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ano 6 - número 1237

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
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Tinta fajuta
O capítulo paulista do PT, em artigo assinado pela secretária estadual do partido, Angélica Fernandes, criticou Ana Maria Braga, da Rede Globo de Televisão, pela cor da roupa que usou no programa “Mais Você” um dia após a realização do segundo turno. A apresentadora global optou pela cor preta na edição da última segunda-feira do programa, decisão que a petista interpretou como sendo um sinal de luto pela vitória de Luiz Inácio da Silva nas urnas. O perigo da sanha petista, em especial de agora em diante, está em atitudes de pessoas desocupadas como Angélica Fernandes, que ao invés de se ocupar com os milhares de mendigos que perambulam pelo País, os quais Lula prometeu tirar da miséria, patrulha aqueles que discordam do Ali Baba tupiniquim. (Foto: Divulgação-PT)

Chave de hospício
Se a ignomínia que ora enfrenta o PT tem levado seus militantes a atitudes bizarras, como a de Angélica Fernandes, bom seria que o partido explicasse as razões para que a cor preta seja considerada fora de moda. Pelo que se sabe, a Constituição Federal não proíbe o cidadão de escolher a cor de sua preferência, e nem mesmo prega uma política monocrômica. Se a obsessão dessa desocupada rouge é pela diversidade de cores que o cidadão tem à disposição, alguém deveria explicar, então, a cor verde dos dólares do dossiê e a policromia dos Reais apreendidos com os petistas em um hotel de São Paulo. Até porque, esses novos paladinos da moral não conhecem o vermelho da vergonha.

Camisa de força
Viver entre a idiotia e a cretinice não é das situações mais agradáveis, mas os que nessa degradante situação bambeiam deveriam se contentar com a própria insignificância. Por isso, dona Angélica, se o seu idealismo político lhe permitiu uma desocupação tão avançada, a coluna, a partir de agora, lhe ajuda a entender um pouco da pífia aquarela que seu partido e o governo Lula tentam impingir ao povo brasileiro. Nos aeroportos brasileiros existe um sem fim de passageiros roxos de raiva. Pelas ruas do Brasil estão milhares de verdes de fome. No sistema de saúde, que o genial Luiz Inácio disse ser quase perfeito, aguardam por atendimento muitos amarelos de doença. E os familiares dos ex-prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT continuam brancos de espanto com a desfaçatez do seu partido. E como não encontramos nenhuma cor que traduzisse a insignificância, lhe dedicamos o transparente. E PT saudações!

Fim de linha
Centenas de milhares e pessoas estão nas filas dos aeroportos enfrentando o descaso de um governo que, do alto da sua soberba, não sabe o que fazer. É fato que o genial Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante sua recente campanha, que os ricos não precisam do Estado, mas é bom que o presidente com eles se preocupe, pois os abastados é que, com impostos, financiam suas sandices. Deixar de lado o direito do consumidor é rasgar a legislação, e o Palácio do Planalto, avesso ao cumprimento da lei, parece não dar importância ao fato. Levar os responsáveis para as Comissões permanentes da Câmara, como querem alguns parlamentares, é pouco para o tamanho do estrago. Em um país minimamente sério, muitos já estariam no olho da rua. Por muito menos, se é que algum erro cometeu, o então ministro da Educação, o sempre correto e idealista Cristóvam Buarque foi demitido por telefone. E do alto do populismo barato que o acompanha, Vossa Excelência ainda usa o slogan “um país de todos”. Imagine presidente, a vergonha que Dona Lindu, esteja onde estiver, está enfrentando.

Simplesmente caótico
Os acordos internacionais que regulamentam a aviação comercial ao redor do planeta são cristalinos em relação aos direitos dos passageiros. Se o Código de Defesa do Consumidor foi esquecido nesse quase interminável imbróglio dos controladores de vôo, tais acordos devem ser ressuscitados. É direito do passageiro, após atraso, ter, sem custo algum, alimentação e hospedagem fornecidas pela parte causadora do transtorno. Tal situação não proíbe o passageiro que se sentir lesado de cobrar na Justiça a indenização devida. E neste caso, o governo federal deve ser levado ao banco dos réus, pois a taxa de embarque, cobrada pela Infraero em todas as passagens, é a garantia de que o embarque ocorrerá no horário previsto. Esperar, no chão dos aeroportos, mais de vinte e quatro horas por um vôo é a prova maior que faltava para evidenciar a incompetência de um governo que tem em Luiz Inácio Lula da Silva o seu Sassá Mutema particular.

