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ano 6 - número 1223

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício

UH Comunicação Ilimitada

 
   
 
"A liberdade é irmã da solidão."
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Léa Waider

   
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Muito obrigado!
Agradecemos a todos aqueles que, preocupados com a saúde do editor da coluna, enviaram e-mails manifestando solidariedade e votos de imediata recuperação. É fato que a praga dos inimigos é poderosa, mas a vontade de mudar o Brasil através da notícia é ainda maior. Essa vontade, combinada à fidelidade de dezenas de milhares de leitores diários, é que faz do ucho.info uma das últimas trincheiras em defesa da dignidade de uma nação que, não é de hoje, vive sob a promessa de ser o país do futuro. Mesmo que árdua seja a conquista, esse futuro há de chegar. Muito obrigado!

Pela culatra
O núcleo da campanha do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma estratégia que tem tudo para se transformar em tiro no pé: usar o PCC contra o tucano Geraldo Alckmin, para mostrar ao eleitorado que o ex-governador paulista é o único responsável pelos ataques que aterrorizaram a Grande São Paulo, meses atrás. O risco de usar o PCC como arma eleitoral está no fato de que muito mais gente da esquerda está envolvida com a facção criminosa do que o PT palaciano imagina. (Foto: Argenpress)

Carta marcada
Se o quesito da segunda etapa da disputa presidencial for segurança pública, Lula e Alckmin estão desde já derrotados. O ex-governador de São Paulo deve explicações não só pelos ataques do PCC, mas pela universidade do crime em que se transformaram as unidades da Febem. É verdade que o governo federal tem responsabilidade direta na segurança pública dos estados, mas a culpa de Lula repousa na decisão de reduzir os investimentos no setor, previstos no orçamento da União. Por outro lado, Lula, que um dia não soube o que fazer com o mega-traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, pediu socorro ao governo de Geraldo Alckmin. Logo no início do governo do PT, coube ao ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) prometer a construção de seis presídios federais. Faltando pouco mais de dois meses para o fim do governo, apenas um presídio foi entregue.

Borracha vermelha
Consertar as barbaridades do presidente Lula não é tarefa para incompetente. Líder do governo na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) complicou ainda mais o que já estava complicado, ao tentar desfazer a confusão sobre o termo “delegado de porta de cadeia”, que Lula utilizou para se defender da inesperada agressividade do adversário Geraldo Alckmin durante o debate da Band. Chinaglia (à esquerda na foto) disse que foi um lapso de memória do presidente, pois o termo correto é “advogado de porta de cadeia”, usado para diferenciar os bons dos maus advogados. Para piorar, Arlindo Chinaglia disse que maus advogados são aqueles que soltam bandidos. Clique e confira “Partido chave de cadeia”, artigo do editor da coluna, Ucho Haddad. (Foto: planalto.gov.br)

É o fim
“Arroz, feijão e bife acebolado” e “faltam vinte dias para a oncinha beber água outra vez” são as frases que o despreparado Luiz Inácio Lula da Silva usou nos últimos dias para se dirigir ao eleitorado, como se a Presidência da República fosse uma instituição que pudesse ser comparada a um acepipe qualquer de um boteco da esquina. Falar a língua do povo não significa que o presidente esteja fazendo o melhor pelo país, da mesma maneira que merece ser acompanhado de perto o movimento palaciano rumo ao totalitarismo. Tirante o perigo de uma perpetuação no poder, no melhor estilo Hugo Chávez, bife acebolado não combina com Romanée Conti, nem mesmo com muito esforço por parte de um beberão.
(Foto: citybrazil.com.br)

Deu errado
Como noticiou a coluna logo após o debate entre Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva, o tom mais duro do candidato tucano não era uma garantia de conquista de votos. As recentes pesquisas mostram que o eleitorado reagiu negativamente à estratégia oposicionista, pois Lula, mesmo preocupado com a situação, soube tirar proveito da condição de vítima, o que não lhe transfere nenhuma aura de competência. Porém, a oposição não pode acreditar que três semanas de campanha no segundo turno serão suficientes para apagar o show de incompetência dos últimos quatro anos. Os adversários do Palácio do Planalto perderam a grande chance de impedir o avanço de Lula rumo ao segundo mandato, quando não requereram o impeachment depois que ficou provado que a campanha petista pagou o marqueteiro Duda Mendonça no exterior. Agora, como diz o adágio popular, a Inês é morta.

