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ano 6 - número 1244

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Quando todos pensam da mesma maneira, ninguém pensa grande coisa."
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Tropeçando na língua
Ontem, durante inauguração de ponte sobre o rio Orinoco, na Venezuela, quando posou de cabo eleitoral do coronel Hugo Chávez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu mais uma de suas conhecidas gafes. Ao discursar, Lula se dirigiu aos presentes dizendo homens e mulheres da Bolívia. Corrigido imediatamente pelo tradutor oficial do evento, Lula percebeu o erro e remendou com jovens venezuelanos. Isso mostra que a assessoria presidencial brasileira é tão incompetente quanto o próprio mandatário tupiniquim. É verdade que errar é humano, mas certas situações da vida são abomináveis. Para ilustrar os tropeços discursivos de Lula é bom lembrar que a sabedoria diz que exceder nos goles leva o beberrão a chamar Jesus de Genésio. Mais: certa vez, o folclórico Vicente Matheus agradeceu à Antarctica pelas Brahmas.

Posando de vítima
Ainda a visita à Venezuela... Durante o discurso em prol de Hugo Chávez, Lula se comparou ao presidente venezuelano, que por sofrer constantes ataques da imprensa persegue de maneira implacável os veículos de comunicação independentes. Trata-se de mais uma falácia do presidente Lula, que tenta, não é de hoje, amordaçar a imprensa brasileira. Reclamar da imprensa apenas porque atos de corrupção vêm sendo noticiados com destaque, mostra que o presidente brasileiro é mais um na fila de corruptos que desde 1.500 agem em nosso território. (Foto: citybrazil.com.br)

Olho da rua
A saída de Luiz Gushiken do governo Lula colocou fim ao esquerdismo radical que desembarcou com pompa e circunstância no Palácio do Planalto, em janeiro de 2003. Do chamado núcleo duro do governo restaram apenas Luiz Dulci e Gilberto Carvalho, que podem entregar os respectivos cargos nas próximas horas. Gushiken explicou sua saída como sendo uma decisão pessoal para deixar à vontade o companheiro Lula, que tem até o fim deste mês para anunciar sua nova equipe de governo. Na verdade, Luiz Gushiken, que vinha sofrendo um explícito abandono por parte de Lula, pediu demissão depois que viu complicar seu envolvimento no caso das cartilhas compradas e não entregues. O PT, responsável pela distribuição das tais cartilhas, segundo o Planalto, negou ter recebido o material. Em outras palavras, deixaram o ex-samurai palaciano na mão.

Esqueceram de mim
Ainda o samurai... Se por um lado Luiz Gushiken deixa o governo sob investigação do Tribunal de Contas da União, por outro a acusação infundada que sofreu por parte da revista Veja ainda não foi desfeita. A seção Radar da semanal publicação acusou Gushiken de ter participado de um jantar reservado, em São Paulo, regado por vinho francês de qualidade. O dono do restaurante enviou carta à revista Veja negando as acusações, mas o imbróglio, opportunista como sempre, não foi desfeito. Outro tema que marcou a passagem de Gushiken pelo Palácio do Planalto, e que até agora não foi elucidado, tem o banqueiro “Tantas” (a Justiça ainda nos impede de citar seu verdadeiro nome) como protagonista. Contratada pela Brasil Telecom, então controlada pelo banqueiro opportunista, a empresa de espionagem Kroll bisbilhotou a intimidade de Luiz Gushiken e do ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb de Lima. E na terra onde até o Ali Babá tem direito a gabinete no palácio presidencial, opportunismo fora da lei parece ser coisa de coroinha de igreja.

Boi na linha
Uma das publicações jornalística de maior aceitação no mercado nacional, a revista Veja trouxe em sua última edição uma informação inverídica. A nota afirma que o Secretário de Assuntos Estratégicos do governo Lula, Luiz Gushiken, teria jantado no restaurante Magari, em São Paulo, no último dia 11 de agosto, onde, em companhia de um conhecido empresário do setor de comunicação teria consumido uma garrafa de Grand Vin de Chateau Latour, um vinho francês de R$ 2.990,00 a unidade, além de um puro charuto cubano, o que convergiu para uma conta de R$ 3.500,00, paga em dinheiro vivo. A coluna checou as informações e chegou à verdade. Gushiken esteve, sim, no restaurante Magari no último dia 11, mas não em companhia de um empresário de comunicação. A conta totalizou R$ R$ 362,89, pois o vinho consumido durante o jantar, um Du Cru Beaucaillou, que em Nova York custou US$ 54,95, foi levado pelo amigo de Gushiken. (ano 5 - número 1184 - terça-feira, 22 de agosto de 2006)

