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ano 6 - número 1228

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
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Dor de cabeça
O presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Curitiba neste sábado, sob forte tensão, para comício na tradicional Boca Maldita, centro da capital paranaense. Dois seriam os motivos da preocupação: os boatos crescentes de que a revista Veja poderá trazer uma explosiva reportagem e, de quebra, envolver justamente o Paraná. Um suposto relatório secreto de nossa embaixada em Caracas, produzido pelo setor de inteligência, aponta para o financiamento de campanhas eleitorais no Brasil pelo governo do coronel Hugo Chávez, especialmente em Pernambuco e no Paraná. Em Pernambuco, os petrodólares de Chávez estariam irrigando a campanha de Eduardo Campos (PSB), amigo dileto do presidente Lula e entusiasta da instalação de uma refinaria da PDVSA, a estatal petroleira da Venezuela, e, no Paraná, a riquíssima campanha de reeleição de Roberto Requião, a mais cara desde 1990, quando José Eduardo Andrade Vieira, o "Zé do Chapéu", deu início ao comprometimento da saúde financeira do extinto Bamerindus em troca de um mandato de senador.
(20/10/2006 - 20:28)

Muy amigos
No caso paranaense, Hugo Chávez chegou a viajar até Curitiba, onde foi recebido festivamente por Requião, a quem só chama de "hermano" e considera o seu principal ponta-de-lança no Brasil. O informe secreto cita dois fatos que inquietaram Lula e seu entorno: o primeiro é o de que Chávez estaria despejando petrodólares no processo eleitoral brasileiro, fato semelhante ao que ocorreu na Bolívia, com seu apoio público e notório a Evo Morales. O segundo, a possibilidade de tal fato contaminar a própria candidatura de Lula, em sua crucial e derradeira semana. Os deputados oposicionistas venezuelanos Luis Alfredo Gamargo Lagonell, Arcádio Montiel e Jenny Cedeño Marquez seriam os autores de volumoso relatório-denúncia, onde fatos citados e documentos anexados comprovariam o farto desvio de fundos da CorpoZulia (Corporación Zuliana de Fomento), uma espécie de BNDES local, e da própria PDVSA para as campanhas de Evo Morales na Bolívia e de Eduardo Campos e Roberto Requião no Brasil.
(20/10/2006 - 20:28)

Espetáculo de quinta
Absolutamente fraco e confuso, o debate entre os candidatos à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, serviu apenas para o SBT, que cometeu o grave erro de não permitir que o experiente jornalista Carlos Nascimento mediasse o encontro. Mediadora do debate, a apresentadora e jornalista Ana Paula Padrão penou para fazer valer a voz do cronômetro. Deixando de lado as propostas para o futuro do País, Alckmin e Lula, cada um a seu modo, desfiaram realizações e trocaram acusações. Se o que se viu na emissora do dono do Baú não foi o roto falando do rasgado, e vice-versa, certamente foi um colóquio acalorado entre dois políticos: um com o cabelo na testa e o outro com botinha sem meia. Até porque, ambos disseram, repetidas vezes, que são bons.

Tiro no pé
Há dias, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que embarcou na boataria da própria campanha, disse que a única coisa que o PSDB sabe fazer é privatizar. Se as privatizações marcaram a era cardosiana, não apenas pela venda de companhias estatais, mas pelas acusações de corrupção, Lula também adotou postura semelhante em relação ao Banco do Estado do Ceará (BEC) e o Banco do Estado do Maranhão (BEM). No caso do BEC, instituição federalizada, os funcionários tentaram durante onze anos evitar a privatização, sendo que até os sindicatos da categoria, que Lula diz conhecer, entraram na negociação. Mesmo assim, o BEC foi parar nas mãos do Bradesco, o banco emissor dos cartões de crédito da Presidência da República, cuja quebra do sigilo não se conseguiu até hoje. (Foto: Argenpress)

