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SENAC SÃO PAULO
Azeite
- O autor, Luciano Percussi, um
expert em gastronomia e enólogo renomado, traz em
Azeite-História, Produtores e Receitas, da Editora
Senac São Paulo, além de receitas
culinárias com azeite, um roteiro para degustá-lo,
apresenta sua história na Europa e compila as descobertas
da ciência sobre suas qualidades medicinais, cosméticas
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Nêumanne Pinto
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do ucho.info e Delegado de Polícia Federal Antonio
Carlos Rayol
i
Os
erros já eram
No discurso pós-eleitoral, quando deu explicações
tão esdrúxulas quanto desnecessárias, Lula
mostrou ao mundo que erros gramaticais em
excesso não passaram de uma estratégia de campanha,
que o aproximaram ainda mais dos nichos populares do eleitorado.
Ontem, ao falar para jornalistas, Lula raríssimas vezes
tropeçou nas concordâncias e conjugações
gramaticais, situação que marcou seus últimos
discursos de campanha e participações em debates.
Em outras palavras, Lula foi novamente embrulhado pelo marketing
para enganar. E se enganação foi o prato dominical,
não poderia existir devaneio maior do que garantir que
o Brasil crescerá anualmente na casa dos 5%. Real supervalorizado,
carga tributária crescente, juros nas alturas e servilismo
político só servem para o crescimento de um único
setor da economia: o bancário. Até porque, a reeleição
de Lula não foi decidida aqui no Brasil, mas no exterior,
depois de um conchavo entre banqueiros brasileiros e internacionais.
(Foto: imafotogaleria.com.br)
Osso
duro
Passada a ressaca da vitória, Lula chega a Brasília
com problemas de sobra e alguns nomes sobre a escrivaninha presidencial.
Vencer a
corrida rumo ao Palácio do Planalto custou caro, e o
pagamento das faturas começa desde já. Na lista
de ministeriáveis estão os seguintes nomes: Nelson
Jobim, cotado para a Justiça; Delfim Netto,
para a Agricultura; e Fernando Pimentel (ex-prefeito de Belo
Horizonte), para a Fazenda, além de Marta Suplicy e Roseana
Sarney, que a partir de 2007 devem estar na Esplanada dos Ministérios.
Derrotada pelo pedetista Jackson Lago na disputa pelo governo
do Maranhão, Roseana será contemplada com algum
ministério, como forma de Lula agradecer pelo servilismo
irresponsável do ex-presidente e senador reeleito José
Sarney. Marta Suplicy, que recusou alas mais badaladas embaixadas
brasileiras ao redor do planeta, pleiteia um Ministério
de peso, até porque o gardelón Luis Favre não
pode perder o viço.
Brincadeira
tem hora
Ainda o discurso de improviso... Lula, posando novamente
como Sassá Mutema planetário, lembrou o seu empenho
para ajudar o governo senegalês, que, à época
do pleito, enfrentava uma praga de gafanhotos que destruiu o
milharal daquele país. Fazer se passar por um mensageiro
dos pobres e oprimidos é politicamente correto, mas é
preciso lembrar que enquanto os gafanhotos do Senegal se armavam
para enfrentar uma ajuda de Lula que não vingou, a febre
aftosa corroia o rebanho bovino brasileiro. Quando a inflação
da cadeia alimentar deixar o campo e aterrissar nas grandes
cidades, o que deve acontecer em meados de 2007, aí sim
o brasileiro poderá mensurar o tamanho do estrago. A
maior evidência do caos do campo é a drástica
redução da área plantada.
Tucano
sarará
Com a vitória garantida e faltando apurar os votos de
poucas urnas,
Lula, após telefonema do adversário Geraldo
Alckmin, concedeu uma improvisada entrevista coletiva,
que pôde ser interpretada como prenúncio do despreparo
que virá pela frente. Depois de fazer da possibilidade
de novas privatizações uma arma contra o tucano
Alckmin, Lula anunciou que as Parcerias Público-Privadas,
as fatídicas PPPs, estão prontas para serem implantadas.
Isso mostra que privatizar de maneira camuflada é, também
o desejo maior do governo Lula. O primeiro passo rumo às
privatizações brancas será a entrega da
BR 101 para a iniciativa privada. E pelo tamanho do negócio,
não é difícil imaginar a extensão
do “propinoduto” que está por vir.
Sonho
postergado
Quando o marido Luiz Inácio Lula da Silva ainda engatinhava
como presidente, a primeira-dama Marisa Letícia foi contemplada
com a cidadania italiana, direito conquistado por sua ascendência
família e que será repassada a filhos e netos.
Nada de errado existe em pleitear a dupla cidadania, mas estranho
foi o motivo alegado pela primeira-dama para sua decisão.
“Quero um futuro melhor para meus filhos” justificou
Marisa Letícia. Ora, se um futuro melhor está
no Velho Mundo, e não aqui no Brasil, como propala o
presidente Lula, Dona Marisa terá que adiar seu plano
por mais quatro anos, obrigando-se a saborear o lado do bom
do amanhã apenas nas viagens oficiais do marido-presidente
à Itália.
