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ano 6 - número 1236

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A realidade de certas coisas só é vista por olhos que choram."
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Mistério no ar
Algo de muito estranho está acontecendo no Palácio do Planalto. Segundo apurou a coluna junto a uma assessora da presidência, o clima que impera nos corredores palacianos é preocupante. Tensas, as pessoas próximas ao presidente Lula estão transtornadas e muito apressadas. Portas abertas não mais existem e os assuntos, sempre sigilosos, têm provocado uma incerteza jamais vista. Servindo no Palácio do Planalto desde o início do governo Lula, nossa informante jamais enfrentou situação tão preocupante. Tirante o clima de incerteza, gritos e palavrões têm sobrado por lá.

Ditadura esquerdista
O constrangimento imposto aos repórteres da revista Veja, que de testemunhas passaram a acusados durante depoimento na Polícia Federal, em São Paulo, é uma pequena amostra do que vem pela frente. O discurso barato de que Lula é produto da liberdade de imprensa, como repetiu o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) nesta terça-feira, é uma balela sem tamanho. Não é de hoje que o PT e seus insanos seguidores tentam amordaçar a imprensa, mas rasgar a Constituição Federal seria um ato suicida. O fato é que o Palácio do Planalto tenta, a todo custo, sepultar de vez o caso do Dossiê Cuiabá, que, dependendo da vontade e da coragem do ministro Marco Aurélio Melo, presidente do TSE, pode provocar a cassação do registro da candidatura do presidente Lula. E os seguidores de Gutenberg que se preparem, por que mordaças estão sendo produzidas em larga escala.

Enganação generalizada
Acreditar que o governo Lula é o mais democrático dos últimos tempos e que o presidente é fruto da liberdade de expressão é caso de internação em manicômio. Quando o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o Nildo, foi quebrado e publicado pela revista Época, o Palácio do Planalto trabalhou intensamente nos bastidores e nada aconteceu ao repórter responsável pela divulgação. O que se vê atualmente no Brasil é uma clara intenção de endurecer cada vez mais com os veículos de comunicação que noticiam os escândalos do governo, os quais a militância suicida finge desconhecer ou acredita ser justificável em função dos objetivos partidários. Quando do retorno do presidente Lula à capital federal, na segunda-feira, a jornalista Giovanna Teles, da Rede Globo, foi ameaçada por militantes do PT à porta do Palácio da Alvorada, obrigando-a a se refugiar no caminhão da emissora. A Globo preferiu não noticiar o fato, mas estava claro e evidente o mal estar reinante durante a entrevista concedida pelo presidente Lula no Jornal Nacional daquele dia. E isso é liberdade de imprensa, Lula e Márcio Thomaz Bastos que expliquem o que é ditadura.

Cooptação de loucos
Durante os meses de campanha, muitos dos militantes petistas, pagos com dinheiro provavelmente imundo, se dedicaram a achincalhar jornalistas, em especial pela rede mundial de computadores, em uma tentativa clara de intimidação. Ofendiam com palavras chulas e de baixo calão, ameaçavam e agrediam por escrito, como se o PT fosse uma reunião de inocentes querubins. A vitória de Lula, objetivo maior dessa camarilha rouge, chegou, e esses desqualificados optaram pelo silêncio, pois sabem que agiram em desacordo com a verdade. A sociedade não pode se intimidar com esse tipo de ação, pensando que o que aí está não tem solução. Atitudes radicais como as que hoje assustam os brasileiros é a tradução do que vem acontecendo nos bastidores. O editor da coluna, que em 2004 se recusou a fazer um dossiê contra José Serra, a pedido de petistas ensandecidos, sofreu os mais variados tipos de pressão. De monitoramento telefônico a ameaças de morte, passando pelo terrorismo contra seus filhos. O fato é que o Brasil e os brasileiros precisam reagir.

Pega na mentira
Durante a campanha, Luiz Inácio da Silva, o mitômano Lula, sempre disse que seu governo jamais impediu uma investigação, mesmo que petistas estivessem envolvidos nos escândalos de corrupção. Trata-se de uma vergonhosa inverdade, pois o Palácio do Planalto, com sua tropa de choque (leia-se Ideli Salvatti e Tião Vianna) tentou impedir, muitas vezes sem sucesso, toda e qualquer investigação por parte das CPIs. Paulo Okamotto e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não foram convocados para depor em função do trabalho da tropa palaciana. Ora, se Lula garante que ele e sua família estão sujeitos à mesma legislação a que se submetem quase duas centenas de milhões de brasileiros, é estranho impedir a quebra de sigilo do doador universal Paulo Okamotto e evitar a convocação do ex-monitor de zoológico que, da noite para o dia, se transformou em um rico empresário de sucesso. Presidente, usar o povo como massa de manobra para destilar a sanha gauche da América Latina é um ato de covardia sem precedentes.