E agora Luiz?
Responsável pela campanha presidencial petista de 2002, Duda Mendonça foi submetido a uma cirurgia de emergência para corrigir uma cardíaca. O ex-marqueteiro presidencial foi operado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde deve permanecer por mais alguns dias. É fato que escolher é um direito de quem paga, mas há uma enorme dicotomia na internação de Duda Mendonça, a qual só mesmo o presidente Luiz Inácio pode explicar. Bem antes do início da corrida presidencial, Lula, em mais um daqueles enfadonhos e irresponsáveis discursos, disse que a Saúde estava muito próxima da perfeição. Presidente, se o sistema oficial de Saúde experimentasse metade daquela perfeiçao que Vossa Excelência afirmou, o guru do engodo não teria deixado, às pressas, a bela cidade de Salvador para desembarcar, horas depois, em um dos melhores e mais caros hospitais do País. Afinal, presidente, a Saúde no Brasil é boa ou não?

Levantou poeira
Tomada por especulações, a formação da nova equipe ministerial do presidente Lula tem agitado os bastidores do poder. Entre os tantos ministérios que estão sendo disputados, Fazenda e Justiça são os mais cobiçados. O sucessor de Márcio Thomaz Bastos deve mesmo ser o ex-presidente do STF, o gaúcho Nelson Jobim, mas especulação no mercado é o que não falta. A mais nova e irresponsável sugestão, que se acatada contentaria alguns oportunistas de plantão, tem um conhecido criminalista de São Paulo como alvo. Com larga e rica carteira de clientes, o tal advogado é conhecido nos meios jurídicos como “Nariz de Prata”. Resumindo, esse é o tipo de indicação que não cheira bem. Ou será que cheira?

Vida dura
Durante os últimos dias de campanha, assessores lulianos lançaram o slogan “deixa o homem trabalhar”, como provocação aos adversários tucanos que insistiram em atacar algumas ações do governo Lula. Passado o segundo turno, com a sacramentada a vitória petista nas urnas, o trabalho saiu de cena para dar lugar ao ócio que muitos consideram merecido. Lula disse, após o pleito, que tiraria alguns dias para descansar. Resumindo, o slogan do momento, que surgiu vinte e quatro horas depois do triunfo eleitoral, é deixa o homem descansar.

Auto-envenenamento
Caiu no esquecimento popular e da mídia a recepção que José Dirceu, o ex-homem forte do governo Lula, teve no último domingo, quando aconteceu o segundo turno das eleições. Ao chegar ao local de votação, o deputado cassado foi alvo de um sem fim vaias, o que mostra a desaprovação do governo Lula. Agora, vestindo a fantasia de inocente, José Dirceu espera ser julgado o mais rápido possível pelo Supremo Tribunal Federal, pois considera que sua cassação teve motivos meramente políticos, sem que fosse respeitado o direito constitucional da presunção da inocência. José Dirceu está correto ao falar em presunção de inocência, mas ele próprio disse, há anos, que para cassar o então deputado Ricardo Fiúza (já falecido), provas eram desnecessárias, pois as evidências falavam por si só. Ou seja, essa turma não gosta do famoso chumbo trocado. (Foto: AFP)

Dinheiro santo
Uma nova vertente surge nas investigações sobre a origem do dinheiro do Dossiê Cuiabá. Como a dinheirama que serviria para a compra do dossiê contra candidatos tucanos estava em notas de pequeno valor, envolvidos na investigação passaram a considerar que a origem pode ser doações feitas por fiéis a igrejas evangélicas. Tal hipótese deve ser considerada, pois, respeitando-se a cautela necessária, é preciso lembrar que o senador Marcelo Crivella selou acordo com Lula para a corrida presidencial. E Crivella, muito mais que o próprio candidato Lula, queria a vitória do petista ainda em primeiro turno.

