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ano 6 - número 1240

terça-feira, 8 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido.”"
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Maxwell Maltz

   
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Por um fio
Sem ter mostrado a que veio, desde o início do governo Lula até agora, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, foi colocado de lado pelo núcleo duro do governo, depois que disse que a era Palocci chegara ao fim. Puxado para o Palácio do Planalto após uma pífia passagem pelo Ministério da Educação, Genro pode não virar o ano como ministro. A decisão do presidente Lula de negociar diretamente com os partidos políticos e querer se reunir com seus líderes mensalmente, a partir de janeiro, mostra que a fritura de Tarso Genro é uma questão de tempo.

Chega mais
Para evitar o constrangimento de negociar com o deputado cassado Roberto Jefferson, autor das denúncias do mensalão, o presidente Lula conquistou o apoio do PTB após uma longa conversa com o deputado José Múcio (PE), líder do partido na Câmara. Segundo Múcio, os vinte e três deputados federais do PTB decidiram, por unanimidade, apoiar incondicionalmente o segundo governo do presidente Lula, sem exigência de cargos. A única exigência apresentada por José Múcio foi a permanência do ministro Walfrido dos Mares Guia à frente da pasta do Turismo. Dias antes do acerto, Roberto Jefferson, presidente nacional do partido, foi contra o apoio. Vale lembrar que, ao ter o apoio do PTB, Lula Não apenas trouxe para dentro do governo uma parte do mensalão, como reconheceu por vias transversas o envolvimento de José Dirceu no escândalo de propinas. Até porque, por ocasião das denúncias, Lula disse que a Roberto Jefferson daria um cheque assinado e em branco.

Fiasco oficial
Ainda repercute o constrangimento imposto ao jornalista Carlos Chagas, um crítico do governo Lula, que foi chamado à Polícia Federal para provar que trabalhou no jornal O Globo, em investigação sobre fraudes em aposentadorias. Descabida, a denúncia partiu de uma funcionária do INSS, provavelmente simpatizante do PT, que usou do cargo para retaliar um conhecido crítico do Estado. Porém, como o PT só consegue ver aquilo que lhe interessa, bom seria que alguém chamasse o presidente Lula para explicar a sua aposentadoria como preso político. Até porque, quem passou alguns dias na prisão, onde foi bem tratado, com direito, inclusive, de ir ao enterro da mãe, não pode ser considerado preso político. Mais: e na enxurrada de aposentadorias concedidas pelo governo federal às chamadas vítimas da ditadura, não existem apenas benefícios sérios e procedentes.

Dança das cadeiras
Antes de embarcar para Nova York, onde se submeterá a tratamento contra um câncer no abdômen, o vice-presidente José Alencar sinalizou o que deve acontecer na formação da nova equipe ministerial. Em conversa com uma amiga, Alencar deixou escapara que Guido Mantega continuará no ministério da Fazenda. E disse, também que os cinco ministros mineiros, seus conterrâneos, ficam na nova equipe. O máximo que pode acontecer é uma troca de ministérios entre os mineiros. São eles: Luiz Dulci (Secretaria Geral), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Walfrido dos Mares Guia (Turismo), Hélio Costa (Comunicações) e Agenor Álvares (Saúde). Mais: proibido de fumar, o vice-presidente anda fumando escondido dos familiares e dos médicos.

Esqueceram de mim
Durante a campanha pela reeleição, Lula disse, repetidas vezes, em especial nos debates televisivos, que seu governo jamais deixou de apurar qualquer denúncia. Passados cinco meses, nada aconteceu com os loucos que invadiram e depredaram a Câmara dos Deputados, em uma terça-feira de junho. Comandados pelo porra-louca Bruno Maranhão, os integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra – MLST, financiados com dinheiro do governo federal, invadiram e destruíram um patrimônio público, e hoje riem da sociedade que à época exigiu punição exemplar. O conluio entre o Palácio do Planalto e a gang do MLST ficou evidente quando Bruno Maranhão foi chamado para integrar, oficiosamente, a campanha de Lula. Pois então presidente, e essa coisa de apurar todos os escândalos?

