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ano 6 - número 1224

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"Quem engana há de sempre encontrar os que permitem ser enganados."
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Nicolau Maquiavel

   
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Discurso barato
Tão politiqueiro quanto oportunista, o discurso do presidente-candidato Lula, sobre investimentos na área da Educação, serve apenas para enganar o eleitor. Além disso, Lula acena para o PDT do sempre fiel ao pensamento Cristovam Buarque, senador pelo Distrito Federal que no primeiro turno da corrida presidencial defendeu a Educação como plataforma de desenvolvimento. Lula, durante discurso para não mais que cinqüenta professores, disse: “que Deus permita que a gente viva para ver a educação ser definitivamente prioridade, prioridade e prioridade do nosso País”. Para que o brasileiro consiga ver a Educação ser prioridade no País, são necessários, no mínimo, cinco décadas. E como Lula só tem vocação para Sassá Mutema, e não para Matusalém, o melhor a se fazer é voltar à realidade. Dura, por sinal. (Foto: imafotogaleria.com.br)

Manda quem pode
A mudança de comportamento do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que depois dos ataques de Geraldo Alckmin adotou a fantasia de vítima da truculência das elites, tem nome e terra natal. Tudo não passou de uma bem pensada artimanha de Duda Mendonça, o marqueteiro soteropolitano que jamais deixou de monitorar o seu mais importante cliente. Quem pensa que Duda Mendonça deixou de emprestar sua criatividade ao Palácio do Planalto, engana-se com todas as letras. O marqueteiro, que recebeu parte dos honorários da campanha de 2002 no exterior, manda e desmanda na atual campanha. Os que assumiram oficialmente a campanha do candidato petista sabiam, desde o início, do acordo de coxia. E têm cumprido com empenho a cartilha baiana.

Aroma floral
A constante presença de Marisa Letícia, a primeira-dama, ao lado do marido-candidato, em seus comícios e andanças pelas ruas deste varonil país, tem uma explicação que vai muito além do populismo barato que uma eleição exige. A bolsa de Dona Marisa carrega, sempre, uma ou duas toalhas de mão, além de alguns pacotes de bala de hortelã ou sabor similar. A preocupação da mulher que plantou uma estrela vermelha no jardim do Palácio da Alvorada é com o suor e o hálito do presidente. Só não se sabe se por mera questão de higiene, ou para não constranger os interlocutores presidenciais. Há quem garanta ser essa uma boa idéia.

Recordar é viver
Ingressar na política não é tarefa para santo ou querubim desavisado. Quando o PT decidiu atacar a família de Geraldo Alckmin, o presidente-candidato Lula tinha conhecimento do fato. O chilique presidencial diante dos ataques ao tucano não passou de uma cena já prevista no script, pois a retirada das citações nos sítios eletrônicos do PT e da campanha de Lula ocorreu depois que os estragos planejados já tinham acontecido. Ora, como chumbo trocado não dói, presidente, não custa nada recordar aquela farra que um de seus filhos patrocinou aos amigos com o dinheiro do contribuinte. Na ocasião, além do avião presidencial, o Sucatão, ter funcionado como táxi da rapaziada, o Palácio da Alvorada foi transformado em sítio para uma dúzia de porras-loucas. O contribuinte, presidente, merece, além de explicação, um mínimo de respeito. Vossa Excelência não acha? Clique e confira a farra de um dos Lula da Silva.

Chama o ladrão!
No Brasil da era Lula está cada vez mais difícil saber o que é crime e o que não é. Waldomiro Diniz circula por aí rotundo e faceiro. O mensaleiro João Paulo Cunha foi reeleito para a Câmara Federal. O quebrador de sigilos bancários Antonio Palocci agora é deputado eleito. Marcos Valério anda rindo à toa. Delúbio Soares se refestela em um Ômega importado, sempre emoldurado por seguranças. Silvio Pereira, o Land Rover, vez por outra dá as caras no mais elegante e caro supermercado de São Paulo. Freud Godoy, o segurança presidencial, não teve culpa no escândalo do dossiê. O dinheiro apreendido com petistas caiu do céu. E agora chegou a vez de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado pela morte de Celso Daniel, que foi excluído do rol de participantes do esquema de fraudes em licitações da prefeitura de Santo André. Como a corrupção, segundo os petistas, é uma invenção da era FHC, só falta álguém dizer que o culpado de tudo é o Bussunda, e que Lula, para fustigar Bento XVI, dará início a um papado paralelo. Socorro, é o fim!

