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ano 6 - número 1241

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Cem vidas eu tivesse, cem vidas eu daria."
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Fim de linha
Para ter o PMDB cada vez mais próximo, o presidente Lula está deixando o discurso de campanha de lado e abrindo a guarda para que figuras ilustres do partido mandem e desmandem. Ex-senador e agora deputado federal, Jader Barbalho, além de conversar constantemente com o presidente Lula, tem dado muitas das cartas na Esplanada dos Ministérios. Dessa forma, Lula, que disse investigar toda transgressão, traz para dentro do Palácio do Planalto o escândalo do ranário e do misterioso cheque que saiu de Belém e foi parar em uma conta bancária no Rio de Janeiro. Parabéns, presidente, o seu segundo mandato será a salvação do País.

Cálice maldito
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu que se prepare, pois em breve deve aterrissar à porta da sua casa uma caixa do caríssimo vinho Mouton Rothschild (R$ 25 mil a caixa). Comprado no Rio de Janeiro, o mimo é uma espécie de agradecimento pela atuação de José Dirceu, que tem ajudado, e muito, o banqueiro opportunista “Tantas” (a Justiça nos impede de citar seu nome) na relação com o empresário mexicano de origem libanesa Carlos Slim (originalmente era Salim) – dono da operadora Claro e sócio da Net, TV por assinatura. Além disso, Dirceu tem ajudado o banqueiro tupiniquim junto às entidades reguladoras do governo Lula. Ao que parece, o senhor “Tantas” tem em José Dirceu o seu principal aliado para se infiltrar no negócio entre Claro e TIM. Mais: o presidente da Claro no Brasil, João Cox, é ex-funcionário de “Tantas”, o ex-especulador Naji Nahas é o maior de todos os seus atuais empregados, sócio do influente Delfim Neto e "parceiro de negócios" de Tronchetti Provera em todos os imbróglios que a Telecom Italia fez no Brasil, notadamente com o aval do opportunista. Não fosse a reconhecida e idolatrada qualidade, o tal vinho provocaria azia na certa.

Bola preta
Ex-governador do Distrito Federal e senador eleito, Joaquim Roriz levou, nesta quarta-feira, um chega pra lá do diretor do Senado, Agaciel Maia. Acompanhado de uma comitiva de dez assessores, Roriz pediu para despachar com seus eleitores no Senado antes mesmo de ser diplomado, mas a tão esperada autorização não aconteceu. Roriz pediu, ainda, o gabinete do companheiro senador Ney Suassuna, que deixa o mandato em fevereiro. O gabinete do paraibano - é uma das sanguessugas - é um dos mais cobiçados, pois, além de muito espaçoso, tem até um agradável jardim de inverno. Para escolher um gabinete, o senador eleito precisa ter alguns requisitos, como a antiguidade na Casa. Resumindo, Joaquim Roriz vai ter de se contentar com um cafofo parlamentar qualquer.

Biruta rouge
O que só agora foi revelado, após a análise das caixas-pretas do Boeing da Gol, os leitores da coluna souberam dias depois do acidente na Serra do Cachimbo. Durante a queda, nada pôde ser gravado pelas caixas-pretas, pois a rápida despressurização da cabine levou passageiros e tripulantes a um imediato estado de inconsciência. O processo de despressurização, necessário antes de toda aterrissagem, ocorre de maneira gradual, o que permite que o corpo humano se acostume lentamente com a mudança. O que ainda não foi esclarecido, mas a coluna continua insistindo na tese, é que se falha humana foi a causa, essa foi cometida pelo controle de tráfego aéreo. A essa altura, os ocupantes do Palácio do Planalto não querem saber de más notícias rondando a seara de Lula. (Foto: FAB)

Ai, caramba!
O silêncio adotado pelas autoridades cubanas sobre a saúde do ditador Fidel Castro provocou uma série de especulações ao redor do mundo. Há quem diga que o tirano caribenho estaria morto, enquanto o Granma, jornal oficial do governo cubano, vinha publicando notícias sobre a franca recuperação do ditador e mentor intelectual (sic) de alguns barbudinhos tupiniquins. A coluna recebeu de um respeitado jornalista venezuelano, dono de boas relações com Cuba, uma foto que acirra ainda mais a polêmica sobre a saúde de Fidel. Caso seja verdade o que mostra a foto abaixo, Miami deve estar em festa, e Cuba Libre.