Começando mal
As dez Medidas Provisórias que trancavam a pauta da Câmara dos Deputados começaram a ser votadas nesta terça-feira, depois de um longo período de recesso branco, quando os parlamentares foram regiamente remunerados para se dedicarem às eleições. Por falta de acordo, o governo Lula sofreu a primeira derrota após a eleição, e a votação foi interrompida. A única MP votada e aprovada ontem foi a 314/06, que abre crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. O dinheiro destina-se a diversas obras em rodovias, reparos em sistemas de irrigação em Pernambuco e à compra de terras para a reforma agrária. A matéria segue agora para votação no Senado. O fato é que o dinheiro para recuperar as estradas só foi aprovado depois de um feriado prolongado que produziu oitenta e cinco mortes nas rodovias federais. Policiais rodoviários foram unânimes e alertar, durante o feriado, que os acidentes eram reflexo da falta de investimentos e de efetivo.

Vôo cego
A condenação de Emir Sader, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e articulista do site petista Carta Maior – é patrocinado pela Petrobras – tomou conta de boa parte das discussões no plenário do Senado nesta terça-feira. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que falou em liberdade de imprensa, usou a palavra para protestar contra a decisão judicial e disponibilizar um abaixo-assinado em favor do neo-trotskista Sader. Falar em liberdade de imprensa nos meios políticos é algo comum, porém o assunto se torna corriqueiro quando cai no discurso de petistas, especialmente quando lhes interessa. Por ocasião da divulgação das gravações do caso Celso Daniel, o PT se mobilizou para atacar a imprensa, que cumpriu o dever de noticiar um fato grave e que até hoje está sem explicação convincente. Jornalistas tiveram telefones grampeados e foram ameaçados de morte, enquanto alguns veículos de comunicação sofreram represálias diversas, chegando, inclusive, a serem tirados do ar. Nesse caso específico, o PT não falou em liberdade de imprensa. Estranho!

Tiro no escuro
Criticar a atitude do PT não significa concordar com a pena imposta a Emir Sader, condenado a um ano de prisão – cumprirá em liberdade e perda do emprego na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Decisão judicial não se discute, mas apenas se cumpre. Bizarro foi ver Eduardo Suplicy querendo ensinar ao juiz que proferiu a sentença aquilo que deveria ser feito. Na opinião de Suplicy, Sader deveria, quando muito, ser alvo de uma reprimenda. Pago para defender os interesses do povo paulista no Senado, Suplicy não tem a prerrogativa de forçar a mudança de decisões judiciais. O fato é que os dois personagens do episódio, Emir Sader e o senador Jorge Bornhausen, extrapolaram em suas declarações.

Maluca-beleza
A senadora Fátima Cleide (PT-RO) também protestou contra a condenação de Emir Sader. Ao fazer uso da palavra, a parlamentar rondoniense, que coordenou a campanha pela reeleição de Lula em seu estado, disse que ataques ao PT se tornaram comuns no período eleitoral, como se o partido fosse uma reunião de monges tibetanos refugiados. Fátima Cleide lembrou que, durante a campanha, a sede do PT em Rondônia foi assaltada, de onde foram levados três computadores e um cofre com R$ 5 mil em dinheiro. E do alto da desfaçatez que sobra nas hostes petistas, Fátima Cleide disse que não acredita em crime comum. Senadora, crime comum só o assassinato de Celso Daniel, não é mesmo?

Batendo duro
Enquanto o reeleito Roberto Requião visitava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Osmar Dias (PDT-PR), que por pouco mais de dez mil votos perdeu a corrida ao Palácio Iguaçu, ocupou a tribuna do Senado para criticar seu adversário na eleição ao governo paranaense. Dias acusou Requião de uso da máquina pública durante a campanha, além de denunciar de forma veemente os institutos de pesquisa que atuaram nas eleições daquele estado. Segundo Osmar Dias, uma diretora do Ibope, de nome Sandra, esteve duas vezes na Granja do Canguiri, residência oficial do governador do Paraná. Para piorar o clima, os institutos de pesquisas, que erraram de maneira escandalosa em seus prognósticos, simplesmente silenciaram depois dos resultados oficiais. (Foto: Wikipedia)

