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ano 6 - número 1242

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Se a guerra é o outro nome da morte, a vida é o outro nome da paz."
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Borracha palaciana
Atos de corrupção e outras modalidades de crime já não fazem parte das condutas condenadas por uma sociedade que sonha em ser livre e democrática. Depois da encenação do Palácio do Planalto, que afastou o deputado Ricardo Berzoini da coordenação da campanha presidencial diante de seu envolvimento no escândalo do Dossiê Cuiabá, e de sua saída temporária da presidência do PT, Lula reuniu-se com o companheiro para discutir o futuro, como se quem pensa em destruir o presente tem tal prerrogativa. Iss mostra que, mais uma vez, o povo foi enganado com as atitudes falaciosas de Luiz Inácio Lula da Silva e sua horda de seguidores, que, ao posarem de Robin Hood da modernidade, sonham com a perpetuação no poder. Está em marcha um grande e quase irreversível golpe, que lamentavelmente a sociedade não tem capacidade de enxergar.

Bola de lama
Enquanto Lula sinalizava para aliados, com a promessa de cargos em seu segundo governo – o que permitirá acesso a uma cornucópia jamais imaginada – o Partido dos Trabalhadores se reuniu em Brasília, nesta quinta-feira, para discutir a participação do partido na próxima administração do presidente-operário. Nesse jogo de cena muito bem montado pelo Palácio do Planalto, só duas leituras são capazes de traduzir a situação. Lula está planejando uma guinada radical mais à frente, sendo que no momento abusa dessa fleuma pseudodemocrática como forma de conter os escândalos que o inviabilizariam politicamente a partir de 2007. A outra possibilidade, também considerável, é que Lula vai tirar da gaveta o projeto de criação de um novo partido, assunto que esta coluna noticiou com absoluta exclusividade meses atrás. E afastar-se das maçãs podres do PT seria vital para o projeto. (Foto: clubemundo.com.br)

Frigideira quente
Supostamente eufórico com a formação da equipe de seu segundo governo, Lula anunciou que não tem razões para mudar os integrantes a equipe econômica do atual governo. Lula, ao defender seus colaboradores de agora, se referiu a Guido Mantega e Henrique Meirelles, ministro da Fazenda e presidente do Banco Central, respectivamente. Por outro lado fica claro que Paulo Bernardo, ministro do Planejamento e deputado licenciado, que optou por não disputar a reeleição, tem tudo para voltar para casa. Até porque, em Londrina, reduto eleitoral de Paulo Bernardo, o candidato Lula teve uma votação que deixou muito a desejar. De mais a mais, como noticiou a coluna, há meses, jamais foram boas as relações entre o ministro do Planejamento e Guido Mantega. (Foto: Rádio Eldorado)

Maior abandonado
Nessa dança de cadeiras que terá de promover, em especial para acomodar os políticos que lhe deram apoio durante a campanha, Lula sequer tocou no nome de Paulo Okamotto, presidente do Sebrae e responsável pelo pagamento das contas do barbudo mais famoso de nossa querida Botocundia. Lula, que blasfemou ao dizer que seu governo investiga toda e qualquer irregularidade, ordenou à sua tropa de choque no Congresso que impedisse, a qualquer custo, a quebra do sigilo bancário de Okamotto.

Quem te viu...
Contrariando a onda de mentiras plantadas contra a candidatura de Geraldo Alckmin, que, segundo os petistas, privatizaria o Banco do Brasil, a Caixa, a Petrobras e os Correios, o governo Lula agora parte para aquilo que condenou: as privatizações. O Ministério dos Transportes já anunciou que devem ter início, em breve, os processos de privatização das rodovias federais, sucateadas desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso. Na lista das rodovias privatizáveis estão a Regis Bittencourt, que liga São Paulo ao sul do País, e a Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte. Ou seja, duas jóias da coroa. E é preciso estar muito atento, de agora em diante, na evolução patrimonial das autoridades envolvidas nas privatizações.