Rolando Lero
Horas depois do fim do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva, pressionado pela imprensa, garantiu que Guido Mantega continuará à frente do Ministério da Fazenda, mas esqueceu de dizer que a tal permanência está garantida somente até 31 de dezembro próximo. Muitos nomes para substituir Mantega surgiram nas últimas horas – de Fernando Pimentel a Jorge Gerdau – mas tudo não passa de uma bem arquitetada manobra para desviar a atenção da opinião pública, enquanto os ocupantes do Palácio do Planalto enfrentam a maior crise de credibilidade dos últimos tempos. Uma guinada radical à esquerda por parte do governo Lula já era esperada pelos especialistas em política, mas o próximo ministro da Fazenda será indicado pelo establishment petista.

Deu a louca
Dias depois de firmar um acordo com a Petrobras, o presidente Evo Morales, da Bolívia, voltou a abusar da insanidade discursiva ao falar sobre a nacionalização das refinarias daquele país. “Esse preço para o Brasil não é nada, se eu fosse o Brasil daria as refinarias de presente”, disse Morales nesta terça-feira, como se o dinheiro do acionista da Petrobras não existisse. O imbróglio do gás, que se arrasta há meses, torna-se cada vez mais mal explicado. Horas antes das eleições em segundo turno, o governo Lula anunciou com alarde o acordo entre a estatal brasileira do petróleo e o governo do país vizinho. Essa novela não passa de uma armação irresponsável, cujo sobre-preço pleiteado pela Bolívia irá gerar um caixa 2 respeitável, a exemplo do que fez Hugo Chávez por ocasião da tentativa de golpe na Venezuela. O dinheiro será utilizado pelos chamados socialistas latino-americanos, para financiar a disseminação de sues ideais (sic), além de financiar o combalido Fidel Castro. Mesmo assim, há quem diga que o Foro de São Paulo é uma utopia do pensamento direitista.

Agora vai?
Evitar, de todas as maneiras, a divulgação dos escândalos que marcaram o governo Lula até então foi o maior trabalho do Partido dos Trabalhadores, durante a corrida presidencial. Uma das ações foi retardar o lançamento do filme Entreatos, do cineasta João Moreira Salles, que trata dos bastidores da campanha petista de 2002. Para que a campanha do agora reeleito Lula não fosse comprometida, decidiu-se que o lançamento do filme aconteceria nos primeiros dias de setembro. Com o risco de o presidente Lula não tomar posse crescer diária e lentamente, o lançamento do polêmico Entreatos pode ser adiado mais uma vez. Tudo porque Lula acredita na liberdade de expressão.

Nua e crua
O caos em que se transformou o tráfego aéreo no País é uma prova de que o acidente com o Boeing da Gol, em 29 de setembro, não foi por acaso. Quando a coluna, logo após a tragédia, afirmou que o acidente ocorrera por falha do controle aéreo e que culpar os pilotos americanos era necessário para que a campanha do presidente Lula não fosse atingida pelos destroços da verdade, muitos nos condenaram, mas a realidade aí está. O mais estranho é que o governo Lula, enquanto treina novos controladores de vôo, pretende convidar os aposentados da categoria para uma operação de emergência. A saída encontrada pelo governo foi limitar o horário de pousos e decolagens de jatos executivos – a proibição vale das 7:30 horas ao meio-dia e das 17 às 20 horas, ou seja, no horário de pico dos chamados táxis-aéreos. No contraponto, a Infraero torrou dezenas de milhões de Reais em campanhas publicitárias para anunciar, pelo Brasil afora, seus feitos enlameados. Modernizaram aeroportos e permitiram a perda de cento e cinqüenta e quatro vidas. Desde a tragédia até hoje, raríssimos foram os momentos em que o presidente Lula falou no assunto. Resumindo, o acidente foi muito bem controlado pela campanha petista. (Foto: FAB)

Professor Raimundo
Ontem, o reeleito Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, por telefone, os cumprimentos de George W. Bush pela vitória do último domingo. Na conversa, Bush, que experimenta uma das piores rejeições do eleitorado americano, pediu, em tom de brincadeira, um pouco do know-how do presidente brasileiro. “Olha, você teve uma vitória espetacular. Você tem de me dar um pouquinho do seu know-how, porque estou precisando para ganhar, agora”, disse o presidente George W. Bush, referindo-se às eleições parlamentares que se avizinham. Bush precisa entender que o triunfo de Lula se deveu à onda mitômana que tomou conta da campanha petista, que versava sobre as possíveis privatizações que seriam promovidas por Geraldo Alckmin em caso de vitória. Assim, para que Bush vença, basta dizer repetidas vezes que os democratas irão privatizar a Nasa.