O velho Briza
Enquanto a governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), tenta encontrar uma solução para o comprometimento do orçamento de 2007 (os gastos superam em 15% a receita estadual), um assunto passa despercebido. Paulistana de nascimento e gaúcha por tempo de casa, Yeda conseguiu realizar um sonho de Leonel de Moura Brizola: aproximar o Rio Grande do Sul de São Paulo. Sem esforço político, Yeda Crusius triunfou apenas por conciliar a certidão de nascimento com o domicílio eleitoral. Além da vitória, é claro!

Fora da lei
O Banco do Brasil abusa da ilegalidade ao oferecer empréstimos a seus correntistas. As agências da instituição ostentam desde a última semana enormes cartazes que oferecem empréstimos consignados – aqueles com desconto na folha de pagamento – a juros de 1,88% ao mês. Para militares das Forças Armadas, Exército, Aeronáutica e Marinha não será cobrada a Taxa de Abertura de Crédito, a famigerada TAC, segundo consta do material publicitário do banco. Em primeiro lugar é preciso ressaltar que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, conforme prega a Constituição. Para completar, a TAC é uma invencionice criminosa dos bancos, para a qual o Banco Central simplesmente fecha os olhos. Cobrar a TAC é ilegal e inconstitucional. O BC afirma que a cobrança da TAC está regulamentada por instrução normativa da instituição, mas a lógica garante que nada é maior do que a Constituição. E o BC é um mero órgão regulador do mercado financeiro, a quem nào cabe legislar. Por isso, meu caro leitor, jamais pague a Taxa de Abertura de Crédito.

Pole position
Os leitores da coluna souberam, com semanas de antecedência, o que só agora os grandes veículos de comunicação noticiam. O interesse das operadoras Claro e Brasil Telecom na aquisição da Tim, posta a venda depois que a empresa italiana de telecomunicações promoveu sensível mudança em sua diretoria mundial. Nos bastidores, acompanhando atentamente os movimentos da possível negociação, estão o ex-especulador Naji Nahas e o ex-ministro e agora lobista José Dirceu de Oliveira e Silva.

Tirando a escada
Uma mega-transação no setor de saúde privada pode levar muitos usuários ao desespero. A seguradora Porto Seguro, que enfrentava sérios problemas para administrar planos individuais de saúde privada, vendeu sua carteira de clientes para a gigante Amil. Desde então, a Porto Seguro só trabalha com planos coletivos, o que pode ser um sinal de que o setor está vivendo uma grave e séria crise. Consultado pela coluna, um especialista em saúde complementar foi claro ao afirmar que a tendência do mercado é o fim dos planos individuais. Diante de tão preocupante cenário, resta saber como agirá a Agência Nacional de Saúde Complementar. Ou será que o lobby permitirá que os clientes individuais, que durante anos entupiram os cofres das empresas de saúde, fiquem a mercê da Saúde quase perfeita que só presidente Lula conhece e enxerga?

Ser estranho
Pensando bem, se em algum momento alguém descobriu que a mentira tem forma, no Brasil ela tem barba e avião, além de beber aquela água que passarinho passa longe.

Piada oficial
(08/11/05) - A participação do presidente Lula no programa Roda Viva, da TV Cultura, foi tão pífia quanto ridícula. O presidente, mais uma vez, negou todas as acusações de corrupção contra seu governo, alegando que o ex-deputado Roberto Jefferson, já cassado, não comprovou o que disse. Mas, pelo que consta, Jefferson não carecia de provar absolutamente nada, por dois exclusivos motivos. O primeiro é porque todos os acusados por Jefferson foram, tempos depois, réus confessos. O segundo motivo, e mais importante, é que o próprio Lula declarou, tão logo eclodiu o escândalo do mensalão, que a Roberto Jefferson entregaria um cheque assinado em branco. E será que gozando de tamanha confiança o ex-deputado ainda precisava provar alguma coisa?

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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