Mico de saia
Na tentativa de reverter a derrota que arrancou das urnas eleitorais paulistas, no primeiro turno, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva escalou a companheira Marta Suplicy para coordenar sua campanha na terra que no passado foi palco dos bandeirantes. Marta, que em São Paulo não goza de tanta simpatia quanto imagina o Palácio do Planalto, encarnou uma espécie de salvadora da periferia para gazetear os feitos de Lula. É bom lembrar que Marta Suplicy, que à frente da prefeitura paulistana deu guarida aos negócios nada ortodoxos do marido, o gardelón Luis Favre, odeia pobre. Por ocasião de uma daquelas torrenciais chuvas que normalmente alagam a maior cidade do País, Marta Suplicy não hesitou em atacar os mais humildes, sempre prejudicados pelas águas pluviais. “Pobre é uma raça muito falsa. Vivem dizendo que não têm nada, mas na primeira chuvinha saem por aí dizendo que perderam tudo”, disse à época a sempre grã-fina Marta. Pois então, presidente Lula, como é que ficamos? Pobre tem ou não o direito de reclamar da chuva?

Que bela companhia!
As bravatas que Marta Suplicy tem disparado na periferia de São Paulo não passam de um éter discursivo que tenta anestesiar a consciência do eleitor. Posar de defensora dos paulistas é uma heresia desmedida, pois ainda repousa na memória do eleitorado o bisonho apoio que a então alcaidessa paulistana conseguiu de Paulo Maluf, na eleição municipal de 2004. Processado por corrupção, desvio de dinheiro público, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, Maluf, da noite para o dia, decidiu rasgar seda na direção de sua conhecida arqui-rival. E apenas uma pessoa seria capaz de explicar tão repentina paixão política: Marcos Valério Fernandes de Souza.

Fila da degola
Finalmente, o senador e candidato derrotado ao governo paulista Aloízio Mercadante assumiu que se reuniu com os aloprados do Dossiê Cuiabá, dias antes de o escândalo vir à tona. O mea culpa do parlamentar petista pode desaguar na tese que, logo de início, a coluna lançou na mídia. A perda do mandato de senador por quebra de decoro. Mesmo assim, depois de reconhecer seu envolvimento no chamado Freudgate, Mercadante continua integrando a campanha do presidente Lula. Pelo menos é o que o próprio senador tem dito aos quatro cantos. O que se vive no Brasil, em termos políticos, é um verdadeiro carnaval stalinista da corrupção, onde os inocentes batedores de carteira só podem freqüentar a matinê.

Loucura de campanha
Ao reafirmar que, se eleito, venderá o avião presidencial para construir hospitais, o médico tucano Geraldo Alckmin disse que, das cinco unidades hospitalares, uma será na capital alagoana. Alegar que Tony Blair e o papa não têm avião não serve como justificativa, pois o Vaticano se cruza a pé, e chegar na Irlanda é possível de bicicleta. O Brasil é um país com dimensões continentais, que exige rapidez no deslocamento de seu governante. Vender o Aerolula – até o próprio Lula assim se refere ao seu brinquedo predileto – a essa altura do jogo seria um erro financeiro, pois uma desvalorização é mais do que certa. Necessário é viajar com parcimônia, sem transformar o avião em veículo de campanha ou em boteco com asas. E muito menos em sacristia voadora da Opus Dei.

Nem longe
A fanfarrice discursiva de Fernando Henrique Cardoso continua até mesmo do outro lado do oceano. Em Portugal, FHC, respondendo aos ataques de seu sucessor, desafiou o presidente Lula a reestatizar a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), gigante da mineração que foi citada pelo petista no debate da Band. Lula quer saber o destino do dinheiro da privatização da Vale, enquanto o brasileiro continua à espera de uma explicação sobre a origem da dinheirama do dossiê. O destino do dinheiro da venda da CVRD é um direito do contribuinte, ao mesmo tempo em que explicações merecem os contatos que diretores da empresa ainda mantêm com ociosos descendentes tucanos, adeptos das matinais caminhadas praianas. Por outro lado, Lula, que posa de moralista, precisa explicar os motivos que levam um grande banco a continuar como sócio da companhia, contrariando o que determina a legislação. Apenas para lembrar, o tal banco é o emissor dos cartões de crédito corporativos que têm feito a alegria da horda palaciana, e cujo sigilo ninguém quebra.

