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ano 6 - número 1239

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Não basta ter sido bom quando se deixa o mundo; é preciso deixar um mundo melhor."
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Azeite - O autor, Luciano Percussi, um expert em gastronomia e enólogo renomado, traz em Azeite-História, Produtores e Receitas, da Editora Senac São Paulo, além de receitas culinárias com azeite, um roteiro para degustá-lo, apresenta sua história na Europa e compila as descobertas da ciência sobre suas qualidades medicinais, cosméticas e terapêuticas.
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Estrela decadente
Não há nada mais interessante do que unir fatos isolados e descobrir os detalhes em comum. Depois de plantar uma estrela no jardim do Palácio da Alvorada, Dona Marisa Letícia voltou às manchetes pela aberração do traje de banho que usou na Bahia, durante o feriado prolongado de Finados. Com uma estrela vermelha na região do abdômen, o maiô da primeira-dama ganhou os meios de comunicação. Ontem, segunda-feira, durante evento de premiação das empresas mais admiradas do País, o presidente Lula, em um daqueles enfadonhos e conhecidos discursos, resolveu posar de Jesus Cristo e disse “eu só quero dividir o pão produzido de maneira mais justa”. Unindo o maiô da primeira-dama, o discurso messiânico do presidente, o Aerolula e a barba esbranquiçada do ilustre petista, não é irresponsabilidade resgatar um velho jingle da Varig, já que estamos à porta das comemorações natalinas. Estrela brasileira / No céu azul / Iluminando / De norte a sul / Mensagem de amor e paz / Nasceu Jesus / Chegou o Natal / Papai Noel voando a jato pelo céu... (Foto: Eduardo Martins-Agência Estado)

Agora vai?
Quando a luz vermelha acendeu na campanha de Lula pela reeleição, já no segundo turno, a assessoria luliana abusou da mitomania, sem que uma frase genérica como “deixa o homem mentir” fosse citada. Quando o sinal de alerta diminuiu de intensidade, a criatividade marquerteira apelou para o bordão “deixa o homem trabalhar”. Vencida a disputa, entrou em cena, quarenta e oito horas depois, a frase "deixa o homem descansar". Mas Lula, que disse que os ricos não precisam do Estado, fez um programa tipicamente de rico. Escolheu a Bahia de Todos os Santos como palco do ócio que dominou o feriadão de Finados. Resta saber qual bordão será retomado. O da mentira, o do trabalho ou o do descanso?

Cronômetro acionado
A Polícia Federal concluiu que muitos dos telefonemas dados para concluir o imbróglio do Dossiê Cuiabá partiram do comitê de campanha do presidente Lula, em Brasília. No cruzamento de dados feito pela PF surgiram os nomes de Hamilton Lacerda, Gedimar Passos e Freud Godoy. A tese lançada pela coluna, de que o registro da candidatura do presidente Lula é passível de cassação começa a ganhar força. Caso o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, decida cumprir o que manda a lei, Lula não deveria ser empossado em 1º de janeiro. A lógica aponta para que o TSE indique como vencedor da eleição o segundo colocado, o que teria cheiro de golpe. O bom senso mostra que o melhor seria realizar nova eleição. Mais: isso explica o clima de terror e tensão que tomou conta do Palácio do Planalto.

Caos reduzido
Desde a zero hora de domingo, o Brasil experimenta mais uma vez o tão festejado horário de verão. Com quatro fusos diferentes, o País economizará energia elétrica, enquanto os brasileiros poderão desfrutar, até o final de fevereiro, um pouco mais da luz do dia. Por outro lado, um detalhe vai passar despercebido nessa história de adiantar o relógio em uma hora. A incompetência e a desfaçatez oficiais, que marcaram o primeiro mandato do presidente Lula, durarão sessenta minutos menos. Louvado seja o horário de verão.

Blecaute aéreo
A baderna em que se transformou o controle do espaço aéreo brasileiro irritou de sobremaneira os banqueiros brasileiros, acostumados com decolagens inesperadas a bordo de milionárias aeronaves. O recatado e precavido banqueiro Aloísio Faria (ex-Banco Real e agora Banco Alfa) teve problemas para, nos últimos dias, cumprir sua agenda de compromissos. Tirar do chão o seu Falcon 2000 (PR-AAF), cujo valor ultrapassa a casa dos US$ 25 milhões e tem no rol dos fãs o alemão Michael Schumacher, foi um dos transtornos enfrentado pelo banqueiro. Faria, que recebia empresários americanos, foi obrigado a estender a agenda de negócios para esta semana. Diferentemente de muitos banqueiros, Aloísio Faria, como bom mineiro, é daqueles que, por ser um dos maiores contribuintes do Leão e ter tudo sob rígido e absoluto controle, precisa de alguns poucos minutos para mandar às favas um barbudinho qualquer.

