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ano 6 - número 1226

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Todo mundo quer sair na cauda do cometa."
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General Leônidas Pires Gonçalves

   
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Fim de linha
Desde antes do início da corrida presidencial, as chances de reeleição do presidente Lula jamais foram deixadas de lado pela coluna, muito pelo contrário. Com novas pesquisas apontando o candidato petista na dianteira da disputa – em uma das pesquisas a vantagem é de vinte pontos percentuais – fica provado que a quase certa vitória nas urnas, no próximo dia 29, não será de Lula, mas da boataria que tomou conta do País. O que antes estava restrito aos assessores de campanha, o próprio candidato já incorporou em seu discurso. Lula, nesta terça-feira, disse, de maneira pífia e vergonhosa, que Geraldo Alckmin quer privatizar o avião da Presidência da República, o Aerolula. Pior do que isso é imaginar o Brasil nas mãos de alguém que tem um discurso típico de porta de boteco.

Golpe duro
Estranhamente barrado nas urnas, o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPI das Sanguessugas, anunciou oficialmente, durante sessão da Comissão, que é criminosa a origem do dinheiro apreendido pela Polícia Federal com petistas que tentavam comprar um dossiê contra candidatos tucanos. Se um integrante do partido assume publicamente a existência de um crime dentro de outro, ou seja, dinheiro de origem criminosa para financiar uma operação de características idênticas, a candidatura do presidente Lula está comprometida. É fato que os petistas podem alegar que se trata de uma tentativa de golpe, mas se o advogado for bom e os ministros do TSE cumprirem à risca o que manda a legislação, Lula não toma posse.

Fuzilamento político
Uma saída para tal impasse jurídico vem sendo tratada há dias pela cúpula do PT, sempre com a assessoria do criminalista Márcio Thomaz Bastos. A saída encontrada pelo PT – é a única, diga-se de passagem – é transferir a responsabilidade do escândalo do Dossiê Cuiabá para o senador Aloízio Mercadante, candidato derrotado ao governo paulista. A situação de Mercadante, que já não é das melhores, pioraria consideravelmente. Eleito para o Senado Federal com pouco mais de 10,5 milhões de votos, Aloízio Mercadante estaria se retirando da política por longos oito anos. Pelo simples fato de que sua cassação será inevitável. Resta saber se Lula, para salvar sua reeleição, vai rifar o companheiro de partido.

Baderna na corte
Em clima que deixou para trás aquelas folclóricas discussões de fundo de quintal, parlamentares que integram a CPI das Sanguessugas aprovaram, depois de muita discussão, a convocação dos envolvidos no caso do Dossiê Cuiabá. Ricardo Berzoini, deputado federal reeleito e presidente licenciado do PT, e mais sete acusados serão ouvidos pela CPI após as eleições. Estranho foi o acordo entre governistas e situacionistas, que poupou os ex-ministros da Saúde – de Lula e FHC - da obrigatoriedade de comparecer perante a Comissão para as mais que devidas explicações. José Serra, Barjas Negri, Humberto Costa e Saraiva Felipe foram convidados a depor. E como em caso de convite cabe a recusa, ninguém vai aparecer. Fossem inocentes, como alegam, já teriam se antecipado e esclarecido os fatos. Mais: deixar a convocação de Abel Pereira, lobista dos criminosos das ambulâncias durante a era FHC, para ser votada depois das eleições foi um ato criminoso contra o raciocínio do eleitor.

Castelo de areia
A quebra do sigilo bancário e fiscal de Freud Godoy, por parte da CPI
das Sanguessugas, pode revelar não apenas o seu envolvimento no escândalo do Dossiê Cuiabá, mas outras possíveis transações financeiras supostamente inexplicáveis, como a propriedade de imóveis milionários em Santo André, próspera cidade do ABC paulista. Dependendo do período da quebra do sigilo, não será apenas o segurança presidencial que irá precisar de uma ajuda do Freud da psicanálise.