Assalto anunciado
“Começamos com a nacionalização dos hidrocarbonetos (em maio), o próximo passo são os minerais, haverá surpresas com o estanho, a prata e o ouro. Seu controle deve passar para o Estado boliviano, ao povo boliviano”. Com esse discurso, proferido neste domingo, o boliviano Evo Morales deu seguimento à cartilha gauche que ganhou de Hugo Chávez, o mais novo ditador da América Latina. A democracia prega que toda nação deve ser livre e autônoma, desde que a sanha do poder não leve o povo à miséria. No contraponto, o Brasil, a exemplo do que deseja Luiz Inácio Lula da Silva, não vai financiar com recursos do contribuinte a sandice política do líder cocalero que virou presidente. A Petrobras continua amargando o prejuízo advindo da encampação de suas refinarias em território boliviano, enquanto a conta tem sido transferida muito suavemente ao consumidor brasileiro. Resumindo, chamar o vizinho de idiota, pelo menos na Bolívia, agora é programa de índio.

Cupim facial
Ao que tudo indica, o mundo da política oferece passe-livre apenas aos desavergonhados. Ainda filiada ao PFL, que faz ferrenha oposição ao presidente Lula, a maranhense Roseana Sarney não se intimidou com a possibilidade de ser expulsa do partido, e ratificou seu apoio ao candidato petista. Não bastasse o declarado apoio, Roseana inundou o Maranhão com carros de som, que na última semana veiculavam continuamente uma mensagem do presidente-candidato Lula em apoio à senadora que espera governar seu estado natal mais uma vez. Quem bem conhece a política sabe o apreço que Lula tem pelos Sarney e vice-versa. Tanto é assim, que a coluna publica, mais uma vez, o que disse Lula, tempos atrás, sobre a família que fez da praia do Calhau o seu reduto dourado. Confira abaixo.

“Olha, eu vou contar uma coisa pra vocês. Eu, quando vejo na imprensa de São Paulo as pesquisas dizendo que a Roseana Sarney é uma governadora aceita pelo povo do Maranhão... Eu conheço o Maranhão, gente. Eu já andei de carro e de ônibus neste Estado... Aí eu fico imaginando por que é que ela aparece bem nas pesquisas. Sabe por que? Por que a Globo é do pai dela, o SBT é do Lobão (Edson Lobão), a Bandeirantes é não sei de quem. Ou seja, é a televisão falando bem deles o tempo inteiro. É por isso que ela lidera as pesquisas. Porque passa o tempo inteiro, descaradamente, mentindo na televisão”.

Enganação numérica
Pesquisas eleitorais são a mais nova coqueluche das discussões nas rodas paranaenses. O instituto de pesquisa que atende Roberto Requião dá a vitória do governador licenciado como certa, com um ponto percentual de diferença em relação ao adversário Osmar Dias. Já os institutos que trabalham para o senador do PDT apontam uma vantagem que varia entre seis e sete pontos percentuais a favor de Osmar. O mais intrigante é que o instituto que trabalha para Roberto Requião pode ser o verdadeiro dono do que trabalha para Osmar Dias. Essa é a típica história do boi na linha, mas o que existe mesmo é muito dinheiro sujo no bolso de alguém.

A bolsa roda
Nos próximos dias, São Paulo será palco de dois consideráveis eventos automobilísticos. O primeiro e mais badalado, que atrai fanáticos de todo o planeta, é a Fórmula Um, que encerra suas atividades de 2006 no autódromo de Interlagos. O outro, cujos convites são cobiçados, é o Salão do Automóvel, que, via de regra, exibe, sobre rodas milionárias, os sonhos de muitos marmanjos. No contraponto, os dois eventos vão fazer da Paulicéia Desvairada, pelo menos nesses dias, a capital nacional da prostituição. Resta saber se o prefeito Gilberto Kassab vai agir em conformidade com a lei, pois aquelas dadivosas moças que dormem à tarde já estão com seus taxímetros em ponto de bala.

Rogai as nossas preces!
Pensando bem, Lula poderia ser canonizado. Ou como protetor dos mentirosos, ou como santo dos canavieiros.

Mais confusão
(17/10/05) - Verdadeiro fantasma que assombra petistas de todas as esferas, o caso da morte do ex-prefeito Celso Daniel continua proporcionando reticências inesperadas e reveladoras. A morte do legista Carlos Delmonte Printes trouxe mais polêmica ao rumoroso caso que, reaberto pelo Ministério Público paulista, mostrou que o assassinato do ex-prefeito de Santo André não foi um crime comum, mas de ordem política. Descartada a hipótese de morte natural pela polícia paulista, Printes, de origem judaica, não foi enterrado na área reservada para supostos suicidas. De mais a mais, os seguidores do judaísmo, que dificilmente praticam o suicídio, quando o fazem têm um ritual que Printes não seguiu. Por outro lado, a coluna obteve, sob a promessa de sigilo da fonte, informações oficiosas junto à Polícia Federal que confirma que o legista foi morto por uma injeção de medicamento letal

Ucho Haddad

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