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ano 6 - número 1243

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância."
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Cabo eleitoral
Por volta da zero hora desta segunda-feira, 13 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Venezuela, onde participa da inauguração da ponte construída sobre o rio Orinoco, no noroeste do vizinho país. Na verdade, Lula, que foi recebido por Hugo Chávez, fará o papel de cabo eleitoral, pois o presidente venezuelano está em campanha pela reeleição. A alegação do Palácio do Planalto é que a participação de Lula no evento se deve ao fato de a ponte ter sido construída por uma empreiteira brasileira, ao custo de US$ 1,3 bilhão, sendo que a terça parte do custo coube ao Brasil. A exemplo de Geraldo Alckmin, que cortou a fita no dia da inauguração da nova Daslu – templo de consumo de ricos e descolados – Lula não pode se dar ao luxo de torrar o dinheiro do contribuinte para apoiar um reles representante do esquerdismo ditatorial que toma conta da América Latina. Se à época dos fatos esta coluna criticou com veemência a atitude do então governador Geraldo Alckmin, que pousou de garoto-propaganda de butique, Lula merece, no mínimo, ser chamado de irresponsável. (Foto: revistaforum.com)

Entrou areia
Entregar as principais rodovias federais à iniciativa privada, como quer o presidente Lula, pode não sair do imaginário presidencial, pelo menos em parte. Um leitor da coluna, de Curitiba, luta há décadas para receber indenização referente a uma área de propriedade da família, desapropriada para dar lugar à segunda pista da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), conhecida como a Rodovia da Morte. A Justiça deu ganho de causa aos antigos donos da área, mas a União parece que gosta, e muito, de desrespeitar decisões judiciais. Considerando que aquele que toma para si, sem o devido pagamento, um bem de terceiro comete o crime de apropriação indébita, transferir a BR-116 para a iniciativa privada, com a referida área inclusa (está localizada próximo a Curitiba) será um novo crime. Cansada de esperar, a família dona da área promete melar a brincadeira presidencial.

Parou de vez
O caos, que novamente tomou conta dos aeroportos neste domingo, mostra que o País sofre um apagão do controle aéreo, reforçando ainda mais a tese de que o acidente com o Boeing da Gol, que levou à morte cento e cinqüenta e quatro pessoas, pode ter sido falha da torre de controle, assunto que o Palácio do Planalto evita comentar. O novo transtorno aéreo acontece dias depois do afastamento do ministro da Defesa, Valdir Pires, do processo de negociação com os controladores de vôo. Pires foi vítima de uma declaração dada em meio a uma conturbada e quase sem fim crise no setor: de que o controle do espaço aéreo brasileiro passaria por um processo de desmilitarização. Quem acompanha de perto os encontros dos diretores da Infraero, fora do horário de trabalho, pensa que tudo está às mil maravilhas. Os manda-chuvas da estatal aeroportuária, que sempre se reúnem em um dos mais elegantes e caros hotéis de Brasília, exibem uma invejável despreocupação. Mais: os aeroportos devem passar por nova crise na próxima quinta-feira, 16, depois do feriado da Proclamação da República. (Foto: desafios.org.br)

Lama de sobra
Enquanto os passageiros enfrentam horas de espera nos aeroportos de nossa Botocundia, escândalos relacionados à Infraero são colocados debaixo do tapete. O superfaturamento de quase R$ 100 milhões nas obras de ampliação do aeroporto de Congonhas, o mais movimentado do País, já não freqüenta a mídia. E foi exatamente em Congonhas que foi registrada o maior atraso neste domingo: cinco horas. No contraponto, quem constantemente cruza o Brasil pelos ares há de se lembrar dos comerciais que a Infraero exibia no sistema de vídeo de muitas das aeronaves tupiniquins. A mensagem era tão positiva, que muitas vezes era possível pensar que estávamos sobrevoando a Suíça. Esse Brasil do Lula...
(Foto:airfln.com.br)

