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ano 6 - número 1229

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Você existe apenas naquilo que faz."
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Federico Fellini

   
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Largando na frente
O que os leitores do ucho.info souberam em março deste ano, só agora a revista Veja publicou. Em 6 de março, a coluna informou que o mais polêmico banqueiro tupiniquim, o “Tantas” (a Justiça ainda nos proíbe de citar seu verdadeiro nome), comprara uma considerável fazenda no sul do Pará, cujo valor pago foi quase três vezes o praticado no mercado local. Agora, na seção “Holofote”, assinada pelo jornalista Felipe Patury, a semanal e gigante Veja, em sua última edição, trouxe nota sobre o assunto. Confira abaixo as notas da coluna e a publicada pela revista Veja.

Foco novo
Enquanto a CPI dos Correios não decide se convoca novamente para depor o mais polêmico de todos os banqueiros tupiniquins, o mundo das propriedades rurais começa a se movimentar em função do dinheiro do senhor “Tantas” (a Justiça fluminense ainda nos proíbe, de maneira ditatorial, de citar seu nome). Segundo apurou a coluna, o banqueiro, que está prestes a perder o controle de mais um empresa de telefonia celular, comprou recentemente, no sul do Pará, uma extensa fazenda que margeia boa parte do rio Araguaia, que no passado serviu de cenário para a polêmica e conturbada guerrilha que marcou a história política nacional. Ou seja, o Darth Vader tupiniquim agora vai brincar de Jungle Boy.
(número 1066 - segunda-feira, 6 de março de 2006)

O que Dantas foi fazer no Pará?
O banco Opportunity, de Daniel Dantas, comprou quatro fazendas no Pará. Duas pertenciam ao empresário Luiz Pires e as outras ao pecuarista Benedito Mutran Filho. Ambos se desfizeram das propriedades porque temiam que elas fossem invadidas pelo MST. O banco, agora, fecha a compra de uma quinta fazenda, por 64 milhões de reais. Seus futuros vizinhos dizem que, em pelo menos uma propriedade, Dantas age em nome de um político. Os vendedores negam. (Revista Veja)

Fio trocado
Há dias, quando perguntado sobre o que faria caso perdesse a corrida presidencial, o presidente-candidato Luiz Inácio da Silva disse que sua intenção era voltar para seu apartamento em São Bernardo do Campo, a seiscentos metros do sindicato, de onde olharia para o pessoal que o formou para a política. Na verdade, não foram os companheiros de sindicato que formaram Lula para a vida pública, mas apenas o próprio sindicato serviu de plataforma política para o atual presidente. Quem quiser de fato saber que foi o responsável pelo ingresso de Lula no mundo da política deve ir a um centro espírita e pedir para falar com o general Golbery do Couto e Silva. (na foto com o então presidente Ernestpo Geisel)

Ele não sabia
Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente-candidato, parece ter se especializado nos escaninhos do governo de Fernando Henrique Cardoso, deixando para trás os inúmeros e vergonhosos tropeços de seus mais diletos companheiros, desde 2003. Em um dos debates com o também presidenciável tucano Geraldo Alckmin, Lula afirmou que durante a era cardosiana existia a figura do “engavetador da República”, em alusão ao então Procurador-Geral Geraldo Brindeiro. Negar que Brindeiro muitas vezes não dispensou a determinados assuntos a atenção necessária seria uma irresponsabilidade jornalística, mas Lula precisa explicar o que tem feito o deputado Aldo Rebelo desde que assumiu a presidência da Câmara. Rebelo engavetou inúmeros pedidos de impeachment do presidente e companheiro Lula. Um deles, o mais recente, de autoria da empresária Ana Prudente, também foi engavetado por Aldo Rebelo, que não deu a mínima para o que determina a lei. Isso porque o comunista Aldo Rebelo é legislador. Imagine se não fosse.