Animal
de campanha
Faltando poucos dias para o segundo turno, o escritor
Paulo Coelho surgiu na telinha da campanha do presidente-candidato
Luiz Inácio Lula da Silva, como se o povo, impregnado
pelo analfabetismo que beneficia a classe política, soubesse
quem é o escritor que deu as costas para o Brasil de
maneira misteriosa. Endossar a roubalheira comunista, idêntica
à que ocorreu na extinta União Soviética,
é fácil demais para quem vive em Paris, alternando
a vida entre a Brasserie Lip e o café literário
Des Magaux. Não retornar ao Brasil deve ter motivos que
ultrapassam a simples rejeição a um país
que continua refém de desmandos políticos. Nos
últimos dias, Lula disse, por duas vezes, que desde a
chegada da expedição comandada por Pedro Álvares
Cabral, os tucanos dominam o país, o que é uma
sandice de alguém que insiste em fazer do Palácio
do Planalto um boteco de esquina, onde mentiras e ilações
são permitidas. Não se trata de minimizar a responsabilidade
tucana por inúmeros atos que continuam sem explicação,
mas esse Coelho que saiu da cartola petista poderá trazer
problemas ao presidente Lula. E como o clima é de zoológico,
só o Leão para explicar.
Na
mosca
Entender resultados eleitorais
é algo tão fácil, que muitas vezes torna-se
uma intrincada batalha da compreensão. Para analisar
os escaninhos eleitorais e de sua respectiva Justiça,
o sempre genial Marcelo
Kahns, um dos últimos redutos da cultura
refinada deste País, discorre sobre a possibilidade de
se votar no criador de Emília e do Visconde de Sabugosa,
no artigo “Votei em Monteiro Lobato”. Como toda
vitória sempre tem um derrotado culpado, o editor da
coluna, Ucho Haddad,
mostra no artigo “De quem é a culpa?”, um
lado da história recente que pode ser responsabilizado
pelos resultados deste domingo. Clique sobre o nomes dos colunistas
e confira os respectivos artigos.
E
agora?
A reeleição de
Lula não pode, de maneira alguma, servir de mata-borrão
para o escândalo do Dossiê Cuiabá. O falso
depoimento de um padeiro que teria sacado R$ 250 mil utilizados
pelos petistas presos em São Paulo é mais um capítulo
da novela que tem como objetivo atrapalhar o trabalho dos policiais
federais envolvidos na investigação. Porém,
a exemplo do que ocorreu durante a CPI dos Correios, quando
caros e famosos advogados foram contratados para defender os
envolvidos no mensalão, os aloprados do dossiê
contam com o conhecimento de renomados e nada baratos criminalistas.
Hamilton Lacerda, provavelmente o mais aloprado dos envolvidos
no escândalo, está sendo defendido por Alberto
Toron, criminalista de currículo respeitável e
conta bancária idem. E quem estará pagando os
honorários do causídico?
Parada
dura As articulações políticas
que já começam nesta segunda-feira, podem definir
o grau de dificuldade que Lula terá de enfrentar para
governar o Brasil a partir de 2007. Um dos primeiros a se encontrar
com o presidente Lula é o também reeleito Luiz
Henrique da Silveira, governador de Santa Catarina, que para
conchavos mais ousados terá um enorme entrave na bagagem.
O vice eleito, senador Leonel Pavan, é tucano de carteirinha
e um ferrenho oposicionista do governo Lula. Isso mostra que
ou o PSDB vai arrefecer o ânimo oposicionista, ou Luiz
Henrique está morto politicamente. Resta esperar.
Fim
de linha?
Pelo menos no campo da suposição, duas correntes
políticas que vinham resistindo às ações
do tempo acabaram se esfacelando. Em primeiro
turno, o carlismo, corrente política dominada pelo senador
Antonio Carlos Magalhães, saiu remendado
do processo eleitoral que teve Jaques Wagner como vitorioso.
Ter sido eleito não garante a Jaques Wagner um futuro
político dos mais tranqüilos, pois o PT, mesmo com
futuras alianças, não conseguiu maioria no legislativo
baiano. E caberá ao petista não apenas apelar
para todos os santos que protegem a Bahia, mas mostrar que é
capaz a ponto de sonhar com o Palácio do Planalto. Já
o “sarneysismo”, que tem no filho ilustre de Dona
Kyola o seu comandante, sai trincado do processo eleitoral com
a derrota de Roseana Sarney, que está com os dias contados
no PFL. A derrocada política da família Sarney
começou a ser desenhada nas eleições municipais
de 2004, mas ninguém poderia imaginar que o projeto final
ficaria pronto em tão pouco tempo. Porém, como
o Maranhão ainda abriga em suas entranhas o ranço
do coronelismo que tem a praia do Calhau como sede, Jackson
Lago que se prepare, pois chumbo trocado é brincadeira
de criança.