Milagre da multiplicação
A idéia de criação de novos estados ganhará força na nova legislatura na Câmara dos Deputados, depois que alguns governadores eleitos se comprometeram em incentivar a redivisão territorial. Atualmente tramitam na Câmara dos Deputados vários projetos que criam doze novos estados. Até um grupo de trabalho específico, a Frente Parlamentar de Redivisão Territorial da Câmara dos Deputados, foi criado para gerenciar o assunto. Na Região Norte, seriam criados os Estados do Tapajós, Solimões e Carajás, além dos territórios federais do Marajó, Alto Rio Negro e Oiapoque. A Região Nordeste ganharia os Estados do Maranhão do Sul, Rio São Francisco e Gurguéia. O Sudeste teria São Paulo do Leste, Minas do Norte e Triângulo. Além disso, seria recriado o Estado da Guanabara. No Centro-Oeste Araguaia, Mato Grosso do Norte e Planalto Central. Caso os projetos sejam aprovados no Congresso, os mesmos irão a plebiscito, cabendo à população decidir sobre a criação dos novos Estados. O Presidente da República terá que enviar ao Congresso um projeto de lei complementar propondo a criação das novas unidades. Assim, o Brasil passaria a ter trinta e nove Estados e três territórios.

Boi na linha
Não deixa de ser estranho um contrato firmado em dezembro de 2002, com vigência até 12 de dezembro de 2007, entre o Senado Federal e a Polícia Federal. O documento prevê aditivos, mas o valor total é de apenas R$ 1,00 (hum real). Na mesma linha está o contrato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, que tem validade até dezembro de 2008. Entre os objetivos dos contratos está o de “estabelecer a cooperação técnico-científica e cultural e o intercâmbio de conhecimentos, informações e experiências, visando a formação, aperfeiçoamento e especialização técnica de recursos humanos, bem como o desenvolvimento institucional, mediante a implantação de ações, programas, projetos e atividades complementares de interesse comum”. Resumindo, o assunto é o que se pode chamar de papo de alfândega: nada a declarar.

Saia justa
Governador eleito do Maranhão, o médico Jackson Lago terá problemas de sobra a partir de janeiro: reduzir a inchada máquina administrativa atual. Caso cumpra suas promessas de campanha, Jackson terá que extinguir quarenta e dois mil cargos em comissão e dez gerências regionais. Porém, com o compromisso de ter de acomodar muitos indicados dos partidos políticos que o apoiaram durante a hercúlea disputa com Roseana Sarney, Jackson Lago pode não reduzir a máquina administrativa maranhense. A briga por cargos é tamanha, que na área de comunicação existem quatro candidatos no páreo. Para complicar ainda mais, Jackson Lago terá de enfrentar a ira de seu desafeto, o senador José Sarney (PMDB-AP), que prometeu infernizar a vida do novo governador em Brasília.

Meu filho, meu tesouro
Ainda a terra do arroz com cuxá... Em janeiro próximo, o senador Édison Lobão (PFL-MA), que com a família Sarney monopoliza o setor de comunicação do Maranhão, deve se licenciar do cargo. Em seu lugar assume o filho, Edinho Lobão – é suplente do pai – que atualmente comanda o conglomerado midiático da família, que tem a TV Difusora como carro-chefe. No Congresso, Edinho poderá contar com especial carinho da mãe, a deputada federal Nice Lobão (PFL), reeleita a partir de um esquema de apadrinhamento com entidades sociais e educacionais. O Maranhão não merece!

Família unida
Apesar das duras e constantes críticas ao nepotismo e o compromisso do Legislativo Federal de eliminar essa nefasta chaga do serviço público, alguns deputados ainda mantêm em seus gabinetes alguns parentes em primeiro e segundo graus, em claro desrespeito ao contribuinte. É o caso do deputado Wagner Lago (PDT-MA), irmão do governador eleito do Maranhão Jackson Lago. O seu chefe de gabinete vem a ser seu sobrinho, Francisco de Paula Lima Júnior. Ou seja, a Câmara dos Deputados, em alguns casos, continua sendo aquele conhecido e ilegal ambiente familiar.

Aos amigos, tudo
Antes de embarcar para os Estados Unidos, onde foi negociar empréstimos para o Distrito Federal, o ainda deputado e governador eleito José Roberto Arruda (PFL) – é o mesmo do escândalo do painel do Senado – reuniu-se secretamente com assessores e colaboradores. O encontro, que teve a participação de apenas cinco pessoas, além do governador, serviu para definir os nomes dos trinta e quatro servidores de confiança de Arruda que assumem seus respectivos cargos a partir de 1º de janeiro. Boa parte deles são jornalistas, que devem cuidar da imagem do governador e da administração. E se o assunto é cuidar da imagem, os novos assessores terão muito trabalho, pois um grupelho de espertalhões anda espalhando pela capital federal que irá mandar nas licitações do governo de José Roberto Arruda.

