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ano 6 - número 1227

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"É melhor dizer a verdade do que mentir, saber do que ignorar, ser livre do que depender."
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Henry Mencken

   
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Vale-tudo
No primeiro programa após a divulgação das últimas pesquisas de intenção de voto, Lula surgiu no horário eleitoral comemorando os resultados que apontam para sua vitória nas urnas, retomando o salto alto que marcou a primeira fase da corrida presidencial. Considerando que a coordenação de campanha acredita fortemente no que foi anunciado pelos institutos de pesquisa, não há motivos para a militância petista agir como vem agindo. Aparentemente sem ter com o que se ocuparem, militantes se dedicam a atacar setores da imprensa com palavras chulas e de baixo calão, como se tudo o que aconteceu no governo Lula fosse obra do acaso. Isso mostra que, no dicionário da esquerda, vernáculos como corrupção e roubo inexistem. (Foto: revistaforum.com)

Mordaça futura
Desde o fim do primeiro turno das eleições, o Brasil, a exemplo do que acontecera em disputas anteriores, está literalmente à deriva. Lula não tem feito outra coisa a não ser se dedicar em tempo integral à campanha, o que tem ocorrido com a maioria de seus ministros que, financiados pelo dinheiro do contribuinte, cruzam o País em busca de votos e mais votos. Em de seus programas eleitorais, Lula anuncia, como se verdade fosse, que fará do Brasil a maior democracia do mundo. Se mentir é algo tão simples quanto roubar para os atuais ocupantes do palácio do Planalto, o brasileiro deve ir se acostumando com a idéia de que o PT irá finalizar a implementação de seu modelo totalitarista. O primeiro setor da sociedade a sofrer com a sanha ditatorial do partido será a imprensa, que vem denunciando os escândalos de corrupção do governo Lula.

Fechando a torneira
Quem acha tal teoria uma sandice, certamente não soube interpretar as recentes palavras do presidente Lula, que há dias declarou que em um segundo mandato cortaria gastos supérfluos. Para Lula e sua entourage, supérfluo será liberar dinheiro aos veículos de comunicação, em especial àqueles que têm dado destaque ao escândalo do dossiê. Se os seguidores de Gutenberg por m lado devem se preocupar, por outro podem relaxar, pois o calvário do mais novo cabo eleitoral de Lula começou de maneira idêntica. E aquele que dúvidas ainda tiver, basta perguntar a Fernando Collor de Mello.

Rolando Lero
Enquanto a Polícia Federal vai empurrando para depois das eleições a divulgação dos resultados da investigação sobre o escândalo do Dossiê Cuiabá, o PT – de Lula a seus suicidas defensores no Congresso – continua questionando o conteúdo dos documentos que os aloprados petistas tentavam comprar por R$ 1,7 milhão, até serem presos em São Paulo. Enganar o eleitor através da dissimulação é algo tão evidente, que nem mesmo as declarações do deputado petista Antonio Carlos Biscaia, presidente da CPI das Sanguessugas, serviram para convencer os petistas. Biscaia disse, após visita à PF em Cuiabá, que o fatídico dossiê nada traz contra o ex-ministro e governador eleito de São Paulo, e que o dinheiro apreendido com petistas tem origem criminosa. O que não impede que todos os ex-ministros da Saúde sejam investigados.

Tudo de novo
Em suas últimas aparições, Lula tem deixado claro que Duda Mendonça nunca esteve tão próximo quanto agora. A evidência maior surgiu logo após o debate da Band, quando o candidato, aproveitando os ataques do adversário, retomou o engodo marqueteiro de 2002, o Lulinha Paz e Amor. A estratégia adotada tem como objetivo mostrar ao eleitorado uma imagem manipulada do presidente-candidato. É preciso lembrar que, ainda vivo, Leonel de Moura Brizola, que foi vice de Lula em uma das disputas presidenciais, sempre foi duro ao comentar o comportamento do petista. Em uma de suas declarações, Brizola, que ao discordar do velho amigo passou a atacá-lo, disse que Lula era "capaz de tudo, inclusive de pisar no pescoço da própria mãe para ganhar a eleição para presidência do Brasil". Retomar a história é necessário para explicar o que hoje acontece em relação ao escândalo do Dossiê Cuiabá. Assim, resta concluir que à oposição falta alguém com o talento marqueteiro de Leonel Brizola, que mesmo com seus radicalismos políticos sabia como enquadrar o ex-torneiro mecânico.