Rampa da forca
Em sua página “Conversa Afiada”, na rede mundial de computadores, o jornalista Paulo Henrique Amorim trouxe nesta terça-feira a gravação da conversa do delegado federal Edmilson Pereira Bruno, responsável pela prisão dos petistas que tentavam comprar o Dossiê Cuiabá. No encontro, Pereira Bruno insiste com repórteres de três importantes veículos da imprensa para que as fotos do dinheiro do dossiê fossem divulgadas o quanto antes. Confirmado que o delegado agiu por motivação política, o mesmo deverá ser penalizado com o rigor da lei, levando a reboque os jornalistas que lhe deram guarida, pois o compromisso da imprensa deve ser com a verdade. Pelo menos é o que os diplomados e sindicalizados cobram dos “troca-letras” sem canudo. Por outro lado, fazer de Edmilson Pereira Bruno um louco tem sido uma obsessão do governo Lula, que insiste em não revelar a origem do dinheiro imundo e criminoso do dossiê. A democracia só é válida quando há um equilíbrio de forças. Ou seja, o pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Dedicação premiada?
Com a promessa de manter a fonte em absoluto segredo, a coluna obteve uma informação, junto a graduados militares – os quais torcem o nariz para o que aí está em termos de governo – que antecipa o perfil de um possível segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Com a possibilidade, cada vez maior, de Waldir Pires deixar o Ministério da Defesa a partir de 2007, caso Lula seja reeleito, a pasta seria comandada por ninguém menos que Marco Aurélio Garcia, coordenador da campanha presidencial e presidente em exercício do Partido dos Trabalhadores. E o último a sair que apague a luz.

Chumbo grosso
O que a coluna antecipou deve se confirmar nos próximos dias. A nota oficial divulgada pela Polícia Federal, rotulando de “levianas e fantasiosas” as informações contidas na reportagem da revista Veja, é de fato um documento da instituição, e não da maioria de seus integrantes. Um manifesto contra o ministro Márcio Thomaz Bastos, condenando a operação abafa que foi imposta às investigações sobre o escândalo do dossiê, estaria em marcha dentro da organização. Até onde apurou a coluna, o documento, que começou a circular ontem, já teria as assinaturas de oitenta e seis delegados e mais de trezentos agentes.

Problema rural
Uma gigantesca propriedade no sul do Pará, que mudou de dono recentemente – pertencia ao pecuarista Bené Mutran – pode ser a senha misteriosa que, além de causar um enorme estrago na campanha presidencial petista, deve decidir o nome do próximo presidente da Câmara dos Deputados. Comprada por quase três vezes o valor de mercado, a fazenda foi adquirida, não faz muito tempo, por um rico empresário cearense, com prósperos negócios em Brasília, que além de freqüentar o anexo IV da Câmara dos Deputados e ter passagens pela Esplanada dos Ministérios, nutre uma conhecida paixão por carros importados, em especial pelos da marca alemã BMW. Escolhido para assumir o temporário papel de proprietário oficial da fazenda, o empresário tem patrimônio que justifica a aquisição e, principalmente, uma sua suposta fidelidade ao Palácio do Planalto. O verdadeiro dono, que nos últimos dias deixou de dormir por medo de um novo escândalo, já admite a possibilidade de abrir mão da propriedade, adquirida com o dinheiro sujo advindo de um acordo para proteger um conhecido banqueiro. A coluna já noticiou o fato, meses atrás, mas agora a confirmação veio de dentro do próprio governo, depois que a região Amazônica passou a ser rastreada em virtude do acidente com o Boeing da Gol.

Pingos nos is
Quando, um dia após o acidente com o avião da Gol, insistimos na tese de que o erro humano a que as autoridades se referiam poderia ter sido cometido pela torre de controle, muitos imaginaram ser um casuísmo do editor, quando, na verdade, irresponsável foi quem acusou antecipadamente, e sem prova alguma, os dois pilotos do jato Legacy. Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o conteúdo de uma das gravações da torre de controle complica os controladores de vôo que trabalhavam no dia do acidente, pois os pilotos do Legacy teriam recebido ordens para mudança de altitude. O ministro da Defesa, Waldir Pires, se apressou em desmentir o teor da matéria do jornal, repetindo o que nos últimos tempos passou a ser comum no governo Lula: desmentir, quando interessa, a imprensa. Confirmado oficialmente o que muitos ainda insistem em omitir, ficará provado que a única coisa que não poderia cair na campanha petista, depois do dossiê, era um avião lotado de passageiros. (Foto: Dario Crusafon)

