada um decida sobre o valor que irá receber. Ou alguém acredita que ministérios e estatais são entregues nas mãos de políticos por mero patriotismo?

Rédea solta
O Caos Aéreo Nacional, que continua infernizando a vida de milhares de passageiros em todo o País, ultrapassou os limites do suportável durante o final de semana prolongado. No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a Infraero registrou um atraso médio de uma hora, mas, na verdade, alguns vôos ultrapassaram a marca das quinze horas de espera. Uma viagem entre a capital paulista e a bela Florianópolis, em Santa Catarina, que dura, em média, uma hora, demorou a eternidade de dezoito horas. Já no aeroporto internacional de Guarulhos, também conhecido como Cumbica, a revolta dos passageiros quase termina em tiroteio. Um agente da Polícia Federal, lotado no aeroporto, sacou uma arma para conter a exaltação de alguns passageiros inconformados. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, anunciou que já foram tomadas as medidas para apurar o ocorrido. E diferentemente da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o assunto vai demorar, e muito.

Queda de braços
É quase certo que o Congresso Nacional seja convocado extraordinariamente para votar o que é sua obrigação durante o período normal de trabalho. O pagamento extra, em caso de convocação, será feito para que deputados e senadores votem o Orçamento de 2007. A convocação está sendo considerada como inevitável, até pelo relator do Orçamento, senador Valdir Raup (PMDB-RO). Um dos pontos polêmicos será o reajuste do salário mínimo, previsto para chegar a R$ 375. Um aumento de míseros R$ 5 no salário mínimo acarretaria um gasto previdenciário por parte do governo federal na ordem de R$ 900 milhões anuais. Outro ponto polêmico do Orçamento para o próximo ano tem as emendas coletivas como alvo de discussão. Os parlamentares têm mostrado desinteresse pelo tema, pois o governo federal quase sempre contingencia as verbas de bancada. Isso explica a luta de deputados e senadores pela ampliação dos recursos para emendas individuais em até R$ 10 milhões. Para evitar que o Orçamento se transforme em uma cartola de mágico, cheia de truques, o relator Valdir Raup está propondo, como forma de vigiar o dinheiro das emendas, a realização de pregões eletrônicos. Além do monitoramento dos recursos oficiais, a outra vantagem nesse sistema é uma redução entre 20% e 30% nos custos das compras governamentais. Ou seja, vão matar a galinha dos ovos de ouro que, via de regra, cacareja no galinheiro da malandragem.

Calculadora de camelô
Não é de hoje que a intrincada confecção do Orçamento é vista como um jogo de gato e rato, onde o governo federal e o Congresso brigam sem esboço de cansaço. Enquanto o governo afirma que a receita será maior, os parlamentares tentam descobrir as rubricas que garantem tão otimistas previsões. O Orçamento de 2007 prevê receitas fiscais de R$ 546 bilhões, contra R$ 521 bilhões de despesas. Mas, para fechar as contas, mesmo que no papel, ainda não foi possível descobrir de onde a União vai tirar R$ 140 bilhões para pagar os juros da dívida.

Pedra no caminho
Nesta terça-feira (21), o senador piauiense Heráclito Fortes (PFL) apresenta requerimento à Mesa Diretora do Senado para criação da CPI das Ongs. Heráclito diz que já tem prometidas trinta e duas assinaturas, inclusive de petistas. A CPI vai investigar a transferência de recursos federais para entidades inexistentes ou para programas que nunca foram executados. Em Blumenau (SC), por exemplo, cidade onde a filha do presidente Lula – Lurian Lula da Silva – morou por algum tempo, estariam registradas nada menos que duzentas Ongs, mas nem todas receberam os recursos da União. Eis mais um assunto que vai atormentar o cotidiano do Palácio do Planalto, pois muitos dos chamados companheiros de Lula estão à frente das tais Ongs misteriosas.

Lenha de sobra
Amanhã, quarta-feira (22), mais uma pizza mal cheirosa deve entrar no forno do Congresso Nacional. Com a votação do relatório sobre o envolvimento do senador Ney Suassuna (PMDB) na máfia das ambulâncias marcada para a próxima sessão da CPI das Sanguessugas, a Comissão deve acabar inocentando o parlamentar paraibano, barrado nas urnas nas últimas eleições. No outro lado do parlamento, na Câmara dos Deputados, a massa de outra grande pizza está sendo preparada. O processo de cassação do mandato do deputado José Janene (PP-PR), que ainda não foi votado em plenário, caminha rumo ao arquivamento. Acusado de ser um dos grandes operadores do fatídico e criminoso mensalão, Janene usou de todos os artifícios para postergar sua degola política. E o deputado paranaense terá a seu favor, em eventual votação, a condescendência dos deputados petistas e de todos os aliados do Palácio do Planalto. Ordens palacianas.