Confusào à vista
Se o PSDB já enfrenta problemas para 2010, com presidenciáveis de sobra, o PT não fica atrás. Com a vitória de Jaques Wagner na Bahia, o desembarque de Marta Suplicy na campanha presidencial petista e a dedicação de Dilma Rousseff ao presidente Lula, o PT, a exemplo do PSDB, tem três pré-candidatos à presidência, faltando quatro anos para a eleição. Enquete da coluna, ainda em vigor, aponta até agora uma situação de empate entre os três pretendentes petistas. Até o fechamento da edição, 36,36% dos leitores apostavam no nome do próximo governador baiano como o candidato do PT para 2010. Outros 36,36% acham que a ex-prefeita de São Paulo será a candidata petista, enquanto 27,27% acreditam ser Dilma Rousseff a próxima presidenciável do PT. Dê sua opinião, votando na enquente que se encontra na coluna à esquerda.

Briga ensaiada
Finda a corrida presidencial, o PFL, que nos bastidores alfinetava o PSDB, optou por um leve divórcio político, ficando livre para um vôo solo. Reunidos nesta terça-feira, peefelistas de sete estados decidiram fazer um pacto com vistas às próximas eleições. Escaldado pelo resultado da eleição, o PFL lançará candidatos próprios nas principais cidades brasileiras, incluídas as grandes capitais. O objetivo é começar a descolar o partido dos tucanos e trocar as lideranças por dirigentes mais novos. Esta seria uma das estratégias para reoxigenar o PFL, nos moldes adotados por alguns partidos conservadores europeus. A outra estratégia dos peefelistas é criar uma agenda de propostas própria para o País. É esperar para ver.

Braço de ferro
A disputa pela presidência do Senado já começou. Por enquanto, três senadores estão sendo cogitados ou trabalham pela candidatura. São eles: Renan Calheiros, do PMDB, Marco Maciel e José Agripino, ambos do PFL. Renan é o candidato do governo e poderá ter o apoio do PT na tentativa de reeleição. Mas Marco Maciel, que foi vice-presidente no governo de José Sarney, deverá ser a candidatura de consenso da oposição, especialmente num acordo entre o PFL e o PSDB. Tucanos e peefelistas formam, juntos, a maior bancada no Senado, com trinta e um parlamentares. Já o PT e o PMDB teriam, hoje, uma bancada de vinte e oito senadores, mas, como se sabe, não há unanimidade entre os peemedebistas.

Sacristia demoníaca
Como se angelicais enviados do Senhor fossem, Valdemar Costa Neto (PL), reeleito para a Câmara Federal depois de ter renunciado ao mandato, e Campos Machado (PTB), que parte para seu quinto mandato na Assembléia Legislativa paulista, reuniram-se quase que secretamente no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, na tarde da última segunda-feira, 30 de outubro. Quando acompanhados pelos olhares dos hóspedes e visitantes do hotel, Machado e Costa Neto faziam ares de desentendidos. O mais estranho ficou por conta de um detalhe que poucos lembram. Quando, por ocasião da crise do mensalão, saiu atirando contra todos os supostos envolvidos, Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, escolheu Valdemar da Costa Neto como um de seus principais alvos. Se o Bob souber desse encontro...

Que vergonha!
Pensando bem, se a mentira tem cara, a brasileira tem barba e um dedo a menos.

Óleo de peroba
(01/11/05) - Existe uma clara e vergonhosa antítese discursiva nos escaninhos do Palácio do Planalto. Começa hoje, por decisão do governo do presidente Luiz Inácio, aquele que garantiu que a esperança venceria o medo, o recadastramento dos aposentados. A decisão, de acordo com o governo, é para evitar possíveis fraudes contra os cofres públicos. Ora, antes de mandar mais uma vez os velhinhos para as quase intermináveis filas, o governo deveria se preocupar em esclarecer as fraudes que Delúbio Soares e Marcos Valério promoveram contra os cofres da viúva. Ou seja, o presidente Luiz Inácio parece ter adotado o dito popular do “venha a nós, ao vosso reino nada”.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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