Pole position
De novo na frente... Mais uma vez, a coluna antecipou o que outros veículos de comunicação só agora anunciam. Que o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu é o mais novo defensor dos interesses do mega-empresário mexicano Carlos Slim aqui no Brasil. Na edição de 20 de setembro último, a coluna publicou nota informando que José Dirceu já acompanhava com atenção os negócios do mexicano Slim. O que causa estranheza maior é que o nome de Carlos Slim aparece várias vezes no relatório da espionagem criminosa que a americana Kroll fez a pedido do banqueiro “Tantas”.

Arrumando as gavetas
No próximo dia 28 de setembro, quinta-feira, o banqueiro Tantas e seus tentáculos empresariais perdem, de fato e de direito, o controle das empresas Telemig Celular e Amazônia Celular, sendo que a primeira foi investigada pela CPI Mista dos Correios por estar envolvida com o publicitário Marcos Valério e o seu fatídico mensalão. As duas empresas – Telemig e Amazônia – estão na mira das concorrentes Vivo e Claro. No contraponto, a TIM deve ser vendida em breve, como anunciaram os executivos da Telecom Italia. Acontece que uma operação opportunista pode estar em marcha. O empresário e ex-especulador da Bolsa de Valores Naji Nahas estava ontem na Espanha, onde conversou com diretores da Telefônica, sócia da Vivo. A Claro, do mexicano Carlos Slim, pode participar do negócio, que teria o banqueiro opportunista como timoneiro. E quando o assunto é o mega-empresário Carlos Slim, o ex-ministro José Dirceu contempla o movimento com olhar de soslaio. (número 1205 - quarta-feira, 20 de setembro de 2006)

Senhor Abafa
Tão logo o escândalo do Dossiê Cuiabá veio à tona, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que desde o escândalo do mensalão se transformou em criminalista de plantão para alguns barbudinhos mais ousados, avisou ao presidente Lula que em um eventual segundo mandato deixaria a pasta. Não faz muito tempo, Lula chegou a pensar, inclusive, no nome de Nelson Jobim para substituir Thomaz Bastos, mas sua atuação no caso do dossiê fez o presidente mudar de idéia. E Lula quer ver Márcio Thomaz Bastos comandando a pasta da Justiça por mais quatro anos. Caso o nome de Thomaz Bastos seja confirmado como ministro, o deputado Arlindo Chinaglia, que tão mal explicou o termo “advogado de porta de cadeia”, terá uma nova tarefa. Explicar o que de fato faz um “advogado de porta de palácio”.

Escambo oficial
Mentir sobre as possíveis privatizações que Geraldo Alckmin comandaria em caso de vitória passou a ser a predileção discursiva de Luiz Inácio Lula da Silva, por recomendação de sua equipe de campanha, que com a invencionice de última hora reverteu o fiasco do primeiro turno. No final de semana, durante discurso no Rio Grande do Sul, Lula voltou a afirmar que privatizações fazem parte do cardápio tucano. O erro de Alckmin e seus assessores foi ter demorado em rebater as acusações, pois o que deveria estar sob suspeita é a possibilidade de corrupção existente nos processos de privatização durante a era FHC. E se Lula depois de quase quatro anos nada fez, porque ele próprio admitiu logo no início ter sido omisso, não é agora que vai enveredar pelo assunto. Mas se explicações são necessárias, Lula deveria se apressar em dizer ao povo brasileiro os motivos que o levaram a entregar os Correios ao PMDB. Presidente, só não vale dizer que os peemedebistas são especialistas no assunto. (Foto: citybrazil.com.br)

Vale a pena ver de novo
Ainda a questão das privatizações... Lula imagina se agigantar quando fala das privatizações da era cardosiana, mas a coluna ressuscita nota publicada em 2004, sobre a tentativa do Palácio do Planalto de federalizar o chamado serviço de inspeção veicular. De competência dos estados, o tal serviço passaria para as mãos do governo federal, depois de uma bem engendrada operação que tinha o então ministro José Dirceu no comando. As maiores empreiteiras nacionais seriam as beneficiadas na operação, e para isso antecipariam um considerável e esverdeado mimo a alguns palacianos. O assunto só não foi para frente porque a coluna, como sempre, não deu trégua à esperteza oficial. Em 19 de maio de 2004, a coluna publicou nota que você, caro leitor, confere abaixo.