Calou por quê?
Tido como o mais polêmicos do todos os banqueiros tupiniquins, o sempre “opportunista Tantas” (a Justiça ainda nos proíbe de citar seu nome) foi condenado por fraude pela máxima instância da Justiça do Reino Unido, em processo que tramitava na corte das Ilhas Cayman. Mesmo que tal condenação não tenha validade jurídica no Brasil, é de se estranhar o fato de o banqueiro continuar dando as cartas em alguns setores da economia nacional. O que maior estranheza causa é o silêncio obsequioso que advém do Palácio do Planalto, pois o banqueiro opportunista acusou Luiz Inácio Lula da Silva de ser titular de conta bancária no exterior. Ou Lula é de fato o dono da tal conta, ou ele não sabia que o banqueiro um dia o acusou.

Enquete nova
Na enquete realizada pela coluna, finalizada nesta segunda-feira, o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, ficou em primeiro lugar na preferência dos leitores, com 40% dos votos, como sendo o candidato petista à sucessão de Luiz Inácio da Silva, na disputa de 2010. A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, chegou em segundo, com 33,33%, e a ministra-chefe da CAsa civil, Dilma Rousseff, em terceiro, com 26,67%. A nova enquete quer saber a opinião de leitor sobre a possibilidade do presidente Lula mudar a legislação para garantir um terceiro mandato. Participe respondendo à pergunta da enquete que está localizada na coluna à esquerda.

Operação abafa
A chance de as investigações promovidas pela CPI das Sanguessugas caírem no chamado buraco negro aumenta a cada dia. Na última semana, o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS) alertou para a possibilidade de os trabalhos da Comissão serem relegados pela bancada situacionista, provocando mais um fiasco político no cenário de lama que os palacianos impingem à nação. A coluna teve acesso a um volumoso, comprometedor e sigiloso relatório da Polícia Federal sobre o assunto, e alguns trechos trazem depoimentos literalmente bombásticos. Na alça de mira dos ataques estão conhecidas figuras do governo Lula, sendo que algumas delas, agora afastadas do palco político, já freqüentaram com intimidade o principal gabinete do Palácio do Planalto. E contrariando o discurso de campanha do presidente Lula, a ordem é abafar.

Chá de sumiço
Derrotado na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, o senador Aloízio Mercadante (PT-SP), seguindo orientações do partido, simplesmente desapareceu. Com grandes e concretas chances de ser processado pela Comissão de Ética do Senado, e com risco de perder o mandato por quebra de decoro, Mercadante tem evitado aparecer em público para não comentar o envolvimento de seu assessor de campanha, Hamilton Lacerda, no escândalo de compra do Dossiê Cuiabá, conjunto de documentos contra candidatos tucanos. Eleito com pouco mais de dez milhões e meio de votos para representar o povo paulista na Casa legislativa, e até recentemente considerado um ministeriável, Mercadante agora experimenta o ostracismo político. A continuar assim, é mais uma estrelada pizza que vai para o forno da impunidade.

Dinheiro no bolso
Durante o período eleitoral, raríssimos foram os parlamentares que bateram ponto no Congresso, o que deixa claro que o financiamento público de campanha, assunto que esquenta os corredores congressuais, já existe não é de hoje, pois todos os candidatos receberam religiosamente, sem trabalhar, seus nababescos salários e outros que tais. Alguns parlamentares – leia-se deputados e senadores – foram eleitos para cargos majoritários em seus respectivos estados, e, desde o anúncio oficial dos resultados, têm se ocupado com a formação do secretariado e com o chamado governo de transição. Resta saber se esses governadores eleitos, ainda cumprindo mandato parlamentar, vão se licenciar do cargo ou sugarão da viúva mais alguns bons e ricos trocados.

