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ano 6 - número 1230

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio."
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Memória fraca
Quando o nome do ex-deputado Roberto Jefferson veio à baila no debate entre os presidenciáveis, promovido pela Rede Record, Lula disse que o tucano Geraldo Alckmin desconhecia o voto dado pela Câmara para cassar o mandato do ainda presidente nacional do PTB por quebra de decoro, uma vez que não conseguiu provar as acusações sobre o fatídico mensalão. As provas, supostamente documentais, que Jefferson não apresentou, vieram nas revelações feitas pela CPi Mista dos Correios e na denúncia da Procuradoria-Geral da República, que ofereceu denúncia contra quarenta envolvidos, inclusive José Dirceu, grupo que o MP classificou como quadrilha. No contraponto, não se pode esquecer que o mesmo Lula, que hoje atira Roberto Jefferson aos leões, declarou por ocasião da primeira denúncia que ao então deputado daria um cheque assinado e em branco.

Mentira deslavada
Lula faltou com a verdade quando o assunto do debate foi o portador de deficiência física. Questionado por Geraldo Alckmin, Lula sugeriu ao adversário que fizesse a seguinte pergunta aos deficientes: “se existiu algum governo que cuidou mais deles do que nóis”. Que Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente-candidato, acredita ser o Sassá Mutema planetário ninguém duvida, mas a mitomania que impera nos corredores palacianos tem lhe feito muito mal. Em novembro de 2003, quando perambulava pelo mundo concedendo benesses, Lula vetou um dos artigos de um projeto aprovado no Congresso que previa a isenção de IPI e do imposto de importação de cadeiras de rodas e aparelhos auditivos. Presidente, como a amnésia tem sido sua patologia preferida, nos últimos tempos, e o Brasil é um país de manipulados, pois todos acreditam no que o governo diz, a coluna resgatou notícia aqui publicada e lida no plenário da Câmara pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que o obrigou a recuar e reconsiderar a barbárie cometida. Confira abaixo a nota publicada pela coluna em 5 de novembro de 2003.

Desumanidade oficial
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursava em Angola, garantindo taxação zero para a importação de produtos daquele país, o Diário Oficial trazia a publicação de uma insanidade presidencial. O veto do presidente a um artigo de um projeto aprovado pelo Congresso, que previa a isenção de IPI e do imposto de importação para cadeiras de rodas e aparelhos auditivos. Muito pior que vetar um artigo como esse, é ter os neurônios atrofiados, a alma surda e o coração manco. Presidente, por mais que Vossa Excelência queira reformar o Judiciário, existe um tipo de justiça que ninguém reforma e muito menos recusa convite. A divina! (Edição número 528, em 05 de novembro de 2003)

Mordaça rouge
Perguntado sobre os meios de comunicação, Lula disse ser ele o “resultado da liberdade de imprensa”, mas fez questão de lembrar que a “imprensa às vezes abusa”. A imprensa não pode abusar, se a Polícia Federal, que o próprio presidente tanto enaltece, desvenda atos de corrupção cometidos por integrantes do governo. Por essa ótica, a imprensa apenas noticia aquilo que descobre a polícia que deveria ser de Estado, mas é de governo. Essa mesma PF deveria ter realizado uma devassa nas ações do governo FHC, mas a pedido de Lula deixou a obrigação de lado. Esse discurso de liberdade de imprensa é balela, pois o jornalista Larry Rohter, do The New York Times, quase foi expulso do país por ter noticiado os bebericos presidenciais. À beira da aprovação, um projeto para amordaçar a imprensa nacional, criado no Palácio do Planalto, foi abortado por pressão da sociedade. Muitos donos de veículos de comunicação, que deram espaço aos adversários do governo Lula, foram chamados a Brasília para as devidas explicações. Esta coluna, que ousou veicular os principais trechos das escutas telefônicas do caso Celso Daniel, foi tirada do ar, e seu editor foi alvo de pressões e processos judiciais. Quando publicamos entrevista com os delgados federais responsáveis pela prisão de Duda Mendonça em uma rinha de galos, o editor sofreu os mais diversos tipos de pressão.Que liberdade é essa, presidente Lula?

Perdendo o bonde
Abusando novamente de uma cola preparada por assessores, para propalar os números de seu próprio governo, Lula mostrou-se despreparado para rebater as acusações feitas por Geraldo Alckmin. Cobrado pelo tucano sobre recém-denunciado superfaturamento nas obras do aeroporto de Congonhas, que beira a casa dos R$ 100 milhões, Lula rodopiou, mas não respondeu. Na verdade, mesmo sem saber o que responder, o presidente-candidato Lula deveria ter trazido à baila as denúncias sobre o superfaturamento das obras do Rodoanel e da recuperação do rio Tietê. Perdida, a chance só poderá ser retomada no próximo debate.

