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ano 6 - número 1231

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Nem sempre aquilo que vem depois é um progresso."
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A. Manzoni

   
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Fogo amigo
Quando, no debate da Rede Record, Lula, perguntado sobre liberdade de imprensa, disse que "uma candidatura ao governo" apareceu sessenta e seis vezes em um mesmo dia na emissora da família da candidata, acabou atirando a esmo contra o próprio patrimônio. Lula provavelmente deveria estar falando da senadora Roseana Sarney, candidata ao governo do Maranhão, ou de Vilma Faria, do Rio Grande do Norte. As candidatas, aliadas do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, coincidência ou não, mantêm um respeitável patrimônio na área da comunicação de massa em seus respectivos estados, com direito a jornais e emissoras de rádio e televisão. (Foto: parana-online.com.br)

Raio-X vermelho
Ainda o debate... Sem ter noção da realidade do sistema público de saúde, Lula voltou a defender a tese de que a Saúde no Brasil está próxima da perfeição. Se as declarações presidenciais se justificam pelo fato de Lula fazer da Base Aérea de Brasília a recepção dos melhores hospitais do planeta, alguma explicação deve existir para alguns descasos que ocorrem no Rio Grande do Sul. Em Viamão, cidade da Grande Porto Alegre, administrada pelo PT, o hospital local está prestes a fechar. Santa Maria, cidade também administrada pelo PT, desde 2000, vem enfrentando sérios problemas na área da Saúde. O prefeito Valdeci Oliveira, coordenador da campanha do companheiro Lula no Rio Grande, fechou o hospital Casa de Saúde.

Bomba caseira
O furo de reportagem da coluna, sobre a compra de fazendas no sul do Pará, que causou enorme desconforto no núcleo da campanha presidencial petista, deve proporcionar alguns capítulos nada agradáveis antes do segundo turno da corrida presidencial. Enquanto Lula e seus assessores de campanha assistem a tudo de camarote, os articuladores do episódio se movimentam como ninguém nos bastidores. Caso o presidente-candidato não der ao assunto a devida atenção, o dito popular deverá ser mudado. Sai o termo “caiu a casa” e entra no seu lugar o “caíram os palácios”. O do Planalto e da Alvorada, logicamente. (Foto: aboutbrasilia.com)

Quem te viu...
Não poderia ser diferente! O presidente Lula, que durante anos a fio condenou o uso da máquina do governo em períodos eleitorais, agora se refestela no contraponto do discurso do passado. Nesta terça-feira, Lula homenageou o piloto Felipe Massa, vencedor da última etapa da Fórmula Um, em 2006, em prova realizada no autódromo de Interlagos, em São Paulo. O piloto da Ferrari recebeu das mãos do presidente-candidato a Medalha do Mérito Desportivo. É de se lamentar que a cerimônia não tenha permitido ao piloto perguntar ao presidente Lula sobre a curva ascendente da miséria, a curva ascendente da violência, a curva ascendente da carga tributária, e nem mesmo recomendar ao candidato para que freie as mentiras, pise no acelerador do crescimento e diminua a marcha dos juros. Presidente, o Felipe, que é Massa por hereditariedade, sem dúvida alguma merece ser homenageado, mas a cinco dias do segundo turno é, além de apelação, zombaria com a massa cinzenta do eleitor. (Foto: empauta.net)

A garantia soy yo
Lula rasgou o verbo quando no debate da Record o Mercosul veio à baila, como se o agrupamento comercial dos países sul-americanos fosse um estrondoso sucesso. O despreparo das assessorias dos dois candidatos tem deixado os especialistas em marketing político irrequietos. Quando aterrissou no Palácio do Planalto, com direito à faixa presidencial sobre o paletó, Lula achou que comércio internacional era assunto de porta de boteco. Meses depois da posse, algum dos aloprados palacianos sugeriu que fosse confeccionado um passaporte para o Mercosul, a exemplo do que ocorre na Comunidade Européia. Acontece que como todo aloprado conhece um gênio estabanado, o tal passaporte foi confeccionado em dois idiomas – português e espanhol – sendo que milhares deles foram parar no lixo. Muitas das palavras em espanhol estavam grafadas de forma errada. E a conta, meu caro leitor, certamente bateu no seu bolso.