Pano de fundo
A respeitável vitória dos democratas nas eleições norte-americanas colocou o presidente George W. Bush em situação política complicada. Sem o controle do parlamento local, Bush foi obrigado a adotar um tom conciliador no pronunciamento que fez na manhã de ontem. Horas antes do discurso, Bush, o baby, acertava a demissão de Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos EUA e responsável maior pelo trágico desastre em que se transformou a incursão bélica ianque no Iraque. Na verdade, a demissão de Rumsfeld não passou de uma cortina de fumaça gerada pelo próprio Bush, que funcionou como antídoto para o recado dado nas urnas: uma mudança imediata e radical nas políticas de governo. Agora, sem ter a obrigação diária de ir à Casa Branca, Donald Rumsfeld terá tempo suficiente para encontrar as armas químicas de Saddam Hussein, as mesmas que até hoje ninguém achou.

Truque da farinha
O pãozinho francês, que em vários estados brasileiros muda de nome (no Rio Grande do Sul é cacetinho), é alvo de nova discussão no Congresso Nacional. Há dias, a venda do pão, antes feita por unidade, passou a ser por quilo, o que fez com que o consumidor passasse a ser lesado de outra maneira. Quando vendido por unidade (50 gramas cada), os fabricantes usavam bromato de potássio para dar volume ao pão, fazendo com que o consumidor levasse, em peso, menos do que deveria. Agora, vendido por quilo, os fabricantes estão adotando a estratégia de aumentar o peso de cada pão, o que leva o consumidor a desembolsar mais dinheiro para levar o mesmo número de unidades que está acostumado. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) apresentou projeto para garantir a volta da venda do pãozinho por unidade, e não mais por peso. Um país, onde o cidadão é enganado até no pão de cada dia, precisa ser riscado do mapa e reinventado.

Empurrando com a barriga
Mais uma vez, o julgamento do ainda deputado José Janene (PP-PR), acusado de ser um dos pilotos do fatídico mensalão, foi adiado. Nesta terça-feira, quando teve início a Ordem do Dia, sessão que em tese deveria votar as MPs que trancam a pauta da Casa legislativa, deputados se apressaram em aprovar a prorrogação, por trinta dias, do prazo que o Plenário tem para analisar o processo do Conselho de Ética contra Janene. A alegação dos deputados é que a sessão que irá decidir o futuro de José Janene deve ter quorum suficiente para condenar ou absolver o parlamentar. O novo prazo vence em 11 de dezembro. De tal forma, Janene pode acabar não sendo julgado, o que parece ser o objetivo daqueles que empurram o assunto como podem. (Foto: Uol)

Ambiente familiar
Depois de inundar o Paraná com inverdades, durante a campanha que o reconduziu ao Palácio Iguaçu, o governador Roberto Requião começa a colocar novamente as mangas de fora. Após encontro com o presidente Lula, na última terça-feira, Requião retornou a Curitiba com duas desfaçatezes no bolso do colete. A primeira delas, já conhecida e alvo de chacotas, será a manutenção de duas dúzias de parentes como funcionários do Estado. A segunda, uma novidade, será fazer de um dos sobrinhos, João Arruda, presidente do PMDB paranaense. Assim, governador, é possível pensar que quem comprou aquele modesto apartamento parisiense engana muito bem ou é incompetente. (Foto: Wikipedia)

Forno a lenha
É cada vez mais forte o cheiro de pizza que começa a escapar do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Deputados se manifestaram abertamente no Conselho a favor do deputado João Correia (PMDB-AC), acusado de integrar a Máfia das Sanguessugas, que na tarde desta quarta-feira fez sua defesa. Correia confirmou à Comissão (sic) que duas unidades de saúde, compradas através de suas emendas, foram entregues no município de Plácido de Castro. Mas ele nega que tenha negociado propina. Durante a defesa, o parlamentar quase chorou ao dizer que queria a “a vida de volta”. Já o relator do processo no Conselho, o deputado agricultor petista Anselmo (RO), disse que espera entregar o relatório em 15 dias, depois de ouvir mais uma testemunha sobre o caso. Resumindo, como aqueles santos milagreiros, os caras-de-pau também choram.