Parafuso solto
Controlar o aceso à Internet, exigindo identificação completa do usuário (nome, identidade, endereço e telefone), é a mais nova sandice que deve ser votada no Congresso Nacional ainda esta semana. Depois de meses de marasmo por conta das eleições, parlamentares podem, em questão de minutos, acabar com o pouco que resta em termos de liberdade e privacidade, já que grampear telefones é a diversão predileta de muitos integrantes do governo. O projeto, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), atende aos interesses de determinados segmentos da economia, como banqueiros e certificadores digitais. Beira a galhofa imaginar que um receptador do dinheiro de Marcos Valério, que durante anos abusou do anonimato, agora queira aniquilar a privacidade do cidadão. Nesse ninho tucano tem urubu de sobra.

Natal em Gramado
O governador Germano Rigotto (PMDB) recebe nesta terça feira 11, no Palácio do Piratini, o presidente do Natal Luz de Gramado, Luciano Peccin, e o prefeito da cidade, Pedro Betolucci. Durante o encontro, Rigotto será convidado oficialmente para a noite de abertura daquele que é considerado o maior evento de Natal do mundo. Com sessenta e quatro dias de duração (11 de novembro de 2006 a 14 de janeiro de 2007), 2 mil pessoas diretamente envolvidas, mais de um milhão de lâmpadas, um milhão e meio de garrafas pet recicladas – usadas como material-base da decoração, cinqüenta toneladas de equipamentos e dez mil fogos de artifício, o Natal Luz de Gramado foi considerado o maior evento do gênero no mundo por quatro fatores: é o maior em período de execução, o maior em números de espetáculos diários, o maior em número de público e o maior em aumento da renda per capta da região no período. Clique e confira a programação do Natal Luz de Gramado. (Foto: Andreia Elis)

Veneno caseiro
O PFL acaba de ser infectado pelo próprio veneno. Depois de inúmeros ataques ao aumento da carga tributária promovida pelo governo do presidente Lula nos últimos quarenta e seis meses, o Partido da Frente Liberal deixou de lado as críticas e silenciou diante do aumento de impostos proposto pelo prefeito de São Paulo, o peefelista Gilberto Kassab, que quer a majoração do IPTU. Para justificar o aumento pleiteado, Kassab alterou a planta genérica de valores, o que, além de aumentar o imposto de forma sorrateira, desencadeará aumento em outras modalidades de tributos. E a ex-prefeita Marta Suplicy, apelidada de “Martaxa” pela oposição, da qual o PFL faz parte, pode virar uma santa se considerada virulência de seus pecados tributários. E ninguém melhor para explicar o assunto do que o prefeito Gilberto Kassab e o senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL.

Gênio da lâmpada
O diferencial na propaganda é, via de regra, a criatividade, mas algumas agências abusam da inovação quando o assunto é concorrência oficial. A Agnelo Pacheco, que leva o nome de seu comandante, é mesmo algo impressionante. No governo FHC tinha a conta da Caixa Econômica Federal. No governo Lula, apadrinhada pelo gardelón Luis Favre, abocanhou um rico naco da conta do Ministério da Saúde. Na prefeitura de São Paulo, durante o reinado de Dona Marta, foi contemplado com a ajuda do primeiro-marido municipal. Agora, na gestão de Gilberto Kassab, com toda a máquina entregue aos homens de confiança de José Serra, a agência anda gazeteando que ficará com a maior fatia da verba publicitária da prefeitura paulistana, deixando em segundo lugar a GW, que concorre com a agência Lua Branca. Ou é um caso de excesso de competência, ou tem conde na área.

Casal unido
Pensando bem, Dona Marisa fez com a estrela vermelha o que o marido fez com os problemas brasileiros. Empurrou com a barriga.

Bate e volta
(07/11/05) - Não fosse suficiente o escândalo ainda não devidamente comprovado dos dólares cubanos, o Palácio do Planalto tentou desqualificar as palavras do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que na última semana revelou ao Brasil parte do esquema que alimentou o chamado “valerioduto”. Serraglio, em entrevista coletiva, antecipou os detalhes de uma operação sinistra que tinha a Visanet, empresa onde o Banco do Brasil é um dos sócios, como uma das plataformas operacionais de Marcos Valério e Delúbio Soares. Contestado pela tropa de choque petista, Osmar Serraglio divulgou nota à imprensa, cujo conteúdo, na íntegra, pode ser conferido clicando aqui.

Ucho Haddad

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