.
.
ano 6 - número 1238

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Não basta ter sido bom quando se deixa o mundo; é preciso deixar um mundo melhor."
.

Bertold Brecht

   
página uh!
 
COLUNISTAS
 
Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Eduardo Pimenta
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Maria Lucia Victor Barbosa
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar
Ucho Haddad
 
O UCHO PERGUNTA

Qual petista tentará a presidência em 2010?

Dilma Rousseff

Jaques Wagner

Marta Suplicy


ONDE LER O UCHO

FALE COM O UCHO
Clique e envie uma mensagem para o Ucho

Clique na imagem acima e saiba como o seu voto pode ser roubado

CASOS E DOCUMENTOS

Clique e confira os casos mais polêmicos da nossa Terra Brasilis

EDITORA SENAC SÃO PAULO

Azeite - O autor, Luciano Percussi, um expert em gastronomia e enólogo renomado, traz em Azeite-História, Produtores e Receitas, da Editora Senac São Paulo, além de receitas culinárias com azeite, um roteiro para degustá-lo, apresenta sua história na Europa e compila as descobertas da ciência sobre suas qualidades medicinais, cosméticas e terapêuticas.
ESTAÇÃO NÊUMANNE
Clique e embarque na Estação Nêumanne, a página virtual do jornalista e escritor José Nêumanne Pinto

PARCEIROS

VOX LIBRE
Clique e acesse o Vox Libre, blog do colunista do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

i

Olho da rua
Durante a campanha presidencial, Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, abusou do bordão “nunca se fez tanto” para mostrar a maquiada e conhecida incompetência de um governo que foi marcado por escândalos de corrupção. Emoldurado pela sanha ignorante de parte da militância petista, Lula posou como Sassá Mutema planetário, enquanto a verdade sobre o acidente com o Boeing da Gol era devidamente abafada. A crise gerada pela operação padrão dos controladores de vôo, que parou o País nos últimos dias, mostrou que o Brasil é muito mais vulnerável do que se imaginava, o que tem facilitado o vaivém de traficantes, terroristas e guerrilheiros. Com uma drástica redução nos investimentos previstos para o setor de controle do tráfego aéreo, Lula peca ao não se pronunciar sobre o assunto. Preferiu um retiro na Bahia, quando deveria ter cuidado da demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires. Pelo menos é isso que teria ocorrido em um país minimamente sério. (Foto: radiometropole.com.br)

Mão no bolso
Os prejuízos gerados pela crise do controle aéreo em breve aterrissarão na Justiça. As empresas aéreas já se movimentam para cobrar do governo perto de R$ 40 milhões, dinheiro que certamente sairá do bolso do contribuinte. O valor anunciado pode aumentar, e muito, a partir do momento que os passageiros decidirem cobrar prejuízos e indenizações. Intrigante continua sendo o fato de os controladores de vôo não terem deflagrado a operação durante a corrida presidencial. Tivesse isso acontecido antes do primeiro turno, Lula já teria chamado o caminhão de mudanças rumo a São Bernardo do Campo. Que fiasco, presidente!

Que controle, que nada!
A dias do segundo turno da eleição presidencial, o primeiro-casal, Lula-Marisa, voltou a se valer do populismo barato e se misturou ao povo para provar o que todos sabem ser uma galhofa desmedida: que o presidente-operário é um democrata confesso. Fosse verdade, Lula jamais teria rumado para a Bahia durante o feriado prolongado, enquanto milhares de brasileiros se espremiam nos aeroportos por conta da crise do controle aéreo. Lula pode até acreditar que os ricos não precisam do Estado, mas ele, o presidente, precisa, e muito, dos ricos para alavancar suas demagogas sandices administrativas. Ora, se todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza – pelo menos é o que garante a Constituição Federal – alguém há de explicar porque o Aerolula rumou para a Bahia sem enfrentar o caos imposto a todos aqueles que tinham um bilhete aéreo nas mãos.

