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ano 6 - número 1232

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância."
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Fora de hora
Problemas de saúde do editor provocaram o atraso na edição desta quinta-feira da coluna. Pedimos desculpas aos leitores pelos transtornos causados.

Resgatando o passado
Amanhã, sexta-feira, Lula, que confirmou presença no debate na Rede Globo, certamente vai retomar o discurso mentiroso sobre as privatizações que marcariam um suposto governo de Geraldo Alckmin. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de fato privatizou inúmeras empresas, mas se algo de errado ocorreu caberia ao presidente Lula, como sucessor, investigar a fundo e punir de maneira implacável os culpados. Mas importante é lembrar que, meses depois da posse, Lula veio a público e admitiu que não investigou determinados escândalos do governo passado. Ou seja, Lula tem culpa e dela não pode fugir. direito a jornais e emissoras de rádio e televisão. (Foto: radiometropole.com.br)

Colhendo os frutos
Se as privatizações da era cardosiana turbinaram a campanha petista no segundo turno, Lula há de reconhecer que as do setor telefônico serviram, e muito, para os Lula da Silva. Ex-monitor de zoológico, emprego que lhe garantia perto de R$ 650 mensais, Fábio Luís Lula da Silva, o prodígio Lulinha, só alcançou o status meteórico de genial empresário do setor de jogos eletrônicos porque a Telemar, empresa que participou da privatização, derramou uma verdadeira fortuna no bolso do primeiro-filho. Diante disso, Lula deve se dar por satisfeito pelo fato de Alckmin não ter trazido à baila o assunto. E tal fato não ocorreu, é porque os marqueteiros do tucano são vergonhosamente incompetentes.

Tapando os ouvidos
Os discursos de Lula são tão ridículos, que até criança, que pouco compreende o mundo da política, já não pode ouvir falar no nome do presidente-candidato. A mais nova galhofa presidencial está relacionada ao fato de Lula se comparar a FHC, o que, segundo o petista, não irá mais acontecer. Por outro lado, Lula reconheceu que já bateu demais no PSDB nos últimos quatro anos. Esse meã culpa de Luiz Inácio Lula da Silva não passa de uma bisonha estratégia de campanha, que transforma um fiasco político em bom moço em questão de horas. O lado mitômano da campanha de Lula é tão escandaloso, que é cada vez mais difícil imaginar que o Brasil sobreviveu depois de quatro anos nas mãos de alguém que faz da Presidência da República um botequim de periferia. Enfim, cada povo tem o governante que merece.

É o fim!
O populismo barato que Lula adotou em seus discursos de campanha é o estrito reflexo do seu pensamento. Ontem, durante encontros de campanha, Lula voltou a ressaltar o fato de catadores de lixo terem subido a rampa do Palácio do Planalto, como se isso fosse um avanço social sem precedentes. No encontro com os catadores de lixo, que entregaram ao presidente-candidato produtos confeccionados com resíduos, Lula anunciou uma linha especial de crédito para a categoria, a ser concedida pelo BNDES. Beira a loucura imaginar que o Brasil será presidido, por mais quatro anos, presidido por alguém que se orgulha de ter domínio sobre os cidadãos que levam a vida recolhendo o que sobra nos lixos. Se o analfabetismo político que domina alguns ensandecidos ocupantes do Planalto dá o tom do cotidiano, é possível pensar que Lula está em vias de transformar Brasília na Sierra Maestra tupiniquim. (Foto: citybrazil.com.br)

Ignorância pela rede
A sanha petista, agigantada depois da chegada de seu expoente máximo ao poder, está cada vez mais próxima da ignorância. Quando os companheiros descobriram a preferência religiosa de Geraldo Alckmin, não faltaram voluntários para espalhar pela rede mundial de computadores impropérios dos mais variados. Não se trata de defender essa ou aquela corrente religiosa, mas de respeitar a individualidade de cada cidadão. Se Lula teve, durante alguns anos, um frei fajuto como assessor especial da Presidência, Alckmin pode freqüentar a seita religiosa que quiser. Agora, a ignorância de alguns companheiros chega às raias da loucura. Circula pela Internet mensagens apócrifas que trazem a imagem do senador Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL, como se fosse Adolf Hitler, o que já foi objeto de disputa judicial. Mais abaixo, uma foto de Geraldo Alckmin ao lado do senador Antonio Carlos Magalhães reforça o título “Crias da ditadura”, aparece. Essa farsa petista que invadiu os meios alternativos de comunicação é o reflexo imediato dos próximos quatro anos.