Cordão umbilical
O tempero goiano à base de pequi pode virar um angu de caroço baiano, se a deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB) cumprir sua promessa feita ontem, quarta-feira. Personagem do controvertido caso da compra de votos, no qual teria recebido uma promessa de R$ 1 milhão do deputado Sandro Mabel (PL-GO) para votar favoravelmente ao governo Lula, Raquel Teixeira quer, a partir de agora, distância de seu mentor, o ex-governador Marconi Perillo, que na verdade agiu muito mais como algoz. A deputada tucana disse que o seu novo mandato será marcado pela independência. Por outro lado, a situação também não está nada boa para o prefeito de Goiânia, Íris Rezende, que esqueceu os companheiros na eleição e só fez força para a eleição da mulher, dona Íris, que estréia seu programa de culinária na Band de Brasília. Íris, o prefeito, por sinal, está sendo comparado a Lula. Assim como o presidente, que não moveu os dedos em favor de Aloízio Mercadante, o cacique goiano abandonou Maguito Vilela. Vem confusão pela frente!

Fio trocado
O governador de São Paulo, Claudio lembo, começa a enfrentar, nos bastidores do PFL, a cara feia dos companheiros de partido. Lembo, que durante a corrida presidencial mais parecia um tucano em cima do muro, pois ora adulava Geraldo Alckmin, ora o atacava, agora está de amores com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Sem o menor traquejo para a atual fase da política nacional, Claudio Lembo colocou em maus lençóis o PFL, partido que promete fazer oposição cerrada ao segundo governo petista. Para esquentar a já acalorada fogueira planaltina, é preciso lembrar que o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, tem sido alvo das maledicências petistas por conta da condenação do professor e articulista Emir Sader.

Veneno caseiro
O inferno astral de Celso Pitta, por conta da própria família, parece não ter fim. Depois de ter sido delatado pela própria ex-mulher, Nicéia, o ex-prefeito de São Paulo foi vítima do próprio filho. Após uma acalorada briga com o pai, Victor Nascimento entregou à Polícia Federal uma pasta pertencente ao ex-prefeito, contendo documentos e dinheiro. Há cerca de seis meses, a Justiça paulista conseguiu repatriar US$ 1 milhão de Pitta depositados em uma paraíso fiscal. Para complicar ainda mais, a Câmara Municipal de São Paulo rejeitou as contas da administração do ex-alcaide da Paulicéia Desvairada. Saravá!

Pilha alcalina
Enquanto o Brasil trepida com os escândalos de corrupção e com as mentiras advindas do Palácio do Planalto, a bela Florianópolis será palco de uma festa no mínimo inusitada. Figura carimbada nas rodas catarinenses, a bela Adriana Althoff comanda, nesta sexta-feira, uma festa para três mil mulheres, no conhecido Clube do Champanhe. Tema da noite: vibradores. Ou seja, continua valendo na velha Botocundia a tese de que aquela que não tem cão caça com gato. E como, segundo elas, gatos andam em falta, vai vibrador mesmo.

Reino animal
Pensando bem, o segundo governo do PT já pode ser considerado uma fábula infantil. Lula, o sapo barbudo, e as rãs do Jader.

Por um fio
(09/11/05) - Ex-secretário de Antonio Palocci Filho na prefeitura de Ribeirão Preto, o advogado Rogério Buratti, mais um dos abandonados pelo PT palaciano, pode ter colocado o futuro do ministro da Fazenda. De acordo com informações obtidas pela coluna, Burrati, extremamente magoado com os barbudos companheiros, que o deixaram literalmente na mão, teria prestado um longo depoimento a representantes do Ministério Público, nos últimos dias, cujo teor coloca em risco a permanência de Palocci à frente do ministério. Tal informação confere com o esforço do Palácio do Planalto para evitar a convocação de Palocci por qualquer uma das CPIs em andamento. E se Palocci for defenestrado do cargo por conta das supostas declarações de Buratti ao MP, o presidente Lula deve chamar imediatamente uma caminho de mudança, pois o PT e seu pífio governo terão acabado.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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