Tom diferente
Desde que o mundo é mundo, o sufrágio democrático vem sendo interpretado como um endosso popular para que os governantes ajam e decidam em nome dos eleitores. Considerando que a derrota não deve bater à porta do presidente Lula no próximo domingo, é obrigatório que o povo brasileiro concorda com a corrupção que, partindo do Palácio do Planalto, tomou conta do País. De posse do tal endosso, difícil não é imaginar o que pode acontecer a partir de 2007. A sanha petista levará os barbudinhos palacianos a concluírem que, aprovada a amostra, que venha o resto. E o brasileiro que se prepare, pois mudanças radiais devem acontecer na aquarela do Brasil. Vem aí o vermelho-oliva!

Encolhendo as asas
Nos últimos quarenta e seis meses, os partidos de oposição ao governo do presidente Lula fizeram tudo, menos oposição. Falar em oposição quando o país em questão sofre com as inconstâncias da política nacional, requer um mínimo de consciência e bom senso, pois o que o Brasil mais carece é de uma oposição republicana, e não de bravatas chicaneiras que só servem para alimentar o ego de alguns irresponsáveis, além de promover aquela velha e conhecida politicagem de fundo de quintal. No auge da crise do mensalão, o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, ocupou a tribuna para dizer que daria um soco no presidente Lula. Não se sabe se a anunciada agressão deixou de acontecer por falta de oportunidade ou de coragem, mas Arthur Virgílio compareceu ao debate da Rede Record e ficou frente a frente com o presidente Lula. Ou seja, o senador amazonense perdeu uma grande chance.

Mentiródromo oficial
O Palácio do Planalto suou para arrastar o caso do Dossiê Cuiabá o máximo possível. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) fez tudo e mais um pouco para arrumar a cena do crime. Agora, do alto de sua reconhecida competência, o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, surge com o discurso de que os envolvidos no escândalo do dossiê podem ter mentido. Wagner não apenas errou tentando proteger os aloprados do presidente Lula, mas inovou em termos jurídicos ao afirmar que mentir é um direito do acusado. O que dispõe a legislação, nesse sentido, é que ao réu é dado o direito de não se auto-incriminar, o que difere, e muito, do ato de mentir. Assim, diante de tão bizarras declarações, Jaques Wagner já está sendo chamado de a mais nova e irreversível mentira política do País.

Chama o ladrão!
O superfaturamento na obras do aeroporto de Congonhas, que segundo o TCU pode gerar um prejuízo aos cofres públicos da ordem de R$ 100 milhões ou mais, não é tudo o que as autoridades investigam. Presidida até recentemente pelo agora deputado federal eleito Carlos Wilson (PT-PE), a Infraero, responsável pela obra do aeroporto paulistano, tem muito mais explicações a dar do que se imagina. Quando os ministros do Tribunal de Contas chegarem no capítulo das agências de publicidade, aí sim é que a torre de controle ficará sem rumo. Segundo apurou a coluna, o escândalo das agências não fica muito atrás do imbróglio de Congonhas.

Desembarque programado
Faltando poucos dias para o segundo turno da corrida presidencial, atacar o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva pode não ser uma boa estratégia para os tucanos que, em 2007, assumem mandatos de governadores. Os exemplos mais evidentes são José Serra e Aécio Neves, que sumiram da campanha de Geraldo Alckmin. Mesmo que supostamente exageradas sejam as pesquisas eleitorais recentemente divulgadas, imaginar uma vitória de Alckmin está cada vez mais distante. E Serra e Aécio, que já não atacam o presidente Lula, têm se dedicado aos acordos de coxia. Politicamente correto para ambos os estados, ruim para Geraldo Alckmin. (Foto: Argenpress)

Ordem palaciana
Como era de se esperar, a CPI das Sanguessugas não funcionou nesta terça-feira, o que deve se repetir nos próximos dias. Elevada à condição de ferramenta eleitoral, a Comissão inicia a semana pós-eleição como amostra do que deve acontecer na próxima legislatura. Com a reeleição praticamente garantida, Lula entrará no segundo mandato com muito mais problemas do que imagina. Governar será muito mais difícil do que foi até agora, podendo piorar dependo do comportamento da oposição. Atacar o presidente Lula a conta-gotas, como irresponsavelmente fez a oposição nos últimos quatro anos, pode se transformar em uma oportunidade para que o presidente-operário, que jamais soube dos escândalos do seu próprio governo, drible a ira oposicionista e faça o que bem entender.