Cadê o discurso?
Meses antes de desembarcar na campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse algo que incomodou até mesmo o mais irresponsável dos médicos: que a Saúde no Brasil estava a um passo da perfeição. Acostumado a fazer da Base Aérea de Brasília a recepção do melhor hospital do País, Lula tem enfrentado, nos últimos dias, um desencadear de situações que desautorizam a recente galhofa presidencial. Há dias, o marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela campanha presidencial de 2002, precisou de um hospital particular para corrigir uma cardiopatia. O vice-presidente José Alencar, também reeleito, seguiu para Nova York para tratamento médico-cirúrgico. No Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, um dos melhores centros médicos do planeta para tratamento de câncer, Alencar vai, mais uma vez, retirar um tumor do abdômen. Isso mostra que Lula faltou com a verdade ao superestimar a situação da Saúde no Brasil.

Fogueira das vaidades
Nomes da iniciativa privada voltam a freqüentar o preâmbulo da nova equipe ministerial, que assessorará o presidente Lula a partir de 2007. O primeiro nome que despencou em Brasília foi o de Jorge Gerdau Johannpeter, conhecido empresário do ramo de siderurgia. Agora, a bússola das especulações aponta para o nome de Roger Agnelli, presidente da Companhia Vale do Rio Doce, que pode assumir o comando da Petrobras, em substituição a José Sérgio Gabrielli. Tucano camuflado, Agnelli poderá responder parte da pergunta que o presidente Lula fez ao ex-governador Geraldo Alckmin, durante os debates: o destino do dinheiro da privatização da Vale. Por outro lado, Agnelli, que volta e meia confabula com Paulo Henrique Cardoso (filho de FHC), pode ser uma sinalização para o oposicionista PSDB. Resumindo, Lula é um tucano sarará. (Foto:CVRD)

Continua devendo
Na última semana, diante da saia-justa provocada pela intimidação imposta aos jornalistas da revista Veja, a líder do PT no Senado, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), com a já conhecida e eloqüente soberba, disse, durante aparte, que buscaria as informações necessárias para dar uma explicação à altura não apenas a seus pares, mas em especial ao povo brasileiro. Findo o ócio parlamentar que o feriadão proporcionou, Ideli tem uma dívida e tanto com o cidadão: mostrar que agiu com o mesmo ímpeto que destilou por ocasião da quebra de seu sigilo bancário. Pois então, ilustre senadora, vai responder ou não?

Alça de mira
Na dança de cadeiras que deve acontecer no segundo governo do presidente Lula, duas figuras ilustres (sic) do PT palaciano estão sob ameaça de um retorno para casa. Depois de desistir de disputar um novo mandato como deputado federal, para permanecer no Ministério do Planejamento, Paulo Bernardo da Silva foi deixado de lado pelo companheiro Lula. Um dos motivos do abandono seria a pífia votação que o presidente-candidato teve em Londrina, base política de Paulo Bernardo. Outro londrinense histórico que corre o sério risco de ser ejetado do governo é o secretário particular da Presidência, Gilberto Carvalho, alvo da oposição quando o assunto é a misteriosa e ainda não explicada morte de Celso Daniel, o ex-prefeito de Santo André. (Foto: Terra)

Mais saias, menos calças
Com grande possibilidade de continuar como ministra-chefe da Casa Civil, a partir de 2007, Dilma Rousseff engrossa a lista de mulheres ministeriáveis. Se tudo o que se especula for verdade, o próximo governo do presidente Lula terá no mínimo três mulheres na Esplanada dos Ministérios. Marta Suplicy e Roseana Sarney são as outras duas mulheres que completam o trio de saias do presidente-torneiro. Dilma deve continuar por lealdade, Roseana ingressa no governo como prêmio de consolação e Marta por seu dedicado trabalho em São Paulo durante o segundo turno. Outro nome que tem sido comentado para integrar o segundo governo Lula, mesmo que não seja no primeiro escalão, é o da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, a companheira que em 2004, durante as eleições municipais, disse cobras e lagartos a respeito do presidente.