Indigestão política
Quando o assunto BEC veio à baila no debate, em pergunta formulada pelo tucano Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), se ajeitou na cadeira. A federalização do BEC foi motivada pelo rombo que o banco adquiriu durante o governo de Tasso Jereissati. Quando passou a instituição a Jereissati, o então governador e agora deputado federal eleito Ciro Gomes deixou o BEC com R$ 60 milhões em caixa. Estranho foi o presidente Lula, ciente do problema, ter optado pelo silêncio. Lula pode até dizer, como sempre, que desconhecia o assunto, mas, à época do escândalo, o senador Eduardo Suplicy denunciou o caso durante discurso no plenário do Senado. Por outro lado, Lula se comprometeu ao não fazer grandes mudanças na diretoria do BEC, toda ela indicada por Tasso Jereissati. Ou seja, ninguém pode mais falar em ética.

Liquidação oficial
No rastro das privatizações, tão condenadas pelo presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, estão duas outras instituições financeiras. O Banco do Estado de Santa Catarina, o Besc, e o Banco do Estado do Piauí, o BEP, em breve estarão nas mãos da iniciativa privada. Deixando de lado o alvo das recentes mentiras petistas, as privatizações, é bom lembrar que o Banco do Nordeste do Brasil, o BNB, é um verdadeiro ninho de escândalos, que o Palácio do Planalto, não é de hoje, finge não enxergar. Voltando ao Besc, o banco que nos últimos três anos serviu de porto seguro para muitos companheiros, Lula deveria se preocupar em explicar ao povo brasileiro quais foram os critérios técnicos adotados para indicar Eurides Mescolotto como presidente da instituição financeira. Só porque é ex-marido da senadora Ideli Salvatti não convence.

Ambulância rouge
Durante o debate do SBT, Lula não insistiu tanto na tese de que a Saúde no Brasil caminha às mil maravilhas, mas afirmou que o setor vive o seu melhor momento. Para fustigar o médico Geraldo Alckmin, que contrariou o adversário, Lula disse que o tucano não conhece a saúde pública, porque dela não faz uso. De fato Geraldo Alckmin, como outros tantos milhões de brasileiros, não faz uso da saúde pública, pois foi empurrado pelo Estado para entupir os cofres das empresas de medicina privada. Mas o populista Lula não tem moral para tratar do assunto, pois o hospital freqüentado pelo presidente–candidato é o melhor da capital federal: a sala de embarque da Base Aérea de Brasília. Presidente, enganar o povo faz parte da politicagem, mas falar em saúde pública não é para quem faz check up no Instituto do Coração, em São Paulo, às custas do erário.

Gelo e limão
Novamente embriagado pela certeza da vitória, Lula, durante o debate do SBT, exibiu arrogância e ironia desnecessárias. Mesmo fugindo de algumas respostas, o presidente-candidato tentou, como sempre, passar ao eleitor uma imagem de alguém que inexiste: a de um salvador da pátria. Vergonhoso desconhecedor dos números do próprio governo, pois precisou da ajuda de uma nada discreta cola preparada pela assessoria de campanha, Lula mostrou o que de fato será seu segundo mandato: um governo mambembe que fará do populismo e de um criminoso assistencialismo o pano de fundo para a derradeira implementação do projeto totalitarista com que sonha há anos. Essa história de que o Brasil será a maior democracia do mundo é balela eleitoral.

Calou por quê?
A maior prova de que o Brasil caminha rumo ao retrocesso em termos de liberdade é o esforço que o Palácio do Planalto tem feito para omitir a verdade sobre o Foro de São Paulo, encontro convocado pelo próprio Lula em 1990 e que reuniu os principais líderes do socialismo latino-americano. A idéia do Foro de São Paulo era, como ainda é, resgatar o conceito socialista que se esvaiu com a democratização do leste europeu, relançando o comunismo em termos mundiais através da América Latina e tendo o Brasil como principal plataforma de lançamento. Com a operação coordenada, até então, pelo hoje cambaleante Fidel Castro, o relançamento do comunismo exigiu um engodo popular. Considerada a maior porção católica do planeta, a América Latina jamais aceitaria projeto de tamanha envergadura tendo um anti-Cristo como Fidel no comando. Foi então que, tempos depois, mais precisamente em janeiro de 1998, o polonês Carol Wojtyla, o papa João Paulo II, caiu na esparrela do ditador cubano e desembarcou na ilha caribenha. A partir daquele momento estava garantido o objetivo do esquerdismo criminoso que dominou o Foro de São Paulo.