Recordar é viver
Se muitos ainda desconfiam da veracidade de tudo o que foi noticiado até então sobre o fatídico dossiê, voltar no tempo pode esclarecer o modus operandi do PT, que tem usado métodos nada convencionais para continuar no poder. Por ocasião da morte de Celso Daniel – assunto que os petistas arrepiam quando é retomado – ilustres do partido se apressaram em manipular as informações pós-morte, como se a sociedade brasileira fosse tão imbecil e corrupta quanto aqueles que se dispuseram a abafar o caso. Menos de vinte quatro horas depois de conceder uma entrevista, a suposta namorada de Celso Daniel mereceu elogios de Gilberto Carvalho, atual secretário do presidente Ludla, que enalteceu o papel de viúva que a então companheira do ex-prefeito desempenhou. E quem tem a capacidade de agir friamente nos bastidores e chorar em público, um dossiê não passa de uma brincadeirinha qualquer. Clique e confira os principais trechos das escutas telefônicas do caso Celso Daniel, assunto que estranhamente não freqüentou a atual campanha petista.

Jogo sempre sujo
Desde que foi criada, a política jamais foi um jogo para protagonistas inocentes e despreparados. E se tal teoria vale para todos os partidos políticos, desse tsunami de descrença o Partido dos Trabalhadores não escapa. Com o recente escândalo do mensalão sendo um mero vagalhão no mar de lama em que se transformou o mundo político, articular nos bastidores não é tarefa para qualquer amador. Em 2002, quando ainda dava os retoques finais na vitoriosa disputa presidencial, a cúpula do PT, em reunião, deixou evidente como são as regras desse jogo imundo que atrai tantos desinteressados. Preso político durante a ditadura, refugiado em Cuba e treinado pelos setores de inteligência do governo de Fidel Castro, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu mostra como clareza do que é capaz um político que tem o poder como meta. Clique e confira um trecho do filme "Entreatos", do cineasta João Salles, que traz os bastidores da campanha petista de 2002, e cujo lançamento no mercado foi adiado para depois do segundo turno. (O download do arquivo demora um minuto ou mais, dependendo da velcidade de conexão)

Aloprado-beleza
Com seu envolvimento no escândalo do dossiê mais do que comprovado, o deputado federal e presidente licenciado do partido Ricardo Berzoini, negou, em depoimento à Polícia Federal seu envolvimento no caso. Berzoini disse que desconhecia a atuação dos petistas presos em São Paulo com R$ 1,7 milhão. Tão logo o escândalo veio à tona, Lula chamou de aloprados os envolvidos, exigindo, na seqüência, a saída de Ricardo Berzoini da coordenação da campanha e da presidência do partido. Quem imaginou que Berzoini assumiria parte da culpa enganou-se, pois seu depoimento aconteceu horas depois de o presidente da CPI das Sanguessugas ter dito que a documentação nada tinha contra candidatos tucanos. Ou seja, um aloprado jamais vestiria a fantasia de idiota.

Ética de camelô
Lula tem desafiado o mundo a discutir ética, como se o ex-sindicalista comandasse um governo acima de qualquer suspeita. Para se ter uma idéia da ética que ronda o Palácio do Planalto, o melhor é radiografar os cofres das Ongs ligadas ao PT e ao próprio presidente Lula.

ONG Unitrabalho – criada e dirigida por Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro do dossiê, recebeu, desde 2003, R$ 18,5 milhões em verbas oficiais. Dias antes da operação de compra dos documentos, a Unitrabalho recebeu do Ministério do Trabalho R$ 4,1 milhões.
ONG Oxigênio – tendo na direção um ex-companheiro de Lula no sindicato dos metalúrgicos, Francisco Dias Barbosa, o Chicão, a ONG Oxigênio Desenvolvimento de Políticas Públicas e Sociais recebeu do Ministério do Trabalho, sem a exigência de licitação, R$ 7,4 milhões em convênios.
ONG Ágora – do empresário Mauro Dutra, amigo do presidente Lula, a Ágora, que teve seu contrato com o Ministério do Trabalho cancelado por determinação do TCU, recebeu R$ 7,5 milhões.
ONG Saber – também sob investigação do TCU, a Ong Saber, dirigida pelo vice-presidente do PT em Brasília, Raimundo Ferreira da Silva, tinha como alvo de seus recebimentos o Ministério do Trabalho, Banco do Brasil e Infraero. Recebeu R$ 2,5 milhões.
ONG Anara – financiadora do bando que, comandado pelo porra-louca Bruno Maranhão, invadiu o Congresso, a Anara recebeu, de 1999 a 2006, R$ 5,7 milhões em verbas do governo federal. Do total, R$ 5,6 milhões foram repassados pelo governo Lula.
ONG GTPOS – Contratada também sem licitação pela então prefeita Marta Suplicy, a GTPOS recebeu R4 372 mil da prefeitura de São Paulo. Em contrapartida desenvolveu um projeto de suma importância para a humanidade: “sexualidade e direitos reprodutivos nas escolas”.
ONG Sampa.Org – ligada ao Instituto Florestan Fernandes, braço do PT, a Sampa.org também foi contratada pela então alcaidessa paulistana a e atual coordenadora da campanha de Lula em São Paulo. Por R$ 1,3 milhão a ong desenvolveu o portal eletrônico dos Centros Educacionais Unificados, os polêmicos e superfaturados CEU’s.

