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ano 6 - número 1233

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

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Lufada mitômana
Tomada por uma cegueira política burra e irresponsável, a militância petista consegue contemplar apenas os avanços do governo Lula que de fato inexistem. No final da noite desta quinta-feira, começou a circular pela rede mundial de computadores uma mensagem que trata da quebra da agricultura paulista pelo ex-governador Geraldo Alckmin. Como roubar se transformou em algo maior dentro do petismo, mentir certamente é um daqueles pequenos crimes de sacristia. Quem de fato quebrou o agronegócio foi Luiz Inácio Lula da Silva, ao virar as costas para o setor responsável pela maior fatia do superávit da balança comercial brasileira. Quem conhece a realidade do centro-oeste do País sabe que muitos empresários do agronegócio reduziram drasticamente a área plantada. E a mentira que os petistas ora plantam deve aparecer nos meados de 2007, quando a inflação da cadeia alimentar deixar o campo e desembarcar nas grandes cidades.

Fogo cruzado
O debate entre os candidatos à presidência, que acontece na noite desta sexta-feira, promete ser dos mais acalorados e prender a atenção de boa parte do eleitorado nacional. O que certamente irá sobrar no encontro é a conhecida ironia de Lula, que aumentou por conta da certeza da vitória. Geraldo Alckmin, que espera diminuir a vantagem do adversário e sair da disputa com um cacife político capaz de incomodar companheiros de partido, deve ser mais contundente do que nos debates anteriores. O que é certo, até agora, é que se Lula apelar para detalhes da vida familiar de Alckmin – o presidente sempre diz ser contrário a tal artifício – o tucano não vai deixar por menos. Caso os quatrocentos vestidos de Dona Lu vierem a baila, as jóias que Dona Marisa pediu a renomadas joalherias no início do mandato do marido devem esquentar o encontro. Mas há outros assuntos que estão sendo evitados pelos candidatos: a trajetória profissional de Fábio Luís Lula da Silva e o emprego de Sophia Alckmin na badalada Daslu e o turista detido em um aeroporto brasileiro com quilos de jóias em uma mala preta, que só foi liberado depois que revelou o nome do destinatário da mercadoria. (Foto: revistaforum.com)

Dinheirinho extra
Quando a campanha do presidente Lula ainda estava apenas nos bastidores, produtores culturais de todo o País foram procurados para que a elaboração de projetos para o setor fosse intensificada. Uma conhecida produtora cultural de São Paulo, cujo nome será mantido sob sigilo, revelou à coluna ter sido procurada por pessoas ligadas ao governo Lula, que lhe ofereceram facilidades na aprovação de projetos culturais com leis de incentivo. Ousados, os bandidos culturais exigiam que parte do dinheiro a ser recebido deveria ir para os cofres de campanha do partido. Mesmo assim, Lula e seus insanos seguidores insistem na tese de que a especialidade tucana é a privatização.

Pizza por pizza...
O debate entre presidenciáveis, que acontece nesta sexta-feira depois da novela global – isso é uma barbaridade imperativa da emissora carioca – será acompanhado por milhões de eleitores, que estarão divididos entre indignados e irresponsáveis. Eleita, não é de hoje, como uma das melhores pizzarias da Paulicéia Desvairada, a Prestíssimo recebe amigos e clientes para acompanhar o evento que marca o fim da campanha presidencial. Considerando que muitos assuntos polêmicos que rechearam a disputa presidencial vão acabar em pizza, que o fim seja na melhor pizzaria da capital paulista. Prestíssimo – Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1135 – Jardins. Telefone: (11) 3885-4356.

Confusões de sobra
Lula, o presidente-candidato, caminha para um segundo mandato sem que muitas das confusões de seu atual governo tenham sido esclarecidas. O pagamento feito pela campanha de 2002 ao marqueteiro baiano Duda Mendonça, em uma conta bancária no exterior, continua sem explicação, ou, então, como roubar foi guindado à condição de virtude pelo Palácio do Planalto, cairá no esquecimento por ser um ato corriqueiro. Os misteriosos empréstimos concedidos pelos bancos Rural e BMG ao quase falido Partido dos Trabalhadores continuam inexplicáveis. Ou os banqueiros em questão partiram para a benevolência, ou as garantias oferecidas estão no exterior e mingúem conta. O “up grade político” conquistado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles – agora é ministro de Estado – serviu apenas para que seu sigilo bancário não fosse quebrado e suas douradas e não tributáveis economias fossem descobertas. O mistério sobre duas empresas off shore – Tamanduá e Sylvania – continuam indecifráveis. Assim, resta concluir que Lula quer mais quatro anos de poder para inventar uma história convincente.