Fazendo fumaça
Depois que o caso Waldomiro Diniz caiu no esquecimento, petistas de gabarito preparam uma nova e discutida maracutaia. O serviço de inspeção veicular, que deveria ser de competência dos estados, certamente passará para o controle, mesmo que oficiosamente, do governo federal. O negócio, cujo período inicial de concessão será de quinze anos – renováveis por mais dois períodos idênticos – será dividido em cinco grandes regiões. Para gerenciar a concorrência e acompanhar a formatação do projeto, o ministro José Dirceu teria indicado um advogado de sua confiança, Ademar Gianini. E pasmem, Gianini, integrante da Coordenação Nacional do Setor de Transportes do PT, é signatário de uma proposta batizada de O Modo Petista de Governar Transportes. Ou seja, pode estar nascendo um novo Waldomiro Diniz. (19/05/04)

Ficou difícil
Enquanto tenta reverter a difícil situação apontada pelas pesquisas eleitorais, o tucano Geraldo Alckmin terá sérios problemas pela frente, mesmo saindo derrotado da disputa presidencial. O Ministério Público Estadual encontrou indícios de superfaturamento na construção do rodoanel, o anel viário que, fora do perímetro urbano da maior cidade do país, São Paulo, interliga as principais rodovias que cruzam o estado. O assunto, que certamente recheará o próximo debate entre os dois presidenciáveis, trará a reboque outra polêmica. Indícios de superfaturamento nas obras de recuperação rio Tietê, em especial na sua porção que corta a capital paulista. E não há nada melhor e mais dourado no sonho de um empreiteiro do que limpar a calha do Tietê. Até porque, a cada um quilo de lixo retirado do rio, outros dez são jogados pelos mal educados moradores da cidade. Resumindo, uma mina de ouro e sem fim.

Livro novo
Amanhã, terça-feira, 24 de outubro, o cineasta, jornalista e escritor Ipojuca Pontes lança, no Rio de Janeiro, o livro “A Era Lula – Crônica de um desastre anunciado”. A obra do genial Ipojuca – colunista do ucho.info - é uma radiografia contundente, porém absolutamente verdadeira, do governo Lula, de 2003 até hoje. O lançamento acontece a partir das 20 horas na livraria Letras e Expressões, rua Ataulfo de Paiva, 1292 (loja C) – Leblon – Rio de Janeiro. Para maiores informações ligue para (21) 2511-5085.

Parafuso solto
Na última semana, a galhofa congressual ficou por conta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que pegou carona no modelo que Lula adotou para sensibilizar parte do eleitorado, o de maior abandonado. A parlamentar pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que os adesivos com quatro dedos, que tomaram conta do País, fossem recolhidos imediatamente. Para justificar o seu pedido, a senadora disse tratar-se de discriminação. Ideli Salvatti não é a pessoa mais recomendada para falar em discriminação, pois quem acompanha o cotidiano do Congresso sabe muito bem do que a parlamentar é capaz quando o governo do companheiro Lula é atacado. Senadora, se Vossa Excelência não se recorda, a coluna, a qual parece não lhe cair bem, vai lhe ajudar a recobrar a memória.

Recordar é viver
Durante sessão do Senado Federal, em que o senador Leonel Pavan (PSDB-SC), integrante da oposição, interrompeu o discurso de Ideli Salvatti com ataques ao governo do presidente Lula, a senador Ideli simplesmente rebateu dizendo “não falo com senador de bengala”. Portador de deficiência física, Leonel Pavan caminha com o auxílio de uma bengala. Senadora, se a inominada autoria dos tais adesivos é discriminação – e esse colunista também acha que é – a atitude de Vossa Excelência foi muito mais discriminatória, por se tratar de um ataque chulo e desnecessário contra um companheiro de parlamento. Mancar de uma perna, senadora, é uma obra do destino que pode, ma maioria das vezes, ter solução. Pior, senadora, é quando nos deparamos com pessoas mancas de raciocínio, o que não tem solução alguma. E se a cassação do mandato por quebra de decoro não bateu à porta do seu gabinete, é porque o Criador não discrimina os seus seguidores. Coitados desses catarinenses.