P pra lá, T pra cá
A exemplo do que normalmente ocorre em outros partidos políticos, o PT vive uma visível e inegável crise interna. Após a vitória do último domingo, o PT tem experimentado o amadorismo de algumas de suas estrelas, que têm se valido de discursos irresponsáveis para dar o tom do próprio descontentamento. Sem, até agora, ter mostrado a que veio, o ministro Tarso Genro, que muito envergonha os conterrâneos do Rio Grande do Sul, disse dia desses que chegara ao fim a “era Palocci”, como forma de anunciar uma nova fase da Economia brasileira. Dias depois, Genro foi desmentido pelo presidente Lula, que reuniu sua equipe para assumir, mesmo que de fachada, o comando da Economia. Palocci, que pode ser condenado e preso pelos escândalos de Ribeirão Preto, vive um inferno astral desde a quebra do sigilo bancário do caseiro Nildo. Já Tarso Genro, que dizem ser o ministro das Relações Institucionais, não se relaciona bem nem mesmo com a instituição política que o abriga. Enfim...

Biruta oficial
Quando a coluna publicou, um dia após a tragédia com o Boeing da Gol, que o acidente ocorrera por falha cometida pelos controladores de vôo, muitos foram aqueles que criticaram nossa tese. Revelado o conteúdo da caixa-preta do jato Legacy, está provado que o erro partiu da torre de controle de São José dos Campos, que autorizou o jato da Embraer a seguir viagem até Manaus em trinta e sete mil pés, ou seja, na mesma altitude do Boeing 737-800. Acontece que acusar os pilotos americanos, sem saber da verdade, foi a única forma que a campanha de Lula encontrou para evitar que destroços atingissem a corrida presidencial. Se a verdade tivesse sido revelada no momento do acidente, Lula teria perdido a eleição ainda no primeiro turno. (Foto: FAB)

Apagar das luzes
O ainda governador Lúcio Alcântara deixará em breve, além do posto máximo do Executivo cearense, o PSDB, rumo a outra agremiação política. Porém, antes de deixar o cargo, Alcântara se preocupou, e muito, em pilotar uma bisonha licitação, que, no valor de R$ 421 milhões, será paga com o suado dinheiro do contribuinte daquele estado. Trata-se da ampliação do porto do Pecemé, considerada a maior concorrência dos quatro anos do governo Lúcio Alcântara e uma das maiores licitações da história do Ceará. O mais interessante é que o governador só percebeu a necessidade da obra faltando dois meses para o fim de sua gestão. E como o governador tucano acredita no dito popular que diz “antes tarde do que nunca”, muitos cearenses já batizaram a licitação. É a última co-missão.

Prego eleitoral
Os já famosos calotes de campanha começam a tomar conta do cotidiano, dias depois do fim das disputas eleitorais. Quem pensa que candidatos deixaram de pagar apenas a raia miúda que participou das campanhas (cabos eleitorais e agitadores de bandeiras), engana-se. No sul do País, onde a disputa foi mais acirrada e o nível de conhecimento do eleitorado exige investimentos de maior monta, calotes também foram dados por candidatos que durante a campanha posaram como ode à moralidade. No Paraná, por exemplo, candidatos derrotados deixaram pra trás contas consideráveis, sendo que a menor delas é de R$ 25 mil. É verdade que tal valor é insuficiente para pagar o custeio de uma fazenda à beira do rio, mas diz o ditado que o combinado jamais será caro.

Portão de embarque
Pensando bem, o próximo governo Lula será um vôo a trinta e sete mil pés. Um acidente com vítimas.

Turistas acidentais
(02/11/05) - A viagem que integrantes da CPI dos Correios fariam aos EUA foi cancelada de última hora. Delcídio Amaral, Gustavo Fruet e Ideli Salvatti desistiram do périplo pela terra do Tio Sam porque uma audiência com a diretora da Divisão Criminal do Departamento de Justiça, Mary Ellen Walrow, não foi confirmada. O único encontro garantido era com Robert Morgenthau, promotor de Nova York e uma das maiores autoridades americanas em combate a crimes financeiros. Em 2000, coube a Robert Morgenthau levar para trás das grades os envolvidos no escândalo da Metrored, empresa do fundo de investimentos Fidelity, que subornou autoridades brasileiras para vencer uma licitação para instalar cabos de fibra ótica em toda a cidade de São Paulo.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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