Contagem regressiva
Quando noticiamos que o clima de terror havia tomado conta dos corredores do Palácio do Planalto, muitos desafetos chegaram a acreditar que se tratava de uma invencionice, mas a prova maior veio no último sábado. O programa humorístico Zorra Total, da Rede Globo, trouxe em sua última edição um ataque fino contra o presidente Lula. Quando um presidente cai na maledicência do Jardim Botânico, o melhor a se fazer é tirar o cronômetro da gaveta. E ninguém melhor do que Fernando Collor de Mello, um lulista de última hora, para explicar o assunto. O fato é que nos bastidores da grande imprensa começou uma disputa árdua e silenciosa. Todos querem ter o direito de disparar o primeiro e o último tiro.

Estica e puxa
É de total desentendimento o clima reinante nos bastidores do Palácio do Planalto. Sem saber como acomodar todos aqueles que o apoiaram na campanha que lhe garantiu a reeleição, Lula ainda está sendo obrigado a abrandar a discórdia que tomou conta do universo dos barbudinhos. O radicalismo discursivo de Marco Aurélio Garcia, que defende o fim da liberdade de imprensa, fez com que Lula se distanciasse do seu coordenador de campanha e presidente interino do PT, mesmo que por necessidade de encenação seja. Tarso Genro, que tem tudo para retornar ao mundo da advocacia gaúcha, foi vítima da própria sandice declaratória. Ao dizer que a era Palocci tinha chegado ao fim, Genro patrocinou uma fissura no já rachado PT. E para abafar o imbróglio, Lula chamou para si o comando da economia. Socorro!

Engodo natimorto
A história mostra, sem medo de errar, que a reeleição contempla, na maioria das vezes, aqueles que já estão no poder, o que ratifica a tese de que usar a máquina estatal é um bom negócio eleitoral. Por outro lado, a mesma história mostra, também, que todo segundo mandato sempre deixa a desejar. O segundo mandato de Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, vai começar com a nudez de mais uma balela de campanha. Já não vale o decreto que determinou a concessão gratuita de passagens em ônibus interestaduais para aposentados que ganham até dois salários mínimos. Eleitoreira, a decisão foi anunciada dias antes do segundo turno, mas a Justiça Federal acolheu representação das empresas de ônibus, que alegaram prejuízo com a medida. E os velhinhos que já foram achincalhados pelo despreparo do então ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, agora estão literalmente a pé.

A garantia soy yo
Na agenda presidencial, a semana que ora se inicia tem como assunto prioritário uma reunião a portas fechadas no Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano. Com Hugo Chávez o presidente Lula, que estará acompanhado do governador eleito de Pernambuco, o socialista Eduardo Campos, tentará tirar do papel a refinaria que deve ser instalada naquele estado. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que sonha em permanecer no cargo, quer ver Hugo Chávez bem longe, assunto que não consta da cartilha de Lula. Por outro lado, se Chávez derramou alguns bons milhares de dólares no carnaval carioca, não é difícil imaginar o que fez na campanha de Eduardo Campos. Resumindo, Gabrielli, que tem desapontado os habitantes de Descalvado, cidade do interior paulista, deve mesmo ficar com a brocha na mão. Porque a escada Chávez irá tirar.