Analfabetismo eleitoral
Que a leitura não freqüenta o cotidiano presidencial todos sabem, mas é novidade o fato de o presidente-candidato Lula não saber ler resultados eleitorais. Durante o debate da Record, Lula voltou a dizer que, durante seu governo, as empresas cresceram e ganharam como nunca. Esmiuçando os resultado do primeiro turno é possível perceber que Lula perdeu em todos os estados produtivos da federação, o que mostra um descontentamento do empresariado com a atual política econômica. O que garantiu o primeiro lugar nas eleições ao candidato petista foi o assistencialismo barato e irresponsável que o Palácio do Planalto tanto alardeia, mas que no médio prazo vai produzir uma quase irreversível indignidade humana, pois milhões de brasileiros sobrevivem da esmola oficial. (Foto: imafotogaleria.com.br)

Vôo de urubu
Falar em crescimento econômico diante do quadro que o Brasil enfrenta é uma sandice sem precedentes. Com o Real supervalorizado, os juros ainda altos e a agricultura sangrando no campo, só um desavisado para acreditar que crescer é possível. Lula erra ao prometer o que sabe ser impossível cumprir, pois até o vice José Alencar, dono da Coteminas, estuda abrir uma fábrica na China, país cuja economia o presidente Lula classificou como sendo de mercado. Fosse coerente a conclusão do presidente Lula sobre a China, a Coteminas, que recentemente ganhou tomada de preços para fornecer tecido camuflado para o Exército, não teria decidido importar o produto da terra da maior muralha do planeta, uma vez que o mesmo não consta da sua linha de produção. Enquanto isso, o parque têxtil brasileiro, especialmente a porção instalada em Santa Catarina, mingua por conta da concorrência desleal dos produtos chineses. Pelo menos duas empresas catarinenses, a Têxtil Renaux e Schloesser, fabricam o produto que a Coteminas importou.

Rezando a cartilha
Em atendimento ao pedido formulado pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o ministro Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a distribuição e veiculação do adesivo que faz alusão à deficiência física do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que perdeu um dos dedos da mão esquerda em um acidente de trabalho. A senadora Ideli argumentou, em seu pedido, que se tratava de uma discriminação, tese acolhida pelo ministro do TSE, que entendeu que o material em discussão “atenta contra a dignidade da pessoa humana, promovendo discriminação em razão de deficiência física”, o que também defende esta coluna. Porém, discriminação maior existe a poucos metros do Palácio do Planalto, onde desempregados, que vivem sob barracas improvisadas, enfrentam a dureza da vida como catadores de papel e papelão (foto abaixo). Por isso, Excelentíssima Senadora Ideli Salvatti, esta coluna sugere uma revisão no conceito de discriminação.

Livro novo
Hoje, terça-feira, 24 de outubro, o cineasta, jornalista e escritor Ipojuca Pontes lança, no Rio de Janeiro, o livro “A Era Lula – Crônica de um desastre anunciado”. A obra do genial Ipojuca – colunista do ucho.info - é uma radiografia contundente, porém absolutamente verdadeira, do governo Lula, de 2003 até hoje. O lançamento acontece a partir das 20 horas na livraria Letras e Expressões, rua Ataulfo de Paiva, 1292 (loja C) – Leblon – Rio de Janeiro. Para maiores informações ligue para (21) 2511-5085.

Que vergonha!
A poucos dias do segundo turno, o presidente Lula se vale, mais uma vez, da máquina estatal para arrancar votos de eleitores desavisados. A Caixa Econômica Federal anunciou, nesta segunda-feira, o lançamento de uma linha de crédito especial para a compra da casa própria, que irá beneficiar os trabalhadores domésticos, que até então eram barrados na solicitação de tal tipo de financiamento. Esse oportunismo barato que Lula e o PT tanto condenaram em eleições anteriores, agora serve para turbinar a mais nova farsa da política nacional. Causa estranheza o fato de só após 1.391 dias de governo Lula ter percebido a necessidade de tal segmento da população. Em outras palavras, Lula é um FHC sarará.

Digno de pena
Após um final de semana em que o presidente Lula tentou digerir o explosivo conteúdo da revista Veja, que colocou no olho do furacão o até então desconhecido gênio Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a camarilha palaciana resolveu se pronunciar sobre o assunto. Governador eleito da Bahia e tiete da campanha do presidente-candidato Lula, Jaques Wagner abusou do devaneio ao dizer que a reportagem sobre o ex-monitor de zoológico, que no governo do pai-presidente virou empresário de sucesso, mostra que “há uma partidarização da imprensa”. Ensandecido pela proximidade com o poder, Jaques Wagner, que deveria recolher-se à própria insignificância, precisa urgentemente perguntar a alguns companheiros do PT o que significa partidarização. Caso a resposta seja algo absolutamente impossível, passar pelos Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica e outros órgãos do governo federal pode ser uma boa alternativa.