Meu carro é vermelho
Há dias, o ministro Márcio Thomaz Bastos, durante evento na Polícia Federal, m Brasília, desafiou o mundo a provar qualquer participação do PT no escândalo do Dossiê Cuiabá. Imaginar que a PF, como um todo, se renderia aos caprichos palacianos é uma irresponsabilidade, pois a corporação reúne policiais – delegados e agentes – da mais alta reputação e dignidade. O que vem acontecendo é que o PT tem dificultado as investigações ao máximo, criando a cada dia uma nova versão do crime. Beira à irresponsabilidade pensar que parte do dinheiro saiu de uma casa de câmbio de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Se o dinheiro realmente partiu da cidade fluminense, a administração do prefeito Lindbergh Faria fica sob suspeita e merece ser investigada. A coluna apurou que nos bastidores do poder de Nova Iguaçu são muitos os que falam, com boa dose de tranqüilidade, sobre fraudes em licitações e superfaturamento.

Segurando a barra
Despistar é ordem dentro do PT, para que a verdade sobre o Dossiê Cuiabá não comprometa a vitória de Lula nas urnas, que sob a ótica da lei tem tudo e mais um pouco para ser impugnada, o que resultaria em impedimento da posse. Quando o escândalo eclodiu, o PT se apressou em informar que os dólares americanos faziam parte de um lote distribuído ao mercado financeiro pelo Banco Sofisa. Agora, com a cena do crime arrumada de acordo com a conveniência petista, o Sofisa foi deixado de lado para dar vaga à Vicatur, a corretora de câmbio de Nova Iguaçu. Para que a farsa tenha contornos "hollywoodianos", surgiu a informação de que parte dos Reais – R$ 250 mil – apreendidos com os petistas em São Paulo, foi sacada por um “laranja” que reside na mineira Varginha. Que o PT sabe, como ninguém, dissimular confusões ninguém mais duvida, mas abusar da capacidade de raciocínio do cidadão é demais. Só falta algum engraçadinho dizer que a culpa pelo dossiê é do E.T. de Varginha. Socorro, chamem o ladrão!

Queda de braços
Em clima de absoluta tensão, Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT), candidatos ao Palácio Piratini, participaram, nesta quinta-feira, de debate realizado pela RBS TV. O candidato petista, nos últimos dias, adotou a mesma estratégia bandoleira que o PT nacional tem usado para turbinar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva: a mentira deslavada e criminosa. Olívio Dutra, também conhecido como o “Stalin de Bossoróca”, tentou novamente transferir à Yeda Cruisius a responsabilidade pela saída da montadora Ford do estado. Acontece que Olívio Dutra, quando governador, rompeu um contrato assinado com seu antecessor, Antonio Britto, e quer agora arrumar um culpado para a própria incompetência. Fosse Olívio Dutra uma anomalia da genialidade, sua passagem pelo Ministério das Cidades não teria sido tão inexpressiva.

Fiasco rouge
Durante sua estada em Brasília, mais precisamente na Esplanada dos Ministérios, Olívio Dutra só foi notícia quando decidiu ir ao trabalho de bicicleta. Fora isso, o ex-funcionário do Banrisul não passou daquilo que muitos conhecem. Por outro lado, é de se considerar a postura elegante da candidata tucana, que durante o debate não insistiu no escândalo dos bicheiros, assunto que, por continuar sem explicação, permite ao candidato petista posar de baluarte da moralidade. O fato é que Olívio Dutra, que em público não admite a possibilidade de derrota, nos bastidores já estaria à cata de algum ministério em um eventual segundo governo do companheiro Lula.

Mansa loucura
No Paraná, o governador licenciado Roberto Requião parecia participar daquela brincadeira infantil conhecida por vaca-amarela, tamanha foi sua mudez em vários momentos do debate, em que enfrentou o senador Osmar Dias. Perguntado sobre os apartamentos de Paris e de Miami Beach, Requião simplesmente não respondeu, reforçando a tese do quem cala consente. Mais adiante, Osmar Dias colocou novamente o adversário em situação de constrangimento, ao perguntar sobre o governador em exercício, Hermas Brandão. O senador-candidato perguntou se Hermas Brandão era o mesmo que Requião, em aparte que lhe foi concedido no Senado, certa vez o chamou de ladrão. E Roberto Requião manteve-se calado. E Osmar Dias emendou: “e agora ele está aí, do lado de fora, como seu convidado?”. O clima do debate ficou tão tenso, que Maristela Requião, esposa do governador, tentou, sem sucesso admoestar o marido durante o debate. Barrada pelos seguranças, só conseguiu entrar no intervalo. (Foto: Wikipedia)