Briga
de foice
Com a derrota de Geraldo Alckmin, o PSDB começa o ano
de 2007 com três problemas. Aécio Neves, reeleito
para governar Minas Gerais por mais quatro anos, José
Serra, eleito para o Palácio dos Bandeirantes, e ex-governador
Geraldo Alckmin são candidatos naturais para a disputa
presidencial de 2010. Segundo declarou à coluna um assessor
de Aécio Neves, o governador mineiro deve mesmo trocar
o PSDB pelo PMDB, partido do avô Tancredo Neves, o que
diminuiria o desconforto da saia justa do tucanato, que, em
tese, terá de enfrentar a queda de braço entre
Serra e Alckmin. Já o PT, que até então
não tinha nomes para a sucessão do presidente
Lula, agora conta com três aspirantes, o que não
garante a vitória futura. São eles: Jaques Wagner,
eleito governador da Bahia, Dilma Roussef, ministra-chefe da
Casa Civil, e Marta Suplicy, ex-prefeita da capital paulista
e coordenadora da campanha de Lula em São Paulo. Ou seja,
está aberta a temporada de autofagia política.
Mudando
de lado Opostos
pela ótica da geografia, o Pará e Rio Grande do
Sul mudaram de lado sob o prisma político. Governado
nos últimos anos por políticos
tucanos, o Pará elegeu a petista Ana Júlia Carepa
para comandar seu destino até dezembro de 2010. Com mandato
de senadora até 2011, Ana Júlia Carepa teve o
nome envolvido em um escândalo de doações
financeiras ilegais feitas por madeireiros fora da lei. Já
o Rio Grande do Sul, que assistiu à interrupção
do petismo com a chegada do peemedebista Germano Rigotto ao
Palácio Piratini, em 2002, agora será comandado
pela tucana Yeda Crusius, a primeira mulher
a governar o estado que conquistou a folclórica condição
de ser um intransponível reduto de machistas. E a coluna,
muito antes do início da campanha, foi o único
veículo de comunicação que apostou na vitória
de Yeda Crusius. No contraponto, vale destacar a precisão
do Instituto Methodus, que sinalizou durante todo o tempo a
vitória da candidata tucana.
Dinastia
Gardenal Soberana,
a vontade popular, em especial a depositada nas urnas, quis
que Roberto Requião continuasse gerenciando o destino
do Paraná. Ao final da apuração, Requião
venceu seu adversário, Osmar Dias, por uma diferença
de apenas 10.579 votos, em uma das mais disputadas eleições
da história. Se os eleitores de Lula concordaram com
a continuidade da ação dos saltimbancos oficiais,
o paranaense pediu para que o ambiente familiar em que foi transformado
o Palácio Iguaçu permaneça. Considerado
o mais escandaloso caso de nepotismo dos últimos tempos,
a participação da família Requião
no governo do Paraná já ultrapassa as vinte e
cinco contratações. Abusando da desfaçatez,
Roberto Requião negou qualquer tipo de envolvimento com
Délcio Razera, o araponga que grampeava amigos e inimigos
do Palácio Iguaçu. Razera, que durante anos a
fio foi responsável pelos churrascos da Granja do Canguiri,
continua mergulhado em obsequioso silêncio. Só
não se sabe por quanto tempo.
Falta
explicar
Mesmo reeleito, Roberto Requião deve ao povo paranaense
no mínimo duas explicações, sendo que uma
delas passa obrigatoriamente pelo porto de Paranaguá.
A primeira delas versa sobre um milionário apartamento
localizado na badalada porção sul de Miami Beach,
nos EUA, que até bem pouco tempo era propriedade de Eduardo
Requião, assunto revelado com exclusividade pela coluna,
assim como as operações da Anna & Sons Corporation,
empresa americana de propriedade de Ana Helena Mothé
da Silva Duarte, cunhada do governador. Ana Helena, em recente
declaração, alegou que o imóvel foi comprado
em 1999, por meio de um financiamento concedido por um banco
norte-americano. Ora, se os registros do governo da Florida
apontam para uma quase inatividade da Anna & Sons, alguém
precisa explicar como foi pago o tal financiamento. A segunda
explicação tem como alvo um charmoso apartamento
nos arredores de Paris, no qual o mandatário paranaense
se livre do estresse provocado pelo cargo. E novamente o assunto
foi revelado com antecedência aos leitores do ucho.info.
Sacristia
eleitoral
Pensando bem, como cria de Golbery e sonhando em ter Delfim
Netto como ministro, Lula só não pode estar à
direita de Deus-Pai porque continua acreditando ser ele o único
todo-poderoso.
Marcas
X Poder (31/10/05)
- Há uma inexplicável relação de
amor e ódio entre o poder e certas bebidas. Quando conquistou
a cadeira mais importante do País, o então presidente
Fernando Collor de Mello elegeu o escocês Logan como sendo
o uísque da moda, para, tempos depois, cair no descrédito
por conta da corrupção que o levou ao impeachment.
À época, outras marcas conhecidas foram colocadas
na berlinda da opinião pública, a exemplo do que
ocorreu com as gravatas Hermés e os relógios Breitiling.
Agora, com o dinheiro cubano enviado ao PT camuflado em caixas
de bebida, vão para o descrédito o uísque
Johnny Walker (rótulos vermelho e preto) e o rum Havana
Club. Quando todos sabem que a bebida predileta do presidente
Luiz Inácio é aquela água que passarinho
não bebe.