Para não comprar
No afã de arrancar mais alguns tostões do bolso do brasileiro desavisado, a Vênus Platinada acaba de lançar o “Livro das Grandes Reportagens”, publicação que traz as principais matérias jornalísticas do enfadonho e dominical Fantástico. Não causará estranheza alguma se a emissora do Jardim Botânico tiver vetado quatro reportagens, pequenas por suas escandalosas intenções. José de Paiva Netto, da Legião da Boa Vontade, foi massacrado por Roberto Marinho por ter conseguido a concessão de um canal de televisão, que o comandante da Globo queria para si. Alceni Guerra, que teve a honra pessoal colocada em xeque, foi, à época do governo Collor, escorraçado do Ministério da Saúde por um suposto envolvimento em fraude em licitação, que só a Globo conseguiu ver. Ibrahim Abi-Ackel, então ministro da Justiça, jamais se envolveu com comércio ilegal de pedras preciosas, mas por ter contrariado os interesses globais foi alvo de perseguição por parte da emissora. Em 1989, horas antes do debate entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, um telefonema de Roberto Marinho teria selado a sorte do petista. Mesmo assim, ainda há quem acredite que esse show da vida, que está pela hora da morte, é fantástico.

Macaco em galho errado
A imprensa brasileira tem vivido momentos dispares. Emir Sader, jornalista e petista de carteirinha, foi condenado pela Justiça paulista por ter se referido ao senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), em artigo de sua lavra, como “racista”. O artigo de Sader foi reflexo de uma declaração de Bornhausen, que, dias antes, perguntado se estava desencantado com a crise política, respondeu: “Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”. À época, cartazes com Bornhausen vestido de nazista foram distribuídos largamente em Brasília. Se alguma culpa existiu, certamente ela foi de ambos, pois tanto Emir Sader quanto Jorge Bornhausen extrapolaram ao reagir. Por outro lado, a mesma cantilena que condena a punição imposta a Sader, sequer encontrou tempo para justificar a atitude arbitrária do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que enviou ofício ao sítio Mídia Sem Máscara para que suspendesse a veiculação de um determinado artigo. Ora, a democracia só é boa e válida quando todos são tratados com isonomia.

Harém do Barba
Pensando bem, com a possibilidade de ter tantas mulheres no próximo governo, Lula, a partir de 2007, só terá tempo para discutir a relação.

Bendito seja o George
(07/11/05) - Atordoado com os escândalos dos dois assessores da Casa Branca (um de Bush e outro de Dick Cheney), o presidente americano sugeriu à sua assessoria que participe nessa semana de um curso sobre ética. Se vivo estivesse, Platão teria rolado no divã, ao ouvir Bush blasfemar sobre ética. Todos os restaurantes localizados na orla do lago Paranoá não puderam funcionar por ordem do serviço secreto americano. Um deles, por exemplo, que para a noite do último sábado havia programado uma festa para quinhentos convidados – convites vendidos – não pôde abrir as portas. Mas a loucura proporcionada pela passagem de Bush, o baby, por Brasília não parou por aí. Os hóspedes do hotel, que tiveram Bush como vizinho por algumas horas, foram impedidos de utilizar a piscina e a sala de ginástica, pelo simples motivo de que a suíte ocupada pelo primeiro-casal ianque tem as janelas voltadas para tal área do complexo hoteleiro. A partir de um determinado horário, táxis não mais tiveram acesso ao hotel, enquanto os hóspedes e moradores ficaram proibidos de receber visitas. Ou seja, Deus veio ao mundo rapidamente e ninguém avisou.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

.
Clique na lupa e saiba tudo sobre alguns escândalos que abalaram as estruturas políticas do País.
Aqui, no Túnel do Tempo, você recorda o que de mais interessante ocorreu na política, no ano anterior.
Clique e confira as novidades e o que há de melhor na literatura, aqui na Prateleira Eletrônica.
Aqui você confere as últimas Dicas do Ucho, que traz sempre uma novidade sobre os mais variados segmentos.
Saiba quem são os parceiros do ucho.info, uma das colunas políticas mais lidas do País.
Anunciar no ucho.info é entrar em contato com milhares de leitores qualificados e formadores de opinião. Saiba mais.
© Copyright 2004 - 2006 - www.ucho.info - Todos os direitos reservados