Fim de carreira
Quente também foi o debate entre Roseana Sarney e Jackson Lago. À frente da ex-governadora nas pesquisas eleitorais, o pedetista Jackson Lago mostrou que foi ao debate para sacramentar sua vitória. Em dado momento, o mais tenso do debate, lago disse que Jorge Murad, marido de Roseana, só não foi preso juntamente com Jader Barbalho, no episódio da Sudam, porque o atual governador, José Reinaldo, tratou de contratá-lo às pressas. O clima ficou tão tenso entre os candidatos, que o mediador precisou interferir de maneira incisiva. A vitória de Jackson Lago no domingo será mais um capítulo do fim do “sarneysismo”, que teve início nas eleições municipais de 2004, quando a família mais famosa da praia do Calhau não conseguiu eleger nem mesmo o prefeito de Coroatá, uma pequena e pobre cidade no caminho de Imperatriz. Ou seja, o domínio político exercido por José Sarney parece artigo bem escrito. Tem começo, meio e fim. (Foto: parana-online)

Virou baderna
Para reforçar a candidatura da petista Ana Júlia Carepa, que disputa em segundo turno o governo do Pará com o ex-governador Almir Gabriel, o PT mandou para o estado quatro ministros, como se ao partido coubesse o direito de ingerir na administração federal. Tal prerrogativa, mesmo imoral, é do Presidente da república, e não da agremiação política que continua achando ser a solução do universo. O salto alto que há muito recheia o armário petista tem proporcionado situações idênticas, sendo que outras muito piores ainda estão por vir. O absurdo deslocamento de ministros e assessores durante a campanha presidencial foi algo jamais visto, e as despesas devem ser calculadas e imediatamente ressarcidas pelo comitê de campanha de Lula. Porém, esse negócio de o PT determinar o que deve ou não ser feito é, além de um desmedido acinte, crime eleitoral, o que pode, inclusive, deixar a candidatura de Ana Júlia Carepa sob risco de impugnação.

Luneta gauche
Entre os desafetos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva, o de maior destaque e que mais se movimenta nos bastidores rumo a entendimentos futuros é o governador eleito de São Paulo, o tucano José Serra. Responsável pelo comando, a partir de 2007, da mais rica e importante unidade da federação, Serra quer não apenas tratar da governabilidade, mas viabilizar sua candidatura à presidência em 2010. E um bom desempenho à frente do Palácio dos Bandeirantes pode ser um bom começo. Lula, o presidente, também busca uma aproximação maior e cordial com o tucano, pois a tal governabilidade, segundo assessores, também lhe interessa. Enquanto uma suposta diplomacia toma conta do mundo político tupiniquim, mesmo com as inimizades eleitorais que aí estão, Serra vem sendo monitorado diuturnamente pela tropa petista. Os barbudinhos estão controlando, inclusive, a agenda pessoal de Serra.

Dono da cadeira
Absolutamente inócuo durante a campanha de Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), deve continuar no leme do partido. Pelo menos é o que deseja parte do tucanato, em uma tentativa de impedir um vôo mais ousado de Geraldo Alckmin depois do segundo turno. Um suposto desembarque de Alckmin na presidência do PSDB seria bom para o partido, pois retomaria algo que há muito não faz: a oposição republicana e responsável. Nos últimos tempos, o PSDB se dedicou a uma postura oposicionista tipicamente de fundo de quintal, com ataques chulos e infantis contra a figura do presidente Lula.

Direitos autorais
Pensando bem, a campanha do presidente-candidato Lula arrumou uma nova dívida. Gepetto e Pinocchio querem receber o que lhes é devido.

Lavanderia elegante
(27/10/05) - A acareação promovida pela CPI dos Bingos entre os irmãos de Celso Daniel (João Francisco e Bruno José) e o secretário particular da Presidência da República, Gilberto Carvalho, mais parecia uma reprimenda na sala da diretora de um daqueles enfadonhos internatos do interior da Inglaterra. Elegantes e polidos, os acareados, com declarações muitas vezes subjetivas, tentavam convencer os presentes com um antagonismo sem precedentes. João Francisco e Bruno insistiam na tese de que Gilberto Carvalho tinha ciência do esquema de corrupção montado em Santo André, enquanto o secretário do presidente Luiz Inácio desviava o assunto com declarações sobre o amor de Celso Daniel pela namorada Ivone e uma suposta filha de ambos, que a família Daniel ainda não reconheceu como tal. E mais: a desfaçatez de Gilberto Carvalho levou o oftalmologista João Francisco Daniel a propor uma nova audiência onde os acareados seriam submetidos a um detector de mentiras.

Ucho Haddad

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