Parafuso solto
A disputa pelo governo do Paraná promete esquentar, e muito, nos próximos dias. Governador licenciado do Paraná, Roberto Requião vem atacando seu adversário, Osmar Dias, no horário eleitoral. De acordo com Requião, Dias tem como vice Derli Donin (PP), que responde a diversos processos na Justiça de Toledo, no interior do estado, inclusive na esfera criminal. Sabendo do perfil de Requião, Osmar Dias pode ter sido literalmente irresponsável ao escolher o vice, mesmo que sentenças ainda não tenham sido proferidas e que prevaleça, como manda a Constituição, a presunção da inocência. E o resultado só as urnas é que dirão. (Foto: Wikipedia)

Fio desencapado
Ainda o Paraná... Por outro lado, Roberto Requião deve ter problemas pela frente. Délcio Rasera, o policial civil que foi guindado à condição de araponga particular de Requião, foi literalmente abandonado pelo ex-chefe. Tendo de enfrentar sozinho os imbróglios advindos das espionagens ilegais que fez durante os últimos quatro anos, Rasera estaria passando por sérias dificuldades financeiras, comprometendo inclusive o cotidiano da própria família. E não será novidade alguma se Délcio Rasera resolver contar o que sabe antes do dia 29.

Que papelão!
Líder nas pesquisas para o governo do Rio de Janeiro, o senador Sérgio Cabral (PMDB) não foi um parlamentar dedicado aos interesses do estado que pretende governar. Um Projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados, e que no Senado tinha Sérgio Cabral como relator, foi derrotado por conta do lobby vergonhoso que toma conta dos corredores do legislativo, sempre alimentado pela volúpia financeira de alguns políticos. O PL, que isentava de IPI a fabricação de esferográficas populares – isso já acontece com lápis e caderno –, foi derrotado na Comissão de Assuntos Financeiros, meses atrás. Ausente durante a sessão, Sérgio Cabral permitiu que multinacionais continuassem dominando o setor, em detrimento de indústrias genuinamente brasileiras, uma delas instaladas no Rio. E se Sérgio Cabral fizer com o Rio de Janeiro o que fez com a esferográfica nacional, o Cristo Redentor que se prepare.

Repetindo a cena
A exemplo do que aconteceu no final de 2005, o deputado José Janene volta a se valer de sua cardiopatia para escapar do processo de cassação, cuja votação em plenário aguarda apenas a retomada dos trabalhos da Câmara. Acusado de ser um dos grandes operadores do mensalão, Janene tentou, sem sucesso, invalidar sua convocação pelo Conselho de Ética da Câmara, mas os argumentos apresentados ao médico da Casa não convenceram. À época, Janene, que de bobo nada tem, quis que o serviço médico da Câmara emitisse um documento garantindo que nada aconteceria à sua saúde durante o depoimento. O médico Luiz Henrique Hargreaves não caiu na armadilha de Janene. E o deputado federal pelo PP paranaense parece que não se convenceu.

Pilha fraca?
O que José Janene alega desta vez é que seu coração vem trabalhando com apenas um terço da capacidade normal, o que, em tese, o coloca sob condições de risco. Na verdade, a cardiopatia de Janene não impediu de tentar, sem sucesso, se candidatar à reeleição. Com legenda negada pelo PP, José Janene não teve outra diversão a não ser despejar alguns bons trocados na campanha de André Vargas, presidente do PT do Paraná e deputado federal eleito. Coração pifando é mais uma balela “janeniana”.

Perna curta
Pensando bem, dizer que o presidente Lula tem abusado da mentira seria uma ofensa à mitomania.

Vergonha mundial
(19/10/05) - Tão logo surgiu o escândalo do mensalão, o então ministro José Dirceu repetiu inúmeras vezes uma frase que se transformou em bordão da mentira: “o governo Lula não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção”. Fossem verdadeiras as palavras de Dirceu, a organização Transparência Internacional não teria rebaixado o Brasil na lista dos países mais corruptos do planeta. O Brasil, que na lista anterior aparecia na 59ª posição, agora ocupa o 62º lugar. Na frente do nosso Brasil aparecem, entre tantos países sem expressão alguma, Belize, Colômbia, Tailândia, Trinidade e Tobago, Cuba e Chile. Está bom ou quer mais?

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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