Cabresto rouge
Falar em crias da ditadura, deixando de lado o próprio passado, é a atitude típica de quem sofre de cegueira política. Defender os que aos militares se juntaram durante os plúmbeos anos brasileiros não é, como jamais foi, o objetivo da coluna, mas se existe uma cria da ditadura ela atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Aqueles que dúvidas ainda nutrem recomendamos que busquem nos anais da história as verdades sobre o sindicalista, que durante muitos anos atuou como marionete de Golbery do Couto e Silva. No contraponto, se Bornhausen, ACM e Alckmin são crias da ditadura, alguém precisa explicar as razões que levaram o presidente Lula a derramar suas lágrimas sobre o esquife de Roberto Marinho, que cresceu sob a égide dos militares. Mas não há nada melhor para justificar o apreço dos petistas palacianos pela ditadura do que a possibilidade de Delfim Netto ocupar um dos ministérios no segundo mandato de Lula. Ou será que algum irresponsável da esquerda festiva vai surgir para dizer que Delfim sempre foi um revolucionário, democrata, socialista, trotskista.

Dupla esquisita
Ainda a ditadura... Se a militância petista se preocupa com figuras ditatoriais, alguém há de explicar o repentino apoio de Paulo Maluf à ex-prefeita e candidata à reeleição Marta Suplicy, em 2004. Depois de perder a corrida à prefeitura paulistana no primeiro turno, Maluf não se incomodou de aparecer ao lado de sua maior desafeta, e vice-versa. O conluio, como tudo na política, não foi uma obra do acaso e nem mesmo saiu de graça. Quem saberia explicar o assunto com tranqüilidade de sobra é Marcos Valério Fernandes de Souza, o homem que gerenciou os pagamentos do mensalão. De igual maneira, aos petistas parece normal a aproximação entre Lula e Sarney, a quem o presidente-candidato disparou palavras nada doces no final da década de 80. Confira abaixo o que disse Luiz Inácio Lula da Silva sobre José Sarney.

- “qualquer governo, comparado ao de Sarney, será "socialista", tal a mediocridade de sua administração”.
- “Sarney não fará reforma agrária coisa nenhuma, porque ele é grileiro no Maranhão e não vai querer entregar as terras que tomou dos posseiros”.

No primeiro comício pelas Diretas, Lula declarou que “se disputasse uma eleição, os votos do Sarney não dariam para encher um penico”.
Depois do apoio do senador, em 2002, Lula amenizou: “Não podemos prescindir da experiência das pessoas que já passaram pelo cargo”.

Eleito presidente, o petista disse que tinha “tranqüilidade” por nunca ter ofendido Sarney. Mas ele se esqueceu de 1987: “o grande ladrão que é o governante da Nova República”.

Acelerador tributário
Durante encontro com empresários, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confessou – este foi o termo usado por Mantega – que o governo Lula aumentou a carga tributária, para, minutos depois, perceber o ato falho e tentar, sem sucesso, consertar o que dissera. Mantega disse que o aumento do Pis e do Confins para produtos importados serviu para evitar a concorrência, mas o que não se explica é 40% da riqueza de um país ser de impostos. No mesmo encontro, o ministro disse que o Brasil, no segundo mandato do presidente Lula, deve crescer a uma taxa de 4% ao ano, o que chamou de crescimento virtuoso. Até a última semana, a previsão de crescimento para os próximos anos era de 3%, e a subida de um ponto percentual, mesmo em projeções, carece de uma explicação técnica. Imaginar que a queda da taxa Selic pode garantir crescimento é uma irresponsabilidade. Por outro lado, o que está por acontecer no campo, vítima da política agrícola do próprio governo federal, não deve produzir resultados animadores. Enfim, em tempos de eleição vale tudo para enganar o eleitor.

Que vergonha!
Ao dar posse ao novo superintendente da Polícia Federal em Brasília, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, desafiou integrantes da CPI das Sanguessugas a provarem a inoperância da corporação no caso do Dossiê Cuiabá. Thomaz Bastos livrou o PT de qualquer envolvimento no caso, transferindo a responsabilidade pelo escândalo a um grupo de pessoas que ele próprio chamou ironicamente de setor de inteligência, e que Lula batizou de aloprados. Enquanto isso, a PF anunciou que são co-réus os “laranjas” utilizados para a compra dos dólares apreendidos com petistas em um hotel da capital paulista. Em outras palavras, o PT se transformou nos últimos anos em uma agremiação de querubins. E o ministro é o típico advogado de porta de palácio.

Atitude ridícula
No primeiro turno das eleições deste ano, um fato curioso uniu os petistas Aloízio Mercadante e Eduardo Suplicy, senadores por São Paulo, Momentos antes de chegar ao local de votação, Mercadante, que estava acompanhado de Suplicy, rodou as ruas próximas para checar o movimento de possíveis manifestantes contrários à sua candidatura e ao governo do presidente Lula. Ao perceber que integrantes do grupo “Rir Para Não Chorar” estavam no local, distribuindo aos eleitores nariz de palhaço, Suplicy acionou sua assessoria e conversou com os responsáveis pelo grupo, a fim de convencê-los a desistir do protesto. Diante da inocuidade de sua ditatorial incursão, Eduardo Suplicy apelou, então, a um juiz eleitoral. E nada foi feito, pois o “Rir Para Não Chorar” não descumpria a legislação eleitoral. E os telefonemas dados por Suplicy para os integrantes do grupo partiram do celular cuja conta você, meu caro leitor, ajuda a pagar. Que papelão senador! Clique e confira a página eletrônica do grupo "Rir Para Não Chorar".