Abrindo o bico
A Polícia Federal espera ouvir, na próxima terça-feira, o presidente licenciado do PT e ex-coordenador da campanha do presidente Lula, deputado Ricardo Berzoini, sobre seu envolvimento no escândalo do dossiê. De acordo com reportagem publicada pelo jornal Correio Braziliense, Berzoini teria ordenado a compra do dossiê, informação que a PF já dispõe. Confirmado o envolvimento de Berzoini no imbróglio do Dossiê Cuiabá, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva corre o sério risco de impugnação, pois a compra de documentos contra candidatos tucanos beneficiaria o candidato-presidente. Fosse o Brasil um país minimamente sério, Lula já estaria automaticamente fora da corrida presidencial, ou, no máximo, disputaria a eleição sem ter a certeza de ser empossado em caso de vitória.

SS palaciana
Ainda o dossiê... A saída de cena de Márcio Thomaz bastos ministro da Justiça, tem uma explicação lógica. Por determinação do presidente Lula, que teme por sua candidatura, Thomaz Bastos tem se dedicado a acompanhar as investigações sobre o escândalo do dossiê, ordenando, nos bastidores, a cúpula da Polícia Federal, para que nada de errado aconteça no transcurso dos trabalhos. Por isso, foram mentirosas as recentes declarações do ministro Márcio Thomaz Bastos, que disse ser a PF uma polícia de Estado, quando na verdade não passa de uma polícia de um governo pífio e corrupto como tantos outros. O messianismo barato que advém do Palácio do Planalto, agregado à sanha de poder de seus ocupantes, causa preocupações das mais diversas.

Deixando de lado
Enquanto se preocupa em desmentir os boatos de privatização de algumas estatais (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Correios), o candidato Geraldo Alckmin deixa de lado a mentira sobre a demissão maciça de servidores federais. Para quem sonha com o Palácio do Planalto, conquistar os votos de quase cinco milhões de eleitores pode fazer uma sensível diferença no momento de abertura das urnas. Para complicar, a boataria rouge se encarregou de espalhar que novos concursos públicos seriam vetados em um eventual governo tucano. Ou o tucanato se mexe, ou a eleição já era.

Par ou ímpar?
O PDT, do velho governador Leonel Brizola, agora enfrenta a difícil situação de estar em cima do muro, o que marcou de maneira bem humorada o início do PSDB como partido político. Para complicar a decisão do partido do senador Cristovam Buarque (DF), candidato derrotado à presidência e um ferrenho defensor da educação, o governo Lula acenou com medidas para o setor, que na verdade não passam de remendos educacionais. A tendência do PDT é desembarcar na candidatura do tucano Geraldo Alckmin, mas tudo é possível quando o assunto é política. Caso o PDT decida apoiar o presidente Lula, é porque aos integrantes do partido falta vergonha na cara. Apenas para lembrar, Cristovam Buarque, enquanto ministro da Educação do governo do PT, foi demitido por telefone pelo próprio presidente Lula. Enfim...

Pausa para o pensamento
Encerrada a disputa presidencial, em 29 de outubro próximo, a oposição, em especial o PSDB, terá quatro anos para avaliar os erros cometidos ao longo do primeiro mandato do presidente Lula, que, segundo as recentes pesquisas, está reeleito. O maior de todos os erros, porém foi cometido muito antes do início do governo petista, mas precisamente em janeiro de 2002, mês em que foi seqüestrado e assassinado Celso Augusto Daniel, então prefeito de Santo André. O crime, longe de ter cunho político, foi comum e com traços de selvageria, além de contar com o envolvimento indireto de conhecidas figuras da política. Ter amainado nas investigações sobre o crime é fatura que o PSDB agora quita nas urnas.