Saindo na frente
O que os leitores da coluna souberam há anos, só agora a grande imprensa passa a divulgar. A revista IstoÉ, em sua última edição, noticiou que Suzanne von Richthofen, condenada por arquitetar a morte dos pais, será uma milionária quando deixar o estabelecimento penal em que se encontra. Um dia após o assassinato do casal Richthofen – Marísia e Manfred – a coluna noticiou que o maior motivo do crime eram contas bancárias no exterior, para onde teria sido transferido dinheiro desviado da construção do Rodoanel, sistema rodoviário que interliga as principais estradas que cortam o estado de São Paulo. Para entender o comportamento de Suzanne von Richthofen, além dos motivos do crime cometido em 31 de outubro de 2002, clique e confira o artigo de autoria do editor, “O Hitler de saias”.

Chama o ladrão!
Sem aumento salarial desde 1994, os policiais civis paulistas devem se preparar para novos momentos de agruras financeiras. O abono salarial concedido pelo governador Claudio Lembo, que vem sendo pago mensalmente, pode ser extinto a partir de janeiro próximo. O governador eleito José Serra, que desde os tempos de combate à ditadura, não nutre simpatia pela classe policial, deve suspender o benefício, que para os policiais em atividade na capital paulista é de R$ 580 mensais. E com a criminalidade crescendo de maneira descontrolada, só mesmo um psicopata que sai às ruas para caçar perigosos bandidos em troco de um mísero salário.

Hospício planaltino
Quando o assunto é informática, o mínimo que se espera é que a União trabalhe com uma base de dados unificada, com livre acesso a todos os órgãos da administração federal. Um leitor da coluna, residente na capital paulista, tomou um susto ao receber uma notificação da Receita Federal em nome da mãe. Por ocasião da morte da mãe, em 2004, o leitor informou o fato à Previdência Social, que dias depois suspendeu o pagamento da respectiva aposentadoria. Agora, o famigerado Leão quer que a falecida pague uma multa por atraso na declaração do Imposto de Renda de 2002, no valor de pouco mais de R$ 300. Beira a sandice imaginar que uma instituição que recebe milhões de declarações de renda pela rede mundial de computadores não consiga manter atualizada sua base de dados. E se o negócio for mesmo receber, resta saber quem será escolhido para atuar como cobrador da suposta dívida.

Fim da farra
A brincadeira belicista do presidente dos EUA, George W. Bush, que transformou a antiga Mesopotâmia em Forte Apache particular, está com os dias contados. Vitoriosos na eleição da semana que passou, os democratas, que agora controlam o Congresso americano, pretendem, sem caça às bruxas, fazer uma devassa na administração de Bush, o baby. Enquanto George W. Bush afastava o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld (responsável pelo caos iraquiano), e anunciava a permanência das tropas ianques no Iraque, os democratas decidiam que irão cobrar a imediata saída dos militares do país que um dia foi comandado pelo ditador Saddam Hussein. Na verdade, o que os democratas pretendem, além de interromper a carnificina que reina no Iraque, é provar que a Halliburton, empresa que já foi presidida pelo vice Dick Chenney, foi a única beneficiada nos contratos de exploração de petróleo naquele país. É bom lembrar que, meses antes da primeira campanha de Bush rumo à Casa Branca, esta coluna noticiou com exclusividade uma suposta fraude fiscal cometida pela Halliburton, assunto confirmado tempos depois, mas que foi abafado depois da eleição da dupla Bush-Chenney.

Bola na rede
Pensando bem Lula deveria chamar o ex-atacante Dario, o Dadá Maravilha, para assumir a presidência da Infraero. Afinal, nos tempos de glória, o jogador atleticano parava no ar antes de marcar seus gols de cabeça.

Parada dura
(14/11/05) - A oposição parece que está decidida a enfrentar a briga com o presidente Lula de frente e jogando pesado. Os próximos que devem ser convocados pelas CPIs são ninguém menos que o ministro Antonio Palocci Filho e o primeiro-irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. Até bem pouco tempo vivendo no ostracismo, Vavá foi alvo de reportagem que o apontou como lobista que vinha fazendo uso do parentesco presidencial como infalível instrumento de persuasão. Se Genival Inácio vai ou não sentar no banco dos réus será decidido na próxima quarta-feira, quando a CPI dos Bingos realiza sessão administrativa para votação de requerimentos. E será nessa mesma Comissão, a dos Bingos, que Palocci deverá explicar seus encontros com os empresários angolanos que atuam fortemente no setor de bingos, em São Paulo, e que teriam engordado o caixa 2 da campanha presidencial do PT.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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