Caso de polícia
Revolta e desalento. É o que certamente sentiram todos aqueles que acompanharam os trabalhos parlamentares na Câmara dos Deputados, durante esta terça-feira. Vazio, se consideramos que são quinhentos e treze os deputados que lá deveriam estar presentes, fazendo jus ao rico salário que recebem, o plenário da Câmara serviu de palco para as reticências da corrida presidencial. Governistas e oposicionistas se empenharam, na quase totalidade do tempo, em trocar farpas e defender seus respectivos candidatos. O que o contribuinte tem visto e ouvido nos debates entre os dois presidenciáveis foi literalmente repetido na Câmara. Ou seja, todas as proezas dos dois parentes do Aladim foram destiladas largamente. Acontece que uma sessão da Câmara, extraordinária ou não, custa algumas centenas de milhares de Reais. Na composição do custo estão despesas com energia elétrica, edição e transmissão radiofônica e televisiva, seguranças, funcionários administrativos, jornalistas, assessores, salários de deputados, verbas de gabinete, café e água, registro dos discursos nos anais da Casa, entre tantas outras. E o trabalhador que madruga para enfrentar a carestia do cotidiano recebe a fortuna de R$ 350.

Bola dentro
Entre tantas tentativas desbaratadas de salvar os presidenciáveis, um discurso chamou a atenção: o do deputado Ricardo Barros (PP-PR), reeleito para mais uma vez representar o povo paranaense na Câmara. Barros, ao ocupar a tribuna da Casa, disse o que Lula não conseguiu interpretar nos resultados do primeiro turno da disputa presidencial. “No nordeste o Estado é maior do que a sociedade. No sul a sociedade é maior do que o Estado”, declarou Ricardo Barros. O populismo discursivo de Lula – que em tempos de eleição se agiganta – só serviu para garantir alguns votos extras, pois o presidente-candidato teve o desplante de afirmar, dia desses, que os ricos não precisam do Estado. Enfim, cada povo tem o governante que merece.

Saia justíssima
Ainda a saúde... Uma bomba deve estourar nos próximos dias, podendo, inclusive, produzir estilhaços na direção do Palácio do Planalto. Considerado, em passado recente, como um dos melhores planos de assistência médica do país, o Interclínicas, que enfrentou sérios problemas financeiros, acabou sendo vendido, depois de muita insistência por parte dos compradores, para um grupo concorrente do ABC paulista. Alguns anos depois da transação, o grupo do ABC começa a fazer água, como se fora um barco com rombo no casco. Alguns dos credores do plano de saúde, que não dormem há tempo, têm buscado alternativas para enfrentar mais um descalabro que o setor da medicina privada proporciona. Quem muito insistiu para que o grupo do ABC, mesmo sem condições financeiras, assumisse o Interclínicas foi um companheiro a quem Lula sempre dispensou amizade e confiança. Presidente, tire esse caroço do caminho dos segurados!

Cantina do Barba
Pensando bem, o encontro entre o brasileiro da Ferrari e o presidente tupiniquim foi uma verdadeira macarronada de bacana. Massa com Lula ao molho putanesca eleitoral.

Grana de quem?
(25/10/05) - Como noticiou a coluna, a diretora financeira da Itaipu, Gleisi Hofmann, que divide lençóis com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) deve mesmo tentar uma vaga no Senado pelo PT paranaense. A coluna consultou um experiente marqueteiro político e obteve a informação que uma campanha ao Senado, no Paraná, não sai por menos de R$ 10 cada voto. Assim, resta saber quem vai bancar a candidatura de Gleisi Hofmann.

Ucho Haddad

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