Óleo de peróba
Quando, em 2004, disputou a prefeitura de Fortaleza, a petista Luizianne Lins atacou, o quanto pôde, o presidente Lula, a bordo de uma acidez verborrágica de fazer inveja a políticos da oposição. Luizianne, que enfrentou a horda palaciana durante toda a campanha, chegou a desafiar o companheiro de partido. Dois anos mais tarde e algumas viagens a Brasília no currículo, Luizianne Lins, prefeita de Fortaleza, agora coordena a campanha de Lula no Nordeste, ao lado de Ciro Gomes. Em recente discurso no Ceará, ocasião em que pediu votos para o presidente-candidato, Luizianne se fez acompanhar de José Nobre Guimarães, mentor dos dólares na cueca e irmão de José Genoíno. Se à alcaidessa fortalezense faltou coerência ao se curvar diante de Lula, ao presidente sobra desfaçatez quando diz estar pronto para discutir ética. Quem tem José Nobre Guimarães como cabo eleitoral não tem moral para tanto. Clique e assista ao vídeo em que Luizianne Lins aparece ao lado do verdadeiro dono dos dólares na cueca.

Fiasco com penas
Protegido político do agora governador eleito José Serra, o ainda deputado federal Eduardo Paes, derrotado na corrida ao governo do Rio, declarou apoio, no segundo turno, ao candidato do PMDB, senador Sérgio Cabral, que apóia e tem o apoio do presidente Lula, adversário do tucano Geraldo Alckmin. Tal situação mostra que Serra já não controla o secretário-geral do PSDB – chegou ao cargo por obra do governador eleito – ou age a mando do próprio protetor político. A decisão de Eduardo Paes mostra o tamanho da rachadura que existe no ninho tucano. Mais: de sub-prefeito da Barra da Tijuca a deputado federal foi algo em demasia para o talento de Eduardo Paes.

Justiça feita
Na edição de ontem, terça-feira, a coluna publicou nota sobre as mulheres não gaúchas que proporcionaram fama ao Rio Grande do Sul, lembrando que às mulheres daquele estado, que o editor aprendeu a gostar de maneira irreversível, não falta competência para tarefa idêntica ou maior. A nota fez menção às que se destacaram no mundo da política e do poder, e não a todas as mulheres da terra dos farroupilhas. Leitor da coluna, Rogério Brodbeck enviou e-mail lembrando que muitas “gaúchas da gema”, nascidas e crescidas no Rio Grande, deram fama a uma das mais importantes unidades da federação. E Brodbeck lembrou algumas das gaúchas que se destacaram nas últimas décadas: Yolanda Pereira, Yeda Maria Vargas, Rejane Vieira Costa, Deise Nunes, Elis Regina, Lya Luft, Ana Hickmann e Gisele Bündchen. Se a César o que é de César, a todas as gaúchas aquilo que lhes pertence: a competência reconhecida.

Bola fora
Vítima de câncer, Sandra Machado Arantes do Nascimento, que só pode usar o sobrenome do pai depois de uma longa disputa judicial, morreu nesta terça-feira, em Santos, no litoral paulista. Internada às pressas no último final de semana com grave problema respiratório, Sandra expressou o seu último desejo antes de passar para o outro lado da vida: encontrar o pai, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, o Atleta do Século passado, porém ainda imbatível. Alegando não se sentir bem em cerimônias fúnebres, Pelé não compareceu ao velório da filha, da mesma forma que não irá ao enterro. Pelé, como ninguém, entendeu a alma da bola. Edson, como pai, não soube interpretar o coração da própria filha. Uma pena seu Edson! (Foto: Agência Estado)

Piada de salão
Pensando bem, depois de abandonar o que prometeu em 2002, Lula, em 2006, insiste que é um maior abandonado.

Descendo a ladeira
(19/10/05) - Exibindo um desespero sem precedentes na tentativa de salvar o próprio mandato, o ainda deputado José Dirceu (PT-SP) enviou carta aos 512 deputados da Câmara, na qual tentou se defender das acusações. Ex-petista, mas agora integrante do PSOL, o deputado Chico Alencar (RJ) discordou do conteúdo da carta de Dirceu principalmente quando o parlamentar paulista alega que “pelo menos, no Brasil, ocorre exatamente o contrário. O político, aqui, tem privilégios e imunidade em demasia. O problema também não se resume à falta de simpatia no tratamento com os políticos quando era ministro. Quando um poder é exercido de forma democrática e horizontal, não há necessidade de simpatia. Ele tem que se preocupar se foi justo ou não”. E, como sempre, José Dirceu foi injusto, arbitrário e autoritário.

Ucho Haddad

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