Tudo combinado
Controvérsias existem sobre o tal Foro de São Paulo, mas evidências surgidas nos últimos tempos mostram que trata-se de uma verdade que, quando ressuscitada, incomoda de sobremaneira os envolvidos. A presença ilegal das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Brasil é uma prova cabal da intenção desses que se dizem salvadores da humanidade, sem contar a milionária doação financeira da organização narco-terrorista à campanha de Lula, em 2002, assunto que até hoje não foi esclarecido e que leva os petistas palacianos ao desespero. Outro detalhe importante – que por interesses escusos e óbvios tem passado ao largo da atenção do eleitorado – é o suposto impasse sobre o gás boliviano. O aumento exigido pelo cocalero Evo Morales não passa de uma armadilha financeira para financiar o projeto, dinheiro esse que sairá do bolso do consumidor brasileiro. A crise do gás, que parece estar em banho-maria, só seria retomada se Lula perdesse a corrida presidencial. Por outro lado, causa preocupação a possibilidade de Marco Aurélio Garcia, presidente interino do PTR e coordenador da campanha presidencial petista, assumir importante ministério no segundo mandato do governo Lula. O Foro de São Paulo existe – e está mais do que provado – e só não enxerga aquele que é tomado por uma cegueira política incomum. (Foto: citybrazil.com.br)

Terra de ninguém
A cada novo dia que surge fica claro porque o núcleo duro do poder vocifera seu descontentamento com notícias aqui publicadas. Na última quarta-feira, esta coluna trouxe, mais uma vez, o lado bisonho de uma transação imobiliária ocorrida no sul do Pará, meses atrás. Uma gigantesca propriedade rural – que mudou de mãos por quase três vezes o valor de mercado – é a mais nova preocupação do PT. Com o agronegócio indo por água abaixo, causa estranheza alguém adquirir uma fazenda por valores fora dos padrões de mercado. O assunto não só caiu como uma bomba na tropa de choque petista, como causou uma enorme preocupação. Quando aqui noticiado, o fato foi rotulado por muitos como sandice. Agora, com a comprovação vinda de setores rebelados do próprio governo, o assunto tem deixado muita gente sem dormir.

Piada de salão
A mais nova galhofa da política tupiniquim é a inesperada concordância do PT para que o processo de investigação do Dossiê Cuiabá não tramite sob segredo de Justiça. Ontem, o presidente Lula disse que pagaria pelos erros do escândalo caso ficassem comprovados. Em seguida, Marco Aurélio Garcia anunciou a decisão de solicitar à Justiça o fim do segredo do processo, como forma de ludibriar novamente o eleitor. Como se sabe, a especialidade maior do PT nos últimos tempos foi ajeitar situações de dificuldade. A maior delas ocorreu no caso Celso Daniel, assunto que até hoje continua sem solução. O PT se mobilizou de maneira jamais vista, conseguindo abafar um dos maiores escândalos políticos dos últimos tempos. Todos os que insurgiram contra a vontade dos atuais donos do poder morreram ou foram ameaçados de morte, como é o caso do editor da coluna. Mais tarde, a eficiência petista em abafar casos pode ser comprovada no caso de Francenildo Costa, o caseiro Nildo. O assunto foi discutido à exaustão, enquanto emissários palacianos organizavam os bastidores do crime.