Ufa, finalmente!
Pelo menos alguém do tucanato, antes do segundo turno, reconheceu o fraco trabalho dos marqueteiros de Geraldo Alckmin, que realizaram uma campanha típica de sacristia. Reeleito senador pelo PSDB paranaense, Alvaro Dias não poupou críticas à equipe comandada pelo jornalista Luis Gonzáles, responsável pela campanha do ex-governador paulista. Para Dias, a campanha de Alckmin usa “uma fórmula repetitiva, sem emoção, indignação e criatividade”. Diferentemente do que Duda Mendonça fez com Lula em 2002, Gonzáles conseguiu a proeza de levar ao fracasso eleitoral o melhor dos presidenciáveis. Para piorar o quadro, Lula admitiu erros em seu governo e um de seus assessores reconheceu que os envolvidos no escândalo do Dossiê Cuiabá mentiram. E por todo esse genial (sic) trabalho Luis Gonzáles e sua GW receberam a bagatela de R$ 40 milhões.

Víboras do poder
Na próxima terça-feira, a paradisíaca e aprazível ilha de Comandatuba receberá a ala governista do PMDB, que se reúne para discutir a divisão de cargos no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No encontro estarão presentes lideranças nacionais do partido e até mesmo os candidatos aos cargos no Executivo, que continuam pleiteando participação no acordo com o metalúrgico petista. Mesmo assim, Lula insiste em dizer que o mal maior do País ainda são as privatizações da era FHC, deixando de lado o fato de entregar ao PMDB, na calada da noite, o comando dos Correios. Considerando que o encontro peemedebista acontece dois dias após a realização do segundo turno, pode-se dizer que o serpentário de Lula vai à praia.

Esparadrapo esquerdista
O assunto da transferência da carteira de clientes da Interclínicas é muito mais escandaloso e complexo do que se imagina. Enfrentando sérios problemas financeiros, a Interclínicas, que tinha um passivo perto dos R$ 40 milhões e um faturamento de aproximadamente R$ 300 milhões anuais, optou por firmar parceria com o Banco Garantia, que assumiria não apenas a dívida, mas a gestão do plano de saúde. Quando os documentos da parceria foram encaminhados à Agência Nacional de Saúde, a ANS, a Interclínicas foi obrigada a desistir do negócio, transferindo sua carteira de clientes para a empresa ABC Saúde, à época sem lastro financeiro para assumir tamanha responsabilidade.

Tem professor na linha
Ainda a Interclínicas... A ABC Saúde, tempos mais tarde, vendeu a citada carteira de clientes, mesmo sem ter liquidado seu compromisso com a Interclínicas. Não demorou muito, e a ABC Saúde acabou vendendo a carteira de clientes que adquirira da Interclínicas para uma empresa concorrente. Nada de anormal teria no negócio se a ANS não tivesse forçado para que o negócio acabasse nas mãos da empresa do ABC paulista. Porém, presidente Lula, o que até hoje causa estranheza é o fato de o deputado Professor Luizinho (PT-SP), pessoa da estrita confiança de Vossa Excelência, estremecer quando o assunto vem à tona. Já é de conhecimento público que Vossa Excelência interesse em saber o que acontece à sua volta, mas não custa perguntar ao deputado que foi líder do governo na Câmara.

Barbearia política
Pensando bem, o mundo descobriu que mentira, além de perna curta, tem barba.

Arquivo ambulante
(26/10/05) - Em depoimento à CPI dos Bingos, o juiz federal afastado João Carlos da Rocha Mattos revelou o que os leitores da coluna há já sabem desde janeiro de 2004. Preso sob a acusação de integrar uma quadrilha que vendia sentenças judiciais, Rocha Mattos disparou contra o PT no caso da morte do ex-prefeito Celso Daniel, não tendo poupado absolutamente ninguém Os mais alvejados pelo juiz-presidiário foram Gilberto Carvalho, ex-secretário municipal de Santo André e atual secretário da Presidência da República, e o deputado e dublê de advogado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). O que mais chamou a atenção durante o depoimento do juiz é que nenhum dos parlamentares presentes tinha conhecimento do conteúdo das gravações, e ouviam atentamente as declarações de Rocha Mattos, como se o juiz estivesse revelando alguma novidade. Clique e confira os principais trechos das gravações telefônicas realizadas pela polícia à época do crime.

Ucho Haddad

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