Rodando a baiana
E por falar em vinho... A notícia aqui publicada sobre uma caixa de vinhos franceses que aterrissaria na adega do ex-comissário palaciano José Dirceu causou enorme furor nos domínios oportunistas do mercado financeiro e de investimentos. Sem ter o que fazer, o incomodado agora destila nos bastidores o desejo e ver o editor da coluna eliminado. Uma heresia conceitual para quem, um dia, já conquistou o status de santo padroeiro das Ilhas Cayman. Mais: o mimo, comprado no Rio de Janeiro e supostamente entregue a Dirceu, custou R$ 25,6 mil.

Corda bamba
Hoje, a partir das dez horas da manhã (horário de Brasília), o vice-presidente José Alencar se submete, em Nova York, a nova cirurgia para a retirada de um tumor maligno no abdômen, repetindo procedimento realizado em São Paulo, meses atrás. O chefe de gabinete da Vice-Presidência, Adriano Silva, declarou que José Alencar não está doente. É fato que o positivismo do pensamento ajuda, e muito, no enfrentamento de enfermidades, mas fingir que Alencar não está doente é um ato de irresponsabilidade. Acontece que no momento o que menos interessa ao presidente Lula é que notícias desse tipo enfraqueçam ainda mais a sua frágil situação para o segundo mandato. No caso de o Palácio do Planalto não emplacar o próximo presidente da Câmara dos Deputados, e se o vice continuar afastado por muito mais tempo, Lula pode ir se despedindo das suas viagens. Ou então, despede-se da presidência, pois um oposicionista no comando da Câmara pode ser o começo do fim.

Pega na mentira
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, órgão do Ministério do Planejamento, anunciou nesta segunda-feira que o Brasil só crescerá 5% ao ano a partir da próxima década, e não em 2007 como declarou o presidente Lula durante a campanha pela reeleição.Os economistas do Ipea alegam que um crescimento da economia acima dos atuais 3% é impossível por questões óbvias: carga tributária elevada, falta de investimentos em vários setores e sistema elétrico operando no limite. Mesmo assim, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, um dos bons nomes da equipe luliana, voltou a afirmar que a taxa de crescimento em 2007 será de 5%, porque mudanças drásticas ocorrerão no segundo mandato do presidente lula. Concordar com o óbvio seria fazer de Lula um mentiroso contumaz. Mais: as previsões apontam para um crescimento de 2,97% em 2007.

Pá de cal
A quase eminente demissão de Gilberto Carvalho, atual secretário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se confirmada, deve sepultar mais um caso que, nos últimos tempos, tem levado as hostes petistas ao desespero: a misteriosa e ainda inexplicável morte do ex-prefeito Celso Daniel. Então secretário municipal de Santo André, Gilberto Carvalho, à época do crime, manipulou, nos bastidores, informações sobre o assassinato. Em um dos telefonemas monitorados pela polícia, e divulgado em primeira não pela coluna, Carvalho conversa com a ex-namorada de Celso Daniel, a quem cumprimenta por seu desempenho como viúva. Isso mostra que a verdade, se revelada, leva à implosão o partido que durante duas décadas clamou por transparência e dignidade. Enfim... (Foto: FGV-SP)

Brincando com coisa séria
O caos provocado pelo atraso em pousos e decolagens, que parecia acabar no último domingo, se estendeu para a segunda-feira, podendo, inclusive, se repetir nos próximos dias. Para o ministro da Defesa, Waldir Pires, os seiscentos e vinte nove atrasos registrados nesta segunda-feira em todos aeroportos brasileiros foi algo absolutamente normal. Waldir Pires, cada vez mais fora do segundo mandato de Lula, desdenha o que determina Código de Defesa do Consumidor ao dar de ombros para a caótica situação que toma conta dos aeroportos. O mais interessante nesse imbróglio é que o presidente Lula ainda não comentou o assunto. Em um país minimamente sério e responsável, Waldir Pires estaria, no mínimo, demitido.