Arrumando a sala
Ainda o dossiê... Enquanto Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça que foi guindado ao cargo de criminalista do governo, controlava a escandalosa situação pressionando a Polícia Federal, mais uma vez os bastidores do crime foram devidamente arrumados. Inicialmente a preocupação maior era com os dólares que entraram no Brasil ilegalmente. Depois descobriu-se que os mesmos dólares entraram no País legalmente, através de uma operação financeira capitaneada pelo Banco Sofisa. Abafado o caso dos dólares, a preocupação passou a ser a fortuna em Real. Semanas mais tarde, surge a informação de que o dinheiro é proveniente do jogo do bicho. Ora, há muito que jogo do bicho não é crime, mas contravenção. E está aí mais uma armação ilimitada com a marca registrada do PT, que precisou de um pouco mais de tempo para novamente organizar os bastidores do crime.

Amnésia oficial
Enquanto a disputa presidencial ferve nas paragens tupiniquins, Venezuela e Guatemala disputam palmo a palmo o direito de ocupar temporariamente uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a outrora poderosa ONU. O assunto, que já fez parte do discurso de Lula, parece ter caído no esquecimento presidencial. Durante meses a fio, o presidente Lula rodou o mundo à cata de apoio para que o Brasil fosse membro permanente do Conselho, mas nada disso deu resultado. Para persuadir os possíveis apoiadores, Lula, ao arrepio da lei, perdoou dívidas de alguns dos chamados países pobres. Mesmo que a vaga no Conselho de Segurança da ONU não venha, resta saber qual a diferença entre perdoar uma dívida e não fazer força para recebê-la.

Castelo de areia
De um tempo para cá, nem tudo é alegria no mundo dos Sarney. Ex-presidente e senador pelo PMDB do Amapá, José Sarney sofreu, e muito, para ser reeleito ao Senado, o que lhe obrigou a amordaçar criminosamente a imprensa daquele estado, que insurgiu contra o último dos coronéis maranhenses. Já na terra do arroz com cuxá, o Maranhão, a situação de Roseana Sarney (ainda PFL), que disputa, em segundo turno, o governo local com Jackson Lago (PDT), não é das mais confortáveis. Segundo apurou a coluna, o clima na campanha de Roseana Sarney é típico de velório. Os assessores de campanha não recobram o ânimo nem mesmo ao som do jingle gravado pela competente Alcione, que canta “volta Roseana”. Ao que parece, Roseana pode não voltar. Pode, bem entendido!

Capítulo novo
Mais uma vez está provado que responsabilizar os pilotos americanos pelo acidente com o Boeing da Gol, tão logo ocorreu a tragédia, foi a única saída que o Palácio do Planalto encontrou para evitar que o assunto despencasse, dois dias antes do primeiro turno da corrida presidencial, sobre a campanha de Lula, à época fragilizada pelo escândalo do Dossiê Cuiabá. Nos últimos dias, o discurso das autoridades federais envolvidas na investigação é bem diferente. O ministro da Defesa, Waldir Pires, que chegou a afirmar que a culpa era dos pilotos do jato Legacy, disse ontem que por enquanto não há nada comprovado. No contraponto, o jornal O Estado de São Paulo divulgou, dia desses, o conteúdo de uma fita que aponta para uma falha dos controladores de vôo. Resumindo, com a reeleição do presidente Lula quase em céu de brigadeiro, até a verdade sobre o acidente pode aterrissar. (Foto: Eric Cordeiro)

Popstar tupiniquim
Pensando bem, depois de abusar da expressão “como nunca foi feito”, Lula deveria comprar o rancho de Michael Jackson. O “Neverland”.

Vida dura
(21/10/05) - Independentemente de esquerda ou direita, não há quem não se renda às benesses do capitalismo. Durante a semana que ora finda, representantes da esquerda mundial compareceram ao 11º Congresso do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, que aconteceu na elegante Academia de Tênis de Brasília, que no passado serviu de reduto de colloridos famosos. Os convidados do PCdoB, que em seus respectivos países defendem o socialismo com unhas e dentes, se refestelaram nas mordomias de hotéis luxuosos de Brasília, a exemplo do que aconteceu no badalado e disputado Blue Tree, um dos mais caros da cidade. Em outras palavras, não existe nada mais conservador do que um revolucionário no poder.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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