Saia justa
Há dias, o senador Tião Viana (PT-AC), um dos integrantes da tropa de choque do Palácio do Planalto, passou por constrangimentos enquanto presidia uma sessão do Senado. Oposicionistas, ao fazerem uso da palavra, cumprimentaram Tião Viana pela expressiva votação obtida por Geraldo Alckmin no Acre, onde derrotou o presidente Lula. Nada de anormal existiria não fossem dois importantes detalhes. Tião Viana foi reeleito ao Senado com 63,95% dos votos válidos, enquanto seu irmão, Jorge Viana, governador do Acre, conseguiu fazer seu sucessor, Binho Marques, também do PT e atual vice-governador. Em outras palavras, Lula não é tão querido nos domínios dos Viana como muitos imaginam.
(Foto: José Cruz - Agência Senado)

Fio desencapado
Oposicionista que há muito desperta respeito e desdém entre os próprios companheiros de partido, o tucano Alberto Goldman, vice-governador eleito de São Paulo, deve ocupar uma das secretarias do governo José Serra. O próximo inquilino do Palácio dos Bandeirantes (foto abaixo), sede do Executivo paulista, já pensa em indicar Alberto Goldman para a Segurança Pública ou Infra-estrutura, áreas que o vice está responsável durante o período de transição. É preciso lembrar que na condição de imã que atrai brasileiros de todos os rincões do País, São Paulo, cuja criminalidade ultrapassa o bom senso, carece de alguém que conheça a fundo um dos fantasmas da campanha de Geraldo Alckmin. A segurança pública.

Espaço demais
Para sair da mesmice da notícia, a imprensa brasileira caiu na esparrela do deputado eleito Clodovil Hernandes. É verdade que o período eleitoral é enfadonho, mas pitadas de humor financiadas por despreparados é o que o Brasil menos precisa. Depois de afirmar que votaria a favor do Planalto em troca de dinheiro, Clodovil aterrissou na Câmara dos Deputados, ocasião em que desmentiu o que dissera dias antes. A vida marcada por polêmicas e o despreparo para a política não seriam notícia em qualquer canto do mundo. O que o deputado-costureiro quer é alguns minutos de fama extra, tendo a bizarrice como patrocinadora do feito. Resumindo, há coisas muito mais importantes a serem noticiadas.

Verdade sob chamas
O acidente aéreo ocorrido em Nova York na última quarta-feira, em que um avião monomotor colidiu com um elegante edifício localizado em Manhattan, setor da Grande Maçã que abriga quase dois milhões de pessoas, serviu para abafar os trágicos números da guerra do Iraque. Desde que invadiu a antiga Mesopotâmia, sob a desculpa de que o ex-ditador Saddam Hussein colecionava armas de destruição em massa, os EUA provocaram a morte de seiscentos e cinqüenta mil civis iraquianos. Tal situação explica o levante silencioso que tomou conta do mundo islâmico, levando as autoridades americanas a uma situação de pavor inimaginável. Com a vulnerabilidade do espaço aéreo ianque cada vez mais frágil, e isso ficou comprovado com o acidente do monomotor, a Casa Branca determinou um ostensivo monitoramento dos principais pontos de Nova York, como forma de evitar atentados terroristas. Comparadas aos milhares de mortos no Iraque, as vítimas do World Trade Center pouco representam em termos numéricos, sob a ótica do terrorismo mundial. Porém, os responsáveis pela derrubada das torres gêmeas são tratados, desde a tragédia nova-iorquina, como se animais fossem. E quem será o corajoso a julgar os americanos que destruíram mais um país estrangeiro?

Sob o tapete
Pensando bem, caso se valha do PCC, Lula estará usando uma modalidade de crime para encobrir outra.

Mais um
(13/10/05) - Carlos Delmonte Printes, médico legista que participou das investigações do caso Celso Daniel, foi encontrado morto, ontem, pela polícia de São Paulo. De acordo com os policiais, Printes, que se encontrava no interior de sua residência, teria sido vítima de problemas cardíacos, informação ainda não confirmada oficialmente. A morte do legista eleva para oito o número de pessoas assassinadas desde o polêmico caso de Santo André. Nos últimos meses o assassinato do ex-prefeito de Santo André voltou a dominar as manchetes, já que os irmãos de Celso Daniel – João Francisco e Bruno – em depoimento às CPIs voltaram a afirmar que o ex-prefeito foi morto por força de um esquema de corrupção instalado na cidade do ABC paulista.

Ucho Haddad

ucho@ucho.info

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