Azeite do bom
O processo de fritura do ministro da Defesa Valdir Pires já começou. Nessa treta final do primeiro governo Lula, qualquer deslize ou declaração inadequada pode render um cartão vermelho a partir de 1º de janeiro. Quando anunciou a desmilitarização do controle do tráfego aéreo, para, horas depois negar, o baiano Valdir Pires pode ter garantido sua volta para a Bahia de Todos os Santos. Ontem, o presidente Lula decidiu que a crise provocada pelas ameaças dos controladores aéreos será pilotada pelo Comando da Aeronáutica, e não mais pelo ministro. Assim, fica claro e evidente que o Palácio do Planalto está literalmente perdido em assuntos de vital importância para um país que espera crescer 5% ao ano. Mais: desmilitarizar o controle do tráfego aéreo em um país tomado pela corrupção gauche é um ato de suicídio político. Afinal, quem comandaria, em terra, as operações no ar do avião presidencial?

Enganação oficial
Mesmo com irrisório avanço, o Brasil perdeu uma posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, divulgado pela Organização das Nações Unidas, a outrora poderosa ONU. O fator que mais pesou para que o Brasil pulasse da 68ª para a 69ª posição foi a falta de saneamento básico para pouco mais de quarenta e dois milhões de brasileiros, ou seja, um quatro da população nacional. Quando ainda disputava a presidência contra o tucano Geraldo Alckmin, Lula, o candidato, disse que nunca se investiu tanto em saneamento básico como fez o seu governo. Na verdade, Lula, que nunca sabe das coisas, não foi informado sobre documento do Ministério do Planejamento que reconheceu ter sido o virulento governo FHC o que mais investiu no setor. Essa história do “nunca”, que Lula agora já não repete tanto, pode levar a sede do governo brasileiro para a casa de Michael Jackson, na Califórnia. O rancho Neverland, que, por sinal, está à venda.

Parafuso solto
É verdade que todos têm o direito de sonhar, mas fazer do sonho uma realidade ou uma mentira é uma questão de afinco. Presidente da Câmara dos Deputados, o comuna Aldo Rebelo disse, durante entrevista, que espera destrancar a pauta de votações da Casa na próxima semana. É sabido que o legislativo federal só funciona dois dias e meio por semana – de terça pela manhã à quinta até o meio-dia – enquanto os parlamentares recebem como se trabalhassem de domingo a domingo. Imaginar que a Câmara terá quorum para votações em semana cortada por um feriado. Com o dia da Proclamação da República caindo na quarta-feira, a semana legislativa está literalmente comprometida. Para complicar ainda mais o que complicado já é, na segunda-feira, 20, é Dia da Consciência Negra. Também feriado. Em outras palavras, Aldo Rebelo anda acreditando em duendes.

Grana extra
Há dias, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu de Oliveira e Silva disse que não pretende voltar à política, mas apenas provar sua inocência no processo do fatídico mensalão, que tramita no Supremo Tribunal Federal. Dirceu, que de uns tempos para cá tem se dedicado ao lobby, é o ponta-de-lança do empresário Carlos Slim Helou, dono da mexicana Telmex e da brasileira Claro, além de sócio da Net, empresa de televisão a cabo. O ex-comissário palaciano é o interlocutor do mexicano junto ao governo do companheiro Lula. Slim, um arrojado empresário do setor de telecomunicações, ofereceu, em nome da Claro, R$ 15 bilhões pela TIM brasileira. Em outras palavras, não há nada melhor do que uma montanha de dinheiro para fazer um comunista convicto se encantar com o submundo do capitalismo. (Foto: AFP)

Óleo de peroba
Na onda de desfaçatez que tomou conta do Brasil, desde o anúncio do primeiro caso de corrupção do governo que derrotaria o medo com esperança, a mais nova galhofa política tem a Paraíba como endereço político-eleitoral. Acusado de integrar a máfia das ambulâncias superfaturadas, o senador Ney Suassuna (PMDB) voltou à liderança do PMDB, depois que seu processo de cassação não foi votado por falta de quorum. Defensor ferrenho e cego do governo Lula, Suassuna, que teve seu julgamento nas urnas paraibanas, tem sido beneficiado pelo conluio irresponsável entre o PMDB e o Palácio do Planalto. Ora, se um partido político se presta a esse tipo de coisa, não tem moral para pleitear cargos no governo federal. E não é difícil imaginar o que irá acontecer com a transformação do governo Lula em colcha política de retalhos.