Pano de fundo
A reunião de emergência convocada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), com o intuito de encontrar uma saída para a crise dos controladores, não passou de uma cortina de fumaça para desviar a atenção da opinião pública, pois o Palácio do Planalto conhece a solução para o problema. O caos que tem afetado milhares de passageiros em todo o País é o reflexo imediato da falta de pessoal no controle do espaço aéreo brasileiro. Quando o ministro Waldir Pires, dias atrás, anunciou a desmilitarização do setor, sabia o que estava dizendo. Se a falta de pessoal se deve aos salários não condizentes com as responsabilidades, os aumentos salariais pleiteados pelos civis não são concedidos porque os militares têm uma escala de ganho salarial de acordo com a patente, e que deve ser respeitada. Com salários nada atrativos, os civis optam por outras profissões, enquanto que os militares que decidem pelo controle aéreo acabam sendo ceifados das promoções da carreira. Ou seja, essa confusão ainda vai longe, muito longe.

Castelo de areia
A quebra de sigilo telefônico, solicitada pela Polícia Federal no caso do Dossiê Cuiabá, revelou dezenove telefonemas dados pelo deputado federal Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT e ex-coordenador da campanha de Lula, para Oswaldo Bargas, um dos envolvidos no escândalo de compra de documentos contra candidatos tucanos. Bargas, ex-secretário geral do Ministério do Trabalho e um dos bisbilhoteiros da campanha de Lula, teve participação importante elaboração do programa de governo do presidente-candidato. Para complicar ainda mais, Bargas é casado com a secretária particular de Lula na Presidência da República (Mônica), que o acompanha desde os primórdios do PT. Assim, fica cada vez mais possível a cassação do registro da candidatura Lula-Zé Alencar. Basta coragem!

E o dinheiro?
Mesmo com as investigações da Polícia Federal sobre o Dossiê Cuiabá avançando nos bastidores, parece ter caído no esquecimento, em especial por parte da mídia nacional, a origem do dinheiro (R$ 1,75 milhão) apreendido com petistas em um hotel de São Paulo. O assunto, que dominou o segundo turno da corrida presidencial, tem sido monitorado à exaustão pelo Palácio do Planalto. A convergência de inúmeros fatores relacionados ao caso, já comprovados, pode levar Lula ao constrangimento de não ser empossado, caso a PF conclua que a campanha presidencial petista se beneficiou diretamente com o escândalo. Na opinião do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que de uns tempos para cá se tornou em uma das pedras no caminho de Lula, o dinheiro do dossiê veio do caixa 2 petista.

De olho na vaga
Estrela maior da CPI Mista dos Correios, situação que lhe ajudou na reeleição para a Câmara, o sempre correto deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) volta a sonhar com uma vaga no Tribunal de Contas da União. Há meses, Serraglio disputou, sem sucesso, a indicação para integrar o órgão, mas na ocasião o seu apadrinhamento, contestado com veemência pela coluna, não era dos melhores: o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Agora, novamente no páreo, Osmar Serraglio terá de enfrentar as inimizades que conquistou na CPI, por ter incluído em seu relatório final muitos dos protegidos do Palácio do Planalto. E o próprio presidente Lula só não foi de roldão no relatório porque a pressão foi grande demais. É fato que Serraglio tem experiência e honradez para sonhar com o TCU, mas sua possível ausência no parlamento fará uma enorme falta.

Ainda impune
O Vasco tem o destino de crescer sempre. Com essas palavras o ex-deputado e presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, comemorou a sua reeleição para comandar o clube de São Januário, em eleição marcada por denúncias de fraude. As suspeitas partiram de seu opositor, Roberto Dinamite, que acredita em manipulação das urnas. Essa história de o Vasco crescer é balela, porque desde a parceria firmada com um banco americano – a parceria não mais existe – a única coisa que cresceu foi a Lolo of Florida, empresa off shore, com sede em Miami, não declarada por Eurico Miranda.

Poleiro trocado
Pensando bem, se um dia desembarcar no programa da apresentadora Ana Maria Braga, Lula vai acabar chamando o chato do louro José de querido urubu Mané.

Fim da farra
(14/11/05) - Quem não acreditou que a batalha para provar a existência de derivados da folha de coca na composição do refrigerante mais vendido no mundo, a Coca-Cola, cuja discussão teve início com denúncia recebida pela coluna e foi bravamente defendida pelos deputados Celso Russomanno (PP-SP) e Renato Cozzolino (PDT-RJ), se deu mal. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, subordinado ao Ministério da Justiça, aponta a existência dos aludidos derivados na fórmula do refrigerante. Não bastasse o calvário que a gigante do refrigerante vem enfrentando, milhares de outdoors foram espalhados pelas principais cidades brasileiras, informando o resultado da perícia. Resumindo, a emoção pra valer parece que chegou ao fim.

Ucho Haddad

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