Minha filha, meu tesouro
Reeleito a duras penas para o Senado Federal, mas literalmente desacreditado no Amapá depois que tentou amordaçar a imprensa local, o ex-presidente e senador José Sarney tem trabalhado, e muito, diante das pesquisas eleitorais que dão como certa a derrota de Roseana Sarney na corrida ao governo do Maranhão. Senadora com mandato até 2011, Roseana, em caso de derrota para o adversário Jackson Lago, deverá ocupar um ministério em eventual segundo mandato de Lula. De início o ex-presidente Sarney pensou no Ministério das Comunicações, mas a pasta, além de cobiçada, deve continuar nas mãos de Hélio Costa, de quem o presidente Lula já anunciou que não abre mão. A segunda opção em termos de ministério seria o da Integração Nacional, uma verdadeira cornucópia dourada que tem freqüentado o sonho de muitos afoitos. A transposição das águas do rio São Francisco, o velho Chico, é de responsabilidade da pasta. E pelo que apurou a coluna na periferia de São Luís, o pedetista Jackson Lago deve mesmo ser o próximo governador maranhense.

Fora do barco
Eleito vice-governador de São Paulo, o ainda deputado federal Alberto Goldman (PSDB-SP) parece ter desembarcado da campanha do presidenciável de seu partido, o tucano Geraldo Alckmin. No último sábado, Goldman, que não exala simpatia, estava em uma conhecida loja de bebidas e comidas finas no bairro de Higienópolis, zona oeste da capital paulista, de onde saiu com uma garrafa de whisky debaixo do braço. Antes de deixar o estabelecimento, Alberto Goldman foi interpelado por uma elegante senhora que cobrou uma explicação para o fato de ter abandonado a campanha de Alckmin. Com expressão de poucos amigos, Goldman respondeu: “o povo quer”. O vice-governador eleito é um irresponsável político ou não sabe ler pesquisas eleitorais. Mesmo que a derrota que as pesquisas apontam para Alckmin se confirme nas urnas, o presidenciável tucano sai da disputa com um respeitável cacife político, porque quarenta milhões de votos ou mais – é o que Alckmin deve conquistar no segundo turno - não é um número qualquer.

Caminhão de mudança
Informado de que cresce a cada minuto a possibilidade de ser derrotado na disputa pelo Palácio Iguaçu, o governador licenciado do Paraná, Roberto Requião, resolveu adotar discursos desesperados na tentativa de impedir a vitória de seu adversário, o senador Osmar Dias (PDT). Requião, em seus mais recentes discursos, tem reiterado que Osmar Dias tem vínculos estreitos com o ex-governador Jaime Lerner, que boa parte dos paranaenses preferem nem ouvir falar. Acontece que Roberto Requião, que ainda não falou sobre o elegante e milionário apartamento de seu irmão, Eduardo Requião, em Miami Beach, e nem mesmo tocou no assunto de um charmoso apartamento nos arredores de Paris, tem mais um imbróglio para desfazer. Explicar ao eleitor do Paraná essa sua densa e repentina amizade com Hugo Chávez, o coronel venezuelano que fez do Palácio Miraflores uma espécie de sede da versão latino-americana do Khmer Vermelho.

Passando para frente
Pensando bem, enquanto critica as privatizações, Lula poderia pensar em privatizar o próprio discurso. Seria um alívio.

De lavada
(24/10/05) - Pouco antes de ter início a reunião do Partido dos Trabalhadores que decidiu pela expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares, o senador Aloízio Mercadante, com toda a arrogância que lhe é peculiar, disse que era favorável à degola política do companheiro. Mercadante esquece que sua campanha ao Senado nem de longe consumiu os valores declarados ao Tribunal Regional Eleitoral, perto de R$ 5 milhões, sendo que a diferença certamente foi completada por Delúbio Soares, agora um ex-petista. Apenas a título de comparação, uma campanha como a do senador Mercadante, que amealhou pouco mais de 10,5 milhões de votos, custou, no mínimo, R$ 1 por cada voto conquistado.

Ucho Haddad

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