Pressão total
Os oposicionistas que integram a CPI das Sanguessugas pressionaram o presidente da Comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), para realizar ainda hoje uma sessão para deliberações. Os governistas alegaram ser impossível realizar uma sessão da CPI faltando cinco dias para o segundo turno das eleições. Os que estão no parlamento são régia e nababescamente pagos para trabalhar, e não para criar desculpas que visam abafar escândalos de corrupção. Os mesmos parlamentares que ora se recusam a trabalhar, têm tempo de ir ao banco para conferir se o salário foi depositado. Fosse o Brasil um país sério, boa parte dos que por aí bravateiam já teria contemplado o nascer do sol de maneira geometricamente distinta. O fato é que o relatório da Polícia Federal sobre o escândalo das ambulâncias superfaturadas tem depoimentos e informações que, trazidos a público, podem implodir o Palácio do Planalto.

Deu a louca
Residência oficial do governo do Paraná, a Granja do Canguiri tem sido palco de destemperos por parte de Roberto Requião, que corre o sério risco de não se reeleger. Mesmo que proporcionalmente pequena, a dianteira de Osmar Dias não apenas obrigou a equipe de campanha do governador licenciado a intensificar o ritmo de trabalho, como se valer de artifícios escusos para reverter um quadro cada vez mais difícil. No tracking telefônico realizado a pedido da campanha de Osmar Dias, o pedetista está dez pontos percentuais à frente de Requião. Considerando que o atual governador tem um certo favoritismo na periferia de Curitiba e que o trabalho de campo nesses últimos dias pode render alguns votos a mais, a diferença deve cair no máximo para seis pontos percentuais em favor de Osmar Dias. Na enquete realizada pela coluna, 88,42% dos leitores acreditam ser Osmar Dias o próximo governador paranaense, enquanto 11,58% apostaram no nome do atual governador. Resumindo, Requião deve começar a preparar a mudança.

Bacia das almas
Cada vez mais próxima da derrota, a senadora Roseana Sarney, ainda no PFL, conseguiu o que não precisava para sua campanha rumo ao governo do Maranhão: o apoio declarado e explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na manhã desta segunda-feira, Lula, regiamente pago para comandar o Brasil, perdeu algumas horas do dia gravando programa eleitoral em que declara apoio a Roseana. Imaginar que o Nordeste vive uma fase de excelência por conta da política social do governo Lula é uma irresponsabilidade. Quem bem conhece o Nordeste sabe que a região está literalmente estagnada. É preciso lembrar que há uma enorme e abissal diferença entre política social e construção de um curral eleitoral com o dinheiro público. O que o governo Lula fez nos últimos três anos e meio foi obrigar o pobre a comer na mão do governo, sendo obrigado a corresponder nas urnas quando necessário. Esse modelo utópico e criminoso tem funcionado há mais de quarenta anos em Cuba, sem a possibilidade das urnas.

Engana, o povo adora
A cada novo dia que desponta, fica claro e evidente que o acidente aéreo com o Boeing da Gol, que causou a morte de cento e cinqüenta e quatro pessoas, foi interpretado pelo governo como uma potencial ameaça à campanha do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que depois do escândalo do Dossiê Cuiabá não precisava de um avião despencando e causando estragos políticos a dois do primeiro turno. De chofre, as autoridades afirmaram que os culpados pelo maior acidente aéreo do País eram os pilotos americanos que conduziam o jato Legacy. Com o passar do tempo, as afirmações iniciais se esvaíram, dando lugar a uma lenta revelação da verdade. O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou nesta segunda-feira, 23, que uma sucessão de erros pode ter causado o acidente. “Pelo que sabemos até agora, em nenhum momento se comentou em pane material em nenhum dos dois aviões, nem nos radares terrestre. Eram aviões novos, com sistemas modernos. É muito difícil um transponder dar pane, é um equipamento muito seguro. Se o transponder tivesse acionado, aquele acidente não teria acontecido”, declarou o presidente da Infraero. Porém, continua sem explicação o fato de os controladores de vôo terem sido afastados do trabalho após o trágico acidente. (Foto: airliners.net-javier bobadilla)

Candidato crocante
Pensando bem, a Lula cabe aquela famosa e dupla teoria de uma conhecida marca de bolachas. Mente porque se elege e se elege porque mente.

Flagrante tucano
(24/10/05) - O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), admitiu que recebeu dinheiro do publicitário Marcos Valério em sua campanha ao governo de Minas Gerais. De acordo com Azeredo, o montante ofertado por Valério, que reforçou o caixa 2 tucano, foi utilizado para pagar a locação dos automóveis utilizados na campanha, mas que o dinheiro foi, logo em seguida, devolvido ao publicitário mineiro. Trata-se de uma mentira deslavada de Eduardo Azeredo, pois jamais se viu alguém devolver dinheiro de caixa 2. O que de fato o senador mineiro deveria fazer é renunciar à presidência do PSDB, pois sua permanência no cargo enfraquece o poder oposicionista dos tucanos.

Ucho Haddad

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