Pisando no freio
Perdeu força a operação que envolvia uma fazenda no sul do Pará, adquirida junto ao pecuarista Benê Mutran. O novo dono da propriedade rural, que pagou preço bem acima do mercado, pretendia transferi-la fraudulentamente a terceiros, em operação que envolveria registros de imóveis da região. A idéia inicial era que a transferência ocorresse entre o primeiro e o segundo turnos, mas o opportunismo barato e criminoso não vingou. Quando, com exclusividade e larga antecedência, a coluna noticiou o fato, hostes petistas se alvoroçaram. Agora, com a reeleição de Lula já sacramentada, o assunto certamente cairá no esquecimento e a bandidagem continuará livre para agir em outras searas. São Tantas, mas Tantas confusões nesse País...

Deu zebra
Reunindo os maiores e mais importantes bancos brasileiros e internacionais, a avenida Paulista, via de acesso aos principais hospitais da cidade de São Paulo, sofreu com trânsito nesta quinta-feira. Conhecida como centro financeiro do País, a avenida Paulista serviu de palco para protesto de médicos do Hospital das Clínicas, que descontentes com as condições e trabalho se reuniram no vão livre do Museu de Arte de São Paulo, o Masp. O Instituto do Coração, o Incor, departamento do Hospital das Clínicas que conta com o apoio da Fundação Zerbini, voltou à normalidade dos trabalhos no dia de ontem, logo após o pagamento de contas e salários atrasados. Tal situação mostra que foram inverídicos os depoimentos de Lula e Geraldo Alckmin durante a corrida presidencial. Afinal, a Saúde no Brasil está longe, muito longe, perfeição.

Truma do arco-íris
Ainda a avenida Paulista... Autoridades paulistanas lutam, e não é de hoje, para encontrar uma solução definitiva para a avenida Paulista, cujas calçadas foram, nos últimos tempos, invadidas por camelôs e buracos. Não bastassem os punguistas que agem na região, o pedestre tem de enfrentar buracos enormes, o que causa entorses e quedas, e camelôs que vendem de yakissoba a produtos contrabandeados e roubados. Porém, uma conhecida e carimbada figura da política local, que conta com bom trânsito na prefeitura de São Paulo, tem agido na contra-mão da lógica. Nas noites de maior furor pessoal, o tal político, rico e bem nascido, incentiva a prostituição masculina local ao chamar para encontros nada ortodoxos meia dúzia de garotos de programa. Prefeito, diz o ditado “diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.

Sinuca de bico
Prefeito da maior cidade brasileira, São Paulo, Gilberto Kassab deve enfrentar sérios problemas nos próximos dias. Repousa na escrivaninha do alcaide paulistano um projeto que prevê o aumento do preço das passagens de ônibus, que hoje custam R$ 2. Com o salário mínimo valendo R$ 350 – Lula diz que é o maior já pago no País – e o trabalhador fazendo uma viagem de ida e outra de volta ao trabalho, R$ 100 vão parar nos cofres das empresas de ônibus. E com essa fortuna chamada salário mínimo o reles trabalhador já enfrenta a carestia do cotidiano tupiniquim, que não é das mais fáceis, com R$ 8,33 diários. Imagine quando aumentar o preço da passagem. Mesmo assim, Lula continua dizendo que o Brasil é um país de todos, e o PFL do prefeito Gilberto Kassab acredita que pode fazer oposição.

Perna curta
Pensando bem, as mentiras palacianas criaram pernas. Passadas as eleições elas colocaram os pés na estrada.

Capacho palaciano
(10/11/05) - Ontem, em decisão inédita, o depoimento de Soraya Garcia à CPI dos Correios foi inexplicavelmente cancelado. Soraya já estava na sala administrativa da CPI, quando foi informada da suspensão da audiência. Seu advogado pediu, então, uma declaração da diretora das CPIs, que citou no documento que o cancelamento ocorrera a pedido do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral. No recinto surgiu a informação que o presidente Lula teria telefonado a Delcídio Amaral, solicitando a imediata suspensão do depoimento de Soraya Garcia, sob pena de o PT convocar para depor o responsável pelo valerioduto na campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), atualmente senador. O fato é que o depoimento de Soraya Garcia, que já antecipou parte do que sabe à revista Istoé, colocaria na linha de tiro, com direito a demissão do governo, o ministro Paulo Bernardo (PT-PR), Gilberto Carvalho, secretário particular da Presidência da República, José Dirceu, deputado federal e ex-chefe da Casa Civil, José Janene (PP-PR), deputado federal que deve ser cassado, Nedson Micheletti, prefeito de Londrina.

Ucho Haddad

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