Rei Kião
Reeleito para comandar o Paraná até 2010, o governador Roberto Requião de Mello e Silva deve enfrentar sérios e novos problemas pela frente. Sob a batuta de um pelotão de renomados juristas, uma ação de abuso do poder econômico, cometido durante a campanha eleitoral, deve aterrissar nos próximos dias no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE. Difícil é entender como o imperador Requião conseguiu permanecer até hoje no Palácio Iguaçu, uma vez que a corte paranaense foi invadida por quase duas dúzias de parentes ávidos por um gordo salário pago com o dinheiro do contribuinte.Agora que o Rei dos Pinheirais está reeleito, o negócio e patrulhá-lo para, se possível, tomar-lhe o trono.

Chumbo trocado
“Não se aborreça com Diogo Mainardi, afinal o máximo que o cidadão produz com perfeição é paralisia cerebral” e “Diogo Mainardi é um infeliz e digno de pena. Ter um filho deficiente dá mais pena ainda, porque isso fez dele uma pessoa amarga, invejosa e sem escrúpulos” são as frases que Diogo Mainardi destacou em sua coluna semanal da revista Veja, como sendo de autoria do competente jornalista Mino Carta, em seu blog na rede mundial de computadores. O fato é que Carta e Mainardi, cada um a seu modo, são críticos e ácidos ao exercitarem o jornalismo opinativo, o que não lhes tira o constitucional direito da livre manifestação do pensamento. Se o jornalista Mino Carta não teve a intenção de atacar Mainardi, como explica em um dos comentários postados em sua página eletrônica, jamais deveria, por conta de sua tão propalada experiência, ter publicado texto com possibilidade de interpretações que fogem da verdade. Na democracia o cidadão é livre para escolher o que melhor lhe convém, desde ideologias políticas a credos e religiões. Na divergência de opiniões devem ficar de fora descendentes e ascendentes. E este colunista fala do assunto com conhecimento de causa, pois filhos aterrorizados e mãe ameaçada não é situação das mais agradáveis. O desejo da coluna é que Mino Carta e Diogo Mainardi arrefeçam os ânimos e pensem.

Mico pela frente
Não é nada confortável a situação do presidente George W. Bush junto à opinião pública ianque, principalmente quando o assunto é a guerra do Iraque. Depois de longos meses de uma sanguinária invasão, Bush agora enfrenta a opinião do ex-secretário Henry Kissinger, que acredita ser impossível uma vitória americana no Iraque. O fato é que mesmo sem condições de alcançar o suposto e primeiro objetivo – o de encontrar armas químicas – Bush, o baby, deve manter as tropas americanas no Iraque, fazendo da antiga Mesopotâmia uma espécie de estacionamento de guerra. Tal tese ganha força se considerada a possibilidade de um conflito com o irão, que insiste na idéia de enriquecimento de urânio para fins pacíficos.

Quebra-cabeças
O diretor-executivo da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), César Rômulo Silveira Neto, teme que vai faltar mercado com a abertura de tantos canais com a introdução da TV digital no Brasil. Silveira Neto disse que não há como sustentar tantos veículos, por conta da escassez de mercado. Com o uso do novo espectro eletromagnético, poderão ser captados pelo telespectador até cento e vinte canais no sistema comercial de tevê. O representante da Telebrasil destilou sua preocupação durante audiência do Conselho de Comunicação Social, que discutiu nesta segunda-feira a inclusão digital e o marco regulatório do setor, cujo tema é um ninho de interesses. Resumindo, agora é digital o boi que sempre freqüentou a linha.

Aviário político
Pensando bem, o PSDB está parecendo a padaria da esquina. Até porque, tucano que pisa fora do poleiro é tratado como frango: no espeto, torrado e cheio de farofa.

Chá de sumiço
(21/11/05) - Ao assumir o Ministério da Fazenda, pasta que, não fosse o destino, certamente seria de Celso Daniel, o médico e ex-prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Palocci Filho, que hoje experimenta as agruras do poder, mal sabia onde pisar na complexa trilha da economia brasileira. Para chegar até onde chegou, mesmo com a enxurrada de denúncias que enfrenta, Palocci contou com a quase diuturna colaboração de Antonio Delfim Netto, o manda-chuva da economia na plúmbea era dos porões. Agora, depois de abandonar o PP e ingressar no PMDB, Delfim Netto vive um período de planejado ostracismo. Até porque, sua jurássica vida parlamentar pode estar por um fio, caso Palocci seja ejetado da Fazenda e a economia brasileira role ladeira abaixo. Resumindo, ave